sexta-feira, 14 de maio de 2010

Os dois garotinhos e a Madona



Os pais de Gianni e de Franco moravam num dos bairros mais pobres do porto de Gênova, onde o pai trabalhava como carregador. Infelizmente, o homem frequentava os bares e, a cada semana, o seu pagamento se perdia. A mãe, uma senhora enfermiça, trabalhava como lavadeira para suprir as necessidades da família. Os dois rapazotes vagabundeavam pelas ruas da cidade e, conforme a ocasião, surrupiavam frutas nas feiras. Apesar disso, os safadinhos não eram maus.

Eles também se alegravam quando lembravam que, em breve, a procissão da Madona Della Guarda iria passar pela cidade e eles gostariam tanto, de todo o coração, e em honra dela, de acender algumas velas, em suas janelas quando a Virgem passasse, assim como faziam todas as outras pessoas. Mas como conseguir dinheiro para comprá-las? O pai não trazia nenhum tostão para casa e o que a mãe conseguia ganhar só dava para comprar comida...

Gianni teve uma ideia. "E se nós fôssemos trabalhar?", propõe a Franco. "Ainda falta um dia para a procissão. Nós podemos ganhar uns trocados para comprar as velas." No dia seguinte, bem cedo, a mãe se surpreende: os dois rapazotes se levantaram antes das sete e desapareceram, rapidamente. "Que outra bobagem eles farão hoje?" pensou a mãe.

Houve surpresa, igualmente, na casa do carvoeiro, a quem os dois pedem trabalho. O carvoeiro se espanta mais ainda quando, durante o dia, os vê trabalhar com um ardor tão intenso, digno dos melhores operários. De boa vontade, ele os teria conservado como empregados. Entretanto, à noite, os jovens vêm pedir a paga do dia. O homem lhes dá cem liras. Orgulhosos com o primeiro dinheirinho, Gianni e Franco retornam à casa. Cem liras, à época, valiam apenas um franco; isto representava pouco. Mas para os garotos, não havia problema. A alegria de tê-los ganho, em troca do próprio esforço, brilhava em seus rostos.

Com o dinheiro ganho pelo primeiro trabalhinho feito, os dois rapazotes, Gianni e Franco, tencionam comprar três ou quatro velas para a procissão, adquiridas com o lucro obtido, o que não era pouco, considerando-se uma família pobre como a deles. Passando por um mendigo com a mão estendida, seguiram adiante, sem se importar com o pobre coitado...

Contudo, Franco não consegue esquecer o desafortunado e sente necessidade de falar sobre ele com Gianni.
- Não seria melhor darmos nossas cem liras a este infeliz que acabamos de ver na calçada? Você não acha que Nossa Senhora ficaria muito mais feliz, se déssemos nosso dinheirinho para ele, como esmola? Este pobre deve estar desempregado e sua família não deve ter nada para comer.
Gianni teria preferido colocar as velas no peitoril da janela de casa. Franco, porém, insistiu tanto que, por fim, o primeiro admite: - Nossa Senhora ficaria muito mais feliz, se nós déssemos nossas cem liras como esmola para ele.

Os dois retornam, correndo, até onde se encontrava o mendigo que, embaraçado, recebe as cem liras. Em seguida, Gianni e Franco saem em disparada, rumo à casa, assobiando, felizes. Mas, ao chegar, levam um susto enorme. Os olhos de Franco se enchem de lágrimas. Gianni esfrega os olhos e belisca a orelha.
- Incrível! Será que estou sonhando? - disse.
Enormes e grossos círios ornam as janelas, e, do interior da casa, jorra intensa luz. Eles não conseguem entender... Precipitando-se casa adentro, cheios de alegria, os rapazotes abraçam os pais.

O que foi que aconteceu? Pouco antes do meio-dia, o pai fora à cidade, a fim de atender a um compromisso profissional e, ao passar pelo carvoeiro, viu os filhos carregando carvão. De cara, adivinhou o motivo que os fez trabalhar com tanto ardor... O homem teve vergonha da vida que levava e de sua conduta errada... À tarde, pediu um vale ao chefe e foi comprar vinte círios...

Quando o pai prometeu à esposa que jamais tornaria a beber, e relatou a bela conduta dos filhos, a mãe começou a limpar e enfeitar toda a casa para a festa que faria no dia seguinte. Desde aquele dia, Gianni e Franco estavam sempre presentes à capelinha do porto, assistindo, piedosamente, à Missa matinal.


Fluvion Grimaldi (Die schönsten Mariengeschichten)
Relatado no Recueil Marial (Florilégio Mariano) n° 10 de Frei Albert Pfleger, marista.

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