segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Confiar no amor de Deus é acolher Jesus, diz Papa


Queridos irmãos e irmãs!

Neste quarto e último domingo do Advento, a liturgia apresenta-nos a narração do anúncio do Anjo a Maria. Contemplando o ícone estupendo da Virgem Santa, no momento em que recebe a mensagem divina e dá a sua resposta, somos interiormente iluminados pela luz de verdade que emana, sempre nova, daquele mistério. Em particular, gostaria de deter-me brevemente na importância da virgindade de Maria, no fato de que Ela concebeu Jesus permanecendo virgem.

No pano de fundo do acontecimento de Nazaré está a profecia de Isaías. "Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco" (Is 7,14). Essa antiga promessa encontrou cumprimento superabundante na Encarnação do Filho de Deus. De fato, não somente a Virgem Maria concebeu, mas o fez por obra do Espírito Santo, isto é, de Deus mesmo. O ser humano que começa a viver no seu ventre partilha da carne de Maria, mas a sua existência deriva totalmente de Deus. É plenamente homem, feito de terra – para usar o símbolo bíblico –, mas vem do alto, do Céu. O fato de que Maria conceba permanecendo virgem é, portanto, essencial para o conhecimento de Jesus e para a nossa fé, porque testemunha que a iniciativa foi de Deus e, sobretudo, revela quem é o concebido. Como diz o Evangelho: "Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1,35). Nesse sentido, a virgindade de Maria e a divindade de Jesus se garantem reciprocamente.

Eis porque é tão importante aquela única pergunta que Maria, "muito perturbada", dirige ao Anjo: "Como se fará isso, pois não conheço homem?" (Lc 1,34). Na sua simplicidade, Maria é sapientíssima: não duvida do poder de Deus, mas quis compreender melhor a sua vontade, para configurar-se completamente a essa vontade. Maria é infinitamente superada pelo Mistério, mesmo que ocupe perfeitamente o lugar que, ao centro desse, lhe foi dado. O seu coração e a sua mente são plenamente humildes, e, exatamente pela sua singular humildade, Deus espera o "sim" dessa jovem para realizar o seu projeto. Respeita a sua dignidade e a sua liberdade. O "sim" de Maria implica o conjunto de maternidade e virgindade, e deseja que tudo n'Ela dirija-se para a glória de Deus, e para que o Filho que nascerá d'Ela possa ser todo dom de graça.

Queridos amigos, a virgindade de Maria é única e irrepetível; mas o seu significado espiritual diz respeito a cada cristão. Esse, substancialmente, está ligado à fé: de fato, quem confia profundamente no amor de Deus, acolhe em si a Jesus, a sua vida divina, pela ação do Espírito Santo. É esse o mistério do Natal! Desejo a todos vós que o vivam com íntima alegria.

Fonte:Zenit

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada a criação inteira!

O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é de estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se, pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.

Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente nelas, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.

Pela plenitude da tua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos; e os que estavam acima do céu rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade todos os justos que morreram antes da sua morte vivificante, exultam pelo fim de seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.

Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ó Virgem bendita e mais que bendita, pela tua bênção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!

Deus deu a Maria o seu próprio Filho, único gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como a si mesmo. No seio de Maria, formou seu Filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.

Por conseguinte, Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, e Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.

Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.

(Das Meditações de Santo Anselmo, bispo – Séc. XII – Liturgia das Horas).

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dizer eu te amo é coisa séria




Uns 20, 30 anos atrás, em geral nem os pais costumavam declarar com todas as letras o quanto amavam seus filhos. Amavam, sim. E muito! Mas não diziam. Apenas demonstravam, na maioria das vezes! Entre os casais, então, o tão esperado eu te amo costumava ser dito e repetido somente na fase da paixão, e olhe lá, com digamos, excessiva cautela.

Olhar nos olhos de alguém e dizer eu te amo costumava equivaler como selar um compromisso. A pessoa teria que, de fato, tornar-se responsável por quem cativou, como imortalizou Saint Exupery em seu maravilhoso livro O Pequeno Príncipe.

Mas como sabemos, as gerações se complementam, a cultura é dinâmica e os tempos mudam. Hoje, essa declaração chega a ser quase como um cumprimento diário, em muitos casos. Os adolescentes, então, esfuziantes que são não se cansam de se declarar aos amigos, ficantes e namorados todo o amor que têm pra dar!

Há quem considere essa prática um abuso, sem sentido e sem consistência. Banalizaram os sentimentos, justificam-se os mais críticos e reservados. Em alguns casos, pode até ser, mas não apostaria nesta conclusão assim, tão precipitadamente.

Claro que tem gente que fala sem sequer imaginar como é que se sente e, principalmente, como é que se pratica o amor de verdade. Essas pessoas, sim, certamente estão desconsiderando a profundidade e responsabilidade que o amor pede. E quando é assim, concordo: é preciso um tantinho de pudor com o amor, porque é coisa séria!

Por outro lado, embora seja coisa séria, também acredito que deva ser coisa leve, gostosa, espontânea, fluida. E sendo assim, talvez não precisemos resistir tanto às declarações, embora devamos, sim e sempre, fazê-las de modo sincero e consciente, sabendo o que estamos dizendo.

Resumindo: é possível amar muito mesmo! E que bom que seja assim. Mas vale lembrar que uma declaração, quando feita em alto e bom som, toca o outro e gera nele uma expectativa (ou várias). O modo como você diz eu te amo pode ser compreendido de diversas formas, dependendo de quem ouve.

Portanto, mais do que ficar julgando a quantidade de vezes que as pessoas têm declarado seu amor, penso que o importante é sugerir uma reflexão: além das palavras, de que forma temos demonstrado amor? Temos sido pacientes e tolerantes com nossos amados? Temos ouvido o que eles dizem e nos interessado pelo que eles sentem? Temos nos disponibilizado para fazê-los felizes?

Imperfeitos que somos, certamente cometeremos erros, mesmo amando. Mas se nos tornarmos e nos mantivermos atentos agora, hoje, e durante o maior tempo que conseguirmos, talvez consigamos compreender que dizer eu te amo é como colocar um lindo laço sobre um presente. Muito bom! Mas o presente sempre é o que somos. E somos, fundamentalmente, o que fazemos muito mais do que o que falamos. Tal qual, sabiamente, escreveu Ralph Waldo Emerson: O que você faz fala tão alto que não consigo escutar o que você diz.

Fonte: http://msnencontros

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Reencontrar a seriedade da fé cristã






O cardeal Kurt Koch pediu para "recuperar a seriedade da fé cristã".
O presidente do Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristão presidiu uma missa domingo 13 de novembro na Catedral de Minsk, capital da Bielorrússia, onde, a convite do Patriarcado de Moscou, participou de uma conferência ecumênica. O encontro, que reuniu cristãos da Europa do Leste e do Oeste, se concluiu terça-feira à noite.
O tema da conferência foi: o diálogo católico-ortodoxo e os valores éticos cristãos como uma contribuição para a vida social da Europa. De acordo com a Rádio Vaticano, o evento confirma a aproximação em curso entre Roma e Moscou, um processo em que há "progressos constantes."
No programa da conferência tinha-se argumentos tais como: o mundo contemporâneo e a resposta da Igreja em têrmos de ética social; a crise econômica global e a crise de fé, os valores cristãos em um mundo pluralista; os valores cristãos e economia social de mercado em um momento de crise global .
O cardeal Koch concentrou a sua homilia sobre o Julgamento de Deus, “hoje rejeitado em tantos ambientes e muitas vezes calado", "mesmo a nível teológico."
No entanto, "Deus, quando julga, está interessado pelo homem", disse o cardeal, e o seu juízo não é um ato de condenação pela humanidade, como "um ato de graça, terapêutico e rico de misericórdia
".
Devemos, concluiu Koch, "redescobrir a seriedade da fé cristã", e dar-nos conta de que se, na nossa vida de cada dia, “vemos no juíz divino a medida do nosso viver e do nosso agir”, a “alegria” não desaparece nunca da nossa vida”.

Fonte: (ZENIT.org)

domingo, 30 de outubro de 2011

A Obra dos Santos Anjos é uma associação pública da Igreja Católica em conformidade com a doutrina tradicional e as diretivas da Suprema Autoridade; difunde entre os fiéis a devoção aos santos Anjos, exorta à oração pelos sacerdotes, promove o amor a Jesus Cristo na Sua paixão e a união à mesma.

A meta da Obra dos Santos Anjos é a renovação da vida espiritual na Igreja com a ajuda dos santos Anjos nas direções fundamentais da Adoração, Contemplação, Expiação e Missão.

Vale a pena esse retiro de silêncio. maiores informações no site:
Fonte: www.opusangelorum.org

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"Se hoje estamos na noite escura, amanhã Ele nos liberta"


Papa recorda misericórdia infinita de Deus
Na catequese de hoje, o Papa Bento XVI meditou sobre o Salmo 136, “um solene hino de louvor que celebra as inúmeras manifestações de bondade do Senhor para com os homens”.
Partindo das tradições judaicas, o Pontífice explicou que “solene oração de ação de graças, conhecida como o 'Grande Hallel', este Salmo é cantado tradicionalmente no final da ceia pascal judaica e foi, provavelmente, também rezado por Jesus na última Páscoa celebrada com seus discípulos”.
“Ao longo do poema, são enumeradas as muitas maravilhas de Deus na história humana e as suas intervenções em curso em favor de seu povo; e a cada proclamação da ação salvífica do Senhor responde a antífona coma motivação fundamental do louvor: o amor eterno de Deus”, afirmou.


Este salmo celebra o Senhor como aquele que faz “grandes maravilhas”, entre elas, a criação: “O mundo criado é sintetizado em seus principais elementos, com particular ênfase nos astros, no sol, na lua, nas estrelas, criaturas magníficas que governam o dia e a noite. Não se fala aqui da criação do ser humano, mas ele está sempre presente; o sol e a lua existem para ele – para o homem –, para marcar o tempo do homem, colocando-o em relação com o Criador, sobretudo através da indicação dos tempos litúrgicos”.


O texto recorda também “o longo peregrinar de Israel até a terra prometida: 'Conduziu seu povo no deserto, porque o seu amor é para sempre' (v. 16). Essas poucas palavras contêm uma experiência de quarenta anos, um tempo decisivo para Israel, que, deixando-se guiar pelo Senhor, aprende a viver na fé, na obediência e na docilidade à lei de Deus”.
Ao longo das grandes maravilhas que o salmo menciona, chega-se ao cume “no cumprimento da promessa divina feita aos Padres: 'Deu a sua terra por herança, porque o seu amor é para sempre; em herança a Israel, seu servo, porque o seu amor é para sempre' (vv. 21-22)”.
O Papa, aplicando o salmo à realidade atual, explicou: “Naturalmente, nós podemos dizer: essa libertação do Egito, o tempo do deserto, a entrada na Terra Santa e, em seguida, os outros problemas, que estão muito longe de nós, não são a nossa história”.


