segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Diante de falsos valores, Bento XVI apresenta bem-aventuranças

Bento XVI apresentou hoje as bem-aventuranças como o programa de vida dos cristãos diante dos falsos valores do mundo.
Foi a proposta que fez ao rezar a oração mariana do Ângelus, junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, com quem comentou a passagem evangélica da liturgia deste dia, o sermão que Jesus pronunciou para proclamar "bem-aventurados" os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos.
"Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar" explicou o Pontífice.
Pois bem, segundo o Bispo de Roma, as bem-aventuranças não são algo do passado; "o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro".
"As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros", sublinhou.
"Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu", afirmou.
As bem-aventuranças, explicou, "refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens".
Bento XVI comentou o Evangelho das bem-aventuranças "na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque - como escreve São Paulo - ‘o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa'".
Por este motivo, concluiu, "a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano".
Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) -

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Oração de São Tomás de Aquino

Que eu chegue a ti, Senhor, por um caminho seguro e reto; caminho que não se desvie nem na prosperidade nem na adversidade, de tal forma que eu te dê graças nas horas prósperas e nas adversas conserve a paciência, não me deixando exaltar pelas primeiras nem abater pelas outras.
Que nada me alegre ou entristeça, exceto o que me conduza a ti ou que de ti me separe. Que eu não deseje agradar nem receie desagradar senão a ti. Tudo o que passa torne-se desprezível a meus olhos por tua causa, Senhor, e tudo o que te diz respeito me seja caro, mas tu, meu Deus, mais do que o resto. Qualquer alegria sem ti me seja fastidiosa, e nada eu deseje fora de ti.
Qualquer trabalho, Senhor, feito por ti me seja agradável e insuportável aquele de que estiveres ausente. Concede-me a graça de erguer continuamente o coração a ti e que, quando eu caia, me arrependa. Torna-me, Senhor meu Deus, obediente, pobre e casto; paciente, sem reclamação; humilde, sem fingimento; alegre, sem dissipação; triste, sem abatimento; reservado, sem rigidez; ativo, sem leviandade; animado pelo temor, sem desânimo; sincero, sem duplicidade; fazendo o bem sem presunção; corrigindo o próximo sem altivez; edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidade.
Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante, que nenhum pensamento curioso arraste para longe de ti; um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; um coração reto que nenhuma intenção equívoca desvie; um coração firme, que nenhuma adversidade abale; um coração livre, que nenhuma paixão subjugue. Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que te conheça, uma vontade que te busque, uma sabedoria que te encontre uma vida que te agrade, uma perseverança que te espere com confiança e uma confiança que te possua, enfim. Amém.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Catequese do Papa: Joana d’Arc e o “doce nome” de Jesus


Queridos irmãos e irmãs:
Hoje, eu gostaria de falar de Joana d'Arc, uma jovem santa do final da Idade Média, morta aos 19 anos, em 1431. Esta santa francesa, citada muitas vezes no Catecismo da Igreja Católica, é particularmente próxima de Santa Catarina de Sena, padroeira da Itália e da Europa, de quem falei em uma recente catequese. São, de fato, duas jovens mulheres do povo, leigas e consagradas na virgindade, duas místicas comprometidas, não no claustro, mas em meio às realidades mais dramáticas da Igreja e do mundo na sua época. São, talvez, as figuras mais características dessas "mulheres fortes" que, no final da Idade Média, carregaram sem medo a grande luz do Evangelho nas complexas vicissitudes da história. Poderíamos colocá-la ao lado das santas mulheres que permaneceram no Calvário, perto de Jesus crucificado e de Maria, sua Mãe, enquanto os apóstolos tinham fugido, e o próprio Pedro havia negado Jesus três vezes. A Igreja, nesse período, vivia a profunda crise do Grande Cisma do Ocidente, que durou quase 40 anos. Quando Catarina de Sena morreu, em 1380, havia um Papa e um antipapa; quando Joana nasceu, em 1412, havia um Papa e dois antipapas. Junto a esta laceração no seio da Igreja, havia contínuas guerras fratricidas entre os povos cristãos da Europa, a mais dramática das quais foi a interminável "Guerra dos Cem Anos", entre a França e a Inglaterra.
Joana d'Arc não sabia ler nem escrever, mas pode ser conhecida no fundo de sua alma graças a duas fontes de valor histórico excepcional: os dois Processos a que foi submetida. O primeiro, Processo de Condenação (PCon) contém a transcrição de numerosos e longos interrogatórios a Joana durante os últimos meses de sua vida (fevereiro-maio de 1431) e inclui as palavras da santa. O segundo, Processo de Nulidade da Condenação, ou de "reabilitação" (PNul), contém o depoimento de cerca de 120 testemunhas oculares de todos os períodos da sua vida (cf. Procès de Condamnation de Jeanne d'Arc, 3 vol. e Procès en Nullité de la Condamnation de Jeanne d'Arc, 5 vol., ed. Klincksieck, Paris l960-1989).

Joana nasceu em Domrémy, uma pequena cidade situada na fronteira entre a França e Lorena. Seus pais eram camponeses prósperos, conhecidos por todos como cristãos muito bons. Deles, ela recebeu uma boa educação religiosa, com uma influência notável da espiritualidade do Nome de Jesus, ensinada por São Bernardino de Sena e difundida na Europa pelos franciscanos. Ao Nome de Jesus sempre se une o Nome de Maria e, assim, no contexto da religiosidade popular, a espiritualidade de Joana é profundamente cristocêntrica e mariana. Desde a infância, ela demonstra uma grande caridade e compaixão para com os pobres, doentes e todos os que sofrem, no contexto dramático da guerra.

No início de 1429, Joana começa a sua obra de libertação. Vários depoimentos mostram a jovem, de apenas 17 anos, como uma pessoa muito forte e determinada, capaz de convencer homens inseguros e desanimados. Superando todos os obstáculos, encontra o Delfim da França, futuro rei Charles VII, que em Poitiers a submete a um exame por parte de alguns teólogos da Universidade. Seu julgamento é positivo: não veem nela nada de errado, apenas uma boa cristã.
Em 22 de março de 1429, Joana dita uma carta importante ao rei da Inglaterra e aos seus homens, que assediam a cidade de Orléans (Ibid., p. 221-222). Sua proposta é de verdadeira paz, na justiça entre os dois povos cristãos, à luz dos nomes de Jesus e Maria, mas esta proposta é rejeitada e Joana deve se engajar na luta pela libertação da cidade, que acontece em 8 de maio. O outro destaque de sua ação política é a coroação do rei Charles VII em Reims, em 17 de julho de 1429. Durante um ano inteiro, Joana vive com os soldados, realizando entre eles uma verdadeira missão de evangelização. Há muitos testemunhos de sua bondade, sua coragem e extraordinária pureza. É chamada por todos - e ela mesma se define - como "a donzela", ou seja, a virgem.

A paixão de Joana começa em 23 de maio de 1430, quando é presa pelos seus inimigos. Em 23 de dezembro, é conduzida à cidade de Rouen. Lá, leva-se a cabo o longo e dramático Processo de Condenação, que começa em fevereiro de 1431 e termina em 30 de maio, com a fogueira. É um processo grande e solene, presidido por dois juízes da igreja, o bispo Pierre Cauchon e o inquisidor Jean Le Maistre, mas, na verdade, foi totalmente conduzido por um grande grupo de teólogos da famosa Universidade de Paris, envolvidos no processo como conselheiros. Eles são eclesiásticos franceses que, tendo tomado a decisão política oposta à de Joana, têm a priori uma opinião negativa sobre sua pessoa e sobre sua missão. Este processo é uma página comovente da história da santidade e também uma página iluminadora sobre o mistério da Igreja, que, nas palavras do Concílio Vaticano II, é "ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação" (LG, 8). É o encontro dramático entre esta santa e seus juízes, que são eclesiásticos. Joana é acusada e julgada por eles, até chegar a ser condenada como herege e enviada à morte horrível da fogueira. Ao contrário dos santos teólogos que haviam iluminado a Universidade de Paris, como São Boaventura, São Tomás de Aquino e o Beato Duns Scotus, de quem já falei em algumas catequeses, esses juízes são teólogos a quem falta a caridade e a humildade necessárias para ver nessa jovem a ação de Deus. Vêm à mente as palavras de Jesus segundo as quais os mistérios de Deus se revelam a que tem o coração das crianças, enquanto permanecem ocultos aos estudiosos e sábios que não têm humildade (cf. Lc 10, 21). Assim, os juízes de Joana são radicalmente incapazes de compreendê-la, de ver a beleza de sua alma: não sabiam que estavam condenando uma santa.
A apelação de Joana à decisão do Papa, em 24 de maio, foi rejeitada pelo tribunal. Na manhã do dia 30 de maio, ela recebeu pela última vez a Santa Comunhão na prisão e logo depois foi levada ao suplício na praça do mercado velho. Pediu a um dos sacerdotes que colocasse na frente da fogueira uma cruz da procissão. Assim morre Joana, vendo Jesus Crucificado e pronunciando muitas vezes e em voz alta o Nome de Jesus (PNul, I, p. 457, cf. Catecismo da Igreja Católica, 435). Quase 25 anos depois, o Processo de Nulidade, aberto sob a autoridade do Papa Calisto III, termina com uma sentença solene que declara a condenação nula (7 julho de 1456; PNul, II, p 604-610). Este longo processo, que inclui o depoimento de testemunhas e juízos de muitos teólogos, todos favoráveis à Joana, destaca a sua inocência e perfeita fidelidade à Igreja. Joana d'Arc foi canonizada em 1920, por Bento XV.
Queridos irmãos e irmãs, o Nome de Jesus, invocado pela nossa santa até os últimos momentos da sua vida terrena, foi como a respiração da sua alma, como o bater do seu coração, o centro de toda a sua vida. O "mistério da caridade de Joana d'Arc", que tanto fascinou o poeta Charles Péguy, é esse amor total a Jesus e aos demais, em Jesus e por Jesus. Esta santa compreendeu que o Amor abraça toda a realidade de Deus e do homem, do céu e da terra, da Igreja e do mundo. Jesus esteve sempre em primeiro lugar durante toda a sua vida, segundo sua belíssima afirmação: "Nosso Senhor é o primeiro a ser servido" (PCon, I, p. 288, cf. Catecismo da Igreja Católica, 223).

