sexta-feira, 4 de março de 2016

Papa: primeiro passo para ser fiel a Deus é sentir-se pecador



Somente se o nosso coração está aberto, é possível acolher a misericórdia de Deus. Esta é a exortação que o Papa Francisco fez na manhã de quinta-feira (03/03), na Missa celebrada na Casa Santa Marta.
Na homilia, Francisco comentou a fidelidade de Deus e a fidelidade do seu povo. Na Primeira Leitura extraída do Livro de Jeremias, o Papa destacou que “Deus é sempre fiel, porque não pode renegar a si mesmo, enquanto o povo não presta atenção à sua Palavra. Jeremias narra de “tantas coisas que Deus fez para chamar à atenção os corações do povo”, mas o povo permanece na sua infidelidade.
Se o coração está fechado, a misericórdia de Deus não entra
“Esta infidelidade do povo de Deus – advertiu – e também a nossa própria infidelidade, endurece o coração: fecha o coração!”:
“Não deixa entrar a voz do Senhor que, como pai amoroso, sempre nos pede para abrir-nos à sua misericórdia e ao seu amor. Rezamos no Salmo, todos juntos: ‘Escutem hoje a voz do Senhor. Não endureçam o seu coração!’. O Senhor sempre nos fala assim, inclusive com ternura de pai nos diz: ‘Voltem a mim com todo o coração, porque sou misericordioso e piedoso. Mas quando o coração é duro, não se entende isso. A misericordia de Deus só é compreensível se você é capaz de abrir o seu coração para que possa entrar”.
“O coração se endurece – retomou o Papa – e vemos a mesma história” no trecho do Evangelho de Lucas, onde Jesus é enfrentado por aqueles que tinham estudado as Escrituras, “os doutores da lei que conheciam a teologia, mas eram tão, tão fechados”. A multidão, ao invés, “estava impressionada”, “tinha fé em Jesus! Tinha o coração aberto: imperfeito, pecador, mas o coração aberto”.
Pedir perdão
“Este teólogos”, acrescentou o Papa, “tinham um comportamento fechado! Sempre buscavam uma explicação para não entender a mensagem de Jesus”, pediam-lhe um sinal do céu. Sempre fechados! Era Jesus que tinha de justificar aquilo que fazia”:
“Esta é a história, a história daquela fidelidade falida. A história dos corações fechados, dos corações que não deixam a misericórdia de Deus entrar, que se esqueceram da palavra ‘perdão’, perdoa-me Senhor, simplesmente porque não se sentem pecadores: se sentem juízes dos outros. Uma longa história de séculos. Esta fidelidade falida Jesus a explica com duas palavras chaves, para por fim, para terminar o discurso desses hipócritas: Quem não está comigo, está contra mim. Ou você é fiel, com o seu coração aberto, ao Deus que é fiel a você ou você está contra Ele: ‘Quem não está comigo, está contra mim’.”
Fidelidade a Deus
“Mas é possível um meio termo, uma negociação”, se pergunta o Papa. “Sim”, é a sua resposta. “Existe uma saída: se reconheça pecador! Se você diz: sou pecador, o coração se abre e entra a misericórdia de Deus e você começa a ser fiel:
“Peçamos ao Senhor a graça da fidelidade. O primeiro passo para caminhar nesta estrada da fidelidade é sentir-se pecador. Se você não se sente pecador, você começou mal. Peçamos a graça para que o nosso coração não se endureça, que seja aberto à misericórdia de Deus e à graça da fidelidade. Peçamos, nós, infiéis a graça de pedir perdão.”

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Os cinco defeitos de Jesus


O cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan teve como lema de vida a esperança que enche de amor o momento presente. Mantido prisioneiro pelo regime comunista durante 13 anos, 9 dos quais em total isolamento, não ficou de “braços cruzados” esperando a libertação; ao contrário, com a criatividade própria do amor, fez-se amigo dos carcereiros, construiu para si um crucifixo, celebrou a eucaristia clandestinamente e escreveu três livros. Depois de uma vida luminosa, morreu vitimado pelo câncer em setembro de 2002. Em 2010 a Igreja iniciou seu processo de beatificação.


Os cinco defeitos de Jesus
Van Thuan declara-se apaixonado pelos defeitos de Jesus e os descreve no livro “Testemunhas da esperança”:
PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “…hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.
A memória de Jesus não é igual à minha…
SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado… “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7).
Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais.
TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa… procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma… (Lc 15,8-10)… de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma… O coração tem motivações que a razão desconhece… Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte…” (Lc 15,10).
QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados… Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias…
Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.
Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)…
Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua… Vai que este aventureiro tem razão…? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira…! “A quem iremos?”…
QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? …
Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida… Em que medida? Infinita.
Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.
Fonte : Canção Nova



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sobre a Ação de Graças após a Comunhão!


A ação de graças após a Comunhão é, segundo São Pedro Julião Eymard, o momento mais solene da nossa vida, durante o qual temos à nossa disposição o Rei do Céu e da Terra, pronto a satisfazer todo e qualquer pedido.




Numa igreja de Roma, em fins do século XVI, o sacerdote termina de celebrar a Missa e sai apressadamente da sacristia. Anda pela rua a passos rápidos, impelido por importantes ocupações de seu ministério. Não sem grande surpresa, percebe que seus dois coroinhas, revestidos ainda de túnica e sobrepeliz o alcançam e se põem a seu lado, portando cada qual uma vela acesa... Os transeuntes abrem alas, com respeito, como para a passagem do Santíssimo Sacramento.
- O que estão fazendo? - pergunta aos jovens.
- O padre Filipe nos mandou seguir o senhor!
O ministro de Deus logo compreende sua falta. Recolhido e contrito, retorna à igreja para fazer a ação de graças, sempre seguido pelos coroinhas com suas velas acesas, que indicavam a todos a presença da Sagrada Eucaristia...1
Deste modo inequívoco, com traços de amabilidade, o fundador da Congregação do Oratório, São Filipe Neri, procurava advertir seus padres da suma importância de fazer com respeitoso recolhimento a ação de graças após a Sagrada Comunhão.

Ora, o que o Santo florentino via e lamentava em sua época, vemo-lo também nós, mutatis mutandis, no século XXI: muitas vezes, até mesmo pessoas bem intencionadas descuram o período de ação de graças, não dando a devida importância às Sagradas Espécies que acabam de receber.


Fonte: http://comosercristacatolica.blogspot.com.br/

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A função da música na Liturgia

Catecismo da Igreja Católica aponta-nos que: “O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por ‘estarem intimamente ligados à ação litúrgica’, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unanime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis: ‘Quando chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causava! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu coração. Um grande elã de piedade, e elevava, e as lágrimas corriam-me pela face, mas me faziam bem”’.
E se resta-nos alguma dúvida sobre o que é uma música litúrgica e, ao mesmo tempo, seu uso, a CNBB nos mostra de forma bastante clara: “Quanto mais uma obra musical se insere e se integra na ação litúrgica e em seus diversos ritos, ‘aqui e agora’, e na celebração comunitária, tanto mais é adequada ao uso litúrgico. Ao contrário, quanto mais uma obra musical se emancipa do texto, do contexto, das leis e ritos litúrgicos, muito embora se torne demonstração de arte e de cultura ou de saber humano, tanto mais é imprópria ao uso litúrgico”.
Assim, podemos perceber que o canto é extremamente importante na Celebração dos Santos Mistérios, de forma especial da Santa Missa e da Liturgia das Horas. A Igreja nunca deixou de afirmar, mas sempre salientou e o continua fazendo de que há uma maior nobreza e solenidade ao usar o canto da Liturgia, sendo a música sempre sua expressão profunda.
Como colocado acima, o canto é necessário e desejado sendo que, inclusive, por meio dele se atinge uma participação ativa e frutuosa na Missa. Porém, por mais que a Igreja incentive os cantos, não tolhendo nenhuma forma cantual ou musical, ela nos concede uma liberdade para escolhê-los, dentro de normais gerias que, na verdade, nada mais são que expressões simples de bom senso daqueles que têm o ministério musical.
A primeira regra é que os cantos da Santa Missa devem ser escolhidos segundo o Tempo Litúrgico, a tônica da Celebração e seu próprio lugar dentro dela. A outra norma geral é que, há sempre necessidade de fidelidade às normas litúrgicas ao se escolher os cantos, especialmente ao não se substituir hinos litúrgicos por cânticos que falam uma o u duas palavras da forma original (não é porque um canto diz “Glória” que ele poderia ser usado no Hino de Louvor). Por fim, há uma terceira regra geral e que, de certa forma, gera as outras duas: é um direito de todo cristão católico ter música de boa qualidade e idônea na celebração da Santa Missa.
Independentemente de que forma musical foi escolhida, é dever de todos sempre zelar pela universalidade da Liturgia, neste caso, os fiéis devem aprender a cantar sua parte me vernáculo e, sempre que possível, em latim, também pro um pedido expresso do Concílio ao dizer-nos que: “A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene”. Abaixo, falaremos mais sobre a possibilidade de implementação e retorno ao patrimônio musical da Igreja para nossas celebrações.
Ao falarmos de repertório, porém, recordamos que nem sempre se é possível achar um cântico bom (ou seja, que tenha conteúdo, melodia…) e que encaixe-se dentro de determinada parte da Santa Missa ou da Liturgia católica, por isso, a Igreja expressou-nos a sua preocupação atual sobre a música ao dizer que: “Portanto, é necessária uma renovada e mais profunda consideração dos princípios que devem estar na base da formação e da difusão de um repertório de qualidade. Somente assim se poderá permitir que a expressão musical sirva de modo apropriado a sua finalidade última, que ‘é a glória de Deus e a santificação dos fiéis”’.
Trecho retirado do livro: Entrarei no altar de Deus

