domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ângelus do Papa Bento XVI sobre a Divina Providência

Caros irmãos e irmãs,

Na liturgia de hoje, ecoa umas das palavras mais tocantes da Sagrada Escritura. O Espirito Santo nos doou mediante a escrita do, por assim dizer, “segundo Isaías', o qual para consolar Jerusalém das suas derrotas, assim se exprime: "Pode uma mulher esquecer-se da sua própria criança ao ponto de não comover-se pelo filho das suas entranhas? Mas se até esta se esquecesse, Eu não te esqueceria jamais” (Is 49,15). Este convite à confiança no incondicional amor de Deus vem próximo à pagina, de forma sugestiva, do Evangelho de Mateus, no qual Jesus exorta os seus discípulos a confiar na providencia do Pai celeste, o qual nutre os pássaros do céu e veste os lírios do campo e, além disso, conhece a nossa necessidade (cf. Mt 6,24-34). Mateus se exprime desta forma: “Não vos preocupeis, pois, dizendo: “ O que comeremos? O que beberemos? O que vestiremos? De todas estas coisas vão à procura os pagãos. O vosso Pai celeste, de fato, sabe que haveis necessidade”.

Defronte à situação de tantas pessoas próximas ou distantes que vivem na miséria, este discurso de Jesus poderia parecer pouco realístico, se não evasivo. Na realidade, o Senhor quer nos fazer entender com clareza que não se pode servir a dois senhores: Deus e a riqueza. Quem acredita em Deus, Pai cheio de amor pelos seus filhos, coloca em primeiro lugar a procura pelo Reino, pela Sua vontade. E isto é exatamente o contrário de um ingênuo conformismo. A fé na providencia, de fato, não dispensa a fadigosa luta por uma vida digna, mas liberta da ansiedade pelas coisas e do medo do amanhã. É claro que este ensinamento de Jesus, mesmo permanecendo sempre verdadeiro e válido para todos, é praticado em modos diversos pelas diversas vocações: um frei franciscano poderá segui-lo em maneira mais radical, enquanto que um pai de família deverá dar conta dos próprios deveres em relação a mulher e aos filhos. Em todo caso, entretanto, o cristão se distingue pela absoluta confiança no Pai celeste, como fez Jesus. É justamente a relação com Deus Pai que dá sentido à toda a vida de Cristo, aàs suas palavras, aos seus gestos de salvação, até a sua paixão, morte e ressurreição. Jesus nos demonstrou o que significa viver com os pés bem plantados na terra, atentos às concretas situações do próximo e ao mesmo tempo conservando sempre o coração no céu e mergulhado na misericórdia de Deus.

Caros amigos, à luz da Palavra de Deus deste domingo vos convido a invocar a Virgem maria com o título de Mãe da Divina Providencia. À ela confiamos a nossa vida, o caminho da Igreja, os acontecimentos da historia. Em particular, invocamos a sua intercessão a fim que todos aprendamos a viver segundo um estilo mais simples e sóbrio, na cotidiana atividade e no respeito para com a criação que Deus confiou aos nossos cuidados.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Santa Paula Montal Fornés


Na vila de Arenys de Mar, perto de Barcelona, Espanha, nasceu Paula Montal Fornés no dia 11 de outubro de 1799, e no mesmo dia recebeu o batismo.
Paula passou a infância e a juventude em sua cidade natal, trabalhando desde os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. O seu lazer era a vida espiritual da sua paróquia, onde se destacou por sua devoção à Virgem Maria.
Assim, Paula Montal com o seu apostolado totalmente voltado à formação feminina, se tornou a fundadora de uma família religiosa, inspirada no lema de São José de Calazans: "piedade e letras". Sempre fiel a sua devoção à Virgem Maria, deu o nome para a sua Congregação de Filhas de Maria. A estas religiosas transmitiu seu ideal de: "Salvar a família, educar as meninas no santo temor de Deus". E continuou se dedicando à promoção da mulher e da família.
Paula Montal deu a prova final de autenticidade, da coragem e da ternura do seu espírito modelado por Deus, em 1959. Neste ano, no pequeno e pobre povoado de Olesa de Montserrat, fundou sua última obra pessoal: um colégio ao lado do mosteiro da Virgem de Montserrat.
Neste local ficou durante trinta anos escondida, praticando seu apostolado. Morreu aos 26 de fevereiro de 1889 e foi sepultada na capela da Igreja da Matriz de Olesa Montserrat, Barcelona, Espanha.
Solenemente foi beatificada em 1993, pelo Papa João Paulo II que posteriormente a canonizou em Roma, no ano de 2001.