Amá-lo significa obedecer sempre à sua vontade. Ela afirmou com total confiança e abandono: "Eu me confio ao meu Deus Criador, eu o amo com todo meu coração" (ibid., p. 337). Com o voto de virgindade, Joana consagra de forma exclusiva toda a sua pessoa ao único amor de Jesus: é a sua "promessa feita ao nosso Senhor de proteger bem a sua virgindade de corpo e de alma" (ibid., p. 149-150). A virgindade da alma é o estado de graça, valor supremo, para ela mais precioso que a vida: é um dom de Deus que ela recebeu e protegeu com humildade e confiança. Um dos textos mais conhecidos do primeiro processo tem a ver com isso: "Interrogada sobre se sabe se está na graça de Deus, responde: ‘Se não estou, Deus nela me ponha: se estou, Deus nela me guarde'" (ibid., p. 62, cf. Catecismo da Igreja Católica, 2005).

Nossa santa viveu a oração como uma forma de diálogo contínuo com o Senhor, que ilumina também seu diálogo com os juízes e lhe confere paz e segurança. Ela pediu com fé: "Dulcíssimo Deus, em honra à vossa santa Paixão, eu vos peço, se me amais, que me reveleis como devo responder a estes homens da Igreja" (ibid., p. 252). Joana vê Jesus como o "Rei do céu e da terra". Assim, em seu estandarte, Joana pintou a imagem de "Nosso Senhor, que sustenta o mundo" (ibid., p. 172), um ícone de sua missão política. A libertação do seu povo é uma obra de justiça humana, que Joana cumpre na caridade, por amor a Jesus. Sua vida é um belo exemplo de santidade para os leigos que trabalham na política, especialmente nas situações mais difíceis. A fé é a luz que guia cada escolha, como testemunhará, um século depois, outro grande santo, o inglês Thomas More. Em Jesus, Joana contempla também a realidade da Igreja, a "Igreja triunfante" do céu e a "Igreja militante" da terra. Em suas palavras, "de Jesus Cristo e da Igreja eu penso que são um só" (ibid., p. 166). Esta afirmação, citada no Catecismo da Igreja Católica (n. 795), tem um caráter verdadeiramente heroico no contexto do Processo de Condenação, na frente de seus juízes, homens da Igreja, que a perseguiram e condenaram. No amor de Jesus, Joana encontrou a força para amar a Igreja até o fim, mesmo no momento da condenação.

Lembro-me com carinho de como Santa Joana d'Arc teve uma profunda influência sobre uma jovem santa dos tempos modernos: Teresinha do Menino Jesus. Em uma vida completamente diferente, transcorrida na clausura, a carmelita de Lisieux se sentiu muito perto de Joana, vivendo no coração da Igreja e participando dos sofrimentos de Jesus para a salvação do mundo. A Igreja as reuniu como padroeiras da França, depois de Nossa Senhora. Santa Teresa expressou seu desejo de morrer como Joana, pronunciando o nome de Jesus (Manoscritto B, 3r); motivava-a o mesmo amor a Jesus e ao próximo, vivendo na virgindade consagrada.
Queridos irmãos e irmãs, com seu luminoso testemunho, Santa Joana d'Arc nos convida a um alto nível da vida cristã: fazer da oração o fio condutor dos nossos dias; ter plena confiança no cumprimento da vontade de Deus, seja ela qual for; viver na caridade sem favoritismos, sem limites; e ter, como ela, no amor a Jesus, um profundo amor à Igreja. Obrigado.
Fonte: Zenit

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Papa: unidade dos cristãos é "imperativo moral" Convida a não ceder ao pessimismo e à resignação


A unidade dos cristãos é um "imperativo moral" pelo qual se deve empenhar sem ceder ao desânimo e ao pessimismo, disse Bento XVI, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.
O Papa presidiu à celebração de encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Em sua homilia, o pontífice falou da necessidade de ser grato, pois nas últimas décadas o movimento ecumênico "alcançou avanços significativos, que tornaram possível chegar a um encorajador consenso e convergência em vários pontos, desenvolvendo entre as Igrejas e Comunidades eclesiais contribuições de estima e respeito mútuo, bem como a cooperação prática para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo".
No entanto, ele reconheceu que "ainda estamos longe da unidade pela qual Cristo rezou e que se reflete no retrato da primeira comunidade de Jerusalém", uma unidade que "não ocorre só em termos de estruturas organizacionais, mas se configura, num âmbito muito mais profundo, como unidade expressa na confissão de uma só fé, na comum celebração do culto divino e na fraterna concórdia da família de Deus".
A busca do restabelecimento da unidade entre os cristãos divididos – disse o Papa – "não pode ser reduzida a um reconhecimento das recíprocas diferenças e à consecução de uma coexistência pacífica".
"O que nós almejamos é a unidade pela qual Jesus rezou e que por sua natureza se manifesta na comunhão de fé, dos sacramentos, do ministério”, e o caminho para alcançá-la deve ser entendido “como um imperativo moral, uma resposta a uma claro chamado do Senhor".
Por isso, "devemos vencer a tentação da resignação e do pessimismo, que é falta de confiança no poder do Espírito Santo".
"Nosso dever é prosseguir com a paixão o caminho para esse objetivo, com um diálogo sério e rigoroso para aprofundar o patrimônio comum teológico, litúrgico e espiritual; com o conhecimento recíproco; com a formação ecumênica das novas gerações e, sobretudo, com a conversão do coração e com a oração", disse.
Exemplo de São Paulo
No caminho da busca da plena unidade visível entre todos os cristãos – afirmou ainda o Papa – "acompanha-nos e nos apoia o apóstolo Paulo", de quem nesta terça-feira se celebrava a festa de sua conversão. Paulo, antes de Cristo aparecer-lhe no caminho para Damasco, “foi um dos mais ferozes adversários das primeiras comunidades cristãs".
Após sua conversão, “foi admitido não só como membro da Igreja, mas também como pregador do Evangelho, junto com os outros Apóstolos, tendo recebido, como eles, a manifestação do Senhor Ressuscitado e o chamado especial a ser instrumento eleito para levar o seu nome perante os povos".
Em sua longa viagem missionária, Paulo "não esqueceu o vínculo de comunhão com a Igreja de Jerusalém", incentivando a coleta em favor dos cristãos daquela comunidade como "não apenas um ato de caridade, mas o sinal e a garantia da unidade e da comunhão entre as Igrejas por ele fundadas e a comunidade primitiva da Cidade Santa, como sinal da única Igreja de Cristo".

Fonte: ROMA, terça-feira, 25 de janeiro de 2011 (ZENIT.org)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Oferecimento de Vida

Meu amado Jesus:
Diante das pessoas da Santíssima Trindade, diante de Nossa Mãe do céu e toda a Corte celestial, ofereço, segundo as intenções de vosso Coração Eucarístico e as do Imaculado Coração de Maria Santíssima, toda minha vida, todas as minhas Santas Missas, Comunhões, boas obras, sacrifícios e sofrimentos, unindo-os aos méritos de Vosso Santíssimo Sangue e Vossa Morte de Cruz.

Para adorar a Gloriosa Santíssima Trindade.

Para oferecer-Vos reparação por nossas ofensas.

Pela união de nossa Santa Mãe Igreja.

Por nossos sacerdotes.

Pelas boas vocações sacerdotais.

E por todas as almas até o fim do mundo.

Recebei, Jesus meu, meu oferecimento de vida e concedei graça para perseverar nele fielmente até o fim de minha vida.

Amém.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bento XVI: Cristo não está dividido

Queridos irmãos e irmãs!
Nestes dias, de 18 a 25 de janeiro, realiza-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, tem por tema uma passagem do livro dos Atos dos Apóstolos, que resume em poucas palavras a vida da primeira comunidade cristã de Jerusalém: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações (At 2, 42). É muito significativo que este tema tenha sido proposto pelas Igrejas e comunidades cristãs de Jerusalém, reunidas em espírito ecumênico. Sabemos quantas provas devem enfrentar os irmãos e irmãs da Terra Santa e do Oriente Médio. Seu serviço é portanto ainda mais precioso, valorizado por um testemunho que, em certos casos, chegou até o sacrifício da vida. Por isso, enquanto acolhemos com alegria as inspirações para a reflexão oferecidas pelas comunidades que vivem em Jerusalém, unimo-nos em torno delas, e isso se converte para todos em um fator ulterior de comunhão.

Também hoje, para ser no mundo sinal e instrumento de união íntima com Deus e de unidade entre os homens, nós, cristãos, devemos fundar nossa vida nestes quatro “pilares”: a vida fundada na fé dos Apóstolos transmitida na viva Tradição da Igreja, a comunhão fraterna, a Eucaristia e a oração. Só desta forma, permanecendo firmemente unida a Cristo, a Igreja pode realizar eficazmente sua missão, apesar de todos os limites e das faltas de seus membros, apesar das divisões, que já o apóstolo Paulo teve de enfrentar na comunidade de Corinto, como recorda a segunda leitura bíblica deste domingo, onde diz: “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento” (1, 10). O apóstolo, de fato, soubera que na comunidade cristã de Corinto houvera discórdias e divisões; por isso, com grande firmeza, acrescenta: “Então estaria Cristo dividido?” (1,13). Dizendo isso, ele afirma que toda divisão na Igreja é uma ofensa a Cristo; e, ao mesmo tempo, que é sempre n’Ele, única Cabeça e Senhor, onde podemos voltar a nos encontrar unidos, pela força inesgotável de sua graça.

Daí então o chamado sempre atual do Evangelho de hoje: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). O sério dever de conversão a Cristo é o caminho que conduz a Igreja, com os tempos que Deus dispõe, à plena unidade visível. Disso são um sinal os encontros ecumênicos que se multiplicam nestes dias em todo o mundo. Aqui em Roma, além de se encontrarem presentes delegações ecumênicas, começará amanhã uma sessão de encontro da Comissão do diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Antigas Igrejas Orientais. E depois de amanhã concluiremos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com a solene celebração das Vésperas na festa da Conversão de São Paulo. Que nos acompanhe sempre, neste caminho, a Virgem Maria, Mãe da Igreja.

Fonte:CIDADE DO VATICANO, domingo, 23 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI dirigiu durante a oração do Angelus aos fiéis congregados na Praça de São Pedro.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Liturgia da Palavra: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”




III DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Is 8, 23b – 9,3; 1 Cor 1, 10 – 13.17; Mt 4, 12 -23
“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz” (Mt 4,16, citando Isaías 9,1).
O violento furacão da prepotência de Herodes e dos caprichos de Herodíades mal tinha apagado a luz e a voz incômoda de João Batista (Mt 4,12; cf Mc 6, 17 – 29), quando uma nova luz mais brilhante e uma voz bem mais potente se levantaram no meio do povo, na “Galiléia dos pagãos”. A Galiléia era a região de Israel mais afetada, ao longo da história, mesmo ainda no tempo de Jesus, pelos sofrimentos da ocupação estrangeira e pagã e pela perda de identidade étnica e religiosa. O lugar menos provável para ali aparecer o Messias, como destaca com ironia Natanael: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (cf. Jo 1,46).