E acrescentou: “A estrutura fundamental é que Israel recorda-se da bondade do Senhor (...).E isso é importante também para nós: ter uma memória da bondade do Senhor. A memória torna-se uma força de esperança. A memória nos diz: Deus existe, Deus é bom, eterna é a sua misericórdia. E assim a memória abre, mesmo na escuridão de um dia, de um período, a estrada para o futuro: é luz e estrela que nos guia”.
“Também nós temos uma memória do bem, do amor misericordioso, eterno de Deus. A história de Israel já é uma memória também para nós, como Deus se mostrou e criou seu próprio povo. Depois, Deus se fez homem, um de nós: viveu conosco, sofreu conosco, morreu por nós. Permanece conosco no Sacramento e na Palavra. É uma história, uma memória da bondade de Deus, que nos assegura a sua bondade: o seu amor é eterno”, afirmou o Santo Padre.
“E, depois, também nestes dois mil anos da história da Igreja, existe sempre, de novo, a bondade do Senhor. Após o período obscuro da perseguição nazista e comunista, Deus libertou-nos, mostrou-nos que é bom, que tem força, que a sua misericórdia é para sempre”, acrescentou.


E aconselhou: “Devemos realmente valorizar essa história, ter sempre a memória das grandes coisas que Ele fez na nossa vida, para ter confiança: a sua misericórdia é eterna. E se, hoje, estamos na noite escura, amanhã Ele nos liberta, porque a sua misericórdia é eterna”.
O Papa concluiu sua catequese citando as palavras que São João escreve em sua Primeira Carta “e que deveremos sempre manter presentes na nossa oração: 'Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato'”.

Fonte:CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de outubro de 2011 (ZENIT.org)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Oração à Nossa Senhora Aparecida - Padroeira do Brasil - (12 de outubro)




Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida. Mãe de meu Deus, Rainha dos Anjos, Advogada dos pecadores, Refúgio e Consolação dos aflitos e atribulados, ó Virgem Santíssima; cheia de poder e bondade, lançai sobre nós um olhar favorável, para que sejamos socorridos em todas as necessidades.
Lembrai-vos, clementíssima Mãe Aparecida, que não se consta que de todos os que têm a vós recorrido, invocado vosso santíssimo nome e implorado vossa singular proteção, fosse por vós algum abandonado.

Animado com esta confiança a vós recorro: tomo-vos de hoje para sempre por minha mãe, minha protetora, minha consolação e guia, minha esperança e minha luz na hora da morte.

Assim, pois, Senhora, livrai-me de tudo o que possa ofender-vos e a vosso Filho meu Redentor e Senhor Jesus Cristo. Virgem bendita, preservai este vosso indigno servo, esta casa e seus habitantes, da peste, fome, guerra, raios, tempestades e outros perigos e males que nos possam flagelar. Soberana Senhora, dignai-vos dirigir-nos em todos os negócios espirituais e temporais; livrai-nos da tentação do demônio, para que, trilhando o caminho da virtude, pelos merecimentos da vossa puríssima Virgindade e do preciosíssimo Sangue de vosso Filho, vos possamos ver, amar e gozar na eterna glória, por todos os séculos dos séculos.
Amém.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Bento XVI aos cartuxos: “Igreja precisa de vocês”



Afirma que toda vocação é importante no Povo de Deus


“A Igreja precisa de vocês”: esta foi a mensagem que Bento XVI deixou, neste domingo, aos monges da Cartuxa de Serra San Bruno, na região italiana de Calábria, onde realizou uma visita pastoral de um dia.
O Pontífice chegou à Cartuxa dos Santos Estêvão e Bruno, após a manhã transcorrida em Lamezia Terme, e presidiu a celebração das Vésperas com os monges. Em sua homilia, ele quis sublinhar a importância da vida cartuxa para a Igreja universal.
“A Igreja precisa de vocês e vocês precisam da Igreja – afirmou. Seu lugar não é marginal: nenhuma vocação é marginal no Povo de Deus; somos um único corpo, no qual cada membro é importante e tem a mesma dignidade, e é inseparável do todo.”
“Também vocês, que vivem em um isolamento voluntário, estão na verdade no coração da Igreja e fazem correr pelas suas veias o sangue puro da contemplação e do amor a Deus”, sublinhou.
A comunhão eclesial, explicou, “precisa de uma força interior” e “o ministério dos pastores toma das comunidades contemplativas uma seiva espiritual que vem de Deus”.
O núcleo da espiritualidade cartuxa, explicou o Papa, é “o forte desejo de entrar em união de vida com Deus, abandonando todo o resto, tudo aquilo que impede esta comunhão, e deixando-se aferrar pelo imenso amor de Deus, para viver somente desse amor”.
“Todo mosteiro – masculino ou feminino – é um oásis no qual, com a oração e a meditação, se penetra incessantemente no poço profundo do qual se toma a 'água viva' para a nossa sede mais profunda.”
Mas a Cartuxa “é um oásis especial, onde o silêncio e a solidão são protegidos com particular cuidado, segundo a forma de vida iniciada por São Bruno e que permaneceu sem mudanças no curso dos séculos”, sendo ainda “atual e significativa no mundo de hoje”.
“Precisamente nisso consiste a beleza de toda vocação na Igreja – sublinhou Bento XVI: em dar tempo a Deus de agir com o seu Espírito e à própria humanidade de formar-se, de crescer, segundo a medida da maturidade de Cristo, nesse particular estado de vida.”
Para o Papa, pode considerar-se “um caminho de transformação no qual se realiza e se manifesta o mistério da ressurreição de Cristo em nós”.
“Às vezes, aos olhos do mundo, parece impossível permanecer durante toda a vida em um mosteiro, mas, na verdade, toda uma vida é apenas suficiente para entrar nessa união com Deus, nessa realidade essencial e profunda que é Jesus Cristo”, destacou.
Terminada a celebração das Vésperas, o Papa se dirigiu ao refeitório, para saudar a comunidade. Após assinar o Livro de Ouro dos hóspedes ilustres, visitou uma cela e a enfermaria, despedindo-se dos monges no pátio.

Fonte: SERRA SAN BRUNO, segunda-feira, 10 de outubro de 2011 (ZENIT.org)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O sacerdote no século 21, segundo cardeal Piacenza



Prefeito da Congregação para o Clero traça o perfil do padre


“Dispensadores dos mistérios de Cristo” e “sinais seguros de referência e de esperança para quem procura a plenitude, o sentido, o fim, a felicidade”. O prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Mauro Piacenza, traçou um perfil do sacerdote do século XXI, diante do clero de Los Angeles, onde está participando, a convite do novo arcebispo, da reunião anual de padres hispânicos nos Estados Unidos.
“Num mundo anêmico de oração e de adoração, o sacerdote é, em primeiro lugar, o homem da oração, da adoração, do culto, da celebração dos santos mistérios. Num mundo imerso em mensagens consumistas, pansexuais, atacado pelo erro, apresentado nos aspectos mais sedutores, o sacerdote deve falar de Deus e das realidades eternas, e, para fazê-lo com credibilidade, deve ser apaixonadamente crente, como também limpo”.
Segundo o prefeito da Congregação para o Clero, “o sacerdote deve dar a impressão de estar em meio às pessoas como quem parte de uma lógica e fala uma língua diferente dos outros”.
“Ele não é como os outros. O que se espera dele é precisamente que não seja como os outros.”


Uma resposta

Em referência ao contexto atual, o cardeal afirmou que “num mundo de violência e egoísmo, o sacerdote deve ser o homem da caridade”.
“Das alturas puríssimas do amor de Deus, do qual ele tem uma particularíssima experiência, desce até o vale onde muitos vivem a solidão, a incomunicabilidade, a violência, para lhes anunciar misericórdia, reconciliação e esperança”.
“O sacerdote responde às exigências da sociedade, fazendo-se voz de quem não tem voz: os pequenos, os pobres, os velhos, oprimidos, marginalizados”, continuou. “Não pertence a si mesmo, e sim aos outros; compartilha as alegrias e as dores de todos, sem distinção de idade, categoria social, procedência política, prática religiosa. É o guia da porção do povo que lhe foi confiada, pastor de uma comunidade formada por pessoas”, em que cada uma tem um nome, uma história, um destino, um segredo.


Missão
O cardeal Piacenza também falou da missão do sacerdote no século XXI, que corresponde “a uma vocação eterna que se realiza na plena comunhão com Deus”.
“Tem a difícil tarefa, mas eminente, de guiar as pessoas com a maior atenção religiosa e com o escrupuloso respeito da sua dignidade humana, do seu trabalho, dos seus direitos”, destacou.
“O sacerdote não duvidará em entregar a vida, seja numa breve, mas intensa temporada de dedicação generosa e sem limites, ou numa doação cotidiana, longa. O sacerdote deve proclamar ao mundo a mensagem eterna de Cristo, na sua pureza e radicalidade”, afirmou em outro momento.
E completou: “Não deve rebaixar a mensagem, mas confortar as pessoas; deve dar à sociedade, anestesiada pelas mensagens de alguns diretores ocultos, detentores dos poderes que se impõem, a força libertadora de Cristo”.


Modelo de estabilidade
Segundo Piacenza, “um sacerdote deve ser ao mesmo tempo pequeno e grande, nobre de espírito como um rei, simples e natural como um plebeu”.
O sacerdote tem que ser “um herói na conquista de si, o soberano dos seus desejos, um servidor dos pequenos e fracos; que não se humilha perante os poderosos, mas se inclina perante os pobres e pequenos, discípulo de seu Senhor e cabeça de sua grei”.
Ao se dirigir aos sacerdotes da arquidiocese, o purpurado destacou os resultados de uma pesquisa sobre Dachau. Segundo os sobreviventes desse campo de concentração nazista, em meio àquele inferno, os que se mantiveram equilibrados por mais tempo foram os sacerdotes católicos.
O cardeal Piacenza explicou como: “Porque eles eram conscientes da sua vocação, tinham sua escala hierárquica de valores, sua entrega ao ideal era total, eram conscientes da sua missão específica e dos motivos profundos que a sustentavam”.
O purpurado também falou da necessidade de sacerdotes íntegros no contexto atual, caracterizado pela instabilidade na família, no trabalho, nas instituições. “O sacerdote deve ser, constitucionalmente, um modelo de estabilidade e de maturidade, de entrega plena ao seu apostolado”.


