domingo, 30 de maio de 2010

Santíssima Trindade ( reflexão do Evangelho Jo 16, 12-15)

“E habitou em nós”

“Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Assim começamos sempre a Sagrada Liturgia, assim também a terminamos. É assim que um bom cristão inicia seu dia, fazendo o sinal da cruz e pensando um instante, numa prece, em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Igualmente é desta forma que um mesmo tipo de cristão terminará seu dia, lembrando-se de Deus e fazendo sua última oração antes de adormecer. De fato, esse profundo e sublime Mistério é o centro da nossa fé: nossa vida cristã, nossa espiritualidade é trinitária.
Lembro-me com muita vivacidade de um costume ensinado por minha mãe, desde pequeno: o de fazer respeitosamente o sinal da cruz, sempre que passávamos por uma igreja. Era um modo muito sábio de, em meio ao corriqueiro de um dia de trabalho, de passeio, parar um pouco, elevar a Deus o coração por breve instante, e continuar o dia. Costume hoje já bastante esquecido, quase totalmente abandonado. É que muitos se esqueceram de algo fundamental: em cada ser humano, existe a imagem da Trindade; mais ainda, no cristão verdadeiramente unido a Deus, habita como num templo, Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Santo Tomás de Aquino já falava da presença da Trindade nas criaturas, que de certo modo traziam em si o “vestígio” da Trindade, e da presença no ser humano. A presença da Trindade no ser humano se dá de vários modos, mas inabitação é o modo excelente de Deus estar no homem. Isso significa que há um movimento da Trindade em relação ao homem: a santificação; ao mesmo tempo em que há um movimento do homem para com a Trindade: a amizade. Já pensamos quão grande é esta graça? Deus habita em nós; nós nos tornamos seus amigos e Ele, por sua vez, nos santifica. Isso só acontece pelo amor: Deus Pai ama Deus Filho; o amor entre o Pai e o Filho é o Espírito Santo. Assim, somos santificados pelo amor.
Se cada um de nós pensasse mais seriamente no que significa ser templo da Trindade, certamente estaríamos mais dispostos a evitar o pecado e a manchar este templo santo onde quer habitar Deus. Certamente olharíamos para o irmão e veríamos que lá habita Deus, então eu o amaria ainda mais por isso. Enfim, nós desejaríamos fazer sempre a vontade de Deus, para que Ele nunca se afastasse de nós. Que Deus Pai nos ajude nisso, por Cristo nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Diác. João Paulo dos Santos Silva

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