Surpreendente estilo de Deus! O Verbo de Deus não só quis se fazer natural de Nazaré, mas, já adulto e fortalecido “com a força do Espírito Santo”, também escolheu a Galiléia e Nazaré como cenário da sua entrada na missão; embora saiba que exatamente a familiaridade com sua vida cotidiana de homem comum, muito, ou melhor, demasiadamente parecida com a dos outros habitantes do povoado e por isso mesmo bem conhecida pelos seus cidadãos, se torne causa de desconfiança e até de agressividade (cf. Lc 4, 16-30). O que impele Jesus a atuar neste lugar marginal e neste estilo solidário é o mesmo Espírito que o compenetrou no batismo no Jordão e o impeliu para o deserto onde enfrentou o adversário, aquele que atrapalha, que desde sempre com suas ilusões de poder procura afastar o homem da sua relação original com Deus.
Jesus não escolhe a cidade santa de Jerusalém, nem o lugar sagrado do seu templo, para iniciar sua missão. Chegará até lá, certo, mas no tempo estabelecido pelo Pai e como meta de um caminho interior que atravessa toda sua vida, como uma geografia espiritual a percorrer. A “subida a Jerusalém”, como sublinha fortemente Lucas, será uma viagem interior antes que transferência para um lugar físico, que o próprio Jesus vai construindo com escolhas sucessivas, amadurecidas no segredo de tantas noites de oração, para realizar a missão recebida pelo Pai.

Neste caminho Jesus introduz paulatinamente e com muita dificuldade os discípulos, que continuam imaginando a própria aventura com o Mestre como possibilidade de realizar sonhos ainda muito humanos (cf. Lc 9, 51. 57-62). O destino do discípulo não pode ser diferente da sorte do mestre, ontem, bem como hoje. Os três anúncios sucessivos da sua morte e de sua Ressurreição que deverá ocorrer em Jerusalém, e as brigas entre os doze sobre quem deveria ser primeiro no reino de Jesus, revelam a pedagogia cuidadosa e forte de Jesus e a dificuldade dos discípulos de entrarem na lógica do Verbo feito carne e do filho do homem que não tem onde apoiar a cabeça. Somente a luz interior, que brotará da dramática experiência da Páscoa e da inteligência despertada pelo Espírito Santo, desvelará aos discípulos o verdadeiro sentido do caminho de Jesus e do seu seguir-lhe.

Esta passagem dos critérios humanos para a inteligência do Espírito continua sendo a lei fundamental do caminho espiritual do discípulo de Jesus, em qualquer tempo, e qualquer seja a modalidade específica com que cada um procure responder ao chamado à santidade seguindo Jesus, como coloca bem em evidência a constituição Lumem Gentium, do Concílio Vaticano II, no capítulo 5º: “Vocação universal à santidade na Igreja”.
A segunda leitura (1 Cor 1,10-13;17), da qual emerge a contraditória situação interna da comunidade de Corinto, por certos aspectos tão rica dos dons do Espírito e tão entusiasta, evidencia quão árduo seja o caminho a percorrer, para se chegar a viver segundo a nova lógica: a da cruz de Cristo e do amor oblativo que ela traz consigo. Junto com a luminosidade da nova criação em Cristo, ficam subsistindo, nos cantinhos mais obscuros da pessoa, as trevas do homem velho, que se recusa a morrer para re-nascer da novidade de Cristo.

Com a escolha da Galiléia como cenário privilegiado do início da sua missão, Jesus escolhe o rumo escuro das contradições e dos sofrimentos do seu povo, espelho da humanidade inteira. Continua atuando na vida cotidiana o processo da sua encarnação e a sua descida nas ambiguidades da experiência humana para ali irradiar sua luz. Se o profeta Isaías (primeira leitura) prometia ao povo de Jerusalém salvação e novo futuro por parte de Deus, enquanto vivia o risco da guerra, Jesus penetra na situação do seu tempo, não menos sofrida, como luz que acende na noite a aurora de um novo dia, anunciando a Boa-nova do reino de Deus.
Ele se aproxima como luz que abre novo caminho à esperança e à novidade que vem de Deus, e como calor que alivia e cura as feridas da vida (Mt 4, 23). Luz que revela e atrai ao amor do Pai, que infunde coragem e suscita amor. Seu lugar não pode ser senão a Galiléia, bela e sofrida, familiar e hostil. Na Galiléia se concentra o mundo inteiro de todos os tempos. E Jesus continua escolhendo-a como sua casa e lugar, onde irradiar luz e gerar novas possibilidades de vida.
O evangelista nos diz que Jesus, com sua escolha pela situação mais complicada e com seu estilo de solidariedade e compaixão para com os necessitados, cumpre o misterioso desígnio de Deus, preanunciado na profecia de Isaías. Deus é fiel às suas promessas; é fiel ao seu cuidado em favor da vida, afim de que as pessoas tenham vida e vida plena, mesmo através das vicissitudes obscuras da vida e da história.

Com o breve aceno a João Batista aprisionado, e colocado no início da atividade de Jesus (Mt 4, 12), Mateus parece já projeta sobre o caminho dele a sombra da cruz. Ela tomará espaço crescente na experiência e no ensino de Jesus, assim como sobre o caminho a ser percorrido pelos discípulos de então e pelo discípulo de todo tempo que se põe no seu seguimento. Então disse Jesus aos discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). A liturgia, desde os primeiros passos do Tempo Comum, nos proporciona, junto com o mistério de Jesus, a vocação e a sorte do discípulo, e indica os eixos essenciais da sua identidade e da sua espiritualidade pascal.
“Daí em diante Jesus iniciou a pregar dizendo: ‘Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. Jesus anuncia que uma nova maneira de existir, iluminada pela aliança doada por Deus – o reinado de Deus – está iniciando. Antes, está já presente nele mesmo. Sua pregação, à diferença daquela de João, que pregava a necessidade da conversão em virtude da proximidade do severo juízo de Deus, anuncia que cada um e todos são procurados pela misericórdia de Deus. Sua presença exige uma opção radical: mudar a orientação da própria existência, passando da posição de uma auto-referência, fonte e fruto do pecado e do mal-estar existencial e nas relações humanas, para uma relação de si mesmo, totalmente orientada para Deus e o evangelho pregado por Jesus. Propõe e exige um re-nascer de novo e do alto, para entrar de verdade na novidade de vida que Jesus abre (cf. Jo 3, 3).

João anunciava o aproximar-se do esposo, e como seu amigo ficava contente em poder ouvir e escutar sua voz. Feito tal anúncio, fiel ao mandato recebido, retira-se com alegria, ciente que é necessário que ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 29 -30). Deixa que até alguns dos seus discípulos mais próximos, solicitados pela sua fala sobre Jesus como o Eleito de Deus, o abandonem para seguirem a Jesus (Jo 2, 34-37).
Alertar com cuidado forte, insistente e ao mesmo tempo materno, cada pessoa para a conversão ao Senhor e apontar a estrada para o encontro direto e pessoal com o próprio Jesus é a vocação e a tarefa da Igreja. Mas é também vocação e tarefa de cada discípulo e discípula de Jesus, em força da unidade com ele gerada pelo batismo.
“Iluminados”, assim eram chamados nos primeiros séculos os batizados em Cristo. Iluminados e chamados a ser luz no mundo, em continuidade e derivação da única fonte da luz, que é o próprio Jesus (cf. Mt 5,14).
Jesus olha com amor a cada um na sua situação concreta de vida. Ele vê o que passa dentro do seu coração. Seu olhar ilumina com a luz de amor, se faz chamado a olhar para ele, se faz chamado a segui-lo. É o que acontece à beira do mar da Galiléia, quando Jesus, andando, vê antes Pedro e seu irmão André e depois Tiago e seu irmão João. Todos estão empenhados no próprio trabalho de pescadores.

Olhos que se encontram; histórias que deste momento para frente se cruzam. Nascem os primeiros discípulos, chamados a partilhar a vida com ele e sua missão, não por própria iniciativa mas pelo olhar amante de Jesus. Arrancados do mar de Galiléia e jogados no grande mar da aventura pessoal de Jesus e da história nova do mundo que com ele está nascendo. Subtraídos à rotina de uma magra pesca de peixe, destinada ao sustento da vida cotidiana de si mesmos e da própria família, e transformados em “pescadores de homens”, junto com ele que está dedicando a si próprio para salvá-los das tempestades da vida sem rumo.
Se em Nazaré Jesus encontrou resistência, nos quatro irmãos pescadores a sua voz encontra uma ressonância imediata e incondicionada. “Jesus disse a eles: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’. E eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram... Jesus os chamou. Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram” (Mt 4, 19.21-22).
Chamado por parte de Jesus, escuta atenta, resposta imediata, escolha radical de deixar tudo para trás e entrada no seguimento de Jesus para partilhar sua vida e sua missão: estas são as características do discipulado de Jesus em todo tempo, para cada um.
O Tempo Comum e a vida cotidiana são o tempo e o lugar em que cada pessoa humana, como Pedro e seus companheiros à beira do mar de Galiléia, fica recebendo seu chamado à vida por parte de Deus. A Igreja, comunidade dos discípulos e das discípulas de Jesus, é o espelho simbólico desta relação dialógica de Deus para com cada pessoa, e o lar privilegiado onde cada um de nós pode ficar ouvindo o chamado sempre novo de Jesus a partilhar sua vida e sua missão a serviço do reino de Deus.


Fonte:Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
SÃO PAULO, quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – III do Tempo Comum Is 8, 23b – 9,3; 1 Cor 1, 10 – 13.17; Mt 4, 12 -23 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Casamento, caminho de santidade

O casamento é um autêntico caminho de santidade, e é por isso que o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família organizou, a partir de janeiro, uma série de palestras sobre "Perfis de santidade conjugal".
Nesta série de palestras, tratarão de temas como a força que vem do amor, a fidelidade ao amor, testemunhos de amor entre outros, acompanhados de depoimentos de casais no caminho da santidade.

O ciclo de palestras foi inaugurado em 13 de janeiro, com o tema "Um caminho de amor e fé no casal", tomando o exemplo de Raissa e Jacques Maritain, dois jovens intelectuais convertidos que se conheceram em 1900 e desde então começaram uma vida juntos, descobrindo o caminho da fé, com a única meta de santificar seu casamento.
A conversão do casal Maritain não foi fácil, como reconhece a coordenadora do 2º ciclo, Ludmila Grygiel. Raissa e Jacques procuraram o sentido da vida e a verdade na filosofia, e correram o risco de cair em desespero, inclusive pensaram no suicídio.

Toda vez que começavam a estudar o pensamento de um filósofo, crescia sua sabedoria cultural; às vezes até eram absorvidos pelo entusiasmo do discurso que, pouco depois, se tornaria uma espécie de ópio metafísico, como lembra Raissa. Mas, graças à leitura dos místicos, eles entenderam que o que se sabe de Deus não é nada comparado com aquilo que não se sabe sobre Ele.
A sede de verdade dos Maritain não foi saciada pelo estudo, mas pelo amor à verdade, que confere sabedoria, o amor perfeito que dá a liberdade perfeita.
Por sua parte, o cardeal Georges Cottier, OP, teólogo do Papa João Paulo II e do início do pontificado de Bento XVI, presidiu a conferência oferecendo toda a sua experiência sobre o assunto, ao ter conhecido pessoalmente Jacques Maritain, em Roma, em 1946.
Sua Eminência abordou a questão do casal na crise familiar que existe hoje: "Enfrentamos uma grande crise do casamento. É preciso ter em mente a concepção de casamento nas correntes da nossa cultura".

"Vivemos no mundo do momento, do instante, do provisório e isso seria uma coisa boa para refletir junto ao sacramento como tal. Onde está a coluna que sustenta tudo, se não há Deus?", perguntou o cardeal.
"Não podemos esquecer do tempo, que também passa pelo corpo que envelhece. Mudamos inclusive neste ponto de vista. A garota que conheci com 20 anos não é a mesma com 80. Existem também as doenças (...), mas o mundo atual não quer que vejamos isso. Todos são jovens, bonitos, sem doenças. Isso é contrário à experiência humana cotidiana. Na hora da verdade, basta atravessar a rua para ver que a realidade é outra. Isso acontece porque há um materialismo de fundo que destrói o tempo."

"Se não há vida interior e relação com Deus, isso acontece. A juventude e a obsessão com o corpo querem estar ao mesmo nível que o espiritual. Se o corpo estabelece as regras de vida, tudo muda. A isso se acrescentam as enormes dificuldades econômicas que as famílias enfrentam, os problemas no trabalho, o desemprego e até mesmo o fato de que o casal chega em casa exausto do trabalho. No final do dia, cada um já viveu uma experiência diferente e não é possível compartilhá-la, porque a sociedade não permite. Tudo isso é pago pela família. É preciso refletir sobre os condicionamentos sociais da vida em família, porque as pessoas são vítimas desta situação", concluiu o purpurado suíço.

Di Nicola e Danese acrescentaram que "o perdão é uma questão central no relacionamento e que amar dói. Se você ama, você é fecundo, porque o amor é fecundo. Duas pessoas que se amam transmitirão seu amor a todos aqueles que os rodeiam".
A segunda conferência do ciclo será realizada no dia 3 de março, sobre "Gianna Beretta Molla e Pietro Molla: a força que vem do amor".

Fonte: Ciclo de conferências do Pontifício Instituto João Paulo II de Roma
Por María de la Torre - CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 (ZENIT.org)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cardeal Saraiva Martins: Wojtyla, um beato para crentes e não crentes

Comentário do ex-prefeito da Congregação para as Causas dos Santos
Por Chiara Santomiero
ROMA, terça-feira, 18 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - "A beatificação de Karol Wojtyla será um evento de grande alegria, porque ele foi um homem muito amado, tanto pelos crentes como pelos não crentes."
Esta foi a declaração feita a ZENIT pelo cardeal José Saraiva Martins, que foi prefeito da Congregação para as Causas dos Santos de 1998 até a morte de João Paulo II, em 2005.
Na sexta-feira passada, a Santa Sé fez o anúncio da promulgação do decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão do Venerável Servo de Deus Karol Wojtyla, um ato que conclui o caminho para a beatificação, agendada para o próximo dia 1º de maio, no Vaticano.

Mas por que é necessário reconhecer um milagre? "Este é um selo, podemos defini-lo dessa forma - disse Saraiva Martins -, que Deus coloca nas ações de um homem ou uma mulher que demonstram, com virtudes heroicas, sua fidelidade ao Evangelho."
Para alguns, "o heroísmo chega ao martírio por causa da fé; para a maioria, basta responder até final à sua própria humanidade, em qualquer condição de vida". Em outras palavras, "viver o ordinário de maneira extraordinária".

"Se um milagre acontece por intercessão de alguém que é invocado - disse o cardeal Saraiva Martins -, isso significa que essa pessoa e Deus estão em comunhão, e isso é a santidade."
Há muitas lembranças pessoais que ligam o cardeal ao Papa Wojtyla, "um homem com traços de grande humanidade, que as pessoas valorizavam muito". Acima de tudo, no entanto, "impressionava sua forte fé".
"Acontecia algumas vezes - disse o cardeal - que, por motivos de trabalho, eu era convidado para almoçar com o Papa. Ele, antes de se sentar à mesa, ia à capela privada com seus convidados." Na capela, "ele mergulhava na oração de forma tão profunda, completamente imerso na sua relação com Deus, mesmo que fosse apenas durante alguns minutos, que isso já era em si um claro testemunho de santidade".

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Santa Prisca

Hoje a Igreja comemora o dia de Santa Prisca, segundo alguns autores, tinha apenas 13 anos quando São Pedro a batizou, em Roma. Sofreu pouco depois o martírio, por não ter sacrificado aos deuses pagãos. É considerada a primeira mártir do Ocidente.
Prisca, é um nome que nos soa um pouco estranho, significa: "a primeira". Mas evoca uma grande Santa, que se impôs à admiração de todos nos primeiros tempos do Cristianismo. Ela foi considerada a mais antiga santa romana e se tornou uma das mulheres mais veneradas na Igreja. Morreu decapitada durante a perseguição do imperador Cláudio, na metade do século I, em Roma.
Mas, a partir do século VIII, alguns dados vieram à tona dando total veracidade da existência dessa mártir romana, como mulher evangelizadora atuante, descrita numa carta escrita por São Paulo, em que falou: "Saúdem Prisca e Áquila, meus colaboradores em Jesus Cristo, os quais expuseram suas cabeças para me salvar a vida. À isso devo render graças não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios" (Rm 16,3).
Desta maneira, se soube que Prisca não morreu logo após ser batizada, mas alguns anos depois, ainda durante aquela perseguição.
Para homenagear e perpetuar o seu exemplo, aquela igreja de monte Aventino foi consagrada com o nome de Santa Prisca e se manteve no dia 18 de janeiro a sua tradicional festa litúrgica.
Santa Prisca Rogai, por nós.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aqueles que Confiam em Deus ( Cavei o tempo todo', diz pai que ficou 15 horas soterrado com bebê no RJ )


A vida passa por vários acontecimentos, mas aqueles que esperam e confiam em Deus tem sempre sua resposta, rezemos por aqueles que passam aflições e por aqueles que não temem a Deus. Essa é nossa missão. Esse pequeno relato do acidente no Rio de Janeiro nos ajuda a temer a Deus e a confiar Nele.

Em meio à maior tragédia climática do Brasil, que já deixou mais de 600 mortos desde terça-feira (11) na Região Serrana do Rio de Janeiro, algumas imagens marcaram e emocionaram o país. São exemplos de superação em meio a tanto perigo, dor e medo. Como o bebê Nicolas, que completa sete meses neste domingo (16), quatro dias depois de seu salvamento e de seu pai, Wellington Guimarães, que ficaram soterrados por 15 horas e sobreviveram a dois desabamentos.

“Dou graças a Deus de ter perdido a noção do tempo, tenho certeza de que foi Deus ali”, disse o pai. Nicolas continuava calminho, como no momento do resgate.

Na última terça-feira (11), Wellington e a mulher, Renata, resolveram passar a noite na casa da mãe dela por causa da chuva. O casal, a sogra e o bebê estavam dormindo no mesmo quarto.

Dou graças a Deus de ter perdido a noção do tempo, tenho certeza de que foi Deus ali"Wellington Guimarães, pai do bebê Nicolas“Eu acordei com aquele barulho de coisa vindo e não lembro, não sei, parece que eu tentei sentar na cama. De repente tudo parou, foi coisa de segundos, não dá tempo nem de gritar. A Renata e a Fátima faleceram na hora. Inclusive uma perna minha estava meio presa nela”, lembra Wellington.

Nicolas estava vivo, mas longe de Wellington. “Ele chorava, chorava, chorava e eu não tinha como estar perto dele, porque eu estava com as pernas presas. Eu consegui tirar uma perna, a outra estava mais embaixo, e aí foi quando eu comecei a chamar por socorro. Veio um rapaz e foi chamar o bombeiro”, continua o sobrevivente.

Salvos de dois desabamentos


O pequeno Nicolas é atendido logo após o resgate
na quarta em Friburgo (Foto: Carolina Lauriano/G1)Os bombeiros chegaram, mas não conseguiram resgatar pai e filho. “Eles ainda falaram: ‘Gente, cuidado com a barreira’. Aí eu fiquei imaginando: barreira só podia ser o morro. Quando eles acabaram de falar isso, não passou cinco minutos desceu a queda e soterrou eles também”, disse o pai de Nicolas.

Era o segundo desabamento. “Eu não tenho noção de nada, eu orei muito, pedi muito a Deus. Eu cavava cantando um hino de louvor a Deus. Cavei o tempo todo. Minha mão está toda arrebentada, dá para perceber”, disse Wellington, que cavou até chegar perto de Nicolas.

“No primeiro momento que eu peguei ele, ele se acalmou. Eu juntava saliva na boca para dar a ele para pelo menos molhar a boca dele. Eles [os bombeiros] estavam com a máquina em cima. Então, eu percebi que eles estavam cavando com vontade, achando que não tinha ninguém. Ninguém dizia que tinha alguém vivo ali. Aí eles chegaram bem perto. Chegou abrir um feixe de luz sobre a madeira. Eles perguntaram: ‘Tem alguém aí?’. ‘Estou eu e meu filho’. ‘Vocês estão bem?’. ‘Estamos’. ‘Tem mais alguém?’ Eu falei: 'minha esposa e minha sogra, mas elas estão mortas’. E aí eles conseguiram abrir um buraco, me deram água”, relembra Wellington.

Ele engasga muito com água, então eu botava água na boca e dava na boca dele. (...) Com a língua, eu controlava a água que ele bebia, ele mamava na minha língua"Wellington Guimarães, pai do bebê Nicolas“Ele engasga muito com água, então eu botava água na boca e dava na boca dele. Aquele primeiro contato que ele viu que era água, ele agarrava no meu rosto assim e abria a boca, igual quando ele pede comida, para pedir água. Com a língua, eu controlava a água que ele bebia, ele mamava na minha língua. Assim foi que eu fui hidratando ele, e ele bebeu tanta água que dormiu. Depois ele acordou e pediu água de novo, agarrava no meu rostinho, quando teve um pouco de claridade, a gente conseguiu ver um ao outro”

Abraçados, pai e filho esperaram pelo salvamento. “Ele ficava quietinho no meu colo. Quando eu dei ele, ele saiu rindo. Dentro da ambulância, ele estava conversando”, lembra.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Formação Litúrgica para o Povo de Deus

Foi publicada, no dia 18 de outubro, a Carta aos Seminaristas, de Bento XVI, para concluir o Ano Sacerdotal. No nº 1, o Papa exorta recordando que, "quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um ‘homem de Deus'", e isso significa especificamente que "o sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus" (nº 1).

No ensinamento do Papa Bento XVI, a oração é um "lugar" privilegiado de aprendizagem do estilo de vida cristão. Por exemplo, na encíclica Spe Salvi, o Santo Padre apresentou a oração como um dos principais "lugares" de aprendizagem e prática da esperança cristã (cf. nn. 32-34). Também na Carta aos Seminaristas, é considerada como a maneira concreta pela qual o candidato ao sacerdócio aprende a estar em íntima e contínua comunhão com o Senhor: "Quando o Senhor fala de ‘orar sempre', naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contato interior com Deus. Exercitar-se neste contato é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida" (nº1).

Em um trecho posterior, Bento XVI recorda que a oração, em seu estado perfeito, é o culto público da Igreja, ou seja, a sagrada liturgia e, de forma privilegiada, a Santa Missa, sobre a qual o Papa afirma: "Para uma reta Celebração Eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando" (nº 2).
A liturgia é realmente compreendida quando entramos na Tradição viva da Igreja, que recebemos como dom a ser preservado e vivido em espírito de fé e de oração. Este é, portanto, o espírito justo para celebrar e participar da liturgia. Não se trata de produzir emoções superficiais e fugazes, por meio de invenções particulares para entrar no rito, porque o verdadeiro "espírito da liturgia" é o espírito de oração adorante, de quem está "diante de Deus para servi-lo" (cf. Missal Romano [Paulo VI], "Oração Eucarística II").

O Santo Padre afirma, com base em sua experiência pessoal, que é entusiasmante aprender a compreender a liturgia com este sentido eclesial e dinâmico da verdadeira Tradição. Para isso, é necessária a formação litúrgica, que ilumina as trevas da ignorância e derruba os bastiões da ideologia, ajudando a compreender o sentido sagrado do culto divino e sua relação com toda a história da fé, que a Igreja cuida e professa em seus próprios filhos: cabeça e membros, pastor e rebanho.
A formação litúrgica não é, nem pode ser, uma forma renovada de iniciação gnóstica, um saber reservado a poucos. A formação litúrgica, embora baseada na seriedade de um estudo científico que não é para todos, deve traduzir-se de forma acessível para todos os fiéis a quem é dirigida.
Às muitas e louváveis iniciativas, no âmbito universal e local, dirigidas a cuidar da formação litúrgica do povo de Deus, acrescenta-se o nosso "Espírito da Liturgia", que abre hoje seu terceiro ano de publicação. Acolhendo muitos pedidos, decidimos experimentar, a partir deste ano, um maior corte informativo, como se notará na maior brevidade dos artigos e no número posteriormente reduzido de referências e notas. Esta escolha sacrifica, por um lado, o justo desejo dos escritores de dar mais detalhes e referências sobre as questões tratadas, mas esperamos que possa incentivar, por outro lado, uma difusão mais ampla das nossas reflexões, para chegar a um maior número de leitores. A eles se dirige, desde já, a gratidão dos autores do "Espírito da Liturgia", pela fidelidade e atenção com que nos acompanharam ao longo dos últimos dois anos e com que acreditamos que desejarão continuar a leitura.

*O Pe. Mauro Gagliardi, doutor em teologia e filosofia, é professor de teologia dogmática no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, de Roma, e consultor do Ufficio delle Celebrazioni Liturgiche do Sumo Pontífice

sábado, 15 de janeiro de 2011

João Paulo II: amigo, intercessor, amor e fé explicam suas obras


O Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou nesta sexta-feira 14 de janeiro de 2011 o anúncio da aprovação, por parte de Bento XVI, de um decreto de reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão de Karol Wojtyla.
O reconhecimento deste milagre abre as portas para a beatificação do Papa polonês, falecido em 2 de abril de 2005, quando a Igreja havia entrado liturgicamente no domingo da Divina Misericórdia, e que será elevado à glória dos altares em 1º de maio de 2011, também domingo da Divina Misericórdia.
"A Igreja reconhece que Karol Wojtyla deu um testemunho eminente e exemplar de vida cristã; é um amigo e um intercessor, que ajuda o povo em caminho a dirigir-se a Deus e encontrar-se com Ele", reconhece o Pe. Lombardi, no editorial do último número de Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano.
"Por mais extraordinárias que sejam, não estamos nos focando nas obras de João Paulo II, mas em seu manancial espiritual, em sua fé, sua esperança, sua caridade", diz ele.
"As obras merecem admiração precisamente porque são expressão da profundidade e autenticidade de sua relação com Deus, do seu amor por Cristo e por todas as pessoas humanas - começando pelas pobres e fracas -, do seu terno amor filial pela Mãe de Jesus", afirma o porta-voz.
O Pe. Lombardi considera que João Paulo II é lembrado, dessa forma, "por seu profundo e prolongado recolhimento na oração; pelo seu desejo de celebrar e proclamar Jesus como o Redentor e Salvador da humanidade; por torná-lo conhecido e amado pelos jovens e pelo mundo inteiro; por sua atenção carinhosa aos doentes e sofredores, por suas visitas aos povos mais necessitados de alimento e de justiça; e, finalmente, por sua paciente e genuína experiência de sofrimento pessoal, de doença vivida na fé, diante de Deus e todos nós".
"Sua vida e seu pontificado se caracterizaram pela paixão por dar a conhecer ao mundo em que vivia - o mundo da nossa dramática história ao longo de dois milênios - a grandeza reconfortante e inspiradora da misericórdia de Deus. É disso que o mundo precisa."
"Por isso, teremos a alegria de celebrar sua beatificação solene, no dia em que ele mesmo quis que toda a Igreja dirigisse seu olhar e sua oração à Divina Misericórdia", conclui.

Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Liturgia da Palavra: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

“Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – II do Tempo Comum Is 49, 3. 5-6; 1 Cor 1, 1-3; Jo 1, 29 -34 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.
* * *
II DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Is 49, 3. 5-6; 1 Cor 1, 1-3; Jo 1, 29 -34
Com a semana que segue ao Batismo de Jesus, inicia-se o chamado Tempo Comum do ano litúrgico. Antes de entrar na reflexão sobre as leituras deste domingo, gostaria de oferecer uma breve introdução sobre o sentido teológico e espiritual deste tempo que, pela sua extensão, acompanha por meses o caminho espiritual da Igreja. Para valorizar de maneira apropriada este tempo, é preciso conhecer um pouco mais de perto a estrutura do ano litúrgico e os critérios que orientam a distribuição das leituras bíblicas nas celebrações.

O conhecimento destes dois elementos facilita a compreensão da Liturgia da Palavra proporcionada pelo Lecionário festivo e ferial e orienta a reflexão espiritual sobre os textos bíblicos que compõem a Liturgia da Palavra.
O Tempo Comum é constituído por 33/34 semanas, distribuídas entre o Batismo de Jesus e a Quaresma (primeiro período) e entre o domingo da Trindade e a solenidade de Cristo Rei (segundo período). O Tempo Comum não celebra um ou outro aspecto particular do mistério de Cristo, como acontece, por exemplo, com o Advento-Natal ou a Quaresma-Páscoa, mas celebra o mesmo mistério na sua globalidade. Realiza isso pela constante referência à páscoa que caracteriza os domingos, assim acompanhando e orientando o caminho pascal do povo de Deus no seguimento de Jesus, rumo ao cumprimento da história.

Dois elementos são fundamentais para compreender o significado e a importância espiritual e pastoral do tempo comum: o Lecionário e o Domingo.
O Lecionário é o livro litúrgico que proporciona as leituras bíblicas da Liturgia da Palavra de todas as celebrações e, como tal, não deveria ser substituído por um simples folheto. Os textos da sagrada escritura iluminam o mistério pascal de Cristo e o caminho da Igreja. Sendo Cristo o centro e o cumprimento da história da salvação, celebrada na liturgia e dinamicamente ativa na vida de cada fiel, a Igreja se torna sempre mais conforme ao seu Mestre e Esposo. A leitura semi-contínua dos Evangelhos marca o caminho dos domingos assim como dos dias de féria, seguindo sábios critérios bíblicos, litúrgicos e pedagógicos, que se encontram bem ilustrados na Introdução ao Lecionário Litúrgico, elaborado pela reforma promovida pelo Concílio Vaticano II.
A centralidade do Evangelho na Liturgia da Palavra reflete a centralidade de Cristo na história da salvação, que tem como sua primeira etapa de preparação profética, eventos, personagens e escritos do AT. O texto do Evangelho, de consequência, determina a escolha da primeira leitura, tomada do AT. Esta se caracteriza como promessa e profecia a respeito de Cristo e do texto do Evangelho. “O Novo Testamento está latente no Antigo e o Antigo se torna claro no Novo”, afirma a constituição do concílio Dei Verbum (n.16), repetindo uma famosa frase de Santo Agostinho. A segunda leitura, porém, geralmente composta de um texto das cartas de Paulo ou de outro apóstolo, ilumina a vida nova que anima o discípulo de Jesus pela ação do Espírito Santo e sua vocação a conformar-se sempre mais a Cristo. O novo Lecionário realiza o desejo do Concílio, que pedia para oferecer a todo o povo de Deus os tesouros da Sagrada Escritura em medida mais abundante (SC 51).