Vida e ministério
Diante da “secularização, gnosticismo, ateísmo em suas várias formas”, que “estão reduzindo cada vez mais o espaço do sagrado”, e diante da desordem moral e da pobreza espiritual, “a vida e o ministério do sacerdote ganham importância decisiva e urgente atualidade”.
Segundo o prefeito da Congregação para o Clero, “o verdadeiro campo de batalha da Igreja é a paisagem secreta do espírito do homem, e não se entra ali sem muito tato, compunção, além da graça de estado prometida pelo sacramento da ordem”.
O purpurado também advertiu: “A Igreja é capaz de resistir a todos os ataques, a todos os assaltos que as potências políticas, econômicas e culturais podem desencadear contra ela, mas não resiste ao perigo que provém do esquecimento desta palavra de Jesus”.
Finalmente, perguntou “de que serviria um sacerdote tão semelhante ao mundo que se tornasse um padre mimetizado e não fermento transformador?”.
“Não se pode dar um presente mais precioso a uma comunidade do que um sacerdote segundo o coração de Cristo. A esperança do mundo consiste em contar, também para o futuro, com o amor de corações sacerdotais límpidos, fortes e misericordiosos, livres e mansos, generosos e fiéis”, afirmou.
E exortou os padres a ficarem unidos e serem santos: “Além das inquietações e contestações que agitam o mundo, e são sentidas também dentro da Igreja, há forças secretas, escondidas e fecundas em santidade”.
Fonte: LOS ANGELES, quinta-feira, 6 de outubro de 2011 (ZENIT.org)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

São Miguel, São Rafael e São Gabriel





São Miguel Arcanjo

São Miguel Arcanjo,
protegei-nos no combate,
defendei-nos com o vosso escudo
contra as armadilhas
e ciladas do demônio.
Deus o submeta,
instantemente o pedimos;
e vós, Príncipe da milícia celeste,
pelo divino poder,
precipitai no inferno a Satanás
e aos outros espíritos malignos
que andam pelo mundo
procurando perder as almas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
amem.


Nota:
O Papa Leão XIII, durante a celebração de uma missa particular, teve uma visão segundo a qual soube que o Demônio pediu permissão para submeter à Igreja a um período de provações. Deus concedeu-lhe permissão para provar a Igreja por um século (este século). Assim que o Demônio se afastou, Deus chamou Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo e disse-lhes:
"Dou-vos, agora, a incumbência de contrabalançar a obra nefasta do Demônio."
O Papa a seguir compôs a oração a São Miguel Arcanjo, ordenando depois que fosse rezada de joelhos, no fim de cada Santa Missa.


Oração a São Rafael Arcanjo

Fica conosco, ó Arcanjo Rafael, chamado “Medicina de Deus”!
Afastai para longe de nós as doenças do corpo, da alma e do espírito e trazei-nos saúde e toda a plenitude de vida prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Glorioso Arcanjo Rafael, que dignastes tomar a aparência de um simples viajante para vos fazer o protetor do jovem Tobias.
Ensinai-nos a viver sobrenaturalmente, elevando sem cessar nossas almas, acima das coisas terrestres.
Vinde em nosso socorro no momento das tentações e ajudai-nos a afastar de nossas almas e de nossos trabalhos todas as influências do inferno.
Ensinai-nos a viver neste espírito de fé que sabe reconhecer a misericórdia divina em todas as provações e as utilizar para a salvação de nossas almas.
Obtende-nos a graça de uma inteira conformidade com a vontade divina: seja que ela nos conceda a cura dos nossos males ou que recuse o que lhe pedimos.
São Rafael guia protetor e companheiro de Tobias, dirigi-nos no caminho da salvação, preservai-nos de todo perigo e conduzi-nos ao céu. Assim seja.

Oração de São Gabriel

Ó poderoso Arcanjo São Gabriel, a vossa aparição à Virgem Maria de Nazaré trouxe ao mundo, que estava mergulhado em trevas, luz. Assim falastes à Santíssima Virgem; "Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo... o Filho que de ti nascer será chamado Filho do Altíssimo".

São Gabriel intercedei por nós junto à Virgem Santíssima, Mãe de Jesus, Salvador. Afastai do mundo as trevas da descrença e da idolatria. Fazei brilhar a luz da fé em todos os corações. Ajudai a juventude a imitar Nossa Senhora nas virtudes da pureza e da humildade. Dai força a todos os homens contra os vícios e o pecado. São Gabriel! Que a luz da vossa mensagem anunciadora da Redenção do gênero humano, ilumine o meu caminho e oriente toda a humanidade rumo ao céu.

São Gabriel, rogai por nós, amém.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dia de São Padre Pio


Nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francesco Forgione. Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.
Ainda criança era muito assíduo com as coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus, que os via constantemente devido a tanta familiaridade. Ainda pequenino havia se tornado amigo do seu anjo da Guarda a quem recorria muitas vezes para auxiliá-lo no seu trajeto nos caminhos do Evangelho. Conta a história que ele recomendava muitas vezes as pessoas a recorrerem ao seu anjo da guarda estreitando assim a intimidade dos fiés para com aquele que viria a ser o primeiro sacerdote da história da igreja a receber os estigmas do Cristo do Calvário.
Narra a mamãe Peppa: “Não cometeu nunca nenhuma falta, não tinha caprichos, sempre obedeceu a mim e a seu pai, a cada manhã e a cada tarde ia à igreja visitar a Jesus e a Virgem. Durante o dia não saia nunca com os seus companheiros. Às vezes eu dizia: – “Francì vá um pouco a brincar”. Ele se negava dizendo: – “Não quero ir porque eles blasfemam”. Do diário do Padre
Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou de ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte.
Para o Padre Pio, a fé era a vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Empenhou-se assiduamente na oração. Passava o dia e grande parte da noite em colóquio com Deus. Dizia: "Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus". A fé levou-o a aceitar sempre a vontade misteriosa de Deus.

Aos casos mais urgentes e complicados o frade de Pitrelcina dizia: "Estes só Nossa Senhora", tamanha era a sua confiança na sua maezinha do céu a quem ele tanto amava e queria obter suas virtudes.
Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente. A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.

Seu corpo se encontra preservado da corrupção até os dias de hoje.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“Meu Deus, por que me abandonastes?” Salmo 21,22

Salmo recitado por Jesus na cruz não foi um grito de desespero

A exclamação de Jesus durante sua agonia, relatada nos evangelhos – “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” – não foi um grito de desespero, mas o começo de um dos salmos mais profundos do Saltério, que Ele, como bom judeu, conhecia muito bem.
O Papa Bento XVI propôs uma reflexão sobre este texto hoje, em seu ciclo de catequeses sobre a oração, destacando que o salmo 22/21 constitui “uma oração sincera e comovente, de uma densidade humana e uma riqueza teológica que o convertem em um dos salmos mais rezados e estudados de todo o Saltério”.
Nele, apresenta-se a “figura de um inocente perseguido e cercado por adversários que querem a sua morte; ele recorre a Deus, em um lamento doloroso que, na certeza da fé, se abre misteriosamente ao louvor”.
Seu grito inicial, que é o que os evangelhos de Mateus e Marcos colocam na boca do moribundo Jesus, “é um chamado dirigido a Deus, que parece distante, que não responde e que parece tê-lo abandonado”.
Nele, “Deus parece muito distante, muito esquecido, muito ausente. A oração pede escuta e resposta, solicita um contato, busca uma relação que possa dar-lhe consolo e salvação. Mas, se Deus não responde, o grito de ajuda se perde no vazio e a solidão se torna algo insuportável”.
Apesar disso, “o salmista não pode acreditar que o vínculo com o Senhor tenha se rompido totalmente e, enquanto pede um porquê do suposto abandono incompreensível, afirma que o ‘seu’ Deus não pode abandoná-lo.”


No Gólgota
Na boca de Jesus, este “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” expressa “toda a desolação do Messias, Filho de Deus, que está enfrentando o drama da morte, uma realidade totalmente contraposta ao Senhor da vida”.
“Abandonado por quase todos os seus, traído e negado pelos seus discípulos, cercado pelos que o insultam, Jesus está sob o peso esmagador de uma missão de deve passar pela humilhação e pelo aniquilamento. Por isso, grita ao Pai e seu sofrimento assume as palavras dolentes do salmo.”
Mas o Papa sublinha que “o seu não é um grito desesperado, como foi o do salmista, que, em sua súplica, percorre um caminho atormentado que chega finalmente a uma perspectiva de louvor, na confiança da vitória divina”.
O autor do salmo “vê como se põe em dúvida sua relação com o Senhor, a ênfase cruel e sarcástica dos que estão lhe fazendo sofrer: o silêncio de Deus, sua aparente ausência. No entanto, Deus está presente na existência do orante com uma proximidade e uma ternura inquestionáveis”.
Em certo momento, prosseguiu o Papa, “o orante evoca sua própria história pessoal de relação com o Senhor, remontando-se ao momento particularmente importante do início da sua vida. E lá, não obstante a desolação do presente, o salmista reconhece uma proximidade e um amor divino tão radicais, que agora pode exclamar, em uma confissão cheia de fé e geradora de esperança: ‘Desde o ventre de minha mãe vós sois o meu Deus’”.
As imagens usadas no salmo, descrevendo os agressores como bestas ferozes, “servem para dizer que, quando o homem é um ser brutal que agride seus irmãos, algo animal o possui, parece perder sua aparência humana; a violência tem algo de bestial e somente a intervenção salvadora de Deus pode restituir a humanidade ao homem”.
Diante deles, o salmista pede socorro, em “um grito que abre os céus, porque proclama uma fé, uma segurança que vai além de toda dúvida, de toda escuridão e de toda desolação. E o lamento se transforma, dá lugar ao louvor no acolhimento da salvação”, disse Bento XVI.
“Este salmo nos levou ao Gólgota, aos pés da cruz, para reviver sua paixão e compartilhar a alegria fecunda da ressurreição. Deixemo-nos invadir pela luz do mistério pascal e, como os discípulos de Emaús, aprendamos a discernir a verdadeira realidade, muito além das aparências, reconhecendo o caminho da exaltação na humilhação e a plena manifestação da vida na morte, na cruz.”
“Assim, colocando novamente toda a nossa confiança e esperança em Deus Pai, no momento da angústia, poderemos rezar-lhe com fé também nós, e nosso grito de auxílio se transformará em cantos de louvor”, concluiu o Santo Padre.
Fonte: CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 14 de setembro de 2011 (ZENIT.org)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bento XVI: religiões devem ser forças para a convivência



