quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sacerdote ortodoxo romeno e sua paróquia se tornam católicos


Após cura de sua mãe de um tumor inoperável por intercessão de São Pio de Pietrelcina

PESCENA, terça-feira, 27 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Enquanto na Itália se intensificava o debate sobre os estigmas do Padre Pio, em um povoado da Romênia se punha a primeira pedra da primeira igreja dedicada ao santo de Pietrelcina, em um dos países que até pouco tempo girava em torno da União Soviética.

O evento, segundo informou Renzo Allegri à Zenit, aconteceu no povoado de Pesceana, comarca de Valcea, na Romênia centro-meridional, graças ao Pe. Victor Tudor, sacerdote romeno que, até alguns anos atrás, era ortodoxo, mas que, após conhecer a existência do Padre Pio e ser testemunha de um grande milagre, realizado por Deus por intercessão do santo capuchinho, quis entrar na Igreja Católica e com ele todos os seus paroquianos.

Tudo começou em 2002. Lucrecia Tudor, mãe do Pe. Victor, que tinha então 71 anos, tinha um tumor no pulmão esquerdo. Os médicos romenos, após submetê-la a exames clínicos, disseram que lhe restavam poucos meses de vida.

Não se podia nem sequer tentar uma intervenção cirúrgica porque o tumor produziu metástase. O Pe. Victor pediu ajuda a seu irmão, Mariano Tudor, um jovem e reconhecido pintor romeno, especialista em iconografia, que vive e trabalha em Roma, esperando que conhecesse algum importante médico italiano, capaz de realizar o impossível.

Mariano contatou com um dos cirurgiões mais célebres do mundo, que havia operado inclusive Bill Gates. «Faça a sua mãe chegar a Roma e tentarei salvá-la», disse o professor.

Mariano levou a sua mãe a Roma e o professor examinou o expediente clínico dos colegas romenos e realizou exames mais detalhados na paciente.

Mas também ele, ante o quadro clínico, disse que uma operação era já inútil. Podia-se intervir só com fármacos para sedar as dores que seriam fortes, sobretudo na fase terminal.

Mariano ficou com sua mãe em Roma e a levava ao hospital para realizar controles. Estava trabalhando no mosaico de uma igreja e, como sua mãe não conhecia o italiano, ele a levava consigo. Enquanto ele trabalhava, sua mãe percorria a igreja, contemplando os quadros e as estátuas.

Em um lugar, havia uma grande estátua do Padre Pio. Lucrecia ficou impressionada e perguntou a seu filho quem era. Mariano lhe relatou brevemente a história. Nos dias seguintes, ele percebeu que sua mãe passava todo o tempo sentada diante da imagem, com a qual conversava como se fosse uma pessoa viva.

Passados cerca de quinze dias, Mariano levou sua mãe ao hospital para o controle e os médicos constataram com estupor que o tumor havia desaparecido. A mulher, ortodoxa, pediu ajuda ao Padre Pio e este a havia escutado.

«A cura prodigiosa de minha mãe, realizada pelo Padre Pio a favor de uma mulher ortodoxa, me impressionou muito – relata o Pe. Victor. Comecei a ler a vida do santo italiano. Contei a meus paroquianos o que havia acontecido. Todos conheciam a minha mãe e todos sabiam que havia ido à Itália para tentar uma intervenção cirúrgica, e que depois havia voltado para casa curada sem que nenhum médico a tivesse operado. Em minha paróquia, começaram a conhecer e a amar o Padre Pio. Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele. Sua santidade nos conquistava. Enquanto isso, também outros enfermos de minha paróquia receberam graças extraordinárias do Padre Pio. Entre minha gente se difundiu um grande entusiasmo e, pouco a pouco, decidimos tornar-nos católicos, para estar mais próximos dele.»

A passagem da Igreja Ortodoxa à Católica requereu um longo procedimento jurídico. E dificuldades de todo tipo, explica em seu artigo Renzo Allegri. Mas o Pe. Victor e seus paroquianos não se detiveram ante as dificuldades.

«Com a ajuda do Padre Pio – diz Allegri – seus projetos se tornaram realidade. E imediatamente começaram a recolher os fundos necessários para a construção de uma igreja para dedicá-la ao Padre Pio».

«Os fundos são o resultado das economias desta pobre gente, e da ajuda de alguns católicos alemães que souberam de nossa história», diz o Pe. Victor.

«E são meus paroquianos os que estão levando adiante as obras, trabalhando gratuitamente. Em maio, iniciamos as obras de fundação. Há alguns dias, celebramos solenemente a colocação da primeira pedra. E foi uma grande festa, porque quem veio para celebrar a cerimônia foi sua beatitude Lucian Muresan, arcebispo metropolitano de Fagaras e Alba Julia dos Romenos, ou seja, a máxima autoridade da Igreja greco-católica na Romênia. Ao acabar a cerimônia, o metropolita quis conhecer a minha mãe, curada por um milagre do Padre Pio, e tirou uma foto com ela.»

terça-feira, 29 de junho de 2010

Papa convida a viver com os olhos na eternidade


“É doloroso o afastamento dos seres queridos, o acontecimento da morte é um enigma cheio de inquietude, mas, para os crentes, venha como venha, está sempre iluminado pela esperança da imortalidade.”
Foi o que afirmou hoje o Papa, durante a missa celebrada no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro em sufrágio pelos cardeais, arcebispo e bispos falecidos no último ano.
Ainda que a morte, explicou, “suceda em circunstâncias humilhantes e dolorosas tais que pareçam uma desgraça, na verdade para os que têm fé não é assim”.
“A fé nos sustenta nestes momentos humanamente cheios de tristeza e mal-estar”, acrescentou, é também em todos os momentos difíceis.
“Não faltam dificuldades e problemas nesta vida, há situações de sofrimento e dor, momentos difíceis de compreender e aceitar. Tudo isso no entanto adquire valor e significado se se considera na perspectiva da eternidade”, assegurou o Papa.
“Cada provação, de fato, acolhida com paciência perseverante e oferecida pelo Reino de Deus, vem em nossa ajuda espiritual já aqui, e sobretudo na vida futura, no Céu. Misteriosamente associados à Paixão de Cristo, podemos fazer de nossa existência uma oferenda agradável ao Senhor, um sacrifício voluntário de amor.”
Esta “perseverança no bem”, prosseguiu Bento XVI, fará que a fé, “purificada por muitas provas, resplandeça um dia em todo seu fulgor e volte em louvor, glória e honra nossa quando Jesus se manifestar em sua glória. Aqui está a razão de nossa esperança”.
O Papa quis recordar particularmente os cardeais Avery Dulles, Pio Laghi, Stéphanos II Ghattas, Stephen Kim Sou-Hwan, Paul Joseph Pham Đình Tung, Umberto Betti e Jean Margéot. “Os recordamos com afeto e damos graças a Deus pelo bem que fizeram”, concluiu.
Fonte: Durante a missa em sufrágio pelos cardeais e bispos mortos no último ano
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 5 de novembro de 2009 (ZENIT.org).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vocação vem de Deus


A falta de vocações hoje é um "problema doloroso" que aflige a Igreja, reconheceu o Papa Bento XVI, na última pergunta durante a vigília realizada em São Pedro no dia 10 de junho, durante o encerramento do Ano Sacerdotal.
A questão apresentada por Anthony Denton, da Austrália, em nome dos sacerdotes da Oceania, supõe "um problema grande e doloroso da nossa época", admitiu Bento XVI.
É "a falta de vocações, razão pela qual as igrejas locais estão em perigo de tornar-se áridas, porque falta a Palavra da vida, falta a presença do sacramento da Eucaristia e dos demais sacramentos".
No entanto, advertiu o Papa, diante desse problema existe uma "grande tentação", que consiste em "transformar o sacerdócio - o sacramento de Cristo, o ser escolhidos por Ele - em uma profissão normal, em um emprego que tem suas horas e que, no resto do tempo, a pessoa pertence somente a si mesma; e fazer isso como qualquer outra vocação: torná-lo acessível e fácil".
Mas - sublinhou - esta "é uma tentação, não resolve o problema".
A propósito disso, citou a história bíblica de Saul, que realiza um sacrifício no lugar do profeta Samuel porque este não se apresenta a tempo antes de uma batalha.
Este rei, explicou o Papa, "pensa em resolver assim o problema, que naturalmente não se resolve, porque tenta fazer o que não pode fazer sozinho; considera-se Deus ou quase Deus; e não se pode esperar que as coisas aconteçam do jeito que Deus quer".
"Assim também nós, se exercêssemos somente uma profissão como as demais, renunciando à sacralidade, à novidade, à diversidade do sacramento que só Deus dá, que pode vir somente da sua vocação e não do nosso fazer, não resolveríamos nada."
O único que é preciso fazer, insistiu, é "rezar com grande insistência, com grande determinação, com grande convicção também", clamar "ao coração de Deus, para que nos dê sacerdotes".

Três conselhos
O Papa indicou três "receitas" para promover as vocações. A primeira: cada sacerdote "deveria fazer o possível para viver seu próprio sacerdócio de tal maneira que este se tornasse convincente".
"Acho que nenhum de nós teria chegado a ser sacerdote se não tivesse conhecido sacerdotes convincentes, nos quais ardia o fogo do amor de Cristo", sublinhou.
A segunda: oração; e a terceira: "ter o valor de falar com os jovens sobre o possível chamado de Deus, porque com frequência uma palavra humana é necessária para abrir a escuta da vocação divina".
"O mundo de hoje é tal que quase parece excluído o amadurecimento de uma vocação sacerdotal; os jovens precisam de ambientes nos quais se viva a fé, nos quais apareça a beleza da fé, nos quais apareça que este é um modelo de vida."

