terça-feira, 23 de março de 2010

“Arrecadai tesouros no céu”


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja

Sermão 123

Arrecadai tesouros no céu”


Tu, o que és? Rico ou pobre? Muitos me dizem: eu sou pobre, e dizem a verdade. Vejo pobres que possuem alguma coisa; vejo alguns que são completamente indigentes. Mas aqui está um em cuja casa abunda o ouro e a prata – oh! se ele soubesse como é pobre! Reconhecê-lo-ia se olhasse o pobre que está perto dele. Aliás, seja qual for a tua opulência, tu que és rico, não passas de um mendigo à porta de Deus.


Eis a hora da oração… Fazes os pedidos; o pedido não é ele uma confissão da tua pobreza? Com efeito, tu dizes: “O pão-nosso de cada dia nos dai hoje”. Portanto, tu que pedes o teu pão quotidiano, és tu rico ou pobre? E contudo, Cristo não tem medo de dizer: “Dá-me o que eu te dei. De fato, que é que tu trouxeste ao vir a este mundo? Tudo o que encontraste na criação, fui eu que o criei. Tu não trouxeste nada, não levarás nada. Porque não me dás o que é meu? Tu estás na abundância e o pobre na necessidade, mas remonta ao início da vossa existência: ambos nasceram completamente nus. Mesmo tu, tu nasceste nu. Em seguida tu encontraste aqui em baixo grandes bens; mas trouxeste por acaso alguma coisa contigo? Peço pois o que dei; dá e eu restituir-te-ei”.


“Tu tens-me por benfeitor; torna-me o teu devedor, a uma taxa elevada… Dás-me pouco, restituir-te-ei muito. Tu dás-me os bens deste mundo, eu dar-te-ei os tesouros do céu. Tu dás-me riquezas temporais, eu instar-te-ei sobre as posses eternas. Dar-te-ei a ti, quando eu tiver tomado posse de ti”.

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