Afirma a importância dos encontros inter-religiosos pela paz

“Encontros como o que aconteceu em Assis e como o que acontece hoje em Munique representam ocasiões em que as religiões podem interrogar-se a si mesmas e perguntar como se converter em uma força para a convivência”.
Essa é a convicção expressada por Bento XVI na mensagem enviada, através do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Frisinga, à abertura, ontem em Munique, do encontro Bound to live together: Religiões e culturas em diálogo, organizado pela diocese alemã junto com a comunidade de Sant’Egídio.
Estes encontros, organizados todos os anos pela Comunidade de Sant’Egídio, pretendem manter vivo o “espírito de Assis” e a mensagem de paz lançada por João Paulo II há 25 anos, no encontro com os líderes religiosos do mundo.
“O viver juntos – afirmou o Papa – pode se transformar em um viver uns contra outros, pode se tornar um inferno, se não aprendermos a acolher uns aos outros, se cada um não quiser ser outra coisa além dele mesmo.”
“Mas abrir-se aos outros, oferecer-se aos outros pode ser também um dom. Assim, tudo depende de entender a pré-disposição a viver juntos como uma tarefa e como um dom, de encontrar o verdadeiro caminho para conviver.”
Este viver juntos – disse o Papa –, “que há algum tempo poderia ficar confinado a uma região, hoje não pode ser vivido a não ser no âmbito universal. O sujeito da convivência hoje é a humanidade inteira”.
“O sentido fundamental destes encontros é que devemos dirigir-nos a próximos e distantes no mesmo espírito de paz que Cristo nos mostrou. Devemos aprender a viver não uns junto aos outros, mas uns com os outros, isto é, devemos aprender a abrir o coração aos outros, permitir que nossos semelhantes façam parte das nossas alegrias, esperanças e preocupações.”
O coração – prosseguiu o Papa – “é o lugar no qual o Senhor se torna próximo. Por isso, a religião, que está centrada no encontro do homem com o mistério divino, está conectada de maneira essencial à questão da paz”.
“Se a religião fracassa no encontro com Deus, se rebaixa Deus ao nível da pessoa ao invés de elevar-nos até Ele, se faz d'Ele, de certa forma, uma propriedade nossa, então poderá conduzir à dissolução da paz.”
Se, ao contrário, “conduz ao divino, ao Criador e Redentor de todos os homens, então se converte em uma força de paz”.
“Sabemos – advertiu o Papa – que também no cristianismo houve distorções práticas da imagem de Deus, que levaram à destruição da paz. Somos chamados a deixar que Deus nos purifique, para nos transformarmos em homens de paz.”
O Papa convidou nunca deixar diminuir os esforços comuns pela paz, pois “o campo em que o fruto da paz deve prosperar precisa estar sempre cultivado”.
Ele recordou ainda que “a paz não pode simplesmente ‘acontecer’; ela é também ‘dada’. A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar, nunca totalmente cumprido”.
Precisamente por isso, “é necessário o testemunho comum de todos aqueles que buscam Deus com coração puro, para realizar cada vez mais a visão de uma convivência pacífica entre todos os homens”.
Desde o primeiro encontro de Assis há 25 anos – recordou o Papa –, “aconteceram e acontecem muitas iniciativas pela reconciliação e a paz que enchem de esperança, mas infelizmente há também muitas ocasiões perdidas, muitos passos atrás”.
“Terríveis atos de violência e terrorismo sufocaram repetidamente a esperança da convivência pacífica da família humana na alvorada do terceiro milênio, velhos conflitos se ocultam sob as cinzas ou explodem novamente, e a eles se acrescentam novos enfrentamentos e novos problemas.”
“Tudo isso nos mostra claramente que a paz é um mandato permanente, confiando a nós e, ao mesmo tempo, a dom a ser invocado”, disse o pontífice
Fonte:CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 12 de setembro de 2011 (ZENIT.org)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Bento XVI: Deus sempre reponde ao grito humano



Papa continua com sua “escola de oração”, agora com os salmos
Apesar dos perigos que cercam o homem, se este não duvidar da presença de Deus, experimentará a salvação, porque Deus escuta o grito humano, afirmou hoje o Papa Bento XVI.
O Pontífice, que se transladou de helicóptero de Castel Gandolfo à Praça de São Pedro para a audiência geral, quis propor aos presentes, dentro do seu ciclo de catequeses sobre a oração, toda uma lectio divina com o salmo 3.
Trata-se, como explicou, de um salmo “de lamentação e de súplica, imbuído de uma profunda confiança, no qual a certeza da presença de Deus é o fundamento da oração que se produz em uma condição de extrema dificuldade do orante”.
Segundo a tradição judaica, é um salmo composto pelo rei Davi quando fugia de Jerusalém, perseguido pelo seu filho Absalão.
“A situação de angústia e de perigo experimentada por Davi é o pano de fundo desta oração e uma ajuda para a sua compreensão”, pois, “no grito do salmista, todo homem pode reconhecer estes sentimentos de dor, de amargura, e ao mesmo tempo de confiança em Deus, que, segundo a narração bíblica, acompanhou Davi em sua fuga da cidade”, explicou o Papa.
O salmo começa com um grito de angústia diante dos “numerosos inimigos” que o cercam: “uma multidão surge e se levanta contra ele, provocando-lhe um medo que aumenta a ameaça, fazendo-a parecer ainda maior e terrível”.
O salmista “não se deixa vencer por esta visão de morte, mas mantém firme sua relação com o Deus da vida e é a Ele a quem se dirige, em primeiro lugar, buscando sua ajuda”.
A tentação da fé
No salmo, no entanto, “os inimigos tentam também destruir este vínculo com Deus e destruir a fé da sua vítima. Estes insinuam que o Senhor não pode intervir, afirmam que nem Deus pode salvá-lo”.
Este salmo, afirmou o Papa, “nos afeta pessoalmente: são muitos os problemas em que sentimos a tentação de que Deus não me salva, não me conhece, talvez não tenha a possibilidade; a tentação contra a fé é a última agressão do inimigo e devemos resistir a ela porque assim nos encontramos com Deus e encontramos a vida”.
Diante desta tentação, o salmista “invoca Deus, chama-o pelo seu nome”, prosseguiu. Nesse momento, “A visão dos inimigos desaparece agora, não venceram porque quem crê em Deus está certo de que Deus é seu amigo”.
“O homem já não está só, os inimigos já não são tão imbatíveis como pareciam, porque o Senhor escuta o grito do oprimido e responde do lugar da sua presença, do seu monte santo. O homem grita na angústia, no perigo, na dor; o homem pede ajuda e Deus responde.”
“Este entrelaçar-se do grito humano e da resposta divina é a dialética da oração e a chave de leitura de toda a história da salvação. O grito expressa a necessidade de ajuda e interpela à fidelidade do Deus que escuta”, sublinhou o Pontífice.
A oração, acrescentou, “expressa a certeza de uma presença divina que já se experimentou e na qual se acreditou, e se manifesta plenamente na resposta salvífica de Deus. Isso é importante: que, na nossa oração, esteja presente a certeza da presença de Deus”.
Por isso, “inclusive no meio do perigo e da batalha, pode dormir tranquilo, em uma atitude inequívoca de abandono confiante”.
“O medo da morte é vencido pela presença d'Aquele que não morre. É justamente a noite, povoada de medos ancestrais, a noite dolorosa da solidão e da espera angustiante, que se transforma: o que evoca a morte se converte em presença do Eterno”, acrescentou.
O Papa convidou os presentes a rezar este salmo, fazendo seus “os sentimentos do salmista, figura do justo perseguido que, em Jesus, encontra seu cumprimento”.
“Na dor, no perigo, na amargura da incompreensão e da ofensa, as palavras do salmo abrem o nosso coração à certeza consoladora da fé. Deus sempre está perto – escuta, responde e salva do seu jeito.”
No entanto, “é necessário saber reconhecer sua presença e aceitar seus caminhos, como Davi fugindo humilhado do seu filho Absalão, como o justo perseguido do Livro da Sabedoria, como o Senhor Jesus no Gólgota”.
“E quando, aos olhos dos ímpios, Deus parece não intervir e o Filho morre, então é quando se manifesta a todos os crentes a verdadeira glória e o cumprimento definitivo da salvação”, concluiu o Papa.
Fonte: CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de setembro de 2011 (ZENIT.org)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bento XVI anuncia lema da próxima JMJ 2013 no Rio




“Ide e evangelizai todos os povos”


CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 24 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – O Papa Bento XVI anunciou hoje, ao término da audiência geral realizada no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o lema escolhido para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Rio de Janeiro.
O lema será a passagem evangélica de Mateus 28, 19: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações”. A JMJ do Rio será realizada entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, segundo informa L'Osservatore Romano.
O lema escolhido pelo Papa sublinha o caráter missionário da próxima JMJ, como já anunciou o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, na coletiva de imprensa realizada em Madri imediatamente depois do encerramento da JMJ 2011.
O Papa também anunciou o lema da JMJ do próximo ano que, como é tradição, será realizada nas dioceses no Domingo de Ramos de 2012: “Estai sempre alegres no Senhor!”, tirado da Carta aos Filipenses (4, 4).
“Desde já, confio à oração de todos a preparação destes importantes encontros”, disse o Papa aos fiéis reunidos no pátio de Castel Gandolfo.


Fonte: Zenit

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Papa aos jovens: como alcançar a vida em plenitude?



Em Cristo, “nada vos fará tremer e, em vosso coração, reinará a paz”


MADRI, quinta-feira, 18 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI traçou para os jovens um caminho para alcançar a vida em plenitude, onde não há temor; um caminho em que nos corações reina a paz e se vivencia uma bem-aventurança que contagia os outros.
O Papa falava na Praça de Cibeles, em Madri, no discurso que dirigiu na Festa de Acolhida dos Jovens na Jornada Mundial da Juventude, no fim de tarde desta quinta-feira.
A primeira atitude que o Papa indicou aos jovens é saber ouvir as palavras de Jesus. “Há palavras que servem apenas para entreter, e passam como o vento; outras instruem, sob alguns aspectos, a mente.”
“As palavras de Jesus – prosseguiu Bento XVI –, ao invés, têm de chegar ao coração, radicar-se nele e modelar a vida inteira. Sem isso, ficam estéreis e tornam-se efêmeras; não nos aproximam d’Ele. E, deste modo, Cristo continua distante, como uma voz entre muitas outras que nos rodeiam e às quais estamos habituados.”
O Papa explicou que Jesus não ensina algo que aprendeu de outros, mas o que Ele mesmo é, o único que conhece verdadeiramente o caminho do homem para Deus.
Foi Cristo que abriu o caminho “para podermos alcançar a vida autêntica, a vida que sempre vale a pena viver em todas as circunstâncias e que nem mesmo a morte pode destruir”.
“Queridos jovens – enfatizou o Papa –, escutai verdadeiramente as palavras do Senhor, para que sejam em vós ‘espírito e vida’, raízes que alimentam o vosso ser, linhas de conduta que nos assemelham à pessoa de Cristo, sendo pobres de espírito, famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, amantes da paz.”
“Escutai-as frequentemente cada dia, como se faz com o único Amigo que não engana e com o qual queremos partilhar o caminho da vida.”
“Bem sabeis que, quando não se caminha ao lado de Cristo, que nos guia, extraviamo-nos por outra sendas como a dos nossos próprios impulsos cegos e egoístas, a de propostas lisonjeiras mas interesseiras, enganadoras e volúveis, que atrás de si deixam o vazio e a frustração”, disse.
O Papa indicou que os jovens aproveitem a Jornada Mundial da Juventude “para conhecer melhor a Cristo e inteirar-vos de que, enraizados n’Ele, o vosso entusiasmo e alegria, os vossos anseios de crescer, de chegar ao mais alto, ou seja, a Deus, têm futuro sempre assegurado, porque a vida em plenitude já habita dentro do vosso ser”.
“Fazei-a crescer com a graça divina, generosamente e sem mediocridade, propondo-vos seriamente a meta da santidade.”
“Perante as nossas fraquezas, que às vezes nos oprimem, contamos também com a misericórdia do Senhor, sempre disposto a dar-nos de novo a mão e que nos oferece o perdão no sacramento da Penitência”, assinalou.
Bento XVI disse que se os jovens edificarem sua vida “sobre a rocha firme”, ela “será não só segura e estável, mas contribuirá também para projetar a luz de Cristo sobre os vossos coetâneos e sobre toda a humanidade”.
Assim se mostrará “uma alternativa válida a tantos que viram a sua vida desmoronar-se, porque os alicerces da sua existência eram inconsistentes: a tantos que se contentam com seguir as correntes da moda, se refugiam no interesse imediato, esquecendo a justiça verdadeira, ou se refugiam em opiniões pessoais em vez de procurar a verdade sem adjetivos”.
O Papa advertiu que há muitos que, “julgando-se deuses, pensam que não têm necessidade de outras raízes nem de outros alicerces para além de si mesmo. Desejariam decidir, por si sós, o que é verdade ou não, o que é bom ou mau, justo ou injusto; decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado nas aras de outras preferências; em cada momento dar um passo à sorte, sem rumo fixo, deixando-se levar pelo impulso de cada instante”.
“Estas tentações estão sempre à espreita. É importante não sucumbir a elas, porque na realidade conduzem a algo tão fútil como uma existência sem horizontes, uma liberdade sem Deus”, disse.
“Pelo contrário – prosseguiu o Papa –, sabemos bem que fomos criados livres, à imagem de Deus, precisamente para ser protagonistas da busca da verdade e do bem, responsáveis pelas nossas ações e não meros executores cegos, colaboradores criativos com a tarefa de cultivar e embelezar a obra da criação.”
Bento XVI recordou que Deus quer um interlocutor responsável, alguém que possa dialogar com Ele e amá-Lo.
“Por Cristo, podemos verdadeiramente consegui-lo e, radicados n’Ele, damos asas à nossa liberdade. Porventura não é este o grande motivo da nossa alegria? Não é este um terreno firme para construir a civilização do amor e da vida, capaz de humanizar todo homem?”
O Papa convidou os jovens a serem “prudentes e sábios” e que edifiquem suas vidas “sobre o alicerce firme que é Cristo”.
“Esta sabedoria e prudência guiará os vossos passos, nada vos fará tremer e, em vosso coração, reinará a paz. Então sereis bem-aventurados, ditosos, e a vossa alegria contagiará os outros.”
“Perguntar-se-ão qual seja o segredo da vossa vida e descobrirão que a rocha que sustenta todo o edifício e sobre a qual assenta toda a vossa existência é a própria pessoa de Cristo, vosso amigo, irmão e Senhor, o Filho de Deus feito homem, que dá consistência a todo o universo”, afirmou Bento XVI.

Fomte: Zenit

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

20° DOMINGO DO TEMPO COMUM –A



Mulher, grande é a tua fé!
Leituras: Is. 56, 1.6-7; Rm 11, 13-15;.29-32; Mt 15, 21-28
“Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!” E desde este momento sua filha ficou curada. (Mt 15,28).
Eis que por fim, esta mãe sofrida pela sorte da filha, esta mulher estrangeira e pagã, estranha ao povo de Israel, à sua dignidade de povo de Deus e à sua religiosidade, elementos que constituem a identidade e o orgulho dos judeus diante dos outros povos, com sua fé confiante e perseverante, conduz Jesus a superar toda discriminação das pessoas diante da aliança do Senhor, na base da raça, do sexo e da religião.
A cura imediata da filha é a prova visível da potência da fé dos simples de coração e da salvação que vem de Jesus. Assim como, ao contrário, por falta de fé dos seus concidadãos, Jesus tinha experimentado a impossibilidade de realizar algum milagre e cura em Nazaré (Mc 6,5-6).
Com a presença de Jesus, a fé nele constitui a única condição e a verdadeira maneira de participar na herança “dos filhos” de Abraão, e de pertencer ao povo de Deus. Paulo chegará a formular com clareza este eixo central da boa nova de Jesus, na carta aos Gálatas: “Abraão confiou em Deus e isso lhe foi anotado como crédito. Compreendei que filhos de Abraão são os que têm fé. A escritura previa que os pagãos obteriam justiça pela fé, e assim Deus antecipa para Abraão a boa noticia: ‘por ti, todas as nações serão abençoadas’. Assim os que crêem são abençoados com Abraão que teve fé” (Gl 3, 6-9- trad. Bíblia do peregrino).
A fé não somente insere na linhagem espiritual de Abraão, fazendo dos que crêem filhos/as dele, mas os faz “filhos/as de Deus” pela união deles a Cristo, condição que não anula as distinções entre as pessoas, mas supera toda discriminação na única família de Deus. Nesta única família, unida pela mesma fé, se realiza a promessa da fecundidade feita por Deus a Abraão: “Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, pois, todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois vós sois um só em Cristo Jesus. E se vós sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, herdeiros segundo a promessa” (Gl 3, 26-29).
A visão do apóstolo nos oferece a perfeita realização da profecia de Isaías (Is 56,1.6-7- primeira leitura) sobre a acolhida dos pagãos em Jerusalém, cidade santa de Deus, a incorporação deles no povo de Deus, e a participação até o culto no templo, cume da identidade dos israelitas e seu direito exclusivo. Na pessoa de Jesus o templo se torna “casa de oração para todos os povos” (cf. Mt 21, 13; Jo 2, 19-22), posto que Ele, Jesus, é o verdadeiro o templo vivo.
Talvez não nos surpreenda muito a escassa sensibilidade dos discípulos diante da imploração sofrida da mãe da menina doente, que chega a ponto de pedir para que Jesus simplesmente a e para não mais incomodá-los (Mt 15,23). A mesma atitude eles tinham expressado diante do povo faminto, que estava seguindo e escutando a Jesus havia três dias (cf Mt 14,15).
O que nos toca profundamente, porém, é o silêncio inicial com que Jesus reage ao grito implorante da mulher: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio. Mas Jesus não lhe respondeu palavra alguma” (Mt 15, 22-23). Trata-se do mesmo Jesus que, não só toma cuidado e cura todo doente que o procura, mas que mais de uma vez, toma ele mesmo a iniciativa de curar uma pessoa, sem que ela tivesse até mesmo manifestado algum pedido de socorro! Todo mundo lembra, por exemplo, da cura da mulher encurvada, efetuada na sinagoga em dia de sábado (cf. Lc 13,10-17), ou a cura do homem da mão paralisada, nas mesmas condições (cf. Lc 6,6-9).
O misterioso silêncio inicial de Jesus, com certeza estimula a insistência da mulher. Sobretudo nos deixa vislumbrar o mistério do “tempo oportuno”, preordenado pelo Pai, em vista da plena manifestação da ação de Jesus como Messias e salvador. Aquele tempo que São João chama de a “hora de Jesus”, e que o próprio Jesus espera com ansiedade e determinação, enquanto se identifica com sua paixão, morte e ressurreição.
Por ocasião das núpcias de Caná ele responde com determinação à sua mãe que o solicitava a intervir em prol dos noivos que se encontravam em dificuldade: “Que queres de mim mulher? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2, 3-4). A fé confiante de sua mãe, faz com que de fato Jesus “antecipe” a sua hora: “Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser” (2,5). A água transformada em vinho marcou o inicio dos sinais de Jesus, manifestou a sua “glória “e despertou a fé dos discípulos. (cf Jô 2, 11-12).
No encontro de Jesus com a mulher pagã, assim como nas núpcias de Caná, nos deparamos com a mesma pedagogia divina acerca dos tempos de desenvolvimento da semente do reino. Tempos estes que só o Pai conhece. Jesus assume esta mesma pedagogia do Pai e ensina aos discípulos a assumi-la na própria vida. No caminho espiritual, a espera, e até mesmo os atrasos, dizem os Padres da Igreja, aumenta o desejo e faz com que se chegue a encontrar o amado com maior intensidade e alegria.
A capacidade de esperar na fidelidade de Deus e de perseverar na esperança comprova a qualidade da fé e do amor. “Os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos”, afirma São Gregório Magno (Hom. sobre os evangelhos, 25, 4-5; em Lit das Horas Vol. 3, 1436).
A insistência perseverante na oração filial, à qual nos convida Jesus, não é uma barganha comercial com Deus, com o intuito de dobrá-lo às nossas supostas necessidades ou desejos. É a expressão do amor confiante que alcança o coração do Pai. E Ele providencia o que é melhor para seus filhos e filhas. “Pedi e vos será dado; buscai e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá... Ora se vós, que sois maus sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem” (Mt 7, 7-8.11). Pode-se notar que S. Lucas, em lugar de “coisas boas”, coloca “o Espírito santo”. Isto diz que o Pai nos concede como dom mais precioso o seu próprio Espírito, e com o Espírito a verdadeira relação filial para cumprir sua santa vontade.
O exemplo dos grandes amigos de Deus e potentes intercessores para o povo junto dele, nos abrem o caminho na direção desta atitude interior. Abraão (Gn 18,17-33), Moisés (Ex 32,7-14), e o próprio Jesus, que pela sua submissão ao Pai foi arrancado do poder da morte (cf. Heb 5,7) e agora, glorificado, vive para sempre junto do Pai e intercede por nós (cf. Hebr 7,25). A mulher cananéia, declara Jesus, pertence a esta família de autênticos filhos e filhas de Deus e de potentes intercessores: “Mulher, grande é a tua fé. Seja feito como tu queres!”.
Uma segunda razão ainda mais complexa daquela do silêncio inicial de Jesus está no reconhecimento da prioridade de Israel no anúncio do reino de Deus, segundo a Aliança estabelecida com os pais e as promessas feitas a Abraão, aos patriarcas e aos profetas. O reconhecimento desta prioridade de Israel, junto com seu aperfeiçoamento na comunidade nascida da cruz de Cristo, é um critério basilar de toda a Escritura. Isso determina a unidade do projeto salvífico de Deus que se manifesta na unidade do Antigo e do Novo testamento. Segundo a fé cristã, Jesus é o centro e o cumprimento deste plano divino, que faz da história humana a história da realização do projeto salvífico de Deus, a história da salvação.
O segundo passo de Jesus no seu diálogo com a cananéia o afirma: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15, 24).
Correntes consistentes do pensamento entre os letrados e as autoridades religiosas de Israel tinham transformado a prioridade da eleição e a missão de testemunha de Israel, derivante da aliança, em “privilegio exclusivo”, e a observância material das normas da Torá, em mecanismos automáticos de salvação. Contra estas presunções reagem os profetas e o próprio Jesus, que, enquanto reconhece a primazia da eleição de Israel, derruba as barreiras impróprias erigidas pelos homens, colocando ao invés a fé da pessoa no centro da relação com Deus.
A mesma comunidade dos discípulos de Jesus, porém, teve que trilhar um longo caminho para superar o preconceito contra os pagãos, e precisou de uma longa viagem interior iluminada pelo Espírito Santo, como atestam os Atos dos Apóstolos e as Cartas de Paulo, para entrar definitivamente na perspectiva universalista de Jesus. A redação do texto de Mateus, proclamado hoje parece refletir a fadiga inicial da mesma comunidade.
A tentação de se considerar exclusivos depositários da verdade do Senhor está hoje totalmente ausente das nossas comunidades? Somos acolhedores das pessoas que estão em busca do sentido da vida, com os mesmos sentimentos de generosa acolhida que Jesus Ressuscitado transmitiu aos discípulos?
A narração do encontro com a mulher pagã, nos oferece em maneira plástica as etapas e a gradualidade do caminho percorrido pelo próprio Jesus, e que se torna exemplar pelos discípulos: do silêncio inicial, à menção dos pagãos como “cachorinhos”, à insistência perseverante da mulher, até a proclamação da grandeza da sua fé, que abre a porta à salvação expressa na cura da filha.
Esta é de fato uma perspectiva muito parecida com aquela que Jesus exalta no centurião romano (Mt 8, 10-12).
A fundamentação da pertença ao reino de Deus na fé e sua extensão de Israel aos pagãos e a todos os seres humanos em Cristo, para que nele tenham salvação, constituem o âmago do evangelho do Novo Testamento e a herança essencial da Igreja de todos os tempos. Israel e os pagãos recebem em igualdade de condições a misericórdia de Deus, e delas vivem (Rm 11, 32).
Isto, todavia, se encontra com o mistério da recusa por parte da maioria do povo de Israel, primeiro destinatário das promessas de Deus. O “pequeno resto” que aceita, fica como testemunha da fidelidade de Deus e da esperança alimentada por todos em Cristo.
O feito da recusa de Israel, junto com a permanência da sua eleição e missão, interpelará ao longo dos séculos e até hoje, a consciência da Igreja num nível teológico, assim como marcará as relações sociais e religiosas entre os cristãos e os judeus, muitas vezes conflituosas, até as tragédias do anti-semitismo do século vinte.
Paulo, mesmo na angústia da sua consciência de filho de Israel e discípulo de Jesus, proclamado Messias e Senhor de toda a humanidade, declara com força: “os dons e a vocação de Deus são irrevocáveis” (Rm 11,29 ). Os capítulos 9-11 da carta aos Romanos, da qual provêm a segunda leitura de hoje, dá testemunho deste tormento interior diante do duplo mistério, da recusa de Israel por uma parte e da fidelidade absoluta de Deus à sua aliança com os pais de Israel e de Jesus.
O Concílio Vaticano II, na Constituição Dei Verbum, pôs em luz mais uma vez a unidade e a irrevogabilidade da Aliança de Deus e seu cumprimento pleno em Cristo: a Igreja está caminhando nos trilhos de Israel rumo ao cumprimento do reino de Deus com a vinda gloriosa de Cristo.
Foi superada definitivamente a idéia teológica, difusa em certos ambientes cristãos, e que teve também graves consequências práticas na história, que a Igreja “substituiu” Israel no plano de Deus.
A Declaração “Nostra Aetate” do mesmo concílio, reafirmou em maneira clara como “a Igreja de Cristo reconhece que os primórdios da fé e de sua eleição já se encontram nos patriarcas, em Moisés e nos profetas, segundo o mistério salvífico de Deus”. Reconhece a existência de “um grande patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus”, e por isso encoraja ambas as partes a fomentar e aprofundar o conhecimento e o apreço recíproco. Impelida pelo amor evangélico, reprova toda perseguição contra os judeus, como contra quaisquer homens, e qualquer manifestação anti-semita, (NAE n. 4).
O papa João Paulo II, além de visitar a Sinagoga de Roma em 1986, pela primeira vez, por parte de um papa, chamou os judeus de “nossos irmãos maiores”, não por um ato de gentileza formal devida à hospitalidade que estava recebendo, mas como reconhecimento solene das comuns raízes nas quais afunda o mistério de Israel e o da Igreja.
O magistério pastoral de João Paulo II, assim como o do papa Bento XVI, através de gestos de alto valor simbólico e dos seus ensinamentos, continuam encorajando os cristãos a recuperar o sentido da comum pertença ao único desígnio salvífico de Deus, e por isso a instaurar também novas e fraternas relações no comum testemunho ao amor de Deus.
Tudo isso faz parte da maneira de ser cristãos hoje, da nossa espiritualidade, do nosso estilo de vida, como filhos de Abraão e irmãos no Senhor.

Fonte: Zenit

sábado, 30 de julho de 2011

Perigo para os jovens, a pobreza de amor


Faltando alguns dias para a Jornada Mundial da Juventude de Madri, Bento XVI encorajou os jovens a abandonar algumas pobrezas que os assolam, começando pela falta de amor.
"É necessário – ressalta o Papa em uma carta – que o crescimento das novas gerações seja alimentado não só por noções culturais e técnicas, mas sobretudo pelo amor, que supera o individualismo e o egoísmo, e permite prestar atenção às necessidades de todo irmão e irmã.”
Por esta razão, o Santo Padre chama a "se preocupar com toda pobreza de nossos jovens, moral, física, existencial e, acima de tudo, a pobreza de amor, a raiz de todo problema sério humano".
Este é o conselho que o pontífice deixa na carta enviada ao superior geral dos religiosos somascos, com ocasião do Ano Jubilar convocado pela Ordem no quinto centenário da libertação milagrosa de seu fundador, São Jerônimo Emiliani (1486-1537), da prisão.
A carta apresenta o exemplo do jovem soldado Jerônimo, cuja vida mudou na noite de 27 de setembro de 1511, depois de ter sido feito prisioneiro na guerra entre a República de Veneza e os Estados da Liga de Cambrai.
Depois de fazer um voto de mudança de vida para a Virgem, recuperou a liberdade de uma forma inexplicável.
"Impelido por vicissitudes familiares – ele tinha se tornado guardião de todos os seus sobrinhos que ficaram órfãos –, Jerônimo amadureceu a ideia de que os jovens, especialmente os mais necessitados, não podem ser abandonados, mas que, para crescer, precisam de um requisito essencial: o amor”, explicou o Papa.
"Nele, o amor supera a sagacidade, e dado que era um amor que surgia da própria caridade de Deus, estava cheio de paciência e compreensão: atento, terno e disposto ao sacrifício, como o amor de uma mãe", escreve o bispo de Roma.
Os religiosos somascos, fundados por São Jerônimo como “companhia dos servos e dos pobres" até o ano de 1534, assumem o nome da cidade italiana onde nasceu e morreu seu fundador, Somasca. Eles se dedicam, em particular, à educação cristã da juventude.

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A felicidade dos namorados está na grandeza da alma!

Normalmente, é no próprio ciclo de amizades e ambiente de convívio que os namoros começam. Sabemos que o ambiente molda de certa forma, a pessoa; logo, você deverá procurar alguém naquele ambiente que há os valores que você preza. Se você é cristão, então, procure entre famílias cristãs, ambientes cristãos, grupos de jovens, entre outros, a pessoa que você procura.
O namoro começa com uma amizade, que pode ser um pré-namoro que vai evoluindo. Não mergulhe de cabeça num namoro, só porque você ficou "fisgado" pelo outro. Não vá com muita sede ao pote, porque você pode quebrá-lo. Sinta primeiro, por intermédio de uma pura amizade, quem é a pessoa que está à sua frente. Talvez já nesse primeiro relacionamento amigo você saberá que não é com essa pessoa que você deverá namorar. É o primeiro filtro, cuja grande vantagem é não ter ainda qualquer compromisso com o outro, a não ser de amigos.
Nem sempre será fácil para você começar e terminar um namoro. Especialmente hoje, com a maior abertura do país, logo as famílias são também envolvidas, e isso faz o namoro se tornar mais compromissado. Se você não explorar bem o aspecto saudável da amizade, pode ser que o seu namoro venha a terminar rapidamente porque você logo se decepcionou com o outro. Isso poderia ter sido evitado se, antes, vocês tivessem sido bons amigos. Não são poucas às vezes em que o término de um namoro envolve também os pais dos casais, e isso nem sempre é fácil de ser harmonizado.
O namoro é o encontro de duas pessoas, naquilo que elas são e não naquilo que elas possuem. Se você quiser conquistar um rapaz só por causa da sua beleza ou do seu dinheiro, pode ser que amanhã você não se satisfaça mais só com isso. Às vezes uma pessoa simpática, bem humorada, feliz supera muitos que oferecem mais beleza e perfeição física que ela.
Infelizmente, a nossa sociedade troca a "cultura da alma" pela "cultura do corpo". A prova disso é que nunca as cidades estiveram tão repletas de academias de ginástica, salões de beleza, cosméticos, cirurgias plásticas, etc., como hoje. Investe-se ao máximo naquilo que é a dimensão mais inferior do ser humano - embora importante - o corpo. É claro que todas as moças querem namorar um rapaz bonito, e também o mesmo vale para os jovens, mas nunca se esqueça de que o mais importante é "invisível aos olhos".
A sua felicidade não está na cor da pele, no tipo do seu cabelo e na altura do seu corpo, mas na grandeza da sua alma. Você já reparou quantos belos e belas artistas terminam de maneira trágica a vida? Nem a fama mundial, nem o dinheiro em abundância, nem os "amores" mil, foram suficientes para fazê-los felizes. Faltou cultivar o que é essencial; aquilo que é invisível aos olhos. Tenho visto muitas garotas frustradas porque não têm aquele corpinho de manequim, ou aquele cabelo das moças que fazem as propagandas dos "Shampoos”; mas isto não é o mais importante, porque acaba.
A vida é curta - mesmo que você jovem não perceba - e, por isso, não podemos gasta-la com aquilo que acaba com o tempo. Os homens de todos os tempos sempre quiseram construir obras que vencessem os séculos. Ainda hoje você pode ver as pirâmides de 4000 anos do Egito, o Coliseu romano de 2000 anos, e tantas obras fantásticas. Mas a obra mais linda e mais duradoura é aquela que se constrói na alma, porque esta é imortal. Portanto, ao escolher o namorado, não se prenda nas aparências físicas, mas desça até as profundezas da sua alma. Busque lá os seus valores.