Fonte: Derradeira das Graças

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

" Filho: Ama-me, assim como tu és"


“Eu conheço a tua miséria, as lutas, as aflições de tua alma, as fraquezas do teu corpo. Conheço também tua covardia, teus pecados e, apesar disso, Eu te digo: Dá-me o teu coração. Amo-te assim como tu és!”
Se esperas tornar-te um anjo para então te entregares ao amor, nunca me amarás. Mesmo se fores covarde no cumprimento de tuas obrigações e no exercício das virtudes, mesmo se caíres freqüentes vezes naqueles pecados que não desejas mais cometer, Eu não permito que não Me ames!Ama-Me assim como tu és!
Em cada momento e em qualquer situação, em que te encontrares, na consolação ou na aridez, na fidelidade ou infidelidade: “ Ama-Me assim como tu és” Eu quero o amor do teu pobre coração; pois se esperas até que seja perfeito, tu nunca me amarás!
Não poderia Eu criar de cada grão de areia um serafim, radiante de pureza, de nobreza e de amor? Não sou Eu o todo poderoso? E se eu quis deixar aqueles seres maravilhosos no céu, para preferir o teu amor tão fraco e miserável – não sou Eu o Senhor do Meu amor?
Meu filho, deixa que Eu te ame. Eu quero o teu coração. Podes estar certo, Eu te transformarei com o tempo, mas agora Eu te amo assim como tu és e Eu quero que também tu Me ames assim como tu és. Eu quero ver o teu amor brotar do abismo da tua miséria.
Eu amo em ti também as tuas fraquezas, pois amo o amor dos pobres e dos miseráveis. Eu quero que dum coração cheio de misérias, como o teu, suba a incessante prece: “ JESUS, eu te amo!”
Eu não preciso da tua sabedoria e dos teus talentos. Uma só coisa é importante para Mim: “ Ver-te lutar e agir com amor!”
Não são as tuas virtudes que Eu desejo. Se tivesse que dar-te tais virtudes a ti, que és tão fraco, isto só nutriria o teu amor próprio. Porém não te preocupes com isso. Eu poderia operar grandes coisas em ti, mas não, tu serás o sevo inútil, e Eu tirarei de ti até mesmo o pouco que tens, porque Eu te criei só para o amor.
Hoje me apresento qual mendigo na porta do teu coração- Eu o Reis dos Reis! Eu bato e espero! Apressa-te e abre-te para Mim! Não te desculpes com a tua miséria. Se conhecesse a plenitude da tua miséria, morreria de dor.
O que Me faria o coração seria ver que duvidas de Mim e deixes de confiar em Mim. Eu quero, que pratiques mesmo o mais insignificante ato só por amor a Mim. Eu conto contigo e espero que Me proporciones muita alegria.
Não te preocupes se tu não possuis nenhuma virtude – Eu te darei as minhas. Quando tiver que sofrer, Eu te darei forças. Se Me deres o teu amor, dar-te-ei mais do que possas imaginar para que entendas o amor. Mas não esqueças: “ Ama-Me como tu és!”
Eu te dei a Minha Mãe. Deixa tudo, sim tudo, para depositá-lo em Seu coração imaculado! Em todo caso não esperes até te tornares santