quarta-feira, 31 de março de 2010

A espiritualidade da cruz. Parte II


A tua luta com a cruz

Aceita o sinal da cruz que DEUS colocou sobre toda a tua vida. Ele marcou o teu caminho e todas as tuas provas. Não rejeites, pois rejeitarias assim a força de DEUS sobre ti e Seu amor em ti. Levando a cruz, levas o Senhor pelo mundo, mesmo se tiveres que levar a cruz da incompreensão, do fracasso, da doença ou da amargura interior. Este é o caminho que o Santo Anjo nos ensina.
O crucifixo nas tuas mãos, no altar, diante de teus olhos, é a imagem da morte de CRISTO, da Sua hora redentora, hora suprema. Sempre que olhas para a cruz com amor, serás tocado por um raio da graça desta plenitude da Redenção. Por isso, não deves passar indiferente diante deste sinal da tua salvação sem saudar o Senhor, pelo menos no teu interior. Saúda-lhe com todo o teu amor. Então, este sinal da cruz se fará cada vez mais clara e forte em ti, e serás capaz de irradiar e transmitir as graças da redenção.
Tens mais necessidade do sinal da cruz quando estás desalentado no combate contra as tuas fraquezas de caráter. Quantas vezes dizes: Vou desistir, não vale a pena, nada tem sentido. Se tivesses força para persignar-te nestes momentos, poderias ver tudo de repente, com olhos diferentes. Reconhecerias que o Senhor não te deixa cair. Ele te espera, vai atrás de ti e te acolhe em Seus braços.
Se quiseres tomar uma decisão importante que te aproximes mais de DEUS, imediatamente o mundo te oprimirá com solicitações, repreensões ou enganos tendo cada qual o mesmo fim: que tu não te entregues a DEUS. No início, o caminho para DEUS encontra sempre essa dificuldade. Olha para a cruz do Senhor. O seu olhar vai mais longe. Ele vê o mundo com toda a sua miséria e necessidade de ser salvo. O seu olhar penetra a eternidade. As suas medidas não são as medidas do mundo, e Ele quer que aceites as Suas, isto é, que estejas pronto para cumprir amorosamente a vontade de DEUS, servindo assim à tua própria salvação e à salvação dos teus irmãos.
Em todos os caminhos para DEUS está a cruz que nos abriu o céu e agora espera que nós entremos juntamente com ela. Agora tens que dar testemunho. DEUS prova o teu amor. Se ousas fazer tudo para Ele até morrer, toda a fraqueza e covardia desaparecerão. Com a cruz na mão, superarás com facilidade todas as dificuldades.
Por causa da cruz haverá combate até o último dia, pois para o mundo a cruz é sempre uma loucura, um escândalo. Tu também, se te proclamas abertamente pela cruz, ouvirás palavras de desprezo, inclusive de desonra. Olha, como o Senhor foi desonrado, - e não grites quando o teu ambiente te rouba a honra por causa de CRISTO.
O amigo da cruz é um homem que transcende o visível. O seu coração se eleva sobre o passageiro, a sua conversação está nos céus. Vive na terra como estrangeiro e peregrino. É um verdadeiro “portacristo” ou melhor um CRISTO vivente que pode dizer: Já não vivo eu, mas CRISTO vive em mim.
Às vezes, pensamos que aqueles que têm muitos dons possuem o ESPÍRITO SANTO, mas muito mais ainda, são os que levam uma cruz em união com CRISTO. O ESPÍRITO SANTO nos leva sempre por meio da cruz em CRISTO ao PAI.
A cruz continua sendo um sinal distintivo. Nosso Senhor JESUS CRISTO morreu na cruz. Quem reconhece o essencial da cruz, para ele, tudo o mais perde a importância. Mas, o que não tem importância, isto não se deseja. Por isso, os que reconhecem o essencial, o valor da cruz, ficam sem desejos. Quem ama a via sacra do Senhor, quem caminha com Ele, sempre aonde o Senhor o conduza, aprende a elevar-se sobre o mundo e a vencer por meio da cruz.
Queremos levar o Senhor na cruz ao mundo. Queremos levá-l’O ao interior dos nossos quartos e lugares de trabalho. Amém
Rezemos pela nossa própria conversão: um Pai nosso, uma Ave Maria e um Gloria ao Pai.

terça-feira, 30 de março de 2010

A espiritualidade da cruz

Todo homem é para si mesmo o maior mistério e o mais difícil problema.

Cristo é o sumo sacerdote e vítima que se entrega ao PAI, a cruz é o seu altar de sacrifício. Desde a cruz, JESUS nos ensina a doutrina mais sublime do amor, por isso a cruz também é a sua cátedra. E na cruz, CRISTO está coroado de espinhos, mas desde ali ele governará misericordiosamente o mundo como Rei, e a cruz é o seu trono.
Fomos batizados na morte de CRISTO, escreve São Paulo, fomos crucificados com Ele. O mistério do batismo significa unir-se a Nosso Senhor crucificado para participar também na sua ressurreição.
Cada subida de um alpinista a uma montanha com a cruz em cima requer o exercício da renúncia. Deve-se vencer o cansaço e o desânimo até que finalmente chegue à sua meta. Lá em cima a vista amplia-se. Assim é também com a ciência da cruz, aprendendo com a cruz a alma torna-se mais madura, com um olhar mais amplo que vê ao essencial. Este esforço, que vale a pena, é o que chamamos a espiritualidade da cruz.
Qual é a espiritualidade da cruz? Em 1 Cor 3,1 lemos: com leite vos criei, e não com carne... Esta comida forte, da qual São Paulo está falando, muitos interpretam como sendo a espiritualidade forte da cruz, é a luta contra si mesmo.

A nossa imitação de CRISTO como amigos da cruz
O mesmo CRISTO nos chama ao seguimento da Cruz (cf. Mt 16,24). Pois Ele não veio para trazer a paz, mas a espada, a cruz (Mt 10,34). Por isso, os santos, amigos da cruz, se distinguem pela sua inclinação amorosa para a cruz. Eles estão preparados e dispostos a deixar-se cravar com CRISTO na cruz (cf. Gal 2,19). Porque o Filho de DEUS assumiu a condição de servo (cf. Fil 2,7), eles levam diante de DEUS, o título honorável de servos, segundo o exemplo dos apóstolos (cf. Tg 1,1; Jd 1) e dos Santos Anjos (cf. Ap 19,10; 22,9).
Em cada santa Missa somos colocados sob a cruz. Quando escutamos a palavra de DEUS dizendo: Se alguém quiser vir após Mim... (cf. Mt 16,24), pensamos que isso parece muito duro, que nos dá medo, negar-nos a nós mesmos, abandonar-nos, não pensar mais nos bens deste mundo para pensar somente no céu. Pensemos talvez que isto é para os que têm vocação de santos e mártires, mas não para nós.
Mas, resulta que o Senhor veio para salvar a todos. Aceitar a cruz custa, porque ninguém gosta do sofrimento, nem da dor. Por isso, para aceitar a cruz é preciso:
- pedir a graça a DEUS
- amar profundamente a DEUS e entender o sacrifício de estar pregado numa cruz por amor e pela salvação de toda a humanidade
- somente através do amor em CRISTO se pode entender e amar a cruz.
A maioria de nós chegou a entender o amor através da dor. São Pedro escreve (1 Pe 4,13): Alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de CRISTO, para que também na revelação da Sua glória vos regozijeis e alegreis. Devido a este sinal santo da cruz, que – desde o batismo – leva-se na frente como uma marca para toda a eternidade, o Redentor nos leva com Ele na Sua via sacra. Por este sinal, Ele nos conta entre os seus fiéis. Onde estiver o Senhor, deve estar também o servo. Não tenhas medo da cruz. É o sinal de triunfo, o sinal da tua eleição, a tua chave para o céu.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A oração de Cristo


Santo Tomás, entre outras partes de sua Obra, dedica a Questão 21, na III Parte da Summa Theologiae para falar da “Oração de Cristo”. Ele trata esse tema em quatro Artigos, cujo primeiro se intitula “Convinha a Cristo orar?” Comentemos brevemente alguns pontos deste Artigo, ralacionando-os à vida espiritual.
Após colocar três argumentos para a tese de que “parece que não cabia a Cristo orar”, o Santo Doutor Angélico responde a tais argumentos para a tese de que convinha sim que Cristo orasse com a já conhecida maestria. Sem nos delongarmos com cada argumento contrário posto antecedente por Santo Tomás, vamos logo à justificativas da tese de que “Cabia a Cristo orar”.
O Doutor Universal inicia com uma citação do Evangelho de Lucas: “Sed contra est quod dicitur Lc 6,12: Factum est in illis diebus, exit in montem orare et erat pernoctans in oratione Dei". De fato, no Evangelho de Lucas várias vezes o Senhor aparece orando a sós (Lc. 3,21; 5,16; 9,18. 28). Aqui temos um fundamento bíblico-histórico: Jesus orou. Tomás parte exatamente deste argumento, e ele por si só já seria suficiente para responder e justificar a tese principal, de que cabia a Cristo orar. Todavia, o Santo Doutor Angélico continua no Respondeo explicando porque convém a Cristo orar.
Em primeiro lugar porque Cristo tem uma vontade humana: “Se em Cristo houvesse uma única vontade, a divina, não lhe competiria de modo algum orar, porque a vontade divina realiza por si mesma o que quer”. Cristo ora porque é verdadeiro homem e reconhece na sua oração necessitar de Deus.
Ademais, a oração de Cristo tem o propósito de ensinar. Primeiramente que Ele é Filho, ao chamar a Deus de “Pai” na oração, e que Ele mesmo viera do Pai. Depois, dar o exemplo aos discípulos da necessidade da oração, pois Ele mesmo, sem necessitar, orava.
Qualquer olhar mais atento sobre os Evangelhos nos mostra um Jesus orante, que passava longas oras em intimidade com o Pai. A oração de Jesus tem ainda um caráter revelador: ensina sobre Deus Pai de um modo jamais visto. Outro aspecto importante a se notar é a constância da oração de Cristo. Hodiernamente, num mundo tão “plural” e superficial, onde os compromissos duradouros são rejeitados e os propósitos são afastados ou mudados quando sobrevém a dificuldade, o exemplo da constância de Jesus na oração é uma indicação precisa e concreta para a vida espiritual, pelo menos para quem quer levá-la a sério a solidez espiritual passa pela constância na oração, onde Deus vai lentamente moldando os afetos, fortificando a vontade no bem e orientando a inteligência para a verdade. Assim se pode crescer e, como Jesus, saber o que é orar com intimidade ao Pai celestial.

sábado, 27 de março de 2010

Domingos de Ramos da Paixão do Senhor


“Não lhe resisti, nem voltei atrás” (Is 50,5b)
Jesus sobe a Jerusalém. É chegada a hora e Jesus sempre fora consciente disso. Foi para essa hora que Ele viera a este mundo. É início da Páscoa de Cristo e da nossa Páscoa. Jesus entra em Jerusalém como um rei: montado, sendo aclamado, louvado. Era comum entre os judeus a espera de um rei-messias, do ungido de Deus que iria libertar Israel do domínio romano e restaurar a realeza em Jerusalém. Um descendente de Davi, conforme previam as Escrituras. Esse rei havia chegado. Todavia, a libertação não acontece só para Israel, nem é meramente uma libertação política, mas um resgate do pecado. Jesus, de certo modo decepciona aqueles que esperavam dele uma marcha triunfal contra os romanos, que há anos submetiam os filhos de Israel. De fato, o reinado de Cristo é outro. Em nada Ele se assemelha aos outros reis: sua montaria é humilde, seu cetro é uma vara, sua coroa são espinhos, seu palácio é o calvário, o seu trono é cruz, seus súditos são malfeitores, a saudação que se oferece ao rei é o espancamento e o açoite, sua veste real é a nudez, sua bebida festiva é o vinagre, sua glória é a humilhação. Diante disso Cristo diz: “Não lhe resisti, nem voltei atrás” (Is 40,5b). Era nossa salvação que acontecia; a reunião dos filhos dispersos pelo pecado (Jo 11,52).
Cristo se dá livremente, sobe ao trono da cruz porque quer salvar o homem do pecado e da morte. Não haveria prova de amor maior. “Ele não tinha aparência ou beleza. Por suas chagas nós fomos curados” (Lit. das Horas. 5º Semana da Quaresma, Sexta-feira, Laudes). Peçamos a Deus Pai um amor semelhante ao de Cristo, para termos a graça de poder participar com Ele dos seus sofrimentos, para também poder gozar das alegrias eternas. O caminho do discípulo passa necessariamente pelo caminho do Mestre.
Diác. João Paulo dos Santos Silva

Noite Escura

Em uma noite escura
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Estando já minha casa sossegada.


Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Estando já minha casa sossegada.


Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.


Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.


Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada no amado transformada!


Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.


Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.


Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.”