Fonte: Felipe Aquino

terça-feira, 26 de julho de 2011

Agonia de Jesus segundo São Padre Pio

Espírito Divino iluminai a minha inteligência, inflamai o meu coração, enquanto medito na Paixão de Jesus.
Ajudai-me a penetrar nesse mistério de amor e sofrimento do meu Deus, que, feito homem sofre, agoniza, morre por mim.
Ó Eterno, ó Imortal, descei até nós para sofrer um martírio inaudito, a morte infame sobre a cruz no meio dos insultos, de impropérios e ignomínias, a fim de salvar a criatura que o ultrajou e continua a atolar-se na lama do pecado.
O homem saboreia o pecado e, por causa do pecado, Deus está mortalmente triste; os tormentos duma agonia cruel fazem-no suar sangue!.
Não, não posso penetrar neste oceano de amor e de dor sem a ajuda da vossa graça, ó meu Deus.
Abri-me o acesso à mais íntima profundidade do coração de Jesus, para que eu possa participar da amargura que o conduziu ao Jardim das Oliveiras, até às portas da morte — para que me seja dado consolá-lo no seu extremo abandono.
Ah! Pudesse eu unir-me a Cristo, abandonado pelo Pai e por Si próprio, a fim de expirar com Ele!.
Maria, Mãe das Dores, permiti que eu siga Jesus e participe intimamente da sua Paixão e do seu sofrimento!.
Meu Anjo da guarda velai para que as minhas faculdades se concentrem todas na agonia de Jesus e nunca mais se desprendam.
No termo da sua vida terrestre, depois de nos ter inteiramente entregue no Sacramento do seu amor, o Senhor dirige-se ao Jardim das Oliveiras, conhecido dos discípulos, mas de Judas também.
Pelo caminho ensina-os e prepara-os para a sua Paixão iminente convida-os, por Seu amor, a sofrer calúnias, perseguições até à morte, para os transfigurar à semelhança dele, modelo divino.
No momento de começar a sua Paixão amaríssima, não é nele que pensa; pensa em ti.
Que abismos de amor não contém o seu Coração!.
A sua Santa Face é toda tristeza, toda ternura.
As suas palavras jorram da profundidade mais íntima do seu coração, e são todas palpitação de amor.
— Ó Jesus, o meu coração perturba-se quando penso no amor que vos obriga a correr ao encontro da vossa Paixão.
Ensinastes-nos que não há amor maior que dar a vida por aqueles a quem se ama.
Eis que estáis prestes a selar estas palavras com o vosso exemplo.
No Jardim da Oliveiras, o Mestre afasta-se dos discípulos e só leva três testemunhas da sua Agonia: Pedro, Tiago e João.
Eles, que o viram transfigurado sobre o Tabor, terão força para reconhecer o Homem-Deus neste ser, esmagado pela angústia da morte?.
Ao entrar no Jardim disse-lhes: “Ficai aqui! Velai e rezai para não cairdes em tentação.
Acautelai-vos, porque o inimigo não dorme.
Armai-vos antecipadamente com as armas da oração para não serdes surpreendidos e arrastados para o pecado.
É a hora das trevas”.
Tendo-os exortado, afastou-se à distância de uma pedrada e prostrou-se com a face em terra.
A sua alma está mergulhada num mar de amargura e extrema aflição.
É tarde.
Na lividez da noite agitam-se sombras sinistras.
A Lua parece injetada de sangue.
O vento agita as árvores e penetra até aos ossos.
Toda a natureza como que estremece de secreto pavor!.
Ó noite, como nunca houve outra semelhante.
Eis o lugar onde Jesus vem orar.
Ele despoja a sua santa Humanidade da força à qual tem direito pela sua união com a Divina Pessoa, e mergulha-a num abismo de tristeza, de angústia, de abjeção.
O seu espírito parece submergir-se.
Via antecipadamente toda a sua Paixão.
Vê Judas, seu apóstolo tão amado, que o vende por alguns dinheiros.
Ei-lo a caminho de Getsêmani, para o trair e entregar!.
Todavia, ainda há pouco não o alimentou com a sua carne, não lhe deu a beber o seu sangue? .
Prostrado diante dele, lavou-lhe os pés, apertou-os contra o coração, beijou-os com os seus lábios.
Que não fez ele para o reter à beira do sacrilégio, ou pelo menos para o levar a arrepender-se!.
Não! Ei-lo que corre para a perdição Jesus chora.
Vê-se arrastado pelas ruas de Jerusalém onde ainda há alguns dias o aclamavam como Messias.
Vê-se esbofeteado diante do sumo-sacerdote.
Ouve os gritos: À morte! Ele, o autor da vida, é arrastado como um farrapo de um para outro tribunal.
O povo, o seu povo tão amado, tão cumulado de bênçãos, vocifera contra Ele, insulta-o, reclama aos gritos a sua morte, e que morte, a morte sobre a cruz.
Ouve as suas falsas acusações.
Vê-se flagelado, coroado de espinhos, escarnecido, apupado como falso rei.
Vê-se condenado à cruz, subindo ao Calvário, sucumbindo ao peso do madeiro, trêmulo, exausto.
Ei-lo chegado ao Calvário, despojado das roupas, estendido sobre a cruz, impiedosamente trespassado pelos pregos, ofegante entre indizíveis torturas.
Meu Deus! Que longa agonia de três horas, até sucumbir no meio dos apupos da gentalha, ébria de cólera!.
Ei-lo com a garganta e as entranhas, devoradas por sede ardente.
Para estancar essa sede, dão-lhe vinagre e fel.
Vê o Pai que o abandona, e a Mãe, aniquilada pela dor.
Para acabar, a morte ignominiosa no meio de dois ladrões.
Um reconhece-o, e pôde salvar-se; o outro blasfema e morre réprobo.
Vê Longuinhos, que se aproxima para lhe trespassar o coração.
Ei-la, consumada, a extrema humilhação do corpo e da alma, que separam.
Tudo isto, cena após cena, passa diante dos seus olhos, apavora-o, acabrunha-o.
Desde o primeiro instante tudo avaliou, tudo aceitou.
Porque, pois, este terror extremo? É que expôs a sua santa humanidade como escudo, captando os ataques da Justiça, ultrajada pelo pecado.
Sente vivamente no espírito, mergulhado na maior solidão, tudo o que vai sofrer.
Para tal pecado, tal pena Está aniquilado, porque se entregou, ele próprio, ao pavor, à fraqueza, à angústia.
Parece ter chegado ao auge da dor.
Está de rastos, com a face em terra, diante da Majestade do Pai.
Jaz no pó, irreconhecível, a santa Face do Homem-Deus, que goza da visão beatífica.
Meu Jesus! Não sois Deus?.
Não sois o Senhor do Céu e da Terra, igual ao Pai? Para que haveis de abaixar-vos até perder todo o aspecto humano?.
Ah, sim Compreendo! Quereis ensinar-me, a mim, orgulhoso, que para entender o Céu devo abismar-me até ao fundo da Terra.
É para expiar a minha arrogância que vos deixais afundar no mar da agonia.
É para reconciliar o Céu com a Terra que vos abaixais até à terra como se quisesseis dar-lhe o beijo da paz Jesus ergue-se, volve para o céu um olhar suplicante, ergue os braços, reza.
Cobre-lhe o rosto mortal palidez! Implora o Pai que se desviou dele.
Reza com confiança filial, mas sabe bem qual o lugar que lhe foi marcado.
Sabe-se vítima a favor de toda a raça humana, exposta à cólera de Deus ultrajado.
Sabe que só ele pode satisfazer a Justiça infinita e conciliar o Criador com a criatura.
Quer, reclama que seja assim.
A sua natureza, porém, está literalmente esmagada.
Insurge-se contra tal sacrifício.
Todavia, o seu espírito está pronto à imolação e o duro combate continua.
Jesus, como podemos pedir-vos para sermos fortes, quando vos vemos tão fraco e acabrunhado?.
Sim, compreendo! Tomastes sobre vós a nossa fraqueza.
Para nos dardes a vossa força, vos tornastes a vítima expiatória.
Quereis ensinar-nos como só em vós devemos depositar confiança, até quando o céu nos parece de bronze.
Na sua Agonia, Jesus clama ao Pai: “Se é possível, afasta de mim este cálice”.
É o grito da natureza que, prostrada, recorre cheia de confiança ao Céu.
Embora saiba que não será atendido, porque não deseja sê-lo, contudo ora.
Meu Jesus, por que pedis o que não podeis obter? Que mistério vertiginoso! .
A mágoa que vos dilacera vos faz mendigar a ajuda e conforto, mas o vosso amor por nós e o desejo de nos levar a Deus vos faz dizer: “Não se faça a minha vontade, mas a tua”.
O seu coração desolado tem sede de ser confortado, tem sede de consolação.
Docemente, Ele levanta-se, dá alguns passos vacilantes; aproxima-se dos discípulos; eles, pelo menos, os amigos de confiança, hão de compreender e partilhar da sua mágoa.
Encontra-os mergulhados no sono.
De súbito sente-se só, abandonado! “Simão dormes?” pergunta docemente a Pedro.
Tu, que há pouco me dizias que querias seguir-me até à morte!.
Vira-se para os outros “Não podeis velar uma hora comigo?”.
Uma vez mais, esquece os sofrimentos, não pensa senão nos discípulos: “Velai e orai para não cairdes em tentação!”.
Parece dizer “Se me esquecestes tão depressa, a mim, que luto e sofro, pelo menos no vosso próprio interesse, velai e orai!”.
Mas eles, tontos de sono, mal o ouvem.
Ó meu Jesus, quantas almas generosas, tocadas pelos vossos lamentos, vos fazem companhia no Jardim das Oliveiras, compartilhando da vossa amargura e da vossa angústia moral.
Quantos corações têm respondido generosamente ao vosso apelo através dos séculos! Possam eles vos consolar e, comparticipando do vosso sofrimento, possam eles cooperar na obra da salvação!.
Possa eu próprio ser desse número e vos consolar um pouco, ó meu Jesus!.
Jesus volta ao local da oração e apresenta-se-lhe diante dos olhos outro quadro bem mais terrível.
Desfilam diante dele todos os nossos pecados, nos seus mais ínfimos pormenores.
Vê a extrema vulgaridade dos que os cometem.
Sabe a que ponto ultrajam a divina Majestade.
Vê todas as infâmias, todas as obscenidades, todas as blasfêmias que mancham os corações e os lábios, criados para cantar a glória de Deus.
Vê os sacrilégios que desonram Pais e fiéis.
Vê o abuso monstruoso dos sacramentos, instituídos por Ele para nossa salvação, e que facilmente podem ser causa de nos perdermos.
Tem de cobrir-se com toda a lama fétida da corrupção humana.
Tem de expiar cada pecado à parte, e restituir ao Pai toda a glória roubada.
Para salvar o pecador, tem de descer a este buraco.
Mas, isto não o detém.
Vaga monstruosa, essa lama rodeia-o, submerge-o, oprime-o.
Ei-lo em frente do Pai, Deus da Justiça, Ele, Santo dos Santos, vergado ao peso dos nossos pecados, tornando-se igual aos pecadores.
Quem poderá sondar o seu horror e a sua extrema repugnância? Quem compreenderá a extensão da horrível náusea, do soluço de desgosto?.
