sábado, 27 de março de 2010

Domingos de Ramos da Paixão do Senhor


“Não lhe resisti, nem voltei atrás” (Is 50,5b)
Jesus sobe a Jerusalém. É chegada a hora e Jesus sempre fora consciente disso. Foi para essa hora que Ele viera a este mundo. É início da Páscoa de Cristo e da nossa Páscoa. Jesus entra em Jerusalém como um rei: montado, sendo aclamado, louvado. Era comum entre os judeus a espera de um rei-messias, do ungido de Deus que iria libertar Israel do domínio romano e restaurar a realeza em Jerusalém. Um descendente de Davi, conforme previam as Escrituras. Esse rei havia chegado. Todavia, a libertação não acontece só para Israel, nem é meramente uma libertação política, mas um resgate do pecado. Jesus, de certo modo decepciona aqueles que esperavam dele uma marcha triunfal contra os romanos, que há anos submetiam os filhos de Israel. De fato, o reinado de Cristo é outro. Em nada Ele se assemelha aos outros reis: sua montaria é humilde, seu cetro é uma vara, sua coroa são espinhos, seu palácio é o calvário, o seu trono é cruz, seus súditos são malfeitores, a saudação que se oferece ao rei é o espancamento e o açoite, sua veste real é a nudez, sua bebida festiva é o vinagre, sua glória é a humilhação. Diante disso Cristo diz: “Não lhe resisti, nem voltei atrás” (Is 40,5b). Era nossa salvação que acontecia; a reunião dos filhos dispersos pelo pecado (Jo 11,52).
Cristo se dá livremente, sobe ao trono da cruz porque quer salvar o homem do pecado e da morte. Não haveria prova de amor maior. “Ele não tinha aparência ou beleza. Por suas chagas nós fomos curados” (Lit. das Horas. 5º Semana da Quaresma, Sexta-feira, Laudes). Peçamos a Deus Pai um amor semelhante ao de Cristo, para termos a graça de poder participar com Ele dos seus sofrimentos, para também poder gozar das alegrias eternas. O caminho do discípulo passa necessariamente pelo caminho do Mestre.
Diác. João Paulo dos Santos Silva

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