domingo, 7 de novembro de 2010

Solenidade de Todos os Santos


Cidade do Vaticano, 07 nov (RV) - No Antigo Testamento, quando Deus falava ao povo, este deveria ir ao local determinado por Ele, mas permanecendo afastado de onde o Senhor falava, e o Senhor o fazia por meio de Moisés ou de algum profeta.
No Novo Testamento, o Senhor vem ao povo, pede que ele se aproxime e lhes fala diretamente.

O Evangelho do dia de hoje se refere a uma cena como a que citamos acima, onde o Senhor reúne o Povo da Nova Aliança para falar dela e de suas propostas.
Ele está sobre um monte e seus discípulos se aproximaram e ele começa a ensinar-lhes os preceitos da Nova Aliança.

Jesus promulga uma constituição, a Constituição do Novo Povo de Deus, onde os pobres, os famintos, os doentes, os presos, os perseguidos, os injustiçados, os sofredores, os puros de coração farão parte integrante desse Povo. Na verdade, Jesus apenas legitima a presença dessas categorias de marginalizados, daqueles que não possuem lugar neste mundo, como cidadãos do Reino que virá e que, de certo modo, já chegou com a pessoa de Jesus.

Mas por que esse Evangelho no dia de hoje, por que as Bem – Aventuranças no dia de Todos os Santos?
Ora, o Povo de Deus é o Povo Santo, resgatado com o sangue de Cristo.
Tanto a primeira bem-aventurança, quanto a última, constata o que acontece neste mundo: os pobres em espírito e os perseguido por causa da justiça, o são por causa do Reino, por causa de suas opções por Deus e pelos irmãos marginalizados.

Ser pobre, como fala Jesus, é ter optado pela pobreza, não porque ela em si seja boa, mas porque como pobres participam do projeto de Deus, construindo a nova sociedade, baseada na justiça e igualdade.
Eles, lutando contra a corrente, optaram pela partilha de bens, convertendo-se de uma sociedade ambiciosa estabelecida sobre o poder, glória e riqueza.
Essa sociedade ambiciosa, não suportando a bondade e a felicidade dos pobres, promove perseguição àqueles que vivem a solidariedade, a igualdade e a fraternidade. E por aí caminha o Evangelho de hoje, passando uma por uma as bem-aventuranças.

Lutar “contra a corrente” faz ser santo porque, como falou João Paulo II, ao lutar “contra a corrente” a pessoa se dirige à fonte, onde está a saciedade. Deus é a fonte do amor, da vida, da felicidade!

Santo é aquele que segue o Senhor em sua luta pela justiça, fazendo o bem e aceitando a realidade da “via crucis”.
O santo vive plenamente a aliança selada com o sangue de Jesus, no amor do Senhor e na fraternidade.

Ser santo é ter Jesus Cristo como princípio e fundamento de sua vida, confiando na Providência, não guardando mágoas, mas fazendo o bem a qualquer pessoa, gratuitamente, por amor a Deus, não importando se o sofrimento está presente, não pensando em si e também não levando em conta quem é o beneficiado, mas em tudo amando e servindo.

Por causa de viver amando e do sentimento de que a missão está sendo cumprida, o cristão é feliz, é alegre, apesar de nem sempre as crcunstâncias serem cor de rosa. O santo é animado, otimista, generoso, fraterno. O santo reflete em si, Deus!

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