segunda-feira, 30 de março de 2015

O que é Semana Santa



A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.

Domingo de Ramos O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.

Quinta-feira Santa Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:
Bênção dos Santos Óleos Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:
Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.
Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.
Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.
Sexta-feira Santa Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.
Sábado Santo No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.
Vigília Pascal Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.
Domingo de Páscoa A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-Feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.
A data da Páscoa A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. Domingo de Carnaval - 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas - 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos - 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo - 49 dias depois.Corpus Christi - 60 dias depois.
Símbolos da Páscoa Cordeiro: O cordeiro era sacrificado no templo, no primeiro dia da páscoa, como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo. Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (1Cor 5, 7). João Batista, quando está junto ao Rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jô 1, 29 e 36).Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados ( Is 53, 7-12). Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. ( Ap 5,6.12; 13, 8).
Pão e vinho: Na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.
Cruz: A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicéia, em 325 d.C., Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.
Círio Pascal: É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda a treva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois cravam-se cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus, e as letras “alfa” e “ômega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significam o princípio e o fim de todas as coisas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O que é uma Carta Encíclica?



carta-encíclicaCarta Encíclica é uma circular que o Papa envia a todos os bispos, sacerdotes, diáconos e leigos do mundo católico, sobre um determinado assunto que o Papa quer ensinar.  Já nos primeiros séculos da Igreja os Bispos escreviam cartas circulares aos seus irmãos no episcopado a respeito de assuntos doutrinários ou disciplinares. A primeira encíclica que se conhece foi escrita pelo Papa São Clemente (89-98) aos cristãos de Corinto, para pacificar discórdias que ali havia.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Caridade, base da vida fraterna

Caridade, base da vida fraterna

“Jesus Cristo é a nossa paz, é aquele que fez de dois um só povo.”
virtude_caridade
E Ele mesmo, antes de ascender ao céu, diz aos discípulos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”.

