terça-feira, 15 de junho de 2010

“O mendigo das Quarenta Horas”


Suscitado como vítima e como protesto contra os vícios da sociedade francesa do século XVIII, é uma dessas vocações para serem admiradas, mas não imitadas se não houver clara indicação de Deus.

Bento José nasceu em 26 de março de 1748 em Amettes, na diocese de Boulogne, França. Era o mais velho dos 15 filhos de João Batista Labre e Ana-Bárbara, membros da classe média local, que deram aos numerosos filhos profunda educação religiosa, de modo que vários deles seguiram a vocação sacerdotal.
“O Criador o havia dotado (a Bento) de um espírito vivo e penetrante, de um julgamento são e sólido, de uma memória fácil e segura. Seu coração era terno, sua vontade forte, sua alma não abandonava jamais a verdade uma vez conhecida. Manifestou desde seus primeiros anos inclinações pronunciadas para o bem, gostos simples e inocentes, e uma grande ingenuidade, sinal ordinariamente precursor da retidão de sentimentos”.(1)
Desde menino tinha profunda estima por seu caráter de católico, terna devoção a Nossa Senhora e a seu Esposo (seu padroeiro), devoções que em seu país não se separam. Assim, os nomes de Jesus, Maria e José foram os primeiros que ele pronunciou.
Bento fez seus primeiros estudos na escola conduzida pelo vigário da paróquia. Os relatos desse período de sua vida –– tanto na biografia escrita por seu confessor, Pe. Marconi, quanto nos depoimentos dos processos de beatificação –– são unânimes em ressaltar uma seriedade de pensamento e de comportamento muito acima da idade.
Muito cedo começou a mostrar acentuada predileção pelo espírito de mortificação e afastamento dos jogos infantis. Pode-se dizer que, desde o desabrochar da razão, demonstrou o mais vivo horror ao pecado. Mas tudo isso coexistia nele com um comportamento franco e aberto, e com um fundo de alegria que permaneceu inabalável até o fim de sua vida.
Na idade de 12 anos sua educação foi confiada a seu tio paterno, Pe. Francisco José Labre, vigário de Erin. Bento fez a Primeira Comunhão e recebeu o Santo Crisma no mesmo dia. Começou então para ele nova vida, mais recolhida e mortificada; e aproveitava todas as ocasiões para ensinar a doutrina cristã às crianças mais novas.

Rezava freqüentemente a oração de Santo Agostinho: “Senhor, fazei com que eu vos conheça e me conheça: a vós, para vos amar; a mim, para me desprezar”.
De tal maneira sua oração era contínua, que se pode dizer sem exagero que Bento José passou os últimos 15 anos de sua vida em contemplação.Embora lesse as Sagradas Escrituras em latim desde a adolescência, e muitos julgassem que Deus lhe houvesse dado uma compreensão particular dos livros santos, fazia questão de ouvir a explicação da doutrina cristã junto com os mais ignorantes. E assistia mesmo ao catecismo dado às crianças abandonadas.
Sua devoção a Nossa Senhora era terníssima, e a devoção ao Santíssimo Sacramento o coloca entre os santos mais devotos desse divino mistério. Ele procurava sempre as igrejas onde se realizavam as Quarenta Horas. Nelas ficava extasiado, perdendo a noção do tempo, pelo que ficou conhecido como o mendigo das Quarenta Horas.
Bento visitava também os doentes, principalmente os mais abandonados, e lhes falava da vida eterna. A uma pessoa que lhe pediu um conselho para o futuro, disse: “Cada vez que ouvirdes o relógio, lembrai-vos de que não sois senhor da hora seguinte; e pensai ao mesmo tempo na Paixão que quis sofrer Nosso Senhor, para nos pôr em posse da eternidade”.
Muitas vezes se notou o ardor de seu amor a Deus e o fervor de sua oração, por uma como que auréola de luz sobrenatural que o envolvia, ou por ver seu corpo levantar-se do solo quando orava.
Literalmente gasto pelos sofrimentos e austeridades, em 16 de abril de 1783 Bento desfaleceu nos degraus da igreja de Santa Maria dei Monti, em Roma. Foi carregado a uma casa da vizinhança, onde faleceu. Sua morte foi seguida por grande número de milagres, atribuídos à sua intercessão. Espontaneamente, as crianças na rua começaram a gritar: “Morreu o santo! Morreu o santo!”
A vida de Bento José Labre foi escrita por seu confessor, Pe. Marconi, e apresenta 136 curas milagrosas até 6 de julho de 1783, que foram certificadas. Foi beatificado por Pio IX em 1859 e canonizado por Leão XIII em 8 de dezembro de 1881.

Possamos aprender com Bento José Labre um amor profundo a Jesus Sacramentado, nos deixando ser seduzidos por ele a cada vez que entrarmos em uma Igreja, guardando o silêncio e deixar que Deus faça em nós o que Ele quer e não o que queremos para nossa vida, deixar se guiar por Ele não é fácil “Senhor, fazei com que eu vos conheça e me conheça: a vós, para vos amar; a mim, para me desprezar”.

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