Como colocamos em uma postagem anterior com o título, Adote um Padre, podemos rezar pelo aumento e pela fidelidade dos nossos sacerdotes, reze sempre uma Ave Maria por eles e pelo aumento das vocações.

Fonte: Diálogo entre o Papa e os sacerdotes do mundo inteiro, CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de junho de 2010 (Zenit).

domingo, 27 de junho de 2010

Papa explica sentido da "entrega total" pelo Reino de Deus


“Liberdade e amor coincidem. Ao contrário, obedecer ao próprio egoísmo conduz a rivalidades e conflitos”. Foi o que recordou o Papa Bento XVI na manhã deste domingo, 27, no breve discurso proferido antes da recitação da oração mariana do Ângelus, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
O Santo Padre recordou o episódio narrado pelo evangelista Lucas no qual apresenta Jesus que, enquanto caminha pela estrada em direção a Jerusalém, encontra alguns homens, provavelmente jovens, os quais prometem segui-lo onde for. Com eles Jesus se demonstra muito exigente, advertindo-os que “o Filho do homem – isto é Ele, o Messias – não tem onde repousar a cabeça”, ou seja não tem um casa sua estável, e quem escolhe trabalhar com Ele no campo de Deus não pode mais voltar atrás. A um outro ao invés Cristo mesmo diz: Segue-me, pedindo-lhe uma interrupção radical com o passado inclusive com os familiares.
“Essas exigências podem parecer duras demais, - disse o Papa - mas na realidade exprimem a novidade e a prioridade absoluta do Reino de Deus que se faz presente na Pessoa mesma de Jesus Cristo. Em última análise, trata-se daquela radicalidade que é devido ao Amor de Deus, ao qual Jesus mesmo por primeiro obedece. Quem renuncia a tudo, até mesmo a si mesmo, para seguir Jesus, entra em uma nova dimensão da liberdade, que São Paulo define “caminhar segundo o Espírito” (cf. Gal 5,16).
Cristo – continuou o Santo Padre – nos libertou para a liberdade e explica que essa nova forma de liberdade adquirida por Cristo consiste no estar “a serviço uns dos outros” (Gal 5,1.13). Liberdade e amor coincidem! Ao contrário, obedecer ao próprio egoísmo conduz a rivalidades e conflitos.
O chamado feito no Evangelho prefigura a vocação religiosa e sacerdotal que requer uma total adesão e de fato, com os jovens que encontra, Jesus – recordou o Papa – “se mostra muito exigente. Quem tem a sorte de conhecer um jovem ou uma jovem que deixa a família de origem, os estudos ou o trabalho para consagrar-se a Deus, - destacou o Pontífice - sabe muito bem do que se trata, porque tem diante de si um exemplo vivente de resposta radical à vocação divina.
“É essa uma das experiências mais bonitas que fazem na Igreja: ver, tocar com a mão a ação do Senhor na vida das pessoas; experimentar que Deus não é uma entidade abstrata, mas uma realidade tão grande e forte que enche de modo superabundante o coração do homem, uma Pessoa vivente e próxima, que nos ama e pede para ser amada.”
Recordando enfim que se conclui o mês de junho, “caracterizado pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus”, o Papa lembrou o encerramento do Ano Sacerdotal na Praça São Pedro durante o qual ele mesmo renovou “com os sacerdotes do mundo inteiro o compromisso de santificação”. “Hoje – concluiu – gostaria de convidar todos a contemplar o mistério do Coração divino-humano do Senhor Jesus, para provar da fonte mesma do Amor de Deus. Quem fixa o olhar no Coração traspassado e sempre aberto por amor nosso, sente a verdade desta invocação: “Tu és, Senhor, o meu único bem”.
Em seguida o Papa rezou a oração mariana do Angelus e concedeu a todos a sua Benção Apostólica.
Antes de se despedir dos fiéis, Bento XVI saudou em várias línguas os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça São Pedro. O Papa recordou que hoje na Itália e em outros países realiza-se o Dia da Caridade do Papa, nas paróquias se recolhem as ofertas destinadas ao “Óbolo de São Pedro”, com as quais o Santo Padre ajuda as igrejas mais pobres no mundo.
“Exprimo, – disse o Pontífice - a minha viva gratidão a todos aqueles que, com a oração e as ofertas apóiam a ação apostólica e caritativa do Sucessor de Pedro e em favor da Igreja presente no mundo inteiro e de tantos irmãos próximos e distantes”.
Bento XVI recordou ainda que na manhã de hoje, no Líbano foi proclamado bem-aventurado Estephan Nehme', religioso da Ordem Libanesa Maronita, que viveu no Líbano entre ao fim de Oitocentos e a primeira metade de Novecentos.
O Papa desejou ainda, na iminência das férias européias, que as mesmas sejam ocasião para encontros “com a natureza, com novas pessoas, com os frutos da criatividade humana” e de “reforço da fé”.

Fonte: Da Redação, com Rádio Vaticano, Domingo, 27 de junho de 2010, 11h05

sábado, 26 de junho de 2010

Papa recorda importância de “levar a própria cruz”


Especialmente quando “se faz obscuro ao nosso redor”

Bento XVI, centrou hoje a meditação do Angelus na importância de levar própria cruz, tanto nas pequenas provas de cada dia como nos momentos decisivos.
“Tomar a cruz significa se comprometer em derrotar o pecado que obstaculariza o caminho para Deus, acolher quotidianamente a vontade do Senhor, fortalecer a fé sobretudo ante os problemas, as dificuldades, o sofrimento”, afirmou o Papa.
Bento XVI citou a santa carmelita Edith Stein, admirando seu testemunho “em um tempo de perseguição”, quando afirmava, pouco antes da Segunda Guerra Mundial: “mais se faz obscuro ao nosso redor, tanto mais devemos abrir o coração à luz que vem do alto”.
“Também na época atual, muitos são os cristãos no mundo que, animados pelo amor de Deus, assumem cada dia a cruz, seja a das provas cotidianas, seja a da barbárie humana, que às vezes requer o valor do sacrifício extremo”, afirmou.
Por isso, é importante “pôr sempre nossa sólida esperança n’Ele, seguros de que, ao segui-lo levando nossa cruz, chegaremos com Ele à luz da Ressurreição”.
O Papa quis recordar especialmente os 14 diáconos a quem havia ordenado na missa da manhã na Basílica de São Pedro.
O sacramento da Ordem “manifesta, da parte de Deus, sua atenta proximidade aos homens e, da parte de quem o recebe, a plena disponibilidade a se converter em instrumento desta proximidade, com um amor radical a Cristo e à Igreja”.
Recordando o evangelho dominical, sobre a profissão de fé de Pedro, o Papa afirmou que Jesus, “frente a esta profissão de fé, renova a Pedro e aos demais discípulos o convite a segui-lo no caminho comprometido no amor até a Cruz”.
“Também a nós, que podemos conhecer o Senhor mediante a fé em sua Palavra e nos Sacramentos, Jesus nos dirige a proposta de segui-lo cada dia, e também a nós, recorda que para ser seus discípulos, é necessário nos apropriarmos do poder de sua Cruz, cume de nossos bens e coroa de nossa esperança”, concluiu.
Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo 20 de junho de 2010 (ZENIT.org)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bento XVI :Celibato antecipa o céu / Celibato e matrimônio


O sentido profundo do celibato em um sacerdote é que antecipa a vida plena da ressurreição. Assim respondeu o Papa Bento XVI, no último dia 10 de junho, à pergunta que o eslovaco Karol Miklosko lhe dirigiu em nome dos sacerdotes da Europa.
Durante a vigília de encerramento do Ano Sacerdotal, realizada na Praça de São Pedro, o Papa explicou aos milhares de sacerdotes presentes que o celibato sacerdotal, hoje tão questionado, supõe uma consequência da união do "eu" do sacerdote com Cristo.
Isso, afirmou, significa que o sacerdote "é ‘atraído' também à sua realidade de ressuscitado, que seguimos adiante rumo à vida plena da ressurreição, da qual Jesus fala aos saduceus no capítulo 22 de São Mateus: é uma vida ‘nova', na qual já estamos muito além do matrimônio".
"É importante que nos deixemos penetrar novamente por esta identificação do ‘eu' de Cristo conosco, desse ser ‘tirados' e conduzidos ao mundo da ressurreição - prosseguiu. Neste sentido, o celibato é uma antecipação" do céu.
O problema da cristandade no mundo de hoje, sublinhou o Papa, "é que já não se pensa no futuro de Deus: parece suficiente somente o presente deste mundo. Queremos ter somente este mundo, viver só neste mundo. Assim, fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência".
"O sentido do celibato como antecipação do futuro é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que é vivido por nós já como presente. Viver, portanto, como um testemunho da fé: cremos realmente que Deus existe, que Deus tem a ver com a minha vida, que posso fundar minha vida sobre Cristo, sobre a vida futura."

Celibato e matrimônio


Bento XVI reconheceu que, "para o mundo agnóstico, o mundo com o qual Deus não tem nada a ver, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade".
"Com a vida escatológica do celibato, o mundo futuro de Deus entra nas realidades do nosso tempo. E isso deveria desaparecer!"
De certa forma, "pode surpreender esta crítica permanente contra o celibato, em uma época em que está cada vez mais de moda não se casar".
No entanto, "este não se casar é algo total e fundamentalmente diferente do celibato, porque o não se casar se baseia na vontade de viver só para si mesmos, de não aceitar nenhum vínculo definitivo, de ter a vida em todo momento em uma autonomia plena, decidir em cada momento o que fazer, o que aproveitar da vida".
Este "celibato moderno" é um "não" ao vínculo, um "não" à definitividade, "um ter a vida só para si mesmo. Por outro lado, o celibato é precisamente o contrário: é um ‘sim' definitivo, é um deixar-se conduzir por Deus, entregar-se nas mãos do Senhor".
O celibato em um sacerdote "é um ato de fidelidade e de confiança, um ato que supõe também a fidelidade do matrimônio; é precisamente o contrário desse ‘não', dessa autonomia que não quer obrigar-se, que não quer entrar em um vínculo; é precisamente o ‘sim' definitivo que supõe e confirma o ‘sim' definitivo do matrimônio".
Por isso, acrescentou, "o celibato confirma o 'sim' do matrimônio com seu 'sim' ao mundo futuro, e assim queremos seguir adiante e tornar presente este escândalo de uma fé que coloca toda a sua existência em Deus".
Este "escândalo da fé", concluiu o Papa, não deve ficar escurecido pelos "escândalos secundários" provocados pelas fraquezas dos sacerdotes. "O celibato - são precisamente as críticas que mostram isso - é um grande sinal de fé, da presença de Deus no mundo."
Fonte: CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 17 de junho de 2010 (ZENIT.org)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Perdoar sete vezes por dia


“Suportai-vos uns aos outros com amor” (Ef 4,2). “E deste modo cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6, 2). Quando noto, no meu irmão, alguma coisa de incorrigível, consequência de dificuldades ou enfermidades físicas ou morais, porquê não o suportar com paciência, porquê não o consolar de todo o coração, segundo a palavra da Escritura: “Os seus filhos serão levados ao colo e consolados sobre os joelhos” (Is 66,12)? Será que me falta essa caridade que suporta tudo, que é paciente para aguentar, indulgente para amar? (cf 1 Co 13,7). E esta é, em todo o caso, a lei de Cristo. Na sua Paixão, Ele “tomou verdadeiramente sobre si os nossos sofrimentos”, e, na sua misericórdia, “carregou as nossas dores” (Is 53, 4), amando aqueles que levava, levando aqueles que amava.

Aquele que, pelo contrário, se mostra agressivo para com o seu irmão em dificuldade, aquele que arma uma ratoeira à sua fraqueza, qualquer que ela seja, submete-se manifestamente à lei do diabo e cumpre-a. Sejamos pois mutuamente compassivos e cheios de amor fraterno, suportemos as fraquezas e persigamos os vícios... Todo o tipo de vida que permite dedicar-se mais sinceramente ao amor de Deus e, por Ele, ao amor do próximo, qualquer que sejam o hábito e a observância, é também mais agradável a Deus.

Isaac de l’Étoile (?- c. 1171), monge cisterciense
Sermão 31: Pl 194, 1792-1793

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O segredo do último lugar














Se soubéssemos claramente em que lugar Deus põe cada um de nós, deveríamos aceitar tal decisão, sem nunca nos pormos nem acima nem abaixo desse lugar. Mas, no nosso presente estado, os decretos de Deus estão envoltos em trevas e a sua vontade nos está oculta. Por isso, é mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, escolher o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor. Se passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos baixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não se deve recear qualquer humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de auto-suficiência.

Não vos compareis nem aos que são maiores que vós, nem aos vossos inferiores, nem a quaisquer outros, nem sequer a um só. Que sabeis deles? Imaginemos um homem que parece o mais vil e desprezível de todos, cuja vida infame nos horroriza. Pensais que o podeis desprezar, não só por comparação convosco mesmos, que aparentemente viveis na sobriedade, na justiça e na piedade, mas até por comparação a outros malfeitores, dizendo que ele é o pior de todos. Mas sabeis se ele não será um dia melhor que vós e se o não é já aos olhos do Senhor? Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: "Toma o último lugar" a fim de se ficar verdadeiramente só na última fila. Desse modo não pensarás, já não digo a preferir-te, mas simplesmente a comparar-te a quem quer que seja.

S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Sermão 37 sobre o Cântico dos Cânticos

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dar tudo porque Cristo deu tudo



Francisco, pequeno pobre e pai dos pobres, queria viver em tudo como pobre; sofria ao conhecer outro mais pobre do que ele, não por vaidade, mas devido à terna compaixão que por eles sentia. Apenas queria ter uma túnica de tecido áspero e vulgar; e acontecia-lhe muitas vezes partilhá-la com algum infeliz. Mas era um pobre muito rico porque, levado pela sua enorme caridade a socorrer os pobres como podia, ia ter com os ricos deste mundo em tempos de muito frio e pedia-lhes que lhe emprestassem um casaco ou uma peliça. E levavam-lhos com mais pressa ainda do que aquela com que ele os tinha pedido. “Aceito”, dizia ele, “com a condição de que não esteja à espera de voltar a vê-los.” E, o coração em festa, oferecia ao primeiro pobre que encontrava aquilo que acabara de receber.

Nada lhe causava tanta pena como ver insultar um pobre ou maldizer uma qualquer criatura. Certo dia, um irmão deixou-se levar por palavras ofensivas contra um pobre que pedia esmola. “Não se dará o caso”, perguntou-lhe, “de seres rico fingindo ser pobre?” Estas palavras incomodaram enormemente Francisco, o pai dos pobres, que infligiu ao delinquente um terrível sermão, ordenando-lhe em seguida que se despojasse de todas as suas vestes na presença do pobre e lhe beijasse os pés, pedindo-lhe perdão. “Quem fala mal a um pobre”, dizia, “injuria a Cristo, de quem o pobre é o nobre símbolo neste mundo, já que Cristo se fez, por nós, pobre neste mundo.” (2 Co 8, 9).

Tomás de Celano (c. 1190-c. 1260), biógrafo de São Francisco e de Santa Clara
Vita Prima de São Francisco § 76

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vinde a mim, vós todos


Se os homens soubessem o que é o amor do Senhor, seria em multidões que acorreriam junto de Cristo, para que os reconfortasse a todos com a sua graça. A sua misericórdia é inefável.

O Senhor ama o pecador que se arrepende e aperta-o ao peito com ternura: "Onde estavas, meu filho? Espero-te há tanto tempo!" Pela voz do Evangelho, o Senhor chama a si todos os homens e a sua voz ressoa pelo mundo inteiro: "Vinde a mim, vós todos que penais e dar-vos-ei repouso. Vinde e bebei a água viva. Vinde e aprendei que vos amo. Se não vos amasse, não chamaria por vós. Não posso suportar que se perca sequer uma só das minhas ovelhas. Mesmo por uma só, o Pastor vai pelas montanhas e procura-a por toda a parte. Vinde a mim, minhas ovelhas. Criei-vos a amo-vos. O meu amor por vós fez-me vir à terra e tudo sofri pela vossa salvação. Quero que conheçais o meu amor e que digais como os apóstolos no Monte Tabor: «Senhor, é bom estar contigo»" (Mt, 17,4).

O Senhor chama-nos a si sem cessar. "Vinde a mim e dar-vos-ei o repouso". Ele alimenta-nos com o seu corpo puríssimo e com o seu sangue. Com bondade nos educa pela sua palavra e pelo Espírito Santo. Revelou-nos os seus mistérios. Vive em nós e nos sacramentos da Igreja e conduz-nos ao lugar onde veremos a sua glória.

S. Siluane (1866-1938), monge ortodoxo
Escritos

domingo, 20 de junho de 2010

Existência de Deus


"Ninguém afirma: `Deus não existe' sem antes ter desejado que Ele não exista".
Esta frase, de um filósofo muito suspeito, por ser esotérico - Joseph de Maistre - tem muito de verdade.
Com efeito, o devedor insolvente gostaria que seu credor não existisse. O pecador que não quer deixar o pecado, passa a negar a existência de Deus.
Por isso, quando se dá as provas da existência de Deus para alguém, não se deve esquecer que a maior força a vencer não é a dos argumentos dos ateus, e sim o desejo deles de que Deus não exista. Não adiantará dar provas a quem não quer aceitar sua conclusão. Em todo caso, as provas de Aristóteles e de São Tomás a respeito da existência de Deus têm tal brilho e tal força que convencem a qualquer um que tenha um mínimo de boa vontade e de retidão intelectual.
É para essas pessoas que fazemos este pequeno resumo dos argumentos de São Tomás sobre a existência de Deus, tendo por base o que ele diz na Suma Teológica I, q.2, a.a 1, 2, 3 e 4.
Inicialmente, pergunta São Tomás se a existência de Deus é verdade de evidência imediata. Ele explica que uma proposição pode ser evidente de dois modos:
1) em si mesma, mas não em relação a nós;
2) em si mesma e para nós.
Uma proposição é evidente quando o predicado está incluído no sujeito. Por exemplo, a proposição o homem é animal é evidente, já que o predicado animal está incluso no conceito de homem.
Quando alguns não conhecem a natureza do sujeito e do predicado, a proposição - embora evidente em si mesma - não será evidente para eles. Ela será evidente apenas para os que conhecem o que significam o sujeito e o predicado. Por exemplo, a frase: "O que é incorpóreo não ocupa lugar no espaço", é evidente em si mesma e é evidente somente aqueles que sabem o que é incorpóreo.
Tendo em vista tudo isso, São Tomás diz que:
a) A proposição "Deus existe" é evidente em si mesma porque nela o predicado se identifica com o sujeito, já que Deus é o próprio ente.
b) Mas, com relação a nós, que desconhecemos a natureza divina, ela não é evidente, mas precisa ser demonstrada. E o que se demonstra não é evidente. O que é evidente para nós não cabe ser demonstrado.
Portanto, a existência de Deus pode ser demonstrada. Contra isso, São Tomás dá uma objeção, dizendo que a existência de Deus é um artigo de fé. Ora, o que é de fé não pode ser demonstrado. Logo, concluir-se-ia que não se pode demonstrar que Deus existe. São Tomás ensina que há dois tipos de demonstração:
1) Demonstração propter quid (devido a que)
É a que se baseia na causa. Ela parte do que é anterior (a causa) discorrendo para o que é posterior ( o efeito).
2) Demonstração quia (porque)
É a que parte do efeito para conhecer a causa.
Quando vemos um efeito mais claramente que sua causa, pelo efeito acabamos por conhecer a causa. Pois o efeito depende da causa, e é, de algum modo, sempre semelhante a ela. Então, embora a existência de Deus não seja evidente apenas para nós, ela é demonstrável pelos efeitos que dela conhecemos.
A existência de Deus e outras verdades semelhantes a respeito dele que podem ser conhecidos pela razão, como diz São Paulo Rom. I, 19), não são artigos de fé. Deste modo, a fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça pressupõe a natureza e a perfeição pressupõe o que é perfectível.
Entretanto, alguém que não conheça ou não entenda a demonstração filosófica da existência de Deus, pode aceitar a existência dele por fé.

sábado, 19 de junho de 2010

É preciso orar sem cessar



"Durante os trabalhos do dia, é preciso, o mais que se possa, olhar muitas vezes para Nosso Senhor Jesus Cristo e lembrar-se do ponto da meditação do qual se tem o maior gosto e mágoa: como se a mansidão dos seus olhos nos fosse agradável, nós o demonstraremos dizendo: “Não vos agrado, meu Salvador, pois faço coisas que posso ofender vossos olhos; e também os dos outros.

É bom também ter certas palavras inflamadas que sirvam de refrão à nossa alma, como: “Viva meu Deus!”; “Viva Jesus!” e “Deus de meu coração!”.

Quando o relógio soa, é bom lembrar-se o quanto já se passou desta vida mortal e lembrar-se da última hora que soará para nós.

Poder-se-á dizer, fazendo o sinal da cruz sobre o nosso coração: “É preciso morrer”.

Numa outra vez, lembrando que nos encaminhamos para a eternidade, dizer: “Bendito seja Deus!” e “Deus seja louvado!”

Algumas vezes, arrependendo-nos das horas passadas inutilmente exclamar: “Deus me dê a graça de agir melhor”. Outras vezes simplesmente: “Jesus e Maria!”; “Deus me ajude!” e “Deus esteja conosco”.

Assim, estaremos sempre agradando a Deus, reparando as nossas faltas diante de sua Majestosa grandeza e preparando-nos para o glorioso encontro que todos nós teremos, em breve, na glória eterna."


São Francisco de Sales

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ama-me, assim como tu és


“Eu conheço a tua miséria, as lutas, as aflições de tua alma, as fraquezas do teu corpo. Conheço também tua covardia, teus pecados e, apesar disso, Eu te digo: Dá-me o teu coração. Amo-te assim como tu és!”
Se esperas tornar-te um anjo para então te entregares ao amor, nunca me amarás. Mesmo se fores covarde no cumprimento de tuas obrigações e no exercício das virtudes, mesmo se caíres freqüentes vezes naqueles pecados que não desejas mais cometer, Eu não permito que não Me ames!Ama-Me assim como tu és!
Em cada momento e em qualquer situação, em que te encontrares, na consolação ou na aridez, na fidelidade ou infidelidade: “ Ama-Me assim como tu és” Eu quero o amor do teu pobre coração; pois se esperas até que seja perfeito, tu nunca me amarás!
Não poderia Eu criar de cada grão de areia um serafim, radiante de pureza, de nobreza e de amor? Não sou Eu o todo poderoso? E se eu quis deixar aqueles seres maravilhosos no céu, para preferir o teu amor tão fraco e miserável – não sou Eu o Senhor do Meu amor?
Meu filho, deixa que Eu te ame. Eu quero o teu coração. Podes estar certo, Eu te transformarei com o tempo, mas agora Eu te amo assim como tu és e Eu quero que também tu Me ames assim como tu és. Eu quero ver o teu amor brotar do abismo da tua miséria.
Eu amo em ti também as tuas fraquezas, pois amo o amor dos pobres e dos miseráveis. Eu quero que dum coração cheio de misérias, como o teu, suba a incessante prece: “ JESUS, eu te amo!”
Eu não preciso da tua sabedoria e dos teus talentos. Uma só coisa é importante para Mim: “ Ver-te lutar e agir com amor!”
Não são as tuas virtudes que Eu desejo. Se tivesse que dar-te tais virtudes a ti, que és tão fraco, isto só nutriria o teu amor próprio. Porém não te preocupes com isso. Eu poderia operar grandes coisas em ti, mas não, tu serás o sevo inútil, e Eu tirarei de ti até mesmo o pouco que tens, porque Eu te criei só para o amor.
Hoje me apresento qual mendigo na porta do teu coração- Eu o Reis dos Reis! Eu bato e espero! Apressa-te e abre-te para Mim! Não te desculpes com a tua miséria. Se conhecesse a plenitude da tua miséria, morreria de dor.
O que Me faria o coração seria ver que duvidas de Mim e deixes de confiar em Mim. Eu quero, que pratiques mesmo o mais insignificante ato só por amor a Mim. Eu conto contigo e espero que Me proporciones muita alegria.
Não te preocupes se tu não possuis nenhuma virtude – Eu te darei as minhas. Quando tiver que sofrer, Eu te darei forças. Se Me deres o teu amor, dar-te-ei mais do que possas imaginar para que entendas o amor. Mas não esqueças: “ Ama-Me como tu és!”
Eu te dei a Minha Mãe. Deixa tudo, sim tudo, para depositá-lo em Seu coração imaculado! Em todo caso não esperes até te tornares santo para então te entregares ao amor; tu nunca Me amarias. – E agora, coragem!”.
Fonte: “ Ecc Mater Tua” Nr. 268, de Mons. Lebrun, Traduzido do Italiano.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reza em segredo a teu Pai



Então, ó alma, o que é que desejas e procuras fora de ti, se é em ti que estão as tuas riquezas, as tuas delícias, a tua consolação, a tua riqueza e o teu reino, ou seja, o teu Amado, que a tua alma tanto deseja e procura! [...] Só precisas de saber uma coisa: embora esteja dentro de ti, está escondido. [...]

Mas também perguntas: «Então, se Aquele que a minha alma ama está em mim, porque é que não O encontro nem sinto?» A razão disso é que Ele está escondido, e tu não te escondes para O encontrar e sentir. Quem quiser encontrar uma coisa escondida há-de penetrar escondido no lugar onde ela está escondida; ao encontrá-la, fica tão escondido como ela. Portanto, uma vez que o teu Amado é o tesouro escondido no campo da tua alma, pelo qual o sábio comerciante entregou tudo (Mt13,44), convirá que tu, para O encontrar, esquecidas todas as tuas coisas e alheando-te de todas as criaturas, te escondas no teu refúgio interior do espírito.

Fechando atrás de ti a porta, isto é, a tua vontade a todas as coisas, ores a teu pai em segredo (Mt 6, 6). E ficando assim escondida com Ele, senti-lo-ás no escondido, amá-Lo-ás e possui-Lo-ás no escondido, e escondidamente te deleitarás com Ele, mais do que aquilo que a língua e os sentidos podem alcançar.


São João da Cruz (1542-1591), Carmelita, Doutor da Igreja
Cântico Espiritual B,1, 8-9 (Obras completas, Edições Carmelo, 2005, pp. 550-551)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Adote um Padre


Termina o ano sacerdotal, mas não termina a oração pelos os sacerdotes, pois sabemos que a vida sacerdotal é exigente, eles são chamados a continuar a missão de Cristo, o Bom Pastor.
Toda a Igreja é chamada a proteger esse dom (do sacerdócio), a estimá-lo e a amá-lo, com outras palavras é isso mesmo o que afirma o saudoso Papa João Paulo II: “Todos os membros da Igreja, sem exceção, tem a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações”.
Prova disso e entre outras coisas, o apelo constante da Igreja, para que todos rezem não só pelo aumento das vocações, mas também para a santificação daqueles que já são padres. (Dom Murilo Scj. Arcebispo de Florianóplis)
Para ajudar realizar esse pedido da nossa Mãe Igreja recomendamos que se reze diariamente esta oração, num período de um ano, ou para sempre.
Obs: Clique na imagem para ampliar

terça-feira, 15 de junho de 2010

“O mendigo das Quarenta Horas”


Suscitado como vítima e como protesto contra os vícios da sociedade francesa do século XVIII, é uma dessas vocações para serem admiradas, mas não imitadas se não houver clara indicação de Deus.

Bento José nasceu em 26 de março de 1748 em Amettes, na diocese de Boulogne, França. Era o mais velho dos 15 filhos de João Batista Labre e Ana-Bárbara, membros da classe média local, que deram aos numerosos filhos profunda educação religiosa, de modo que vários deles seguiram a vocação sacerdotal.
“O Criador o havia dotado (a Bento) de um espírito vivo e penetrante, de um julgamento são e sólido, de uma memória fácil e segura. Seu coração era terno, sua vontade forte, sua alma não abandonava jamais a verdade uma vez conhecida. Manifestou desde seus primeiros anos inclinações pronunciadas para o bem, gostos simples e inocentes, e uma grande ingenuidade, sinal ordinariamente precursor da retidão de sentimentos”.(1)
Desde menino tinha profunda estima por seu caráter de católico, terna devoção a Nossa Senhora e a seu Esposo (seu padroeiro), devoções que em seu país não se separam. Assim, os nomes de Jesus, Maria e José foram os primeiros que ele pronunciou.
Bento fez seus primeiros estudos na escola conduzida pelo vigário da paróquia. Os relatos desse período de sua vida –– tanto na biografia escrita por seu confessor, Pe. Marconi, quanto nos depoimentos dos processos de beatificação –– são unânimes em ressaltar uma seriedade de pensamento e de comportamento muito acima da idade.
Muito cedo começou a mostrar acentuada predileção pelo espírito de mortificação e afastamento dos jogos infantis. Pode-se dizer que, desde o desabrochar da razão, demonstrou o mais vivo horror ao pecado. Mas tudo isso coexistia nele com um comportamento franco e aberto, e com um fundo de alegria que permaneceu inabalável até o fim de sua vida.
Na idade de 12 anos sua educação foi confiada a seu tio paterno, Pe. Francisco José Labre, vigário de Erin. Bento fez a Primeira Comunhão e recebeu o Santo Crisma no mesmo dia. Começou então para ele nova vida, mais recolhida e mortificada; e aproveitava todas as ocasiões para ensinar a doutrina cristã às crianças mais novas.

Rezava freqüentemente a oração de Santo Agostinho: “Senhor, fazei com que eu vos conheça e me conheça: a vós, para vos amar; a mim, para me desprezar”.
De tal maneira sua oração era contínua, que se pode dizer sem exagero que Bento José passou os últimos 15 anos de sua vida em contemplação.Embora lesse as Sagradas Escrituras em latim desde a adolescência, e muitos julgassem que Deus lhe houvesse dado uma compreensão particular dos livros santos, fazia questão de ouvir a explicação da doutrina cristã junto com os mais ignorantes. E assistia mesmo ao catecismo dado às crianças abandonadas.
Sua devoção a Nossa Senhora era terníssima, e a devoção ao Santíssimo Sacramento o coloca entre os santos mais devotos desse divino mistério. Ele procurava sempre as igrejas onde se realizavam as Quarenta Horas. Nelas ficava extasiado, perdendo a noção do tempo, pelo que ficou conhecido como o mendigo das Quarenta Horas.
Bento visitava também os doentes, principalmente os mais abandonados, e lhes falava da vida eterna. A uma pessoa que lhe pediu um conselho para o futuro, disse: “Cada vez que ouvirdes o relógio, lembrai-vos de que não sois senhor da hora seguinte; e pensai ao mesmo tempo na Paixão que quis sofrer Nosso Senhor, para nos pôr em posse da eternidade”.
Muitas vezes se notou o ardor de seu amor a Deus e o fervor de sua oração, por uma como que auréola de luz sobrenatural que o envolvia, ou por ver seu corpo levantar-se do solo quando orava.
Literalmente gasto pelos sofrimentos e austeridades, em 16 de abril de 1783 Bento desfaleceu nos degraus da igreja de Santa Maria dei Monti, em Roma. Foi carregado a uma casa da vizinhança, onde faleceu. Sua morte foi seguida por grande número de milagres, atribuídos à sua intercessão. Espontaneamente, as crianças na rua começaram a gritar: “Morreu o santo! Morreu o santo!”
A vida de Bento José Labre foi escrita por seu confessor, Pe. Marconi, e apresenta 136 curas milagrosas até 6 de julho de 1783, que foram certificadas. Foi beatificado por Pio IX em 1859 e canonizado por Leão XIII em 8 de dezembro de 1881.

Possamos aprender com Bento José Labre um amor profundo a Jesus Sacramentado, nos deixando ser seduzidos por ele a cada vez que entrarmos em uma Igreja, guardando o silêncio e deixar que Deus faça em nós o que Ele quer e não o que queremos para nossa vida, deixar se guiar por Ele não é fácil “Senhor, fazei com que eu vos conheça e me conheça: a vós, para vos amar; a mim, para me desprezar”.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir


Nossa oração é pública e universal

Antes do mais, o Doutor da paz e Mestre da unidade não quis que cada um orasse sozinho e em particular, como rezando para si só. De fato, não dizemos: Meu Pai que estais no céus; nem: Meu pão dai-me hoje. Do mesmo modo não se pede só para si o perdão da dívida de cada um ou que não caia em tentação e seja livre do mal, rogando cada um para si. Nossa oração é pública e universal e quando oramos não o fazemos para um só, mas para o povo todo, já que todo o povo forma uma só coisa.

O Deus da paz e Mestre da concórdia, que ensinou a unidade, quis que assim orássemos, um por todos, como ele em si mesmo carregou a todos. Os três jovens, lançados na fornalha ardente, observaram esta lei da oração, harmoniosos na prece e concordes pela união dos espíritos. A firmeza da Sagrada Escritura o declara e, narrando de que maneira eles oravam, apresenta-os como exemplo a ser imitado em nossas preces, a fim de nos tornarmos semelhantes a eles. Então, diz ela, os três jovens, como por uma só boca, cantavam um hino e bendiziam a Deus. Falavam como se tivessem uma só boca e Cristo ainda não lhes havia ensinado a orar.

Por isto a palavra foi favorável e eficaz para os orantes. De fato, a oração pacífica, simples e espiritual, mereceu a graça do Senhor. Do mesmo modo vemos orar os apóstolos e os discípulos, depois da ascensão do Senhor. Eram perseverantes, todos unânimes na oração com as mulheres e Maria, a mãe de Jesus, e seus irmãos. Perseveravam unânimes na oração, manifestando tanto pela persistência como pela concórdia de sua oração, que Deus que os faz habitar unânimes na casa, só admite na eterna e divina casa aqueles cuja oração é unânime. De alcance prodigioso, irmãos diletíssimos, são os mistérios da oração dominical! Mistérios numerosos, profundos, enfeixados em poucas palavras, porém, ricas em força espiritual, encerrando tudo o que
nos importa alcançar!

Rezai assim, diz ele: Pai nosso, que estais nos céus.

O homem novo, renascido e, por graça, restituído a seu Deus, diz, em primeiro lugar, Pai! porque já começou a ser filho. Veio ao que era seu e os seus não o receberam. A todos aqueles que o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,aqueles que crêem em seu nome. Quem, portanto, crê em seu nome e se fez filho de Deus, deve começar por aqui, isto é, por dar graças e por confessar-se filho de Deus ao declarar ser Deus o seu Pai nos céus.

domingo, 13 de junho de 2010

Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir


Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranqüilos e respeitosos. Pensemos estar na presença de Deus. Sejam agradáveis aos olhos divinos a posição do corpo e a moderação da voz. Porque se é próprio do irreverente soltar a voz em altos brados, convém ao respeitoso orar com modéstia. Por fim, ensinando-nos, ordenou o Senhor orarmos em segredo, em lugares apartados e escondidos, até nos quartos, no que auxilia a fé por sabermos estar Deus presente em toda a parte, ouvir e ver a todos e na plenitudede sua majestade penetrar até no mais oculto. Assim está escrito: Eu sou Deus próximo e não Deus longínquo. Se se esconder o homem em antros, acaso não o verei eu? Não encho o céu e a terra? E de novo: Em todo lugar os olhos de Deus vêem os bons e os maus.
Quando nos reunimos com os irmãos e celebramos como sacerdote de Deus o sacrifíciodivino, temos de estar atentos à reverência e à disciplina devidas. Não devemos espalhara esmo nossas preces com palavras desordenadas, nem lançar a Deus com tumultuoso palavrório os pedidos, que deveriam ser apresentados com submissão, porque Deus não escuta as palavras e sim o coração. Com efeito, não se faz lembrado por clamores Aquele que vê os pensamentos, como o Senhor mesmo provou ao dizer: Que estaispensando de mal em vossos corações? E em outro lugar: E saibam todas as Igrejas que eu sou quem perscruta os rins e o coração.
Ana, no Primeiro Livro dos Reis, como figura da Igreja, tem esta atitude, ela que suplicava a Deus não aos gritos, mas silenciosa e modesta, no mais secreto do coração.Falava por prece oculta e fé manifesta, falava não com a voz mas com o coração, pois sabia ser assim ouvida pelo Senhor. Obteve plenamente o que pediu porque o suplicou com fé. A Escritura divina declara: Falava em seu coração, seus lábios moviam-se, mas não se ouvia som algum e o Senhor a atendeu. Lemos também nos salmos: Rezai em vossos corações e compungi-vos em vossos aposentos. Através de Jeremias ainda o mesmo Espírito Santo inspira e ensina: No coração deves ser adorado, Senhor.
O orante, irmãos caríssimos, não ignora por certo como o publicano orou no templo,com o fariseu. Não com olhos orgulhosos levantados para o céu nem de mãos erguidascom jactância, mas batendo no peito, confessando os pecados ocultos em seu íntimo, implorava o auxílio da misericórdia divina. Por que o fariseu se comprazia em si mesmo, mais mereceu ser santificado aquele que rogava sem firmar a esperança da
salvação na presunção de sua inocência, já que ninguém é inocente; rezava, porém,
reconhecendo seus pecados; e atendeu ao orante aquele que perdoa aos humildes.

sábado, 12 de junho de 2010

Maria conservava tudo em seu coração


Maria refletia consigo mesma em tudo quanto tinha conhecido, através do que lia, escutava e via; assim, progredia de modo admirável na fé, na sabedoria e em méritos, e sua alma se inflamava cada vez mais com o fogo da caridade! O conhecimento sempre mais profundo dos mistérios celestes a enchia de alegria,fazia-lhe sentir a fecundidade do Espírito, a atraía para Deus e a confirmava na sua humildade. Tais são os efeitos da graça divina: eleva do mais humilde ao mais excelso e vai transformando a alma de claridade em claridade.
Feliz o coração da Virgem que, pela luz do Espírito que nela habitava, sempre e em tudo obedecia à vontade do Verbo de Deus. Não se deixava guiar pelo seu próprio sentimento ou inclinação, mas realizava, na sua atitude exterior, as insinuações internas da sabedoria inspiradas na fé. De fato, convinha que a Sabedoria de Deus, ao edificar a Igreja para ser o templo de sua morada, apresentasse Maria Santíssima como modelo de cumprimento da lei, de purificação da alma, de verdadeira humildade e de sacrifício espiritual.
Imita-a tu, ó alma fiel! Se queres purificar-te espiritualmente e conseguir tirar as manchas do pecado, entra no templo do teu coração. Aí Deus olha mais para a intenção do que para a exterioridade de tudo quanto fazemos. Por isso, quer elevemos nosso espírito à contemplação, a fim de repousarmos em Deus, quer nos exercitemos na prática das virtudes para sermos úteis ao próximo com as nossas boas obras, façamos uma ou outra coisa de maneira que só a caridade de Cristo nos impulsione. É este o sacrifício perfeito da purificação espiritual, que não se oferece em templo feito por mão humana, mas no templo do coração onde Cristo Senhor entra com alegria.
Fonte: Liturgia das Horas, Dos Sermões de São Lourenço Justiniano, bispo(Sermo 8, in festo Purificationis B.M.V.:Opera 2, Venetis1751,38-39).

Consagração Ao Imaculado Coração de Maria
.
Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe,
Rainha do céu e refúgio dos pecadores,
ao vosso Coração Imaculado
consagramos nossa vida,
todo nosso ser, tudo o que temos,
tudo o que amamos tudo o que somos.
A Vós pertencem nossos lares, nossa pátria.
Queremos que seja vosso,
e participe dos benefícios de vossas bênçãos materiais,
tudo o que existe em nós, e ao redor de nós.
E para que esta consagração
seja realmente eficaz e duradoura,
renovamos hoje, aqui aos vossos pés,
ó Maria, as promessas do nosso batismo
e da nossa primeira comunhão.
Comprometemo-nos a professar,
corajosamente e sempre,
as verdades da fé,
e a viver como católicos,
submissos a sua Santidade,
o Papa e aos Bispos em comunhão com ele.
Comprometemo-nos a observar
os Mandamentos de Deus e da Igreja,
particularmente a santificação do Domingo.
Queremos empenhar-nos,
ó gloriosa mãe de Deus e nossa Mãe,
para que o Reino de Cristo, vosso Filho,
seja uma presença em nossas almas,
na terra como no céu.
Amém.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Logo brotou sangue e água



Aproximemo-nos do coração do dulcíssimo Senhor Jesus, e exultaremos, regozijar-nos-emos nele. Quão bom e doce é habitar nesse coração! É o tesouro escondido, a pérola preciosa, aquilo que encontramos, ó Jesus, escavando o campo do Teu corpo (Mt 13, 44ss). Quem pois rejeitará esta pérola? Bem pelo contrário, por ela eu darei todos os meus bens; trocarei todas as minhas preocupações, todos os meus afectos. Todas as minhas inquietações, abandoná-las-ei no coração de Jesus: ele bastar-me-á e providenciará sem falta à minha subsistência.
É neste templo, neste Santo dos santos, nesta arca da aliança, que virei adorar e louvar o nome do Senhor. «Encontrei o meu coração, dizia David, para rezar ao meu Deus» (1º Crón 17, 25 Vulg). E também eu encontrei o coração do meu Senhor e Rei, do meu irmão e amigo. Portanto, como poderia não rezar? Sim, rezarei, porque, com firmeza o digo, o Seu coração pertence-me. [...]
Ó Jesus, digna-Te aceitar e escutar a minha oração. Leva-me todo inteiro para o Teu coração. Ainda que a deformidade dos meus pecados me impeça de entrar nele, contudo, dado que por um amor incompreensível este coração se dilatou e alargou, Tu podes receber-me e purificar-me da minha impureza. Ó Jesus puríssimo, lava-me das minhas iniquidades a fim de que, purificado por Ti, possa habitar em Teu coração todos os dias da minha vida, para ver e fazer a Tua vontade. Se o Teu lado foi trespassado, foi para que a entrada nos seja amplamente aberta. Se o Teu coração foi ferido, foi para que, ao abrigo das agitações exteriores, possamos habitar nele. E é ainda para que, na ferida visível, vejamos a invisível ferida do amor.

Atribuído a São Boaventura (1221-1274), franciscano, Doutor da Igreja
Meditações sobre a Paixão do Senhor, 3


As 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.
2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.”
3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.
4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.
6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhose empreendimentos”.
7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.
8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.
9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição".
10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.
11ª Promessa: "As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.
12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.
A GRANDE PROMESSA: Prometo-te, pela excessiva misericórdia e pelo amor todo-poderoso do meu Coração, conceder a todos que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final, que não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os seus sacramentos, e que o meu divino Coração lhes será seguro asilo nesta última hora.

Ato de consagração
(Texto aprovado por São Pio X em 1908) SAGRADO CORAÇÃO de Jesus, que manifestastes a Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós vimos hoje proclamar vossa realeza absoluta sobre a nossa família. Queremos, de agora em diante, viver a vossa vida, queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz. Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes. Vós reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção freqüente de vossa divina Eucaristia. Dignai-Vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas. Se, alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de Vos ofender, lembrai-Vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido. E quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa glória e os vossos benefícios. Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai.

Maior concelebração da história de Roma


João Maria Vianney será proclamado padroeiro de todos os sacerdotes
Hoje, sexta-feira, dia do encerramento do Ano Sacerdotal, a Igreja viverá "a Celebração Eucarística com o maior número de concelebrantes da história de Roma. Estão previstos cerca de 15 mil", anuncia o mestre das celebrações litúrgicas pontifícias.
Dom Guido Marini revela, além disso, que Bento XVI utilizará, na celebração, o cálice que pertencia a São João Maria Vianney, que hoje é conservado na paróquia de Ars.
João Maria Vianney (1786-1859) acrescenta Marini, "esteve no centro do Ano Sacerdotal e nesta ocasião será proclamado pelo Santo Padre como padroeiro de todos os sacerdotes".
Na Celebração Eucarística, haverá momentos particulares, como o "rito de aspersão com a água benta, como ato penitencial", fazendo referência "ao sangue e à água manados do Coração do Senhor como salvação para o mundo e também para retomar o tema da purificação, sobre o qual o Papa falou ultimamente, em diversas ocasiões".
Segundo Dom Marini, "depois da homilia, os sacerdotes renovarão as promessas sacerdotais, como na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal".
"No final da concelebração, antes da bênção final, o Santo Padre renovará o ato de consagração dos sacerdotes a Nossa Senhora, segundo a fórmula utilizada por ocasião da recente peregrinação a Fátima."
Fonte: Zenit
Veja o Vídeo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas"


Sabeis, ó minha Madre, como sempre desejei ser santa; mas, pobre de mim! Notei sempre, quando me comparei aos santos, que há, entre eles e eu, a mesma diferença que existe entre uma montanha cujo cimo se perde nos céus e o grão de areia pisado pelos pés dos transeuntes. Em vez de me desencorajar, disse para mim mesma: Deus não seria capaz de inspirar desejos irrealizáveis: portanto, apesar da minha pequenez, posso aspirar à santidade. Fazer-me crescer é impossível; tenho de me suportar tal como sou, com todas as minhas imperfeições. Mas quero procurar o meio para ir para o céu por um caminho pequeno, bem direito, bem curto, um caminhozinho totalmente novo.

Estamos num século de invenções; agora já nem é preciso subir os degraus de uma escada; na casa dos ricos, o elevador substitui-a com vantagem. O que eu queria era encontrar um ascensor que me elevasse até Jesus, porque sou muito pequena para subir a escada íngreme da perfeição. Então procurei nos Livros Sagrados a indicação do elevador, objeto do meu desejo; e li estas palavras saídas da boca da Sabedoria eterna: "Se alguém for muito pequeno, que venha até mim" (Pr 9,4).