Mas que paz é esta que Cristo nos dá e em cujo vínculo se conserva a unidade do espírito?
É a caridade recíproca através da qual procuramos amarmo-nos uns aos outros.(…) Dessa fala Beato Pedro quando adverte: “Sobretudo conservai uma caridade recíproca e ininterrupta”.
O que significa caridade recíproca se não “o que é meu é também teu”?
Isto é tudo aquilo que eu digo quando falo dos meus averes com uma pessoa que amo.
A caridade recíproca é mútua, não pode ser privada da comunhão de amor. E para além de ser recíproca deve ser também ininterrupta, d’outra forma, não existirá nem vínculo de paz nem ligação de amor. É ininterrupta a caridade que se fundamenta na verdade, que não é fragmentada por rancores ou suspeições, mas que invés é constantemente nutrida com aceitação e submissão reciprocas; que é protegida com delicadeza e prudência para que não diminua; que não é escurecida por nenhum fingimento.(…)
De consequência, que ninguém se lisongeie do amor de Deus, que ninguém se engane pensando que o ama: se não ama o próximo não ama Deus.(…)
De que outro modo poderia dar benefício a Deus se não dando benefícios àquele no qual Ele se encontra necessitado? Porque em si mesmo Deus não precisa de nada: é nos seus membros que Ele pede e recebe, que é amado e desprezado.
Portanto, no querer bem ao próximo, através de um ligame de amor e um vínculo de paz, o amor de Deus e a unidade do espírito são em nós preservados (protegidos).
Quem não quer bem ao irmão retira-se da unidade do espírito, não ama Deus e não vive do espírito de Deus, mas do seu próprio espírito: vive,enfim, de si mesmo, não de Deus.”
——————————
De “De vita coenobitica, seu communi”, de Baldovino di Ford (1120-1190),(nn. VIII-IX, tradução de E.A. Mella, Magnano 1987,p. 46-51). Fonte: http://www.comshalom.org/


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Vida: direito de todos - “Ouvi o coração do meu filho e desisti do aborto”


“Quando ouvi o barulho do coração do meu filho percebi que ele estava apavorado, porque sabia que a sua mãe estava querendo matá-lo”.

Com essas palavras fortes trazemos até você mais um testemunho de uma mãe que, num contexto de morte, fez a opção pela vida. Trata-se de Ângela Menezes, uma mãe que ficou grávida ainda jovem e – apoiada e pressionada por “amigos”, professores e pessoas mais próximas – correu em direção a uma clínica de aborto para ceifar a vida de seu filho.

Ângela conta que estava tudo certo para viajar com mais três amigos e fazer um mestrado no exterior quando ainda tinha 19 anos de idade. Numa única relação sexual, descobriu que estava grávida e, num primeiro plano, viu os seus sonhos profissionais irem por água abaixo por causa da gravidez indesejada naquele momento. “Nessa hora apareceram várias pessoas pedindo que eu abortasse. Colegas e professores eram os que mais me pressionavam dizendo que eu poderia engravidar mais para frente, depois que concluísse meus estudos”.

Nesse momento, ela se viu muito confusa porque tinha a educação católica, implantada por seus avós, em seu interior. “Mesmo assim, eu decidi ir para uma clínica, acompanhada de uma ‘amiga’ que já tinha feito aborto e também pela mãe desta que também tinha feito 6 abortos”.

Ângela conta que, antes do procedimento para a retirada do feto, uma médica colocou o aparelho que media o batimento cardíaco e ouviu o barulho de um coração muito acelerado. “Eu ouvi aquele batimento cardíaco muito acelerado e disse à doutora: ‘Nossa! Não imaginei que eu estivesse tão nervosa’. De uma forma muito natural a médica disse: ‘Este coração acelerado não é o seu, é o coração do feto”, partilha.

Naquele momento, essa mãe disse que deu um salto da maca, porque ouviu – através do batimento cardíaco do seu filho ainda no ventre – o seu desespero porque sabia que algo de errado estava para acontecer com ele.

Angela saiu da clínica desesperada e chorando muito, foi a uma igreja e na capela encontrou um sacerdote. Arrependida, disse ao padre o que havia acontecido. Ela se confessou e decidiu ter o seu filho, Guilherme, que hoje está com 17 anos de idade.

“Não existe gravidez indesejada, pois toda vida é desejada por Deus!”, testemunha.


Não é necessário pensar como aqueles que querem aprovar o aborto, é questão de consciência, não precisamos votar em quem apoia ou não apoia, é necessário sermos católicos e rezar para a salvação e conversão deles.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Dom Athanasius Schneider: ‘Estamos na quarta grande crise da Igreja

“É bastante insignificante ser popular ou impopular. Para todo membro do clero, o seu primeiro interesse deveria ser o de ser popular aos olhos de Deus e não aos olhos do mundo de hoje ou dos poderosos. Jesus alertou: ‘Ai de vós, quando vos louvarem os homens.’ Popularidade é algo falso… Os grandes santos da Igreja, como, por exemplo, Thomas More e João Fisher, rejeitaram a popularidade… aqueles que hoje em dia estão preocupados com a popularidade dos meios de comunicação e a opinião pública… serão lembrados como covardes e não como heróis da Fé.”

* * *
Durante uma viagem à Inglaterra, o bispo nascido na União Soviética diz que a Igreja hoje em dia está experimentando uma ‘confusão tremenda’.
Por Sarah Atkinson – Catholic Herald | Tradução: Fratres in Unum.com - Os liberais, colaborando com o “novo paganismo”, estão levando a Igreja Católica em direção a uma divisão, de acordo com Dom Athanasius Schneider, o especialista litúrgico que está travando uma luta contra os “abusos” na Igreja.
Dom Athanasius Schneider celebra Missa Solene Pontifical durante a peregrinação da Latin Mass Society a West Grinstead em Sussex (Foto: Joseph Shaw)
Os problemas são tão sérios que Dom Schneider disse, em uma entrevista na semana passada, que esta é a quarta grande crise na história da Igreja, comparável à heresia ariana do século IV, na qual grande parte da hierarquia da Igreja estava envolvida.
Se você não ouviu sobre o bispo nascido na União Soviética, você o fará. O clérigo sincero e erudito é bispo auxiliar da distante arquidiocese de Santa Maria, em Astana, no Cazaquistão. Mas este mês ele recebeu as boas-vindas de um astro de rock de fiéis de todo o país em sua viagem à Inglaterra e abraçou o ciberespaço para transmitir uma defesa incisiva e tradicional da Igreja. “Graças a Deus, existe a internet,” ele disse.
As opiniões dele não são populares para todo mundo, especialmente para alguns de seus confrades liberais, ou, diz ele, com os meios de comunicação predominantes do mundo secular. Porém, o seu público diz outra história.
Dom Schneider é mais conhecido por defender que a Santa Comunhão deve ser recebida sobre a língua e de joelhos, o que ele insiste ser a maneira mais eficiente para promover o respeito ao Sacramento e impedir abuso das Hóstias Sagradas. O bispo de 53 anos de idade também convocou um esclarecimento (um novoSyllabus de Erros), direcionado ao clero, para pôr um fim ao vale tudo litúrgico e doutrinal em uma série de questões relacionadas ao “espírito do Vaticano II”.
Em sua entrevista, Dom Shneider disse que o tratamento “banal” e casual do Santíssimo Sacramento é parte de uma crise maior na Igreja em que alguns leigos e clérigos, incluindo alguns em cargos de autoridade, estão tomando partido do lado da sociedade secular. O cerne dos problemas, ele acredita, está na introdução furtiva de uma agenda centrada no homem, ao passo que em algumas igrejas Deus, presente no sacrário, de fato está fisicamente colocado em um canto, enquanto o sacerdote ocupa o centro. Dom Schneider argumentou que essa situação agora está chegando a um ponto crítico. “Eu diria, estamos na quarta maior crise [da Igreja], em uma tremenda confusão sobre doutrina e liturgia. Já estamos nessa situação há 50 anos.”
Até quando ela perdurará? “Talvez Deus será misericordioso para conosco em 20 ou 30 anos.”
No outono [europeu], o sínodo dos bispos se reunirá em sessão extraordinária para discutir a família, à luz do questionário que ao Papa Francisco convidou os fiéis para preencher, dando suas opiniões sobre o matrimônio e a sexualidade. Crescem as expectativas de que as regras serão relaxadas em uma gama de assuntos sexuais e em termos de pessoas divorciadas recebendo a Comunhão como sinal de “misericórdia” da Igreja.
Essas opiniões, de acordo com Dom Bishop Schneider, revelam a profundidade do problema. “Penso que essa questão da recepção da Sagrada Comunhão por recasados explodirá e revelará a crise real na Igreja. A crise real da Igreja é antropocentrismo e o esquecimento do cristocentrismo…
“Esse é o mal mais profundo: o homem ou o clero se colocando no centro quando estão celebrando a liturgia e quando alteram a verdade revelada de Deus, por exemplo, com relação ao sexto mandamento e a sexualidade humana.”