São João da Cruz

sexta-feira, 26 de março de 2010

Oração para o Ano Sacerdotal


Rezemos pela Igreja, juntos com o santo padre o Papa.
O Papa falou assim: “Todo dia, de fato, através dos jornais, da televisão, do rádio, o mal é narrado, repetido, amplificado, acostumando-nos às coisas mais horríveis, fazendo-nos insensíveis, em certo sentido, intoxicando-nos, pois o negativo não se digere plenamente e dia após dia se acumula”.Fonte: Zenit.
Rezemos pelos sacerdotes e pelo santo padre o Papa Bento XVI que tem sido atacado de todos os lados, pois eles sabem que derrubando o Papa eles acabam com a Igreja, mas confiemos nas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16,18)

ORAÇÃO DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
Senhor Jesus,
Vós quisestes dar a Igreja, em São João Maria Vianney, uma imagem vivente e uma personificação da caridade pastoral.
Ajudai-nos a viver bem este Ano Sacerdotal, em sua companhia e com o
seu exemplo.
Fazei que, a exemplo do Santo Cura D’Ars, possamos aprender como estar felizes e com dignidade diante do Santíssimo Sacramento, como seja simples e quotidiana a vossa Palavra que nos ensina, como seja terno o amor com o qual acolheu os pecadores arrependidos, como seja consolador o abandono confiante à vossa Santíssima Mãe Imaculada e como seja necessária a luta vigilante e fiel contra o Maligno.
Fazei, ó Senhor Jesus que, com o exemplo do Cura D’Ars, os nossos jovens possam sempre mais aprender o quanto seja necessário, humilde e glorioso, o ministério sacerdotal que quereis confiar àqueles que se abrem ao vosso chamado.
Fazei que também em nossas comunidades, tal como aconteceu em Ars, se realizem as mesmas maravilhas de graça que fazeis acontecer quando um sacerdote sabe “colocar amor na sua paróquia”.
Fazei que as nossas famílias cristãs saibam descobrir na Igreja a própria casa, na qual os vossos ministros possam ser sempre encontrados, e saibam fazê-la bela como uma igreja.
Fazei que a caridade dos nossos pastores anime e acenda a caridade de todos os fiéis, de tal modo que todos os carismas, doados pelo Espírito Santo, possam ser acolhidos e valorizados.
Mas, sobretudo, ó Senhor Jesus, concedei-nos o ardor e a verdade do coração, para que possamos dirigir-nos ao vosso Pai Celeste, fazendo nossas as mesmas palavras de São João Maria Vianney:

Eu Vos amo, meu Deus,
e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida.
Eu Vos amo, Deus infinitamente bom,
e prefiro morrer amando-Vos que viver um só instante sem Vos amar.
Eu Vos amo, meu Deus,
e só desejo o Céu para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.
Eu Vos amo, meu Deus,
e só temo o inferno porque aí nunca haverá a doce consolação de Vos amar.
Meu Deus, se a minha língua não puder estar sempre a dizer que Vos amo,
que o meu coração o diga tantas vezes como quantas eu respiro.
Senhor dai-me a graça de sofrer amando-Vos, de Vos amar sofrendo,
e de um dia expirar amando-Vos e sentindo que Vos amo.
E quanto mais me aproximo do meu fim,
mais Vos imploro a graça de aumentar e aperfeiçoar o meu amor.
Amém.
S. João Maria Vianney.

quinta-feira, 25 de março de 2010

EVA mudada em AVE


Adão tinha escalado a montanha da soberba; o Filho de Deus quis descer ao vale da humildade. Encontrou um vale para onde descer. Onde se encontra ele? Não em ti, Eva, mãe do nosso mal, não em ti – mas na bem-aventurada Maria. Ela é bem este vale de Hébron, devido à sua humildade e à sua força. Ela é forte devido à sua participação na força da qual está escrito: “O Senhor é forte e poderoso” (Sl 24,8). Ela é a mulher virtuosa que Salomão desejava: “Uma mulher virtuosa, quem a poderá encontrar?” (Prov 30,10).

Eva, apesar de criada no paraíso sem corrupção e sem mancha, sem enfermidade nem dor, revelou-se tão fraca, tão insegura. “Quem encontrará pois a mulher virtuosa?” Podemos encontrá-la nesta terra de miséria, uma vez que não a pudemos encontrar na beatitude do paraíso?... Dado que se encontrou no paraíso uma mulher tão fraca, quem poderá encontrar aqui a mulher virtuosa?

Hoje, Deus Pai encontrou essa mulher, para a santificar; o Filho encontrou-a, para nela habitar; o Espírito Santo encontrou-a, para a iluminar… E o anjo encontrou-a, para a saudar assim: “Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”. Ei-la, a mulher virtuosa, aquela em quem a ponderação substitui a curiosidade, em quem a humildade elimina toda a vaidade, em quem a virgindade liberta de toda a voluptuosidade.

Aelred de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense inglês 2º sermão sobre a Anunciação

quarta-feira, 24 de março de 2010

Jesus rege todas as coisas


Nada há absolutamente de quanto existe que não tenha sido feito nele e por ele. O evangelista João no-lo ensina pelas palavras: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada se fez" (Jo 1,1).

O musicista, com uma harpa bem afinada, combina artisticamente os sons graves com os agudos e os médios, de modo a produzir uma só harmonia. Assim também, a Sabedoria de Deus, empunhando todo o universo como uma harpa, conjuga as coisas aéreas com as terrenas e as celestes com as aéreas, ligando o todo com suas partes. Assim, dirigindo tudo por um aceno de sua vontade, produz um só universo, um universo com sua ordem cheia de beleza e de harmonia.

Entretanto ele mesmo, Verbo de Deus, permanece sempre imóvel junto do Pai, enquanto tudo se move dentro da força da respectiva natureza, segundo o agrado do Pai. Por seu dom, tudo vive e se mantém conforme sua natureza, compondo assim, por ele, uma admirável harmonia, verdadeiramente divina.

Só por comparação podemos entender uma realidade tão imensa! Por exemplo: num coro numeroso, com muitos homens, mulheres, crianças, velhos e adolescentes, sob a direção de um só, todos cantam conforme sua capacidade e estado, homem como homem, criança como criança, velho como velho, jovem como jovem. No entanto, todos formam uma só harmonia.

Outro exemplo: como nossa alma, ao mesmo tempo, move nossos sentidos segundo suas propriedades. Na presença de alguma coisa, todos eles se movimentam: os olhos vêem, os ouvidos escutam, as mãos tocam, o olfato percebe, o paladar prova e mesmo os outros membros muitas vezes agem, por exemplo, os pés caminham. Assim acontece nas coisas naturais. Estas são imagens, embora fraquíssimas, que nos ajudam a perceber as realidades mais altas.

Na verdade, num instante, um só aceno do Verbo de Deus rege todas as coisas ao mesmo tempo, de forma que cada ser realiza o que lhe é próprio e todos em conjunto perfazem uma só harmonia.

Santo Atanásio, bispo (séc. IV)

terça-feira, 23 de março de 2010

“Arrecadai tesouros no céu”


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja

Sermão 123

Arrecadai tesouros no céu”


Tu, o que és? Rico ou pobre? Muitos me dizem: eu sou pobre, e dizem a verdade. Vejo pobres que possuem alguma coisa; vejo alguns que são completamente indigentes. Mas aqui está um em cuja casa abunda o ouro e a prata – oh! se ele soubesse como é pobre! Reconhecê-lo-ia se olhasse o pobre que está perto dele. Aliás, seja qual for a tua opulência, tu que és rico, não passas de um mendigo à porta de Deus.