Na ação litúrgica a Palavra de Deus é acompanhada pela ação íntima do Espírito Santo que a torna operante no coração dos fiéis. “Por isso – afirma o Papa Bento XVI na Exortação apostólica Verbum Domini – para a compreensão da palavra de Deus, é necessário entender e viver o valor essencial da ação litúrgica. Em certo sentido, a hermenêutica da fé relativamente à sagrada escritura deve ter sempre como ponto de referência a liturgia, onde a Palavra de Deus é celebrada como Palavra atual e viva. A Igreja, na liturgia, segue fielmente o modo de ler e interpretar as Sagradas Escrituras seguido pelo próprio Cristo, quando, a partir do ’hoje’ do seu evento, exorta a perscrutar todas as Escrituras (cf. Ordenamento das leituras da missa, 3)” (VD 52).
As leituras do 2º Domingo do tempo ordinário constituem um exemplo muito claro desta visão de fé e da maneira de entender e viver a palavra de Deus e a liturgia.
O Evangelho de João (Jo 1, 29-34), com o testemunho do Batista que aponta para Jesus como o Cordeiro/Servo do Senhor que carrega sobre si mesmo o pecado, tirando-o do mundo inteiro e não somente de Israel (cf. Jo 2, 21-22), apresenta Jesus como cumprimento da profecia de Isaías (Is 49,3. 5-6). O profeta promete o envio do Servo por parte de Deus, por ele escolhido e fortalecido com seu espírito. O servo tem a missão de restaurar a liberdade e a unidade de Israel e de Judá e de tornar-se luz capaz de iluminar o caminho de todos os povos e salvá-los. Paulo, na carta aos Coríntios, coloca a si mesmo e o seu ministério apostólico na linha do Servo e do Cordeiro, lembrando seu chamado por Deus e seu apostolado entre os Coríntios, “santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor 1,2). A dimensão universal da salvação em Cristo será a nota específica da pregação da Boa-Nova do Novo Testamento, e da missão entregue por Jesus aos Apóstolos e à Igreja.

A celebração do Domingo, como dissemos, é o segundo elemento que caracteriza o tempo comum. No sentido literal, a palavra Domingo significa “dia do Senhor”, isso é, dia em que se celebra e se vive na comunidade dos discípulos a presença de Jesus, “Senhor”, enquanto vencedor da morte. Isso acontece sobretudo através da celebração da Eucaristia, que alimenta o povo de Deus com a dupla mesa do pão vivo da Palavra de Deus e do corpo de Cristo, e o constitui como corpo vivo de Cristo (DV 21). O Domingo, dia do Senhor, é desse modo igualmente dia da Igreja. Marca o início da nova história inaugurada por Cristo ressuscitado (primeiro dia), enquanto é, ao mesmo tempo, seu cumprimento e plenitude do descanso de Deus e do homem (oitavo dia). Sobre este assunto tão importante para a espiritualidade cristã e para a pastoral, gostaria de sugerir a meditação atenciosa da carta encíclica do Papa João II, “Dies Domini - O dia do Senhor” (1998), luminosa nos seus horizontes teológicos e espirituais e rica de sugestões pastorais.

Às vezes, o Tempo Comum é considerado como um “tempo menor”, um tempo “pouco significativo”. Pelo contrário, assim como a túnica sem costura de Cristo crucificado envolvia o seu corpo, assim também o tempo comum envolve o corpo e o tempo da Igreja, esposa de Cristo, e a faz habitar no jardim da ressurreição ao longo do ano inteiro. De semana em semana, ficam emergindo, como pérolas preciosas engastadas no tecido unitário do tempo, os domingos, que deixam brilhar a sóbria preciosidade dos dias feriais, escondidos na trama do cotidiano, mas coloridos pela luz da páscoa como fios de ouro.
A semana vive do respiro do Espírito recebido no domingo, e ela mesma se torna os dons colocados sobre a mesa do altar no dia de festa, e transformados por Cristo no seu corpo e no seu sangue vivificante. São Bento, o pai espiritual dos monges e das monjas, diz na sua Regra, que os instrumentos com que eles e elas trabalham durante a semana nos campos e nas oficinas do mosteiro têm o mesmo valor dos vasos sagrados do altar.

A Oração e o Trabalho, segundo o conhecido lema beneditino “Ora et Labora”, constituem, para cada cristão, duas faces indivisíveis do caminho cotidiano, animado pelo Espírito e vivenciado na presença de Deus. Esta consciência resgata o homem e a mulher do nosso tempo - tecnológicos e mercantilistas - das ambigüidades do progresso técnico e da posse de bens materiais, esperados como fonte da própria salvação, enquanto os submetem a novas formas de escravidão, de vazio interior e provocam o desgaste do meio ambiente, da natureza.
Para o discípulo e a discípula de Jesus, o cotidiano é a carne do festivo, e o festivo é a alma do cotidiano. Da mesma maneira como, no mistério do Verbo encarnado que acabamos de celebrar, a divindade vivifica a humanidade de Jesus e a sua humanidade nos permite encontrar sua divindade. Na relação pessoal com Cristo na Palavra, na Liturgia e no cotidiano, temos a graça de alimentar de maneira unitária o nosso caminho espiritual, caminho marcado por uma espiritualidade encarnada na vida de cada dia.

A oração eucarística 4ª tem uma maravilhosa estrutura que abrange as etapas da história da salvação inteira, do seu inicio até a vida de cada dia da comunidade. Ela envolve toda atividade do homem e da mulher na ação transformadora do Espírito, como parte integrante da ação de louvor e agradecimento a Deus, junto com o evento da morte e ressurreição de Jesus. Enquanto tal, esta oração eucarística interpreta muito bem e alimenta o sentido unitário da experiência cristã. Por isso é a mais apta a ser utilizada nas celebrações feriais durante o Tempo Comum e como fonte riquíssima de oração, de espiritualidade e de catequese. Infelizmente esta pérola da liturgia renovada fica quase que desconhecida – até mesmo por muitos padres! – pois é “sacrificada” em prol da oração eucarística 2ª, preferida nem sempre pela sua bela simplicidade, mas muitas vezes em nome da sua “brevidade”!

Não faz maravilha que esta visão unitária e nobre do cotidiano, proposta na pedagogia espiritual da Igreja através da liturgia, encontre certa dificuldade, em razão da nossa mentalidade atual.
O caminho espiritual fica fragmentado entre oração, vida moral, atividade profissional, serviço nas pastorais e empenho para dar testemunho cristão na sociedade civil. Falta muitas vezes um fio condutor que unifique os vários aspectos da existência dos homens e das mulheres cristãos no nosso tempo.
Somos filhos da mentalidade dos “efeitos especiais” e dos “produtos descartáveis”, substituídos rapidamente em toda atividade. Às vezes também pessoas devotas vão à procura de emoções fortes, em experiências supostamente “mais espirituais” do que o caminho alimentado pela Palavra de Deus e pela liturgia. É possível até mesmo encontrar quem nos ofereça “milagres ao vivo”, proporcionados por certas reportagens religiosas na TV. Tentações que acompanham o homem e a mulher religiosa desde sempre.

A liturgia exige e promove uma grande conversão de mentalidade, de coração e de pedagogia espiritual, para reconhecer que a força de Deus que nos salva se encontra no Verbo feito carne, nos gestos e nas palavras humanas dos sacramentos, no cotidiano animado pelo Espírito e vivenciado conforme seus impulsos interiores. “A carne é o eixo da salvação”, dizia o grande padre da Igreja do séc. 3º, Tertuliano.
Os concidadãos de Jesus em Nazaré não se escandalizavam por ser ele o filho do carpinteiro e membro de uma família da qual todo mundo conhecia os componentes? (cf. Mt 13, 53-58).
O próprio João Batista passa através da mesma tentação. No início da sua missão, narrada pelo evangelho de hoje, reconhece em Jesus “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Com humildade e coragem o indica a seus discípulos e ao povo como o verdadeiro mestre e messias a seguir. Ele pode atestar ter visto que sobre Jesus desceu o Espírito de Deus e que nele atua sua potência (Jo 1, 29 -34).

Na obscuridade da prisão, na vigília do sacrifício da sua vida por parte de Herodes por ter sido fiel à sua missão, é apanhado pela obscuridade ainda mais sofredora da dúvida: “És tu, aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” (Mt 11,2-3). O estilo de atuar por parte de Jesus lhe parece condescendente demais com pecadores e marginalizados, pouco “messiânico”, segundo o modelo do messias forte e de juiz implacável, imaginado e pregado por ele mesmo. Mas Jesus continua curando cegos, paralíticos e a Evangelizar os pobres. É assim que está presente nele o reino de Deus. E acrescenta: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim” (Mt 11,6). É a mensagem definitiva também para nós no início deste novo Tempo Comum, tão precioso!

Fonte: Zenit.com.br

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Purgatório não é um lugar, mas um "fogo do amor", afirma Papa


Dedica a catequese a Santa Catarina de Gênova
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - O purgatório não é tanto um "espaço" onde as almas são purificadas, mas um "fogo interior" que purifica a pessoa e a torna capaz de contemplar Deus, afirmou hoje Bento XVI, durante a audiência geral.
Como de costume nos últimos meses, o Papa quis dedicar a catequese de hoje, realizada na Sala Paulo VI, a uma mulher, Santa Catarina de Gênova, conhecida por suas reflexões sobre a natureza do purgatório.
Esta mulher italiana, que viveu no século XVI, teve uma forte experiência interior de conversão, que a levou a renunciar à vida mundana que tinha levado até então, dedicando-se a cuidar dos doentes, até sua morte.
Catarina teve uma série de revelações místicas, que narrou em seu Tratado sobre o Purgatório e no Diálogo entre a alma e o corpo.
Ainda que nunca tenha tido revelações particulares sobre o purgatório, explicou o Papa, "nos escritos inspirados por nossa santa, é um elemento central, e a maneira de descrever isso tem características originais com relação à sua época".
A santa descreve o purgatório não tanto como um "lugar", como era habitual em sua época: "Não é apresentado como um elemento da paisagem das entranhas da terra: é um fogo interior, não exterior".
"Isso é o purgatório, um fogo interior", sublinhou o Papa.
A santa, em seus escritos, "fala do caminho de purificação da alma até a comunhão com Deus, partindo de sua própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em contraste com o amor infinito de Deus".
Catarina, no momento de sua conversão, "sente de repente a bondade de Deus, a distância infinita de sua própria vida dessa bondade e um fogo abrasador dentro dela. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório".
Outra das características de Catarina é que "não parte do Além para narrar os tormentos do purgatório - como era costume na época e talvez ainda hoje - e, em seguida, apontar o caminho para a purificação ou a conversão".
Ao contrário, "parte da experiência interior e pessoal de sua vida no caminho rumo à eternidade".
"Catarina afirma que Deus é tão puro e santo, que a alma, com as manchas do pecado, não pode se encontrar na presença da divina majestade."
Assim, "a alma é consciente do imenso amor e da perfeita justiça de Deus e, portanto, sofre por não ter respondido correta e perfeitamente a esse amor e, por isso, o próprio amor a Deus torna-se uma chama, o próprio amor a purifica das suas escórias de pecado".
Utilizando uma imagem da época, a santa explicava que Deus ata o ser humano "com um fio finíssimo de ouro, que é o seu amor, e o atrai a si com um carinho tão forte, que o homem permanece como superado, vencido e todo fora de si mesmo".
"Assim, o coração humano é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência", acrescentou.
"Esta situação de elevação até Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para exprimir a ação da luz divina sobre as almas do purgatório, luz que as purifica e as eleva aos esplendores dos raios resplandecentes de Deus."
Assim, concluiu o Papa, "a santa nos recorda uma verdade fundamental da fé que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, para que possam chegar à visão beatífica de Deus, na comunhão dos santos".

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Morre Dom Manoel Pestana, bispo emérito de Anápolis



Morreu neste final de semana em Santos, no litoral de São Paulo, o bispo emérito de Anápolis, Dom Manoel Pestana. A suspeita é que Dom Manoel Pestana tenha sofrido um ataque cardíaco. O bispo estava passando férias em casa de familiares em Santos, sua cidade natal.

Dom Manoel Pestana tinha 82 anos e foi bispo da Diocese de Anápolis por 25 anos. Ele foi ordenado sacerdote em 1952 e em 1979 foi sagrado bispo pelo Vaticano sendo destacado para assumir a Diocese de Anápolis. Em 2004, tornou- bispo emérito.

O corpo de Dom Manoel Pestana chegou ontem a Anápolis e foi sepultado na cripta da Catedral do Bom Jesus.
Perdemos um " Pequenino" mas , Grande Bispo, que ajudou a Igreja do Brasil a ter um amor pela liturgia em Especial por Jesus na Eucaristia, pois falta muito isso em nossos Bispos, ou seja, Bispos que levem o seu rebanho a Adorar a Deus no Santíssimo Sacramento, nós do Seletas de Orações pedimos que você reze pelo seu Bispo a ser um Verdadeiro Apostolo de Cristo Jesus.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O perdão ressuscita as famílias


Hoje é um dia para você pai, para você mãe, perdoar do fundo do seu coração cada filho que precisa do seu perdão. Hoje é o dia, com a graça de Deus e com sua decisão, pois perdão também é decisão, apesar de seu coração estar ferido, por causa daquilo que seu filho fez ou está fazendo. Hoje Deus está querendo lhe dar a graça do perdão.
Então, disponha-se a perdoar. Seja o que for isso está acabando com você, pois mesmo que esteja com raiva, sentimento de ódio, de vingança, seu coração é coração de pai, de mãe. Perdão não é sentimento, é atitude, é ato de vontade. Queira perdoar.
Existem também muitos filhos que precisam perdoar seus pais. Muitos pais que erraram, ou até continuam no erro, e isso é muito doloroso, isso fere. Queira perdoar seu pai, perdoar sua mãe, perdoar as palavras que eles disseram. Por mais doloroso que seja, perdoe seu pai, sua mãe, porque para transformação deles é necessário seu perdão. E também para a cura do seu coração. Permita que Deus realize essa graça em sua vida, na de sua mãe e seu pai.
O perdão é a coisa mais linda, é a maior manifestação do amor e da misericórdia que vêm de Deus, que passa, por intermédio de nós, e atinge, refaz, reconstrói e transforma tudo. Espere agora as consequências do perdão dado e do perdão recebido.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Bento XVI pede redescoberta da “beleza de ser batizado”

Pontífice convida ainda a promover a formação e educação cristã das crianças
CIDADE DO VATICANO, domingo, 9 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O Papa pediu aos católicos que promovam uma redescoberta da beleza de ser batizados.
O pontífice falou neste domingo, ao rezar o Angelus com os peregrinos na praça de São Pedro.
O Papa recordou, no dia que a Igreja celebra esta festividade, que o Batismo do Senhor evidencia que Jesus “é realmente o Messias, o Filho do Altíssimo, que, saindo das águas do Jordão, restabelece a regeneração no Espírito e abre, a todos que o querem, a possibilidade de se tornar filhos de Deus”.
“Não por acaso, de fato, cada batizado adquire o caráter de filho a partir do nome cristão, sinal inconfundível de que o Espírito Santo faz nascer ‘de novo’ o homem, a partir do seio da Igreja.”
Segundo Bento XVI, o Batismo “é o início da vida espiritual, que encontra sua plenitude por meio da Igreja”.
O pontífice chamou a atenção para a necessidade dos pais e padrinhos comprometerem-se a promover a formação e educação cristã das crianças.
“É esta uma grande responsabilidade, que deriva de um grande dom”, disse.
“Gostaria de encorajar todos os fiéis a redescobrir a beleza de ser batizados e pertencer à grande família de Deus e a dar testemunho alegre da própria fé, a fim de que esta gere frutos de bem e de concórdia”, afirmou o Papa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Palavra de Deus, verdadeira estrela que ilumina nossa vida

Homilia do Papa na solenidade da Epifania do Senhor
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - A Palavra de Deus é a verdadeira estrela que nos dá o esplendor da verdade divina, afirmou Bento XVI nesta quinta-feira, solenidade da Epifania do Senhor, na Missa que presidiu na Basílica Vaticana.
Em sua homilia, o Papa referiu-se à experiência dos Magos, que seguiram a estrela para chegar ao Menino Jesus no humilde estábulo de Belém.
"Eles provavelmente eram sábios que estudavam o céu, mas não para tentar ‘ler' o futuro nos astros, eventualmente para ganhar algum dinheiro - explicou; eram homens de ‘em busca' de algo mais, em busca da verdadeira luz, capaz de indicar o caminho a percorrer na vida."
"Eram pessoas seguras de que, na criação, existe o que nós podemos definir como a ‘assinatura' de Deus, uma assinatura que o homem pode e deve tentar descobrir e decifrar."
Como homens sábios, continuou o Papa, sabiam também "que não é com um telescópio qualquer, mas com os olhos profundos da razão em busca do sentido último da realidade e com o desejo de Deus, movido pela fé, que Ele pode ser encontrado; e assim é possível inclusive que Deus se aproxime de nós".
A linguagem da criação, de fato, "nos permite percorrer um longo trecho do caminho até Deus, mas não nos dá a luz definitiva", disse o Pontífice.
"Em última análise, para os Reis Magos, foi fundamental ouvir a voz das Sagradas Escrituras: só ela poderia mostrar-lhes o caminho."
"A Palavra de Deus é a verdadeira estrela que, na incerteza dos discursos humanos, nos oferece o grande esplendor da verdade divina", afirmou Bento XVI.
"Deixemo-nos guiar pela estrela, que é a Palavra de Deus, sigamos essa estrela em nossas vidas, caminhando com a Igreja, onde a Palavra tem a sua morada - exortou. Nosso caminho será sempre iluminado por uma luz que nenhum outro sinal pode nos dar."
"E também poderemos nos tornar estrelas para os outros, um reflexo dessa luz que Cristo fez brilhar sobre nós", acrescentou.
O Papa convidou a se perguntar se, como os especialistas que sabem tudo sobre as Escrituras, "não está em nós a tentação de considerar as Sagradas Escrituras, este tesouro riquíssimo e vital para a fé da Igreja, mais como um objeto de estudo e discussão dos especialistas que como o livro que nos mostra o caminho para chegar à vida".
Para combater isso, sugeriu fazer "nascer de novo em nós a disposição profunda de conceber a palavra da Bíblia, lida na Tradição viva da Igreja, como a verdade que nos diz o que é o homem e como ele pode se realizar plenamente".
Deus: aliado, não rival
O Papa também recordou a figura do rei Herodes, "interessado no Menino sobre quem os Reis Magos falavam", mas não com o objetivo de adorá-lo, "e sim de eliminá-lo".
"Deus lhe parece um rival, um rival especialmente perigoso, que privaria os homens do seu espaço vital, da sua autonomia, do seu poder; um rival que indica o caminho a percorrer na vida e evita, assim, que se faça tudo o que se quer."
Bento XVI exortou a perguntar-se se "há talvez algo de Herodes em nós"; se, "talvez, também nós, às vezes, vemos Deus como uma espécie de rival" e "somos cegos diante dos seus sinais, surdos às suas palavras, por acharmos que Ele coloca limites na nossa vida".
Quando Deus é visto dessa maneira, observou, "acabamos nos sentindo insatisfeitos e infelizes, porque não nos deixamos guiar por Aquele que é o alicerce de todas as coisas".
Por isso, acrescentou, "devemos eliminar da nossa mente e do nosso coração a ideia da rivalidade, a ideia de que dar espaço a Deus é um limite para nós mesmos".
Pelo contrário, concluiu, "devemos nos abrir à certeza de que Deus é o amor onipotente que não tira nada, não ameaça, senão que é o único capaz de oferecer-nos a possibilidade de viver em plenitude, de experimentar a verdadeira alegria".

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

É possível dividir o coração entre dois amores?

Para algumas pessoas, o amor passa por um crivo racional antes de ser expresso ou vivenciado. Ou seja, é ditado mais por valores do que por impulsos. Para outras, é pura emoção. Ou seja, amor é praticamente sinônimo da autêntica paixão.
Dinâmicas à parte, o fato é que há muito do amor que nenhum de nós consegue explicar, dimensionar ou compartimentar, ainda mais quando se trata das relações conjugais – já tão complexas por si só.
No entanto, como o futuro é incerto e o destino de cada um jamais se revela antes da hora, podemos afirmar que ninguém está à salvo de se flagrar com o coração confuso e perturbado entre dois amores.
Talvez sejam essas as palavras que mais traduzam os sentimentos de quem se vê, de repente, sem conseguir fazer uma escolha tão importante quanto “com quem ficar”. Com as duas? Com nenhuma? E se decidir por uma, como abrir mão dos encantos da outra e vice versa?
Acontece que nada, absolutamente nada nesta vida é somente bom ou somente ruim. Não podemos dividir as pessoas em “tudo o que amo nela” e “tudo o que não gosto”. Argumentos como “fulano é divertido, bem-humorado e criativo, enquanto que cicrano é romântico, responsável e bem-sucedido” só servem para demonstrar ainda mais o quanto não estamos comprometidos com o amor e sim com nossos caprichos pessoais.
Amor é, acima de tudo, aprendizado, crescimento, evolução. É a oportunidade suprema que cada um de nós tem para reconhecer não as qualidades ou as limitações do outro, mas sim as nossas próprias. Não as dificuldades e os erros do outro, mas sim os nossos. Como tão bem profetizou Rainer Maria Rilke:
"Amar outro ser humano é talvez a tarefa mais difícil que a nós foi confiada, a tarefa definitiva, a prova e o teste finais; a obra para a qual todas as outras não passam de mera preparação".
Portanto, se você se descobrir confuso entre duas pessoas, sem saber em quem investir ou, pior, desejando investir nas duas ao mesmo tempo, imagine como se estivesse navegando por um mar imenso, intenso e profundo estando em dois barcos ao mesmo tempo, com um pé em cada barco... Impossível alcançar estabilidade. Impossível determinar um roteiro. Impossível chegar a qualquer lugar. E mais do que isso: perigoso, muito perigoso!
Sim, certamente essa imaginação não é suficiente para que você consiga chegar a um novo cenário para esta história. Minha sugestão é para que você ouça cuidadosa e atentamente o que diz seu coração. Ele sabe a resposta, antes mesmo de sua razão. Se estiver difícil, pegue uma folha de papel e escreva tudo o que você mais gosta em cada uma e tudo o que você não gosta. Reflita sobre o que está em sintonia com o que reconhece em você mesmo, inclusive as limitações, os “defeitos”.
Lembre-se de que amamos ou odiamos aquilo que está, antes de mais nada, dentro de nós mesmos. Admiramos aquilo com o que nos identificamos. Desejamos o que nos complementa. E nesta mesma proporção, escolhemos conforme a clareza de nossa própria consciência.
Se o seu coração está dividido, pare e perceba o que é que você está realmente buscando: felicidade ou perfeição? Aprendizado ou respostas prontas? Compromisso ou justificativas para suas próprias inseguranças? E assim, muito mais voltado para si mesmo do que para qualquer outro amor, terminará descobrindo que amar o outro é um exercício diretamente proporcional ao de amar a nós mesmos!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Na oração conhecemos os planos de Deus


No momento em que você conhece a Deus, você conhece a si

Ninguém se coloca sob o sol sem se queimar e quem se expõe exageradamente a ele vai sofrer as suas consequências. Com Deus acontece algo semelhante, pois ninguém se coloca na presença d'Ele sem ser beneficiado por Sua presença. As marcas da presença do Todo-poderoso também são irreversíveis. Irreversíveis para a nossa salvação.
Quando nós nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo Ele nos dá liberdade. Nunca Nosso Senhor pensou em trazê-lo para perto d'Ele para tirar algo de você, muito menos para limitar a sua liberdade. Se Ele não quisesse que fôssemos livres, por que Ele nos teria criado livres?

A nossa liberdade ficou comprometida por nossa culpa, porque quem peca se torna escravo do pecado. Pelos nossos pecados e pelos vícios, que entraram em nossa vida, nós ficamos debilitados. Foi para sermos livres que o Pai do céu enviou Jesus. Deus Pai nos deu Cristo para nos libertar daquilo que nos amarrava. Deus nos mostra quais caminhos podemos seguir, mas a liberdade de escolher é nossa. O desejo do Senhor é libertar você de toda angústia, de toda opressão. O desejo d'Ele é vê-lo feliz.
"É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão" (cf. Gálatas 5,1).


Cristo amou você, morreu em uma cruz por sua causa para que você não seja escravo do pecado. O Ressuscitado nos libertou de todo o mal, de toda a armadilha do inimigo, para que permaneçamos livres. Contudo, ninguém é livre na maldade. Uma vez que o Espírito Santo o visitar não dê brecha para o pecado; Ele desbarata a tentação.

O Espírito Santo nos cura e nos liberta. Ninguém pode saber o que está em seu interior se você não abrir a boca e dizê-lo. Rezar é você ficar nu na presença de Deus. Quando você reza, você está se pondo na presença do Altíssimo. Quando você tira a roupa diante do espelho você vê o que quer e o que não quer. Na hora em que estamos rezando caem as nossas roupas, espiritualmente falando e, do mesmo modo, vemos aquilo que queremos e o que não queremos. Tudo que eu faço de mau volta para mim no momento da oração. As feridas que nós ignoramos, na oração não conseguimos ignorá-las, porque nesse momento Deus no-las revela para nos curar. No momento em que o Senhor me mostra quem eu sou, Ele também mostra quem Ele é.

No momento em que você conhece a Deus, você conhece a si mesmo, por isso rezar não é coisa para qualquer um. Na oração, Deus se revela a mim, mas Ele também me revela a mim mesmo. Se Ele me revela uma coisa que não está boa, é porque é preciso consertá-la.

Você precisa de muito perdão e de muita cura e só Deus pode lhe dar essas graças. Eu e você precisamos, na oração, pedir ao Espírito Santo que nos faça entrar em nosso coração para descobrimos o que está ruim ali dentro. Deus, que passou com você por cada caminho que você percorreu, sabe quando você foi machucado e sabe como curá-lo.

A nossa vida inteira é um processo de cura interior. Enquanto você estiver com os pés aqui nesta terra sua vida será um processo de cura interior. Não existe ninguém que, tendo rezado, Deus não lhe tenha respondido. E se Ele não o faz diretamente Ele o faz por intermédio de uma pessoa ou de um fato.

Nós precisamos aprender a ouvi-Lo na oração, para conhecermos os planos que Ele tem para nossa vida. O Todo-poderoso tem um plano de amor, um plano de realização, um plano de felicidade, Ele projetou um caminho de felicidade para você. Muitas vezes, nós não somos felizes porque esse plano não se cumpre na nossa vida. Se você não abre o seu coração para a oração, você corre o sério risco de morrer sem conhecer o plano que Deus tinha para você.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Santa Ângela de Foligno

De família abastada, foi casada e teve vários filhos. Entregou-se às vaidades do mundo até que, ficando viúva e tendo perdido sucessivamente os filhos, converteu-se ingressou na Ordem Terceira de São Francisco e passou a levar vida de penitência. É considerada uma das maiores místicas da História da Igreja.
Num curto espaço de tempo perdeu os pais, o marido e todos os numerosos filhos, um a um. Mas, ao invés de esmorecer, uma mulher forte e confiante nasceu daquela seqüência de mortes e sofrimento, cheia de fé em Deus e no seu conforto espiritual. Como conseqüência, em 1291 fez os votos religiosos, doando todos os seus bens para os pobres e entrando para a Ordem Terceira de São Francisco, trocando a futilidade por penitências e orações.
O dom místico começou a se manifestar quando Santa Ângela recebeu em sonho a orientação de São Francisco para que fizesse uma peregrinação a Assis. Ela obedeceu, e a partir daí as manifestações não pararam mais.

Contam seus escritos que ela chegava a sentir todo o flagelo da paixão de Cristo, nos ossos e juntas do próprio corpo. Todas essas manifestações, acompanhadas e testemunhadas por seu diretor espiritual, Santo Arnaldo de Foligno, foram registradas em narrações que ela escrevia em dialeto úmbrio e que eram transcritas imediatamente para o latim ensinado nas escolas, para que pudessem ser aproveitados imediatamente por toda a cristandade.
Trinta e cinco dessas passagens foram editadas com o título "Experiências espirituais, revelações e consolações da Bem-Aventurada Ângela de Foligno", livro que passou a ser básico para a formação de religiosos e trouxe para a Santa o título de "Mestra dos Teólogos". Muitos dos quais a comparam como Santa Tereza d'Ávila e Santa Catarina de Sena.

Ângela terminou seus dias orientando espiritualmente, através de cartas, centenas de pessoas que pediam seus conselhos. Ao Santo Arnaldo, à quem ditou sua autobiografia, disse o seguinte:
"Eu, Ângela de Foligno, tive que atravessar muitas etapas no caminho da penitência e conversão.
A primeira foi me convencer de como o pecado é grave e danoso.
A segunda foi sentir arrependimento e vergonha por ter ofendido a bondade de Deus.
A terceira me confessar de todos os meus pecados.
A quarta me convencer da grande misericórdia que Deus tem para com os pecadores que desejam ser perdoados.
A quinta adquirir um grande amor e reconhecimento por tudo o que Cristo sofreu por todos nós.
A sexta sentir um profundo amor por Jesus Eucarístico.
A sétima aprender a orar, especialmente rezar com amor e atenção o Pai Nosso.
A oitava procurar e tratar de viver em contínua e afetuosa comunhão com Deus.
Na Santa Missa, ela muitas vezes via Jesus Cristo na Santa Hóstia.
Morreu, em 04 de janeiro 1309, já sexagenária, sendo enterrada na Igreja de São Francisco, em Foligno, Itália.

Oração

"Ó Deus, Pai e Senhor nosso, a experiência de Santa Âgela nos ensina o quanto é agradável a vós a conversão sincera dos corações ao evangelho. Queremos deixar tudo o que em nossa vida é injustiça
e egoísmo, a fim de conhecer-Vos melhor e servir-Vos em nossos irmãos, sobretudo os mais necessitados.
Amém.
Santa Ângela, rogai por nós."

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Santa Genoveva

Santa Genoveva consagrou sua virgindade a Deus desde jovem, e levou vida de penitência e oração até os 89 anos de idade, quando faleceu. É protetora da cidade de Paris, que salvou da invasão dos bárbaros hunos, chefiados por Átila.
A França não deu ao mundo somente Santa Joana D'Arc como exemplo de mulher santa. Presenteou a Humanidade também com Santa Genoveva. Embora não se atirasse à guerra como fez Joana D'Arc, Santa Genoveva fez de sua atividade uma obrigação tão importante quanto a oração e o jejum. Se Joana é invocada como guerreira, Genoveva se faz protetora nas horas de calamidade e perseguição.
Passado um tempo, quando a cidade mergulhava na fome e na escassez, Genoveva exortou a população agrícola a socorrer os moradores urbanos, salvando milhares da morte. Por isso é invocada sempre que a capital francesa passa por calamidades e não tem recusado proteção, segundo seus devotos.
Sua atuação também livrou muitos da cadeia e da perseguição, pois interferia frequentemente junto ao Rei Clóvis, conseguindo anistia aos prisioneiros.
Morreu em torno do ano 502, depois de ter convencido o rei a construir a famosa igreja dedicada a São Pedro e São Paulo.
Durante a revolução francesa a abadia construída sobre seu túmulo, e que abrigava suas relíquias, foi saqueada pelos jacobinos, mas seu culto continuou e perdura até hoje na Igreja de Santo Estêvão do Monte.

Oração

Deus, nosso Pai, por intercessão de Santa Genoveva, afastai de nós a peste, a fome, as guerras. Saibamos defender nossa dignidade de cidadãos livres e de filhos de Deus, que nos chamou a viver na paz e na justiça, deixando de lado interesses mesquinhos e individualistas. Dai-nos, Senhor, a coragem e a abnegação de Santa Genoveva que soube praticar o Evangelho, servindo aos irmãos, e que obteve na oração forças para debelar o perigo da opressão e o desespero da fome. Jamais nos falte a vossa proteção e auxílio nas dificuldades pelas quais passamos.