Embora ele diga que as conversas de mudança parta principalmente dos “meios de comunicação anticristãos”, ele vê clérigos e católicos leigos que “colaboram” com o que ele chama de novo paganismo. Dom Schneider é particularmente crítico quanto à ideia de que essas mudanças devem ser feitas para usar de misericórdia com aqueles atualmente banidos da recepção dos Sacramentos. “[Isso é] um tipo de sofisma,” ele disse. “Isso não é misericórdia, isso é cruel.”
Ele deu a entender que este era “um falso conceito de misericórdia”, dizendo: “Ela se compara a um médico que dá açúcar a um paciente [diabético], embora ele saiba que ela irá matá-lo.”
O bispo acredita que há paralelos claros com as grandes crises do passado, quando padres em posição de liderança eram cúmplices com as heresias. Na heresia ariana, ele disse, contando nos dedos da mão, somente um punhado da hierarquia resistiu. “Nós [cristãos] somos uma minoria. Estamos rodeados de um mundo pagão muito cruel. A tentação e desafio de hoje em dia podem ser comparados aos primeiros séculos.”
Ele acrescentou: “Infelizmente havia… membros do clero e até mesmo bispos que colocavam grãos de incenso em frente da estátua do imperador ou de um ídolo pagão ou que  entregavam os livros da Sagrada Escritura para serem queimados. Naqueles tempos, esses cristãos e clérigos colaboracionistas eram chamados de thurificati ou traditores.”
E hoje em dia, prosseguiu ele, também temos aqueles que colaboram, são os “traidores da Fé”.
O Papa Francisco é visto como à frente de uma postura liberal vinda de Roma. Porém, Dom Schneider diz: “Graças a Deus, o Papa Francisco não se expressou dessa maneira como os meios de comunicação esperam dele. Até agora, em suas homilias oficiais [ndr: estaria Sua Excelência fazendo uma sutil distinção entre homilias oficiais e aquelas da Casa Santa Marta?...], ele proclamou a belíssima doutrina católica. Espero que ele continue ensinando a doutrina católica de maneira muito clara.”
O bispo disse que espera que “a maioria dos bispos ainda tenham o espírito católico e fé o bastante para rejeitar a proposta e não aceitá-la”.
Todavia, ele pode prever uma divisão se aproximando, por fim, levando a uma renovação da Igreja em linhas tradicionais. Mas, ele acredita que isso não acontecerá antes da crise ter mergulhado a Igreja ainda mais em desordem. Por fim, ele acha que o sistema clerical “antropocêntrico” [centrado no homem] irá desmoronar. “Esse edifício clerical liberal irá desabar porque eles não têm raízes e não têm frutos,” ele disse.
Na confusão, Dom Schneider receia que os católicos tradicionais, por um tempo, serão perseguidos e discriminados novamente, mesmo sob as ordens daqueles que têm “poder nas estruturas exteriores da Igreja”. Porém, ele acredita que as pessoas envolvidas na “heresia não prevalecerão novamente contra a Igreja”. E, na esperança, o bispo disse: “O Supremo Magistério certamente emitirá uma declaração doutrinal inequívoca, rejeitando qualquer colaboração com as ideias neo-pagãs.”
Nessa altura, Dom Schneider crê que os thurificati et traditores modernos deixarão a Igreja. “Posso assumir que essa separação irá afetar cada nível dos católicos: leigos e até mesmo o alto clero,” ele disse.
Provavelmente, esses comentários não darão popularidade a Dom Schneider em alguns círculos, mas ele argumenta: “É bastante insignificante ser popular ou impopular. Para todo membro do clero, o seu primeiro interesse deveria ser o de ser popular aos olhos de Deus e não aos olhos do mundo de hoje ou dos poderosos. Jesus alertou: ‘Ai de vós, quando vos louvarem os homens.’”
Ele acrescentou: “Popularidade é algo falso… Os grandes santos da Igreja, como, por exemplo, Thomas More e João Fisher, rejeitaram a popularidade… aqueles que hoje em dia estão preocupados com a popularidade dos meios de comunicação e a opinião pública… serão lembrados como covardes e não como heróis da Fé.”