Eis a hora da oração… Fazes os pedidos; o pedido não é ele uma confissão da tua pobreza? Com efeito, tu dizes: “O pão-nosso de cada dia nos dai hoje”. Portanto, tu que pedes o teu pão quotidiano, és tu rico ou pobre? E contudo, Cristo não tem medo de dizer: “Dá-me o que eu te dei. De fato, que é que tu trouxeste ao vir a este mundo? Tudo o que encontraste na criação, fui eu que o criei. Tu não trouxeste nada, não levarás nada. Porque não me dás o que é meu? Tu estás na abundância e o pobre na necessidade, mas remonta ao início da vossa existência: ambos nasceram completamente nus. Mesmo tu, tu nasceste nu. Em seguida tu encontraste aqui em baixo grandes bens; mas trouxeste por acaso alguma coisa contigo? Peço pois o que dei; dá e eu restituir-te-ei”.


“Tu tens-me por benfeitor; torna-me o teu devedor, a uma taxa elevada… Dás-me pouco, restituir-te-ei muito. Tu dás-me os bens deste mundo, eu dar-te-ei os tesouros do céu. Tu dás-me riquezas temporais, eu instar-te-ei sobre as posses eternas. Dar-te-ei a ti, quando eu tiver tomado posse de ti”.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A fecundidade da cruz


O homem amadurece ao sacrificar-se, e todo amor só pode amadurecer pelo sacrifício da cruz.

Da cruz devemos considerar o aspecto da fecundidade. JESUS fala da Sua glorificação e logo segue: se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo, mas se morre dá muito fruto (Jo 12,24). Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. E o nosso Senhor não morreu por nós quando éramos os seus amigos, mas quando éramos ainda pecadores.
O amor é fecundo, e a cruz está relacionada com o amor, enquanto símbolo desta auto-doação total do amor. A cruz sem o amor seria pesada, ao contrario, o amor encontra o seu cume pela cruz. JESUS CRISTO ensina aos seus pela cruz: morrer às suas comodidades, ao seu egoísmo, à sua avareza e ambição, e converter-se em planta fecunda que enche de frutos admiráveis o Reino de DEUS. JESUS é o grão que morre e traz muito fruto. Na cruz nascerá a Igreja universal e a fecundidade é imensa. Muitos seguidores ressuscitam para a vida. É um grão de trigo sepultado em Jerusalém que se converte em espigas de santidade que se espalham pelo mundo inteiro. O multiplicador mais fecundo é a cruz. Se a fecundidade é cem por um (cf. Lc 8,8), resultariam 10.000 por cem. Não há tanta fertilidade como na cruz de CRISTO e a cruz que nós carregamos em nome de CRISTO. Quão maravilhoso é, poder gastar as suas forças por amor a DEUS, e ainda mais maravilhoso é poder unir-nos a CRISTO crucificado! Se para JESUS a cruz era tão fecunda, o Senhor quer doar essa fecundidade também a nós. Os que se decidiram a imitar JESUS na cruz, o Senhor lhes deixa participar na ignomínia da cruz.

sábado, 20 de março de 2010

Quinto domingo da quaresma



Quinto Domingo da Quaresma nos mostra o sentido real do perdão. (João 8, 1-11)
O evangelho descreve o verdadeiro significado do perdão,que perdoar não é um ato isolado e sim divino e humano. Os mestres da lei ao apresentarem a mulher pecadora a Jesus têm a intenção de prendê-lo, mais Jesus imediatamente busca meditar sobre tudo que dizem e querem fazer com a mulher.
Jesus em nenhum momento quis condená-la, Ele simplesmente lança uma pergunta que atormenta a cada um de nós, dia após dia: QUEM DENTRE VÓS NÃO TEM PECADO?. Diante deste questionamento devemos a cada dia nos perguntar: Será que realmente não tenho pecado? Será que meu irmão deve ser realmente julgado/condenado por mim ao cometer algum erro? À frente destes questionamentos, devemos refletir com humildade o sentido pleno da palavra perdão.
Jesus ao contrário dos mestres da lei, não condena a mulher pecadora, e quer que façamos o mesmo com nosso irmão. Com esta atitude, Jesus demonstra toda sua misericórdia e nos ensina que o simples ato de perdoar pode transformar plenamente a vida tanto de quem perdoa e de quem é perdoado.
Neste tempo de quaresma Deus nos chama a conversão e ao perdão mutuo. Deixemos que a misericórdia, o amor, o perdão, a oração, o jejum e a caridade, seja o carro mestre de nossas vidas, fazendo com que todos sintam a presença de Deus em suas vidas, e, sobretudo, deixando o passado para traz e lançando-se para frente em busca de uma vida sem pecado. Diácono: Mario da paz

Oração por todas as vítimas de abusos


Nas últimas semanas, continuamente estão aparecendo nos meios de comunicação escândalos atribuídos a sacerdotes culpados de abusos sexuais contra menores de idade. Um dos países atingidos por esses casos é a Irlanda. Por isso, e seguindo a indicação de Bento XVI, a diocese de Dublim publicou esta oração por aqueles que sofreram vexações por parte de sacerdotes, e que agora está sendo recitada em numerosas partes do mundo.

Senhor, sofremos muito por aquilo que alguns de nossos fizeram a teus filhos: foram tratados de modo sumamente cruel, especialmente na hora da necessidade. Deixamos dentro deles um sofrimento que carregarão por toda a vida. Isto não estava nos teus planos para eles e para nós. Por favor, Senhor ajuda-nos a ajudá-los. Guia-nos, Senhor. Amém.
Fonte: http://www.catholicbishops.ie ( Há um video feito sobre esse assunto)

sexta-feira, 19 de março de 2010

São José


Príncipe da Casa Real de Davi e ao mesmo tempo humilde carpinteiro, é difícil se poder avaliar a grandeza de sua missão. É considerado o Patrono da Boa Morte porque morreu assistido pela Santíssima Virgem, sua Esposa, e pelo próprio Homem-Deus, de quem era pai adotivo. Foi também declarado Patrono da Santa Igreja.

Vida de Santos

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Lá, onde José recebeu a graça do Espírito Santo


João, o ramo da videira da pureza, recebeu a plenitude do saber no oceano inenarrável da teologia, inclinando-se sobre o peito do Senhor, durante a ceia; mas o esposo da Virgem, o casto José, recebeu a graça do Espírito Santo neste Oceano Divino, quando o Senhor Jesus se inclinou sobre o seu peito, na qualidade de filho.Liturgia greco-católica da festa de São José, dia 19 de março

Um Minuto com Maria

†††


Lembrai-vós a São José


Lembrai-vós, ó puríssimo esposo da Virgem Maria, ó meu amável protetor São José, que nunca se ouviu dizer que ficasse sem consolo quem invoca a vossa proteção e solicita o vosso apoio. Cheio desta confiança apresento-me diante de vós, e animado de fervor me recomendo a vós, especialmente peço por esta intenção.... Ah! Não desprezeis as minhas súplicas, ó pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos acolhê-las piedosamente.

Amém!

†††


O IOSEPH, virgo Pater Iesu, purissime Sponse Virginis Mariae, quotidie deprecare pro nobis ipsum Iesum Filium Dei, ut, armis suae gratiae muniti legitime certantes in vita, ab eodem coronemur in morte. Amen.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Angelus Domini nuntiavit Mariæ


O Anjo do Senhor anunciou a Maria
Por volta de 1250, no convento franciscano de Arezzo, na Toscana (Itália), Frei Bento iniciou o costume de tocar os sinos à tardinha, quando os frades cantavam Angelus locutus est Mariae (o anjo anunciou a Maria). Este costume foi se difundindo com a recitação das três ave Maria. Ao longo do século XIV, passou também a ser recitado de manhã e, posteriormente, ao meio dia. Trata-se de um belo costume de santificar o tempo com esta oração evangélica mariana.
A finalidade de rezarmos o Ângelus consiste em refletir sobre a obra da Encarnação - essencial na História da Salvação, e, portanto, na teologia e piedade católicas! -, sobre as disposições da Mãe do Céu à revelação de São Gabriel, sobre o "sim" firme e corajoso de Maria Santíssima, e sobre nossa obrigação de imitá-la em sua atitude decidida de submeter-se ao Senhor, colaborando com a graça; rezar o Angelus é evocar as maravilhas nascidas da união da vontade do homem à vontade de Deus, mediante a entrega de nossas potências a Ele pela fé sobrenatural; enfim, rezar o Angelus é pedir que o Salvador nos ajude a agir da mesma maneira que agiu a Beatíssima Virgem.

O anjo do Senhor anunciou a Maria:
-E ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria...
Eis aqui a serva do Senhor:
-Faça-se em mim segundo a tua palavra.
Ave Maria...
E o Verbo se fez carne:
-E habitou entre nós.
Ave Maria...
Rogai por nós, santa Mãe de Deus,
-Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Infundi Senhor, como vos pedimos, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do anjo viemos ao conhecimento da encarnação de Jesus Cristo vosso filho, por sua paixão e morte de Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição.
Pelo mesmo Cristo nosso Senhor. Amém.
Gloria ao Pai ao Filho e ao Espírito Santo, como era no principio agora e sempre amém. ( 3 x)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Santo Agostinho, Confissões

Onde encontrar Deus?

Onde, então, te encontrei, para te conhecer? Não estavas ainda em minha memória antes de eu te conhecer. Onde, então, te encontrei, para te conhecer, senão em ti mesmo, acima demim? No entanto, aí não existe espaço. Quer nos afastemos de ti, quer nos aproximemos, aí não existe espaço algum. Ó Verdade, por toda parte assistes aos que te consultam, e respondes ao mesmo tempo a todas essas diversas consultas. Tuas respostas são claras, mas nem para todos. Os homens te consultam sobre o que querem, mas nem sempre ouvem as respostas que querem. Teu servo fiel é o que não pensa em ouvir de ti a resposta que quer, mas em querer a resposta que lhe dás.

Solilóquio de amor

Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora, a te procurar! Eu, disforme, me atirava à beleza das formas que criaste. Estavas comigo, e eu não estava em ti. Retinham-me longe de ti aquilo que nem existiria se não existisse em ti. Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e teu esplendor afugentou minha cegueira. Exalaste teu perfume, respirei-o, e suspiro por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama.

A vida do homem

Quando me unir a ti com todo meu ser, não sentirei mais dor ou fadiga; minha vida, cheia de ti, será então a verdadeira vida. Alivias aqueles que enches de ti; mas, como ainda não estou cheio de ti, sou um peso para mim mesmo. Minhas alegrias, que deveriam ser choradas, lutam com minhas tristezas que deveriam alegrar-me, e ignoro de que lado está a vitória. Ai de mim, Senhor, tem piedade de mim! As tristezas do meu mal lutam com minhas santas alegrias, e eu não sei de que lado está a vitória. Ai de mim! Senhor, tem piedade de mim! Eis minhas feridas: eu não as escondo. Tu és o médico, eu o enfermo; és misericordioso, e eu, miserável. Não é contínua tentação a vida do homem sobre a terra? Quem quer aborrecimentos edificuldades? Mandas que os suportemos, e não que os amemos. Ninguém ama o que tolera, ainda que goste de o tolerar; e mesmo que alguém se alegre em tolerar, preferiria nada ter que suportar. Na adversidade, desejo a prosperidade, e na prosperidade temo a adversidade. Entre estes dois extremos, qual será o termo médio onde a vida humana não seja tentação?Ai das prosperidades do século, onde se receia a adversidade e a alegria é corrompida! Aidas adversidades do século, uma, duas, três vezes ai! Pelo desejo da prosperidade, por ser dura a adversidade, e pelo temor que vença a nossa paciência! A vida do homem sobre a terra não é pois uma contínua tentação?

terça-feira, 16 de março de 2010

A batina




Padre Manuel Albuquerque


Com que alegria e juvenil transporte
Eu te vesti, batina tão querida!…
Nessa cor preta, que relembra a morte,
Com voz tão clara, só me dizes – Vida!…

O teu pesado e desejado porte
À epopéia de Cristo me convida!…
E eu, que era fraco, já me sinto forte;…
Era medroso, e só desejo a lida!…

Dentro de ti eu sinto-me guardado,
Tal qual se fora intrépido soldado
A combater de um forte baluarte!…

E eu juro a Deus, perante os céus e a Terra,
Pois que a batina o meu futuro encerra:
Minha santa batina, eu juro honrar-te!…

A pedido de seus alunos (seminaristas) que a receberam, em 1948, no dia de São José, em Braga, Portugal

(Sermão de D. Fellay por ocasião da imposição da batina a 13 novos seminaristas em França)

“A batina recorda aos homens que sois discípulos de Jesus Cristo e é um sinal de que existe algo que ultrapassa a realidade dos homens: a fé, as realidades sobrenaturais. Sim, a batina fala e prega: diante dela os homens reagem, talvez mal, mas são com frequência afectados positivamente. Vêmos uma batina e vêmos um sacerdote. Hoje, esta imagem já não faz parte da realidade, salvo entre os tradicionalistas e na publicidade, precisamente porque sabem que, na alma dos cristãos, o sacerdote é o sacerdote de batina. E quando se pensa no sacerdote, pensa-se noutro Jesus, num homem que não é como os outros homens, que está separado do mundo. O preto da batina é o preto do luto, da morte ao mundo, da renúncia a ele. A batina é já um sacrifício, não pelo prazer do sacrifício como fim em si mesmo, como um estóico ou um masoquista, mas para se pôr à disposição das almas. E se essa batina se comporta bem, é uma verdadeira chama; se se comporta mal, é imediatamente um escândalo que produz um imenso mal”.