Tendo tomado todo o peso sobre ele, sem exceção alguma sente-se esmagado por monstruoso fardo, e geme sob o peso da Justiça divina, em face do Pai que permitiu ao Seu filho se oferecesse como vítima pelos pecados do mundo, e se transformasse numa espécie de maldito.
A sua pureza estremece diante desta massa infame, mas ao mesmo tempo vê a Justiça ultrajada, o pecador condenado.
No seu coração defrontam-se duas forças, dois amores.
Vence a Justiça ultrajada.
Mas, que espetáculo infinitamente lamentável! Este homem, carregado com todos os nossos crimes.
Ele, essencialmente Santidade, confundido, embora exteriormente, com os criminosos Treme como uma folha.
Para poder afrontar esta terrível agonia abisma-se na oração.
Prostrado diante da Majestade do Pai, diz: “Pai, afasta de mim este cálice”.
É como se dissesse: “Pai, quero a tua glória! Quero o cumprimento da tua justiça.
Quero a reconciliação do gênero humano.
Mas não por este preço! Que eu, santidade essencial, seja assim salpicado pelo pecado, ah! Não isso não! Ó pai, a quem tudo é possível, afasta de mim este cálice e encontra outro meio de salvação nos tesouros insondáveis da tua sabedoria.
Porém, se não quiseres, que a tua vontade, e não a minha, se faça!.
Desta vez ainda, fica sem efeito a prece do Salvador.
Sente a angústia mortal, ergue-se a custo em busca de consolação.
Sente como as forças o abandonam.
Arrasta-se penosamente até junto dos discípulos.
Uma vez mais, encontra-os a dormir.
A sua tristeza torna-se mais profunda.
E contenta-se simplesmente em acordá-los.
Sentiram-se confusos? Sobre isto nada sabemos.
Só vemos Jesus indizivelmente triste.
Guarda para ele toda a amargura deste abandono.
Mas Jesus, como é grande a dor que leio no teu coração, transbordante de tristeza.
Vos vejo afastando-vos dos vossos discípulos, ferido, todo magoado!.
Pudesse eu dar-vos algum reconforto, consolar-vos um pouco, mas, incapaz de mais nada, choro aos vossos pés.
Unem-se às vossas as lágrimas do meu amor e da minha compunção.
E elevam-se até ao trono do Pai, suplicando que tenha piedade de nós, que tenha piedade de tantas almas, mergulhadas no sono do pecado e da morte.
Jesus volta ao lugar onde rezara, extenuado e em extrema aflição.
Cai, sim, mas não se prostra.
Cai sobre a terra.
Sente-se despedaçado por angústia mortal e a sua prece torna-se mais intensa.
O Pai desvia o olhar, como se Ele fosse o mais abjeto dos homens.
Parece-me ouvir os lamentos do Salvador.
Se, ao menos as criaturas por causa de quem eu tanto sofro quisessem aproveitar-se das graças obtidas através de tantas dores!.
Se, ao menos reconhecessem pelo seu justo valor, o preço pago por mim para resgatar e dar-lhes a vida de filhos de Deus!.
Ah! este amor despedaça-me o coração, bem mais cruelmente do que os carrascos que irão, em breve, despedaçar-me a carne.
Vê o homem que não sabe, porque não quer saber; e blasfema do Sangue Divino e, o que é bem mais irreparável, serve-se desse Sangue para sua condenação.
Quão poucos o hão de aproveitar, quantos outros correrão ao encontro do próprio extermínio!.
Na grande amargura do Seu coração, continua a repetir: Quão poucos aproveitaram o meu Sangue!.
O pensamento, porém, deste pequeno número basta para afrontar a Paixão e morte.
Nada existe, não há ninguém que possa dar-lhe sombra de consolação.
O Céu fechou-se para Ele.
O homem, embora esmagado ao peso dos pecados, é ingrato e ignora o seu amor.
Sente-se submerso num mar de dor e grita no estertor da agonia: “A minha alma está triste até a morte”.
Sangue Divino, que jorras, irresistivelmente do Coração de Jesus, corres por todos os seus poros para lavar a pobre Terra ingrata.
Permite-me que eu te recolha, Sangue tão precioso, sobretudo estas primeiras gotas.
Quero guardar-te no cálice do meu coração.
És prova irrefutável deste Amor, única causa de teres sido vertido.
Quero purificar-me através de ti, Sangue preciosíssimo! Quero com ele purificar todas as almas, manchadas pelo pecado.
Quero oferecer-te ao Pai.
É o sangue do seu Filho Bem-Amado que caiu sobre a Terra para a purificar.
É o Sangue do seu Filho que ascende ao Seu trono para reconciliar a Justiça ultrajada.
A alegria é na verdade muito mais veemente do que a dor.
Jesus chegou então ao fim do caminho doloroso?.
Não.
Ele não quer limitar a torrente do seu amor!.
É preciso que o homem saiba quanto ama o Homem-Deus.
É preciso que o homem saiba até que abismos de abjeção pode levar amor tão completo.
Embora a Justiça do Pai esteja satisfeita com o suor do Sangue preciosíssimo, o homem carece de provas palpáveis deste amor.
Jesus seguirá, pois até ao fim: até à morte ignominiosa sobre a cruz.
O contemplativo conseguirá talvez intuir um reflexo desse amor que o reduz aos tormentos da santa agonia no Jardim das Oliveiras.
Aquele, porém, que vive entorpecido pelos negócios materiais, procurando muito mais o mundo do que o Céu deve vê-lo também pelo aspecto externo, pregado à cruz, para que, ao menos, o comova a visão do seu Sangue e a Sua cruel agonia.
Não, o Seu coração, transbordante de amor, não está ainda contente!.
Domina-o a aflição, e ora de novo: “Pai, se este cálice não pode ser afastado, sem que eu beba, faça-se a Tua vontade”.
A partir deste instante, Jesus responde do fundo do seu coração abrasado de amor, ao grito da humanidade que reclama a sua morte como preço da Redenção.
À sentença de morte que seu Pai pronuncia no Céu, responde a Terra reclamando a sua morte.
Jesus inclina a sua adorável cabeça: “Pai, se este cálice não pode ser afastado, sem que eu o beba, faça-se a Tua vontade”.
E eis que o Pai lhe envia um anjo de consolação.
Que alívio pode um anjo oferecer ao Deus da força, ao Deus invencível, ao Deus Todo-Poderoso?.
Mas este Deus quis tornar-se inerme.
Tomou sobre os ombros toda a nossa fraqueza.
É o Homem das Dores, em luta com a agonia.
Ora ao Pai por Si e por nós.
O Pai recusa atendê-lo, pois deve morrer por nós.
Penso que o anjo se prostra profundamente diante da Beleza eterna, manchada de pó e sangue, e com indizível respeito suplica a Jesus que beba o cálice, pela glória do Pai e pelo resgate dos pecadores.
Rezou assim, para nos ensinar a recorrer ao Céu, unicamente quando as nossas almas estão desoladas como a Sua.
Ele, a nossa força, virá ajudar-nos, pois que consentiu em tomar sobre os ombros todas as nossas angústias.
Sim, meu Jesus, é preciso que bebais o cálice até ao fundo!.
Estais votado à morte mais cruel.
Jesus, que nada possa separar-me de vós, nem a vida nem a morte!.
Se, ao longo da vida, só desejo unir-me ao vosso sofrimento, com infinito amor, ser-me-á dado morrer convosco no Calvário e convosco subir à Glória.
Se vos sigo nos tormentos e nas perseguições tornar-me-eis digno de vos amar um dia, no Céu, face a face, convosco, cantando eternamente o vosso louvor em ação de graças pela cruel Paixão.
Vede! Forte, invencível, Jesus ergue-se do pó! Não desejou Ele o banquete de sangue com o mais forte desejo?.
Sacode a perturbação que o invadira, enxuga o suor sangrento da face, e, em passo firme dirige-se para a entrada do Jardim.
Onde ides, Jesus? Ainda há instantes, não estavas empolgado pela angústia e pela dor? .
Não vos vi eu, trêmulo, e como que esmagado sob o peso cruel das provações que vão tombar sobre vós?.
Aonde ides nesse passo intrépido e ousado? A quem vais entregar-vos?.
— Escuta meu filho.
As armas da oração ajudaram-me a vencer; o espírito dominou a fraqueza da carne.
A força foi-me transmitida, enquanto orava, e agora eis-me pronto a tudo desafiar.
Segue o meu exemplo e arranja-te com o Céu, como eu fiz.
Jesus aproxima-se dos apóstolos.
Continuam a dormir! A emoção, a hora tardia, o pressentimento de alguma coisa horrível e irreparável, a fadiga — e ei-los mergulhados em sono de chumbo.
Jesus tem piedade de tanta fraqueza.
“O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.
Jesus exclama "Dormi agora e repousai".
Detém-se por instante.
Ouvem que Jesus se vai aproximando, e entreabrem os olhos.
Jesus continua a falar: "Basta" É chegada a hora; eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.
Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que me há de entregar”.
Jesus vê todas as coisas com os seus olhos divinos.
Parece dizer: Meus amigos e discípulos, vós dormis, enquanto que os meus inimigos velam e se aproximam para virem prender-me!.
Tu, Pedro, que há pouco te julgavas bastante forte para me seguir até na morte, também tu dormes agora! Desde o princípio tens-me dado provas da tua fraqueza!.
Está, porém, tranqüilo.
Aceitei sobre mim a tua fraqueza e rezei por ti.
Depois de confessares a tua falta, serei a tua força e apascentará os meus rebanhos.
E tu, João, também tu dormes? Tu, que acabavas de sentir as pulsações do meu coração, não pudeste velar uma hora comigo!.
Levantai-vos, vamos partir, já não há tempo para dormir.
O inimigo está à porta! É a hora do poder das trevas! Partamos.
De livre vontade, vou ao encontro da morte.
Judas acorre para trair-me, e eu vou ao seu encontro.
Não impedirei que se cumpram à risca as profecias.
Chegou a minha hora: a hora da misericórdia infinita.
Ressoam os passos; archotes acesos enchem o jardim de sombras e púrpura.
Intrépido e calmo, Jesus avança seguido pelos discípulos.
— Ó meu Jesus, dai-me a vossa força quando a minha pobre natureza se revolta diante dos males que a ameaçam, para que possa aceitar com amor as penas e aflições desta vida de exílio.
Uno-me com toda a veemência aos vossos méritos, às vossas dores, à vossa expiação, às vossas lágrimas, para poder trabalhar convosco na obra da salvação.
Possa eu ter a força de fugir ao pecado, causa única da vossa agonia, do vosso suor de sangue, e da vossa morte.
Afasteis de mim o que vos desagrada, e imprimi no meu coração com o fogo do vosso santo amor todos os vossos sofrimentos.
Abraçai-me tão intimamente, em abraço tão forte e tão doce, que nunca eu possa deixar-vos sozinho no meio dos vossos cruéis sofrimentos.
Só desejo um único alívio: repousar sobre o vosso coração.
Só desejo uma única coisa: partilhar da vossa Santa Agonia.
Possa a minha alma inebriar-se com o vosso Sangue e alimentar-se com o pão da vossa dor! Amém.

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