E eu fui adivinhando que tinha encontrado o que procurava. Querendo saber, ó meu Deus, o que faríeis vós ao pequenino que respondesse ao vosso apelo, continuei a minha procura e eis o que encontrei: "Tal como uma mãe acaricia o seu filho, assim eu vos consolarei; e pegar-vos-ei ao colo e embalar-vos-ei em cima dos meus joelhos" (Is 66,13). Ah! Nunca palavras mais ternas, mais melodiosas tinham vindo alegrar a minha alma: o ascensor que me há de elevar até ao céu, são os vossos braços, oh Jesus! Para isso, não preciso crescer; pelo contrário, tenho de ficar pequena, de tornar-me cada vez mais pequena. Oh meu Deus, vós ultrapassastes toda a minha expectativa! Eu quero "cantar as vossas misericórdias"! (Sl 88,2 vulg)

Santa Teresa do Menino Jesus (1873-97), carmelita, doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ato de Reparação ao Coração Sacratíssimo de Jesus do Papa Pio XI


Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é deles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados, diante do vosso altar, para vos desagravar-mos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o vosso dulcíssimo Coração. Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, mas também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade não Vos querendo como pastor e guia, ou, faltando às promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa Lei.
De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas particularmente dos costumes e imodéstias do vestir, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e vossos santos, dos insultos ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino Amor, e enfim, dos atentados e rebeldias oficiais das nações contra os direitos e o magistério da vossa Igreja.
Oh, se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniqüidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação que Vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares.
Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e pelos nossos próximos, impedir por todos os meios novas injúrias à vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possível.
Recebei, oh! benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes até á morte no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à Pátria bem-aventurada, onde Vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Assim seja.


Sexta feira agora é dia do SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS e encerramento do ano Sacerdotal, podemos fazer um tríduo com essa oração, para a conversão de cada sacerdote como a nossa própria conversão, pedindo ao Senhor que nos de um coração semelhante ao Dele.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sem Sacerdotes não há Eucaristia


Durante o Simpósio Teológico do I Congresso Eucarístico e Mariano de Lima (CEM 2010), que teve início na última terça-feira, 1º de junho, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Dom Antonio Cañizares Llovera, destacou no seu discurso que “sem sacerdotes não há Eucaristia e sem Eucaristia não há Igreja”; ao mesmo tempo advertiu que "renovar o sentido eucarístico é garantia de um futuro para a Igreja".

Diante de 2 mil participantes no evento organizado pela Arquidiocese de Lima no auditório do colégio San Agustín na capital peruana, o Cardeal recordou que a Eucaristia é fonte e ápice da vida de todo cristão e que “a Igreja é sacramento vivo e eficaz da união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” e que esta união “somente é possível pela participação do Corpo de Cristo. Isto acontece na Eucaristia”.

“Somente é possível a Eucaristia pelo sacerdócio. Por conseguinte, só com os sacerdotes existe Igreja”, advertiu.

“Nós sacerdotes – afirmou – somos necessários não para que funcione a Igreja ou para que esteja bem organizada ou para ensinar uma doutrina. Somos sacerdotes para que haja Eucaristia. Se não recuperarmos isto não haverá vocações. Assim colocamos o futuro em jogo”.

Do mesmo modo, o Cardeal Cañizares sublinhou a centralidade do sacrifício de Cristo na Eucaristia que em muitos lugares se viu “reduzido ao banquete, a celebração da comunidade, a uma lembrança, mas não ao sacrifício de Cristo que se entrega por nós na Cruz. Sem isto não entendemos nada da Eucaristia e não celebramos nada mais que a nós mesmos”.

“Secularizamo-nos e acreditamos que tudo era criatividade do homem. ‘O que importa é que seja atrativo. Não. O que importa é que o mistério seja reconhecido, que o mistério seja celebrado. Deve-se ter presente o direito de Deus. Deus nos diz como deve ser realizado o mistério, a celebração”, advertiu.

Por isso, depois de recordar o espírito de renovação eclesiástica que propôs o Concílio Vaticano II, o Cardeal ressaltou que em ordem de prioridades os padres conciliares propuseram a renovação litúrgica porque “não podemos entender a Gaudium et Spes se não sobre a base onde tudo se fundamenta: a Eucaristia”.

“Celebrar a Eucaristia é realizar a renovação da sociedade. Por isso, renovar o sentido eucarístico é garantia de um futuro para a Igreja. Aqui está o verdadeiro perigo para uma humanidade que não reconhece a Deus”.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Papa Bento XVI: Uma lição sobre o Sacerdócio


Uma lição sobre o sacerdócio: foi o que Bento XVI deu, na Sala das Bênçãos, no Vaticano, durante o encontro que manteve – neste Ano Sacerdotal – com o clero de sua diocese – Roma - acompanhados pelo cardeal vigário do papa, Agostino Vallini.
A reflexão do pontífice teve a forma de uma lectio divina, centrada em alguns trechos da Carta aos Hebreus.
Sacerdotes plenamente homens e completamente de Deus, com o coração animado por um sentimento em especial – a compaixão pelo mundo e suas misérias, e animados pela obediência a Deus, que não significa renúncia, mas sim um ato de livre adesão a Ele.
Com base nessas premissas, Bento XVI desenvolveu sua lectio divina com os sacerdotes romanos, partindo do que era a visão do Messias no Antigo Testamento e comparando-a com aquilo que Cristo realmente representou na história da salvação. Na convicção antiga, o Messias deveria revestir, sobretudo, um aspecto de realeza. O autor da Carta aos Hebreus – afirma ao invés, o papa – descobre o versículo do Salmo 110... "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque"... e o insere em seu texto, lançando uma nova luz sobre toda a Bíblia.
"Jesus não apenas cumpre a promessa de Davi, a expectativa do verdadeiro rei de Israel e do mundo, mas realiza também a promessa do verdadeiro sacerdote (…) Descobrindo esse versículo dos Salmos, o autor da Carta aos Hebreus compreende que em Cristo estão unidas as duas promessas: Cristo é o verdadeiro rei, o Filho de Deus (...) mas também o verdadeiro sacerdote, e assim, todo o mundo do culto, toda a realidade dos sacrifícios, do sacerdócio que busca o verdadeiro sacerdote e o verdadeiro sacrifício, encontra em Cristo a sua chave e o seu cumprimento."
O sacerdócio, portanto, "aparece na sua pureza e na sua verdade mais profunda" – acrescentou o pontífice, sublinhando outra característica do sacerdócio de Cristo, que dá sentido à vocação de todo e cada um de sues ministros consagrados... Um sacerdote para ser realmente mediador entre Deus e o homem, deve ser homem (...) e o Filho de Deus se fez homem justamente para ser sacerdote, para poder realizar a missão do sacerdote (...)
"Esta é a missão do sacerdote (...) - disse Bento XVI - ser mediador, ser ponte que une e, assim, conduz o homem a Deus, à sua redenção, à sua verdadeira luz e à sua verdadeira vida." Se um sacerdote é uma "ponte" que coloca em comunhão a humanidade com a divindade, a sua alma, primeiramente, deve nutrir-se – reafirmou Santo Padre – com a oração cotidiana e constante, e com a Eucaristia.
"Somente Deus pode atrair-me a mim mesmo, pode autorizar-me, pode introduzir-me na participação do mistério de Cristo; somente Deus pode entrar na minha vida e tomar as minhas mãos (...) Sempre e de novo, devemos retornar ao sacramento, retornar a esse dom no qual Deus me dá aquilo que eu jamais poderia dar (...) um sacerdote deve ser realmente um homem de Deus, deve conhecer Deus de perto, e O conhecer em comunhão com Cristo. Devemos viver essa comunhão."
Essa opção de vida – insistiu Bento XVI – exige que um sacerdote seja um homem que desenvolve sentimentos e afetos segundo a vontade de Deus. Uma conversão que não é simples, sobretudo se se considera aquela indulgência que existe na mentalidade corrente.
"Assim se diz: "Mentiu, é humano; roubou, é humano." Mas esse não é o verdadeiro ser humano. Humano é ser generoso, humano é ser bom, humano é ser um homem de justiça (...) e portanto, saindo – com a ajuda de Cristo – desse obscurecimento da nossa natureza (...) é um processo de vida que deve começar na educação ao sacerdócio, mas deve realizar-se e prosseguir durante toda a nossa vida."
Um sacerdote que é, antes de tudo, um homem plenamente realizado, tem o coração voltado para a compaixão. Não é o pecado – observou o papa – o sinal da "solidariedade" para com a fraqueza humana, mas sim a força de compartilhar o peso, para redimi-lo e purificá-lo, com a mesma capacidade de se comover que Jesus teve em sua vida, e que lhe permitiu fazer chegar o seu grito de compaixão "até os ouvidos de Deus".
"Nós, sacerdotes, não podemos nos retirar em exílio, mas estamos em meio à paixão deste mundo e devemos – com a ajuda de Cristo e em comunhão com Cristo – buscar transformar este mundo e conduzi-lo a Deus." Por fim, a obediência... assim explicada pelo pontífice...
"Obediência - explicou o pontífice - é uma palavra que não nos agrada nos dias de hoje. Obediência se parece com alienação, com uma atitude de servilismo (...) No lugar da palavra "obediência", queremos como palavra-chave antropológica a "liberdade". Mas, considerando essa questão de perto, vemos que essas duas palavras caminham lado a lado (...) Porque a vontade de Deus não é uma vontade tirânica (...) mas é justamente o lugar onde encontramos a nossa verdadeira identidade (...) Peçamos realmente ao Senhor, para que nos ajude a ver intimamente, que esta é a liberdade, e para que possamos, assim, entrar com alegria nessa obediência e tomar pela mão o ser humano e levá-lo, com o nosso exemplo, com a nossa humildade, com a nossa oração e com a nossa ação pastoral – à comunhão com Deus."
Fonte: http://www.anosacerdotal.org.br

sábado, 5 de junho de 2010

“Todos que lhe tocavam eram curados”

       
Quando Jesus estava neste mundo, o simples contacto das suas vestes curava os doentes. Porquê duvidar, se temos fé, que ele também realize milagres quando está tão intimamente unido a nós na comunhão eucarística? Porque não nos dará ele o que lhe pedimos uma vez que está na sua própria casa? Sua Majestade não tem por hábito pagar mal a boa hospitalidade que lhe é dispensada. Se estais desolados por não o verdes com os olhos do corpo, considerai que isso não vos convém...

Mas assim que Nosso Senhor quer que uma alma aproveite da sua presença, ele revela-se-lhe. Ela não o verá, é verdade, com os olhos do corpo, mas ele manifestar-se-á a ela por meio de grandes sentimentos interiores ou por outros meios. Portanto, estai com ele de “bom coração”. Não perdeis uma ocasião tão favorável para tratar dos vossos interesses com o momento que se segue à comunhão.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Sacerdócio visto por São João Maria Vianney (Santo Cura d’Ars)


“Se tivéssemos fé, veríamos Deus oculto no sacerdote, como a luz por trás da vidraça, como vinho misturado na água.”

“Devemos considerar o padre quando está no altar e no púlpito como se fosse o próprio Deus”

“Oh! como o sacerdote é algo sublime! Se ele se apercebesse morreria… Deus lhe obedece: diz duas palavras e Nosso Senhor desce do céu.”

“Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem o colocou no tabernáculo? O padre. Quem foi que recebeu nossa alma à entrada da vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar força de fazer sua peregrinação? O padre.

“Quem a preparará para comparecer perante Deus, lavando a alma pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se alma vier a morrer, quem a ressuscitará, quem lhe dará a calma e a paz? Ainda o padre.”

“O Sacerdote não é para si, mas para vós…

“Quem recebeu vossa alma à sua entrada na vida? É o sacerdote. – Quem a sustenta para dar-lhe a força de fazer sua peregrinação? O sacerdote. – Quem há de prepará-la para se apresentar diante de Deus, purificando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. -

“E se a alma morrer quem há de ressuscitá-la? Ainda o sacerdote. – Não há benefício alguma de que vos lembreis sem ver logo ao lado desta recordação a figura do sacerdote. – O sacerdote tem as chaves dos tesouros celestiais; é o procurador de Deus, é o ministrador de seus bens.”

“Só no céu compreenderemos a felicidade de poder celebrar a Missa.”

“O padre não é para si. Não dá a si a absolvição. Não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.”

“Se um padre vier a morrer em conseqüência dos trabalhos e sofrimentos suportados pela glória de Deus e a salvação das almas não seria nada mal.”

“O Sacerdote só será bem compreendido no céu… Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor.”

“Se não fosse o padre, a morte e a Paixão de Nosso Senhor de nada serviriam.”

“O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.”

São João Maria Vianney

Fonte: O Catolicismo

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Papa preside solenidade de Corpus Christi no Vaticano


Bento XVI esclareceu ainda que no Sacramento da Eucaristia está presente "o mesmo sacrifício", que Jesus realizou "de modo cruel na cruz".
"Podemos então concluir que Cristo foi um verdadeiro e eficaz sacerdote, porque tinha a força do Espírito Santo, com a plenitude do amor de Deus, e isto também na noite em que foi traído, mesmo nas horas tenebrosas", continuou.
Esta "força divina, a mesma que realizou a Encarnação do Verbo", é capaz de "transformar a violência extrema e a injustiça extrema em um ato supremo de amor e de justiça", complementou.
"Esta é a obra do sacerdócio de Cristo, herdada pela Igreja e que se prolonga na história, na dupla forma do sacerdócio comum, dos batizados, e daquele ordenado pelos ministros, para transformar o mundo com o amor de Deus", completou Bento XVI.
Após a solenidade de Corpus Christi é realizada a tradicional procissão até a Basílica de Santa Maria Maior. A cerimônia remonta ao século XIII e foi instituída pelo papa Urbano IV(1262-1264), através da bula "Transiturus", de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
Para os cristãos, a celebração do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo é também um convite para uma meditação sobre o valor e a importância da Eucaristia em suas vidas.



Na homilia, o Santo Padre propôs aos fiéis uma meditação sobre a relação existente entre a Eucaristia e o Sacerdócio de Cristo. O Papa salientou que, na Última Ceia, Jesus transforma o pão e o vinho no seu próprio Corpo e Sangue, para que os discípulos possam nutrir-se d’Ele e viver em comunhão íntima e real com Ele.
O Pontífice ressaltou que, na Santa Ceia, Jesus agiu movido pelo Espírito Santo, com o qual se ofereceu depois na cruz. "É o amor divino que transforma: o amor com o qual Jesus aceita, antecipadamente, dar-se inteiramente por nós. Este amor nada mais é senão o Espírito Santo, o Espírito do Pai e do Filho, que consagra o pão e o vinho e muda a sua substância no Corpo e no Sangue do Senhor, tornando presente no Sacramento o próprio Sacrifício que se realiza depois de maneira cruenta na Cruz".
"Cristo foi o sacerdote verdadeiro e eficaz porque estava cheio da força do Espírito Santo, cheio da plenitude do amor de Deus e isto precisamente na noite em que foi traído, na hora das trevas", disse o Papa, e destacou que "o poder divino do sacerdócio de Cristo transforma a extrema violência e a extrema injustiça em um ato supremo de amor e de justiça".
E concluiu afirmando que "este é o trabalho do sacerdócio de Cristo, que a Igreja herdou e perpetua na história, na dupla forma do sacerdócio: a comum aos batizados e pelos ministros ordenados, para transformar o mundo com o amor de Deus".
Fonte: Da Redação, com Rádio Vaticano

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ó precioso e admirável banquete!



Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero
(Opusculum 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4)(Séc.XIII)

O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade,assumiu
nossa natureza, para que, feito homem,dos homens fizesse deuses.
Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.
Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida.
Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento?
De fato,nenhum outro sacramento é mais salutar do que este;nele os pecados são
destruídos,crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons
espirituais.
É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos.
Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear
a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão.
Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos
corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai.
A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da
Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular
conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.
Fonte: Liturgia das Horas.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Bento XVI: carreirismo na Igreja é contrário ao Evangelho


Durante esse mês queremos rezar mais intensamente pelos sacerdotes, pois se encerra o Ano Sacerdotal. Eis a grande pergunta: o que será que fizemos para aqueles que nos conduzem diariamente para Cristo Jesus? Por isso queremos refletir sobre alguns temas direcionados aos sacerdotes e rezar para que não possamos julgá-los, mas sim que eles sejam pastores segundo o coração de Cristo Jesus, “O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo”.São João Maria Vianney.

Catequese na audiência geral sobre o "munus regendi" do sacerdote

Na Igreja, a autoridade e a hierarquia constituem um serviço de amor em nome de Cristo, e por essa razão não há espaço para o carreirismo: foi o que afirmou nesta quarta-feira Bento XVI na audiência geral na Praça de São Pedro.
Em sua catequese, o Papa refletiu sobre o munus regendi do sacerdote, sua atribuição de governar, falando principalmente da relação entre hierarquia e a dimensão pastoral da Igreja.
A este propósito, o Pontífice observou como, com frequência, a hierarquia eclesiástica é concebida com algo que se contrapõe à humildade ensinada no Evangelho.
"Mas esta é uma má compreensão do sentido da hierarquia, que historicamente também causou abusos de autoridade e carreirismo", observou, e fruto de uma interpretação errônea do conceito de hierarquia, que significa na verdade "origem sacra", e remete assim a uma autoridade que vem de um Outro.
"Quem entra na sagrada Ordem do sacramento, a ‘hierarquia', não é um autocrata, mas entra em um novo laço de obediência a Cristo", explicou.
"Também o Papa - ponto de referência de todos os demais Pastores e da comunhão da Igreja - não pode fazer o que quer; ao contrário, o Papa é custódio da obediência a Cristo, à sua palavra reassumida na regula fidei, no Credo da Igreja, e deve proceder na obediência a Cristo e à sua Igreja", acrescentou Bento XVI.
A Igreja de fato, exerce uma "autoridade que é serviço [...] em nome de Jesus Cristo".
Assim, evidenciou que, "para ser Pastor segundo o coração de Deus, é necessário um profundo enraizamento na viva amizade com Cristo, não apenas da inteligência, mas também da liberdade e da vontade, uma clara consciência da identidade recebida na Ordenação Sacerdotal, uma disponibilidade incondicional para conduzir o rebanho confiado aonde Deus deseja e não na direção que, aparentemente, parece mais conveniente ou mais fácil".
"O significado profundo e último da tarefa de governar que o Senhor nos confiou," acrescentou, é aquele de "conduzir os homens a Deus, despertar a fé, erguer o homem da inércia e do desespero, dar a esperança de que Deus está próximo e guia a história pessoal e do mundo".
Finalmente, o Papa convidou os sacerdotes a participarem das celebrações de conclusão do Ano Sacerdotal, programadas para o período de 9 a 11 de junho próximo, em Roma.
"Orai - encorajou, enfim, os fiéis - para que saibamos tomar conta de todas as ovelhas, também daquelas perdidas, do rebanho a nós confiado."
Fonte: ROMA, quarta-feira, 26 de maio 2010 (ZENIT.org).