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO


A oração vocal
Deus fala ao homem por sua Palavra. É por palavras, mentais ou vocais, que nossa oração cresce. Mas o mais importante é a presença do coração naquele a quem falamos na oração. "Que a nossa oração seja ouvida depende não da quantidade das palavras, mas do fervor de nossas almas’’.
A oração vocal é um dado indispensável da vida cristã. Aos discípulos, atraídos pela oração silenciosa do Mestre, este ensina uma oração vocal: o "Pai-Nosso". Jesus não só rezou as orações litúrgicas da sinagoga; os Evangelhos O mostram elevando a voz para exprimir sua oração pessoal, da bênção exultante do Pai até a angústia do Getsêmani.

A meditação
A meditação é sobretudo uma procura. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, a fim de aderir e responder ao que o Senhor pede. Para tanto, é indispensável uma atenção difícil de ser disciplinada. Geralmente, utiliza-se um livro, e os cristãos dispõem de muitos: as Sagradas Escrituras, especialmente o Evangelho, as imagens sacras, os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do "Hoje" de Deus.
Meditando no que lê, o leitor se apropria do conteúdo lido, confrontando-o consigo mesmo. Neste particular, outro livro está aberto: o da vida. Passamos dos pensamentos à realidade. Conduzidos pela humildade e pela fé descobrimos os movimentos que agitam o coração e podemos discerni-los. Trata-se de fazer a verdade para se chegar à luz: "Senhor, que queres que eu faça?”.
A meditação mobiliza o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Essa mobilização é necessária para aprofundar as convicções de fé, suscitar a conversão do coração e fortificar a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã procura meditar de preferência "os mistérios de Cristo", como na "lectio (leitura) divina" ou no Rosário.

A oração mental
O que é a oração mental? Santa Teresa responde: "A oração mental, a meu ver, é apenas um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados ".
A oração mental busca "aquele que meu coração ama". É Jesus e, nele, o Pai. Ele é procurado porque desejá-lo é sempre o começo do amor, e é procurado na fé pura, esta fé que nos faz nascer dele e viver nele. Na oração, podemos ainda meditar; contudo, o olhar se fixa no Senhor.
A escolha do tempo e da duração da oração mental depende de uma vontade determinada, reveladora dos segredos do coração. Não fazemos oração quando temos tempo: reservamos um tempo para sermos do Senhor, com a firme determinação de, durante o caminho, não o tomarmos de volta enquanto caminhamos, quaisquer que sejam as provações e a aridez do encontro. Nem sempre se pode meditar, mas sempre se pode estar em oração, independentemente das condições de saúde, trabalho ou afetividade. O coração é o lugar da busca e do encontro, na pobreza e na fé.
Entrar “em oração é algo análogo ao que ocorre na Liturgia Eucarística: reunir” o coração, recolher todo o nosso ser sob a moção do Espírito Santo, habitar na morada do Senhor (e esta morada somos nós), despertar a fé, para entrar na Presença daquele que nos espera, fazer cair nossas máscaras e voltar nosso coração para o Senhor que nos ama, a fim de nos O entregar a Ele como uma oferenda que precisa ser purificada e transformada.
Fonte: Catecismo da Igreja Católica, Números 2697 até 2711.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A cruz, elevação para a glória


Sejamos carregadores da cruz por amor. Então a cruz ganhará asas.
Por causa do amor de DEUS a cruz se torna bela, porque foi pela cruz que Ele queria manifestar a Sua glória. Jesus o anunciou: O Filho do homem há de ser glorificado (Jo 12,23).
Santo André de Creta destaca esta glória da cruz (Oratio 10 in Exaltatione s. crucis): “Olhando para a cruz, junto com o Crucificado nos elevamos para o alto, para que deixando embaixo a terra e o pecado, possamos gozar os bens celestiais. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama... Se não houvesse a cruz, CRISTO não seria crucificado... se a Vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade... É, portanto, grande e preciosa a cruz... Sem a cruz não desfrutaríamos da árvore da vida. A cruz significa ao mesmo tempo o sofrimento e o troféu de DEUS mesmo. O troféu, porque nela ficou ferido de morte o demônio e com ele, foi vencida a morte.
A cruz é chamada glória e exaltação de CRISTO. Ela é o cálice reboante que nos fala o salmo. O mesmo CRISTO nos ensina que a cruz é a Sua glória, quando disse: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele DEUS é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). ... E repete: Pai, glorifica Teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz. ... Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de CRISTO”.
Nenhuma vitória sobre o mundo está tão completa como a vitória pela cruz. Quando Santa Joana d´Arc foi queimada viva, exclamou emocionada: ao passar por este fogo, lograrei ganhar-me um lugar no coração de muitos crentes. Algo superior diria JESUS: ao ser elevado numa cruz, conseguirei um trono de amor para reinar para sempre em muitos corações em todo o mundo. A Sua cruz é um trono desde onde o Príncipe do Amor reinará nos nossos corações para sempre. Considerado isto, a cruz é para nós salvação. Cada olhar para a cruz vai curar o nosso coração. Olhemos a este trono do amor de DEUS, assim podemos dizer com São Paulo (Gal 6,14): Longe esteja de mim a gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor JESUS CRISTO, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.
Não esqueçamos nunca que a esta glória precedeu a fecundidade do sofrimento de Nosso Senhor. Por isso explicou aos discípulos de Emaús: Não deveria sofrer o Messias tudo isto para assim entrar na sua glória? (Lc 24,26) falando da cruz como uma necessidade.

domingo, 14 de março de 2010

A teologia da cruz



Se amares a Cruz, ela te sustentará.
Os homens não amavam a DEUS por causa da Sua Majestade e da Sua infinita beleza, nem pela beleza, cujo reflexo Ele deixou na criação. O homem não amou a DEUS como deveria, estando no paraíso; não O amou por causa da Sua glória e grandeza, mas agora devemos amá-lo por causa da Sua miséria na cruz. Se a cruz não provocasse a compaixão, seríamos muito cruéis. Como podemos olhar a cruz e não sentir uma dor pelo amor de DEUS? Somos tão indiferentes?.
O símbolo da cruz contém de forma mais breve a doutrina da fé cristã. É um desígnio incompreensível que DEUS tenha usado como instrumento para a salvação, aquilo que a crueldade humana inventou. Neste castigo, a humanidade confessa que a justa recompensa do pecado é morte e dores sem fim! DEUS concorda com isso, mas quer libertar-nos desta morte merecida. Por isso, pelo sofrimento e morte do Filho de DEUS, esta “estaca dos ladrões” se fez um sinal do DEUS amor, cuja entrega estava disposta até o extremo. O sinal da cruz é símbolo para o serviço no amor.
A cruz também é proteção contra satanás e contra todo o mal. O inimigo veio com a ameaça da morte, mas JESUS vence esta ameaça abraçando a arma do inimigo. Desta maneira o inimigo ficou desarmado, porque somente podia destruir o corpo, mas não a alma de JESUS. Nada pode vencer a DEUS, quem recompensou a livre aceitação da morte com a ressurreição.

