sábado, 1 de maio de 2010

O mês de Maria em Molokai



"O mês de Maria mais emocionante que vivi, não foi nem em Lourdes, nem em Fátima, nem em Czestachowa, nem em Mariazell. E sim, em Molokai, ilha dos leprosos." O missionário viajou até a ilha, cheio de coragem, porém, sentindo o coração apertado, à vista dos horrores da terrível doença, a lepra. Ele estava transtornado. Viera para pronunciar o sermão da abertura do mês de maio, mês de Maria, e trazia a estátua de Nossa Senhora de Fátima, que deveria ser benta, diante dos enfermos. O que dizer a esses farrapos humanos, diante de uma Madona tão bela? O Padre estava profundamente embaraçado. Eis que alguém bate à porta.

Era uma religiosa, enfermeira, e suplicou-lhe: "Venha, depressa, um doente está às portas da morte!" O Padre estremeceu de horror, só de pensar que estaria em contato com um leproso. Porém, cheio de admiração pela heróica enfermeira, ele se decidiu. Disse-lhe, então, a boa freira: "Traga a estátua de Nossa Senhora de Fátima; o enfermo quer saudá-la antes de morrer. Um carro está à nossa espera."

Logo, o missionário se encontrou diante do moribundo, que só conseguia balbuciar algumas palavras... "Nossa Senhora...". O Padre anuiu ao seu desejo. Bastante emocionado ou, talvez, sentindo-se mal, o missionário, que estava a levar a estátua, vacilou, tropeçou na escada, vindo a cair. Na queda, tentava preservar a estátua: "Maria, me ajuda", gritou.

Com os membros doloridos, ele se levantou. Seu primeiro olhar foi para a imagem, cujas mãos, bastante danificadas, continuavam a portar o terço. No rosto, o verniz se rompeu aqui e ali, e manchas escuras davam a impressão de ferimentos; o sorriso desapareceu do rosto da imagem; os lábios mostravam uma expressão claramente dolorosa. Apenas os olhos mantinham-se intactos, e olhavam com a mesma ternura, a mesma piedade. O missionário lá estava, sem saber o que fazer, até que a Irmã chegou.

Após alguns instantes de assombro, ela convenceu o Padre a segui-la, levando a imagem mutilada de Nossa Senhora... Ao ver a estátua, o moribundo manifesta tal elã, tal impulso de amor, uma alegria tão jubilosa de reconhecimento, de desejo e de fé, como se Mãe e filho se cumprimentassem!

Nossa Senhora quis se dar inteiramente a todos. E por amor a seus filhos renunciou à majestade celeste. "Poucas vezes", acrescenta um missionário, "vi um homem morrer mais contente e feliz do que aquele leproso. E, no dia seguinte, quando coloquei no altar, a estátua de Nossa Senhora de Fátima mutilada e a benzi, não precisei refletir longamente, sobre o que dizer. Contei, em poucas palavras, a história da minha queda, da minha indecisão e da minha resolução. Falei durante um bom espaço de tempo; não era eu quem falava, mas alguém falava por mim.

Senti a atenção das pessoas se prolongar, por mais de duas horas, mas ignoro se minhas palavras chegaram à Madona, Consoladora dos aflitos, Saúde dos enfermos, Nossa Senhora das mais ardentes orações. Rezamos juntos, sem qualquer livro ou fórmula. Tratava-se do mês de Maria, mês do primeiro grande amor. A partir desse dia, eu não consigo pregar a abertura dos exercícios da Santíssima Virgem Maria, sem me lembrar dessa circunstância, a de aprender de Maria, a sua misericórdia; pois Ela se esquece de si mesma, para vencer a miséria desta Terra, com sua ternura maternal.

O que quer que sejamos diante d´Ela, seres, criaturas, feridas pela lepra do pecado, que Ela possa se inclinar sobre nós, assim como a Madona de Molokai, quando exercemos a misericórdia!"


Testemunho de um missionário, segundo Buntsegel Ahoi
Narrado no Florilégio Mariano, 1980, de Padre Albert Plfeger, marista

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