Dom Schneider observa pesarosamente que há muitos cujos pontos de vista coincidem com os pagãos que “se declaram católicos e até mesmo fiéis ao Papa”, ao passo que “aqueles que são fiéis à fé católica ou aqueles que promovem a glória de Cristo na liturgia” são rotulados de extremistas.
Esses críticos podem afirmar que os receios de Dom Schneider sobre a Sagrada Comunhão é como se preocupar sobre o sexo dos anjos. Mas o bispo insiste que o tratamento da Eucaristia está no próprio coração da crise. “A Eucaristia está no coração da Igreja,” ele disse. “Quando o coração está fraco, todo o corpo está fraco.”
Ele argumentou que receber a Comunhão nas mãos “contribui gradualmente para a perda da fé católica na Presença Real e na transubstanciação”.
Dom Schneider rejeitou também a ideia de que a preocupação pela liturgia é menos importante ou até mesmo separado da preocupação com os pobres. “Isso é um erro. O primeiro mandamento que Cristo nos deu foi adorar somente a Deus. A liturgia não é um encontro com amigos. A nossa primeira tarefa é adorar e glorificar a Deus na liturgia e também em nosso modo de vida. A partir de uma verdadeira adoração e amor a Deus cresce o amor pelos pobres e por nosso próximo. Essa é uma consequência.”
A opinião do bispo foi moldada pelos primeiros anos de sua infância, crescendo como um católico alemão perseguido na União Soviética, onde ele tinha que frequentar aulas de ateísmo na escola. Seu livro Dominus Est revela como a comunidade católica alemã manteve viva a sua fé apesar de graves dificuldades e perseguição. Em sua própria experiência, sua mãe e tia-avó se arriscaram muito por sua fé e em nome de outras pessoas na comunidade. Assim, Dom Schneider e sua família ficaram horrorizados pelas atitudes e práticas liberais no Ocidente, especialmente com relação à Sagrada Comunhão, que havia sido tão rara e tão preciosa para os católicos alemães perseguidos da União Soviética.
De modo semelhante ao menininho na história da Roupa Nova do Imperador, o bispo agora sente-se impulsionado a falar claramente e não consegue entender porque as outras pessoas não fazem o mesmo. “Parece que a maioria dos padres e dos bispos estão contentes com este uso moderno da Comunhão na mão… Para mim isso é inacreditável. Como é possível, quando Jesus está presente nas pequenas Hóstias?”
Ele continuou: “Há um fato doloroso da perda dos fragmentos eucarísticos. E os fragmentos da Hóstia consagrada são esmagados pelos pés. Isso é horrível! Nosso Deus é pisoteado em nossas igrejas!”
Dom Schneider admitiu que está “muito triste por sentir-se gritando no deserto”.
Ele disse: “É hora dos bispos levantarem suas vozes por Jesus Eucarístico, que não tem voz para se defender. Aqui está um ataque ao Santíssimo, um ataque à fé eucarística.”
Mas apesar de seus receios, Dom Schneider não é pessimista e acredita que já existe uma onda de apoio aos valores tradicionais que renovarão a Igreja com o tempo: “Os pequeninos na Igreja têm sido deixado de lado e negligenciados”, disse. “[Porém] eles têm mantido a pureza de sua fé e representam o poder verdadeiro da Igreja aos olhos de Deus e não daqueles que estão no controle.
“Falei aos jovens estudantes em Oxford e fiquei tão impressionado com esses estudantes. Fiquei tão contente de ver a sua pureza, fé e convicções, e a clara mentalidade católica. Isso irá renovar a Igreja. Assim, estou confiante e esperançoso também com relação a esta crise na Igreja. O Espírito Santo vencerá esta crise com este pequeno exército.”
E acrescentou: “Não estou preocupado com o futuro. A Igreja é a Igreja de Cristo e Ele é a cabeça real da Igreja, o Papa é somente o vigário de Cristo. A alma da Igreja é o Espírito Santo e Ele é poderoso.”
O livro de Dom Athanasius Schneider Dominus Est: É o Senhor! foi publicado pela Newman House Press. Sua obra Corpus Christi: Holy Communion and the Renewal of the Church [A Sagrada Comunhão e a Renovação da Igreja], foi publicado pela Lumen Fidei Press.