"Ninguém toca nos eleitos de Deus a não ser pela Sua permissão, e ai daqueles que tocarem os eleitos de Deus, sem a permissão de Deus... Mas se o Senhor permitir o Martírio, o sofrimento, aí é o mistério da Providência da qual nos inclinamos e nos entregamos: 'Senhor estamos aqui, faça-se a Sua Vontade'“.
"O Senhor disse nos Atos dos Apóstolos: "derramarei o Espírito Santo". E o Espírito Santo veio. Quanto mais você adorar a Deus no Sacramento, mais você será cheio do Espírito Santo".

sábado, 13 de março de 2010

Quarto Domingo da Quaresma


“Estava perdido e foi encontrado”
Hoje a Igreja nos propõe a Liturgia do Domingo Laetare (alegria). É uma antecipação das alegrias pascais, que de certa forma já vivemos. Essa alegria é fruto da imensa misericórdia com que Deus trata a humanidade, cuja expressão máxima é Jesus Cristo. Misericórdia que é dom, graça de Deus derramada sobre seus filhos e filhas em Cristo.
No evangelho Jesus nos conta a parábola do filho prodigo, costumamos nos identificar com um dos filhos: o mais novo ou o mais jovem. Na verdade, somos um misto dos dois. Somos cristãos, católicos que vamos à Santa Missa, que procuramos a confissão até com certa frequência, que em suma, “nunca saímos da casa do pai”, ou, se saímos, não vamos muito longe. Mas somos os mesmos que, mesmo não indo tão longe, com freqüência ofendemos a Deus, gastamos seus bens, nos sujamos com o espírito do mundo, que luta contra Deus. Somos uma mistura dos dois filhos, pois nem sempre sabemos reconhecer o dom de Deus na vida do irmão, sobretudo o dom da misericórdia, ao mesmo tempo em que sabemos que ainda estamos longe de um amor perfeito a Deus.
Neste domingo da alegria, cada católico é chamado a reconhecer o imenso dom da misericórdia divina para a humanidade inteira, e para cada um em particular e alegrar-se. Essa alegria, que é fruto do perdão de Deus para conosco, faz-nos reconhecer que Deus vem ao nosso encontro, filhos que se perderam, acolhe-nos quando nos arrependemos, voltamos a casa e reconhecemos ser pecadores e imerecidos da grande misericórdia. Quando isso acontece, não nos sentimos humilhados, mas como que reencontrado e valorizado. Que Deus Pai, que manifestou sua misericórdia no seu Filho Jesus Cristo nos ajude nessa entrega confiante à justiça e na sua misericordiosa, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Diácono: João Paulo dos santos

Através do Nosso Trabalho podemos nos santificar e salvar Almas.


Devoção a São José
Para Santificar o Trabalho


Ó glorioso São José, modelo de todos os que se consagram ao trabalho, alcançai-me graça de trabalhar com espírito de penitência, em expiação dos meus pecados; de trabalhar com consciência, pondo o cumprimento do meu dever acima das minhas inclinações naturais; de trabalhar com agradecimento e alegria, olhando como uma honra o poder desenvolver por meio do trabalho os dons recebidos de Deus. Alcançai-me a graça de trabalhar com ordem, constância, intensidade e presença de Deus, sem jamais retroceder ante as dificuldades; de trabalhar, acima de tudo, com pureza de intenção e desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos todas as almas e as contas que prestarei a Deus: a do tempo perdido, das habilidades inutilizadas, do bem omitido e das vaidades estéreis em meu trabalho, tão contrárias à obra de Deus. Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó patriarca São José. Amém.

quinta-feira, 11 de março de 2010

É mais importante viver a caridade do que falar dela. (mãe gabriele)








A cruz dá um sentido ao sofrimento
A cruz também é sinal de sofrimento, mas não um sinal sem sentido, porque o Crucificado dá sentido ao sofrimento. O que teria passado, se o Crucificado tivesse respondido à burla dos seus inimigos e houvesse descido da cruz, para mostrar a eles o Seu poder, e Quem era Ele realmente? Desta maneira, JESUS haveria demonstrado claramente que o sofrimento é algo mau que não deveria existir, porque o sofrimento entrou por meio do pecado neste mundo. Haveríamos compreendido uma mensagem assim?
Então, o doente, aquele que está na solidão ou sob qualquer cruz, ficaria abandonado por JESUS. Não existiria nenhuma olhada consoladora para Aquele que também experimentou como ele os sofrimentos amargos. Não haveria uma resposta divina para a dor, que se faz solidário com aquele que sofre.
Mas, também alguém poderia contestar: quem pôde descer da cruz, também poderia ter tirado qualquer doença, morte ou outra forma de dor. Também aquela cruz que os homens colocam com o seu ódio, desejo de poder, falta de amor; que passaria com este? Se não houvesse dor no mundo, será que os homens seriam melhores, e que não estariam mais fechados em si mesmos e no seu egoísmo?
Mas JESUS não desceu da cruz, ao contrário, Ele disse: Quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim (Jo 12,32). O Senhor atrai tudo para ele, menos o pecado. Não há maior oposição neste mundo, que a santidade de DEUS e a maldade do pecado. DEUS somente pode amar o bem, rejeitando o mal. Mas o Crucificado atrai o homem para que esteja unido a Ele por meio da cruz.
A dor, levada com amor, tem o efeito que une mais os amantes, enquanto provoca a compaixão. A compaixão provoca sentimentos de misericórdia, de solidariedade e vontade de amar. O Senhor entende o “atrair” como um acontecimento espiritual, ajudando ao homem que sofre como Ele sofreu, para que este aceite a sua cruz interiormente, esta cruz que instintivamente rejeitamos, mas desta maneira pode dizer “sim”.
Para que se possa realizar tal unificação interior, exatamente pela miséria extrema do Crucificado, é necessária uma conversão de DEUS ao homem, como também da parte do homem para DEUS. O Filho de DEUS não fica indiferente diante da miséria humana: Desce da Sua glória do céu e entra numa natureza humana, com capacidade de sofrimento e experimenta a morte mais atroz. Com o olhar para ele, o homem não mais se deve deixar esmagar pela miséria, não deve queixar-se e altercar com DEUS acerca da sua própria situação. Desta maneira o “pequeno” homem descobre na madeira da cruz o amor incomensurável de CRISTO, a humildade do Seu amor, o ganhar-se o Seu amor. O amor será desinteressado, quando já não se assusta diante de uma cruz.

quarta-feira, 10 de março de 2010




Terço do Amor as Almas

A irmã Consolata Betrone (1903-1946), religiosa capuchinha italiana, foi escolhida por Deus para confirmar ao mundo a doutrina do caminho de infância espiritual já ensinado por Santa Terezinha do Menino Jesus, dando-lhe agora uma forma concreta e fácil de ser praticado por todos.
Jesus promete que, cada vez que se pronuncia este Ato de Amor: "Jesus, Maria, eu Vos amo! Salvai as almas", uma alma será salva. Repetido a todo o momento em qualquer lugar, atrai uma chuva de graças particulares e, sobretudo, prepara o triunfo da misericórdia divina nos corações dos homens como um novo Pentecostes em escala mundial.

TERÇO DO AMOR:
No início, rezar:
O Pai Nosso, a Ave-Maria e o Credo.

Nas contas do Pai Nosso, rezar:
Doce Coração de Jesus, sede meu amor!
Doce Coração de Maria, sede minha salvação!

Nas contas da Ave-Maria, rezar:
Jesus, Maria, eu Vos amo! Salvai as Almas!

No final do terço, rezar:
Sagrado Coração de Jesus, fazei que eu Vos ame cada vez mais (3 vezes)

Excelências da Batina

Texto postado no Salvem a Liturgia

Excelências da Batina




Eis aqui um texto do Padre Jaime Tovar Patrón:

Esta breve coleção de textos nos recorda a importância do uniforme sacerdotal, a batina ou hábito talar. Valha outro tanto para o hábito religioso próprio das ordens e congregações. Em um mundo secularizado, da parte dos consagrados não há melhor testemunho cristão que a vestimenta sagrada nos sacerdotes e religiosos.

“SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA.”

“Atente-se como o impacto da batina é grande ante a sociedade, que muitos regimes anticristãos a têm proibido expressamente. Isto nos deve dizer algo. Como é possível que agora, homens que se dizem de Igreja desprezem seu significado e se neguem a usá-la?”

Hoje em dia são poucas as ocasiões em que podemos admirar um sacerdote vestindo sua batina. O uso da batina, uma tradição que remonta a tempos antiqüíssimos, tem sido esquecido e às vezes até desprezado na Igreja pós-conciliar. Porém isto não quer dizer que a batina perdeu sua utilidade, se não que a indisciplina e o relaxamento dos costumes entre o clero em geral é uma triste realidade.

A batina foi instituída pela Igreja pelo fim do século V com o propósito de dar aos seus sacerdotes um modo de vestir sério, simples e austero. Recolhendo, guardando esta tradição, o Código de Direito Canônico impõe o hábito eclesiástico a todos os sacerdotes.

Contra o ensinamento perene da Igreja está a opinião de círculos inimigos da Tradição que tratam de nos fazer acreditar que o hábito não faz o monge, que o sacerdócio se leva dentro, que o vestir é o de menos e que o sacerdote é o mesmo de batina ou à paisana.

Sem dúvida a experiência mostra o contrário, porque quando há mais de 1500 anos a Igreja decidiu legislar sobre este assunto foi porque era e continua sendo importante, já que ela não se preocupa com ninharias.

Em seguida expomos sete excelências da batina condensadas de um escrito do ilustre Padre Jaime Tovar Patrón

1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE

Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.

2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO

Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos.

Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento.

As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.

3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS

O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.

4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS

A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade.

Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais.

Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros.

Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.

5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS

O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?

6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR

A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja.

Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.

7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO

Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.

Estas sete excelências da batina poderão ser aumentadas com outras que venham à tua mente, leitor. Porém, sejam quais forem, a batina sempre será o símbolo inconfundível do sacerdócio, porque assim a Igreja, em sua imensa sabedoria, o dispôs e têm dado maravilhosos frutos através dos séculos.

O morrer por amor é vitória sobre a morte (mãe gabriele)

SELETAS DE ORAÇÕES

O sinal da cruz é a revelação deste amor de DEUS (cf. Jo 3,14-16). Na cruz o Senhor levou Sua revelação à perfeição no amor misericordioso. Na cruz lembramos-nos dos padecimentos de CRISTO por nós, e a Sua dor é para nós a mais profunda expressão do Seu amor. Portanto, a cruz exprime para nós a gravidade do pecado, o imenso amor de DEUS para conosco, a obediência perfeita do FILHO para com o Seu PAI. Revela-nos também a fecundidade do sofrimento de CRISTO e também a força que vence o pecado e o demônio.

O escândalo da cruz

Não podemos negar que a cruz é causa de contradição. Como muitos não compreendem a cruz, se escandalizam, porque muitos há... que são inimigos da cruz de CRISTO (Fil 3,18). Conhecemos também as palavras de São Paulo que dizia na primeira epistola aos Coríntios: Pois não foi para batizar que CRISTO me enviou, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de CRISTO. Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de DEUS (1,17-18); nós porém, anunciamos CRISTO crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura, mas para aqueles que são chamados... poder de DEUS e sabedoria de DEUS... (1,22-25).

A ciência da cruz não se encontra nas escolas filosóficas da Antigüidade, porque não é uma ciência humana mas divina. Não se compreende ela com a lógica do mundo, mas somente com as leis do amor. Para o cristão a cruz não é castigo, mas é salvação. Não é ameaça, mas solução para os problemas. Não é escuridão, é sempre luz. Quem sofre sem a cruz acaba no desespero, mas a cruz dá um sentido ao sofrimento, entende-se que cada cruz é passageira, e que a cruz leva para a vitória.

Para o cristão a cruz não é um caminho equivocado, mas é liberdade. O caminho da cruz nos parece mais difícil que o caminho da comodidade, mas enfim, a cruz é o caminho mais seguro e nos leva à liberdade, enquanto o prazer leva à escravidão.

A cruz não é imagem sem sentido, é sinal de sacrifício. Não é sinal de tirania, mas é sinal de redenção. Não é repreensão, é sempre sinal de perdão. Não é sinal de poder exterior, mas é sinal de amor para com os mais pequeninos. Para o cristão, a cruz não é sinal de loucura, mas é sinal da certeza de triunfo. Não é sinal da morte, é sempre sinal da vida eterna. A pregação da cruz é forte, mas quem compreende a cruz compreende o amor. Quem prega a cruz, muitas vezes é rejeitado como demonstra São Paulo (Gal 6,12): ...para não serem perseguidos por causa da cruz de CRISTO, porque muitos não querem ouvir falar a realidade da cruz, mas buscam a falsidade da bajulação. Mas a verdade, manifestada pela pregação da cruz, vai trazer nova esperança. Assim a cruz, embora provoca a contradição, torna-se esperança para todos os que sofrem.