sábado, 25 de setembro de 2010

Perdão é necessário para resolver atual crise espiritual, diz Papa




"O núcleo da crise espiritual do nosso tempo tem as suas raízes no obscurecimento da graça do perdão", afirmou o Papa Bento XVI neste sábado, 25, aos bispos do Rio de Janeiro em visita ad Limina a Roma.
O Santo Padre explicou que quando o perdão não é reconhecido "como real e eficaz", tende-se a libertar a pessoa do sentimento de culpa. Sendo assim, afasta-se a possibilidade para que o perdão aconteça. Mas, explicou Bento XVI, "as pessoas assim 'libertadas' sabem que isso não é verdade, que o pecado existe e que elas mesmas são pecadoras".
"Embora algumas linhas da psicologia sintam grande dificuldade em admitir que, entre os sentidos de culpa, possa haver também os devidos a uma ' verdadeira culpa', quem for tão 'frio' que não prove sentimentos de culpa nem sequer quando deve, procure por todos os meios recuperá-los, porque no ordenamento espiritual são necessários para a saúde da alma. De fato Jesus veio salvar, não aqueles que já se libertaram por si mesmos pensando que não têm necessidade d’Ele, mas quantos sentem que são pecadores e precisam d’Ele (cf. Lc 5, 31-32)", destacou.
O Papa afirmou ainda que "todos nós temos necessidade" desse perdão de Deus. "Como o Escultor divino que remove as incrustações de pó e lixo que se pousaram sobre a imagem de Deus inscrita em nós. Precisamos do perdão, que constitui o cerne de toda a verdadeira reforma: refazendo a pessoa no seu íntimo, torna-se também o centro da renovação da comunidade".
"Somente a partir desta profundidade de renovação do indivíduo é que nasce a Igreja, nasce a comunidade que une e sustenta na vida e na morte", explicou Bento XVI. "Ela é uma companhia na subida, na realização daquela purificação que nos torna capazes da verdadeira altura do ser homens, da companhia com Deus. À medida que se realiza a purificação, também a subida – que ao princípio é árdua – vai-se tornando cada vez mais jubilosa. Esta alegria deve transparecer cada vez mais da Igreja, contagiando o mundo, porque ela é a juventude do mundo".
E concluiu lembrando aos bispos que "tal obra não pode ser realizada com as nossas forças, mas são necessárias a luz e a graça que provêm do Espírito de Deus e agem no íntimo dos corações e das consciências".


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