terça-feira, 16 de março de 2010

A batina




Padre Manuel Albuquerque


Com que alegria e juvenil transporte
Eu te vesti, batina tão querida!…
Nessa cor preta, que relembra a morte,
Com voz tão clara, só me dizes – Vida!…

O teu pesado e desejado porte
À epopéia de Cristo me convida!…
E eu, que era fraco, já me sinto forte;…
Era medroso, e só desejo a lida!…

Dentro de ti eu sinto-me guardado,
Tal qual se fora intrépido soldado
A combater de um forte baluarte!…

E eu juro a Deus, perante os céus e a Terra,
Pois que a batina o meu futuro encerra:
Minha santa batina, eu juro honrar-te!…

A pedido de seus alunos (seminaristas) que a receberam, em 1948, no dia de São José, em Braga, Portugal

(Sermão de D. Fellay por ocasião da imposição da batina a 13 novos seminaristas em França)

“A batina recorda aos homens que sois discípulos de Jesus Cristo e é um sinal de que existe algo que ultrapassa a realidade dos homens: a fé, as realidades sobrenaturais. Sim, a batina fala e prega: diante dela os homens reagem, talvez mal, mas são com frequência afectados positivamente. Vêmos uma batina e vêmos um sacerdote. Hoje, esta imagem já não faz parte da realidade, salvo entre os tradicionalistas e na publicidade, precisamente porque sabem que, na alma dos cristãos, o sacerdote é o sacerdote de batina. E quando se pensa no sacerdote, pensa-se noutro Jesus, num homem que não é como os outros homens, que está separado do mundo. O preto da batina é o preto do luto, da morte ao mundo, da renúncia a ele. A batina é já um sacrifício, não pelo prazer do sacrifício como fim em si mesmo, como um estóico ou um masoquista, mas para se pôr à disposição das almas. E se essa batina se comporta bem, é uma verdadeira chama; se se comporta mal, é imediatamente um escândalo que produz um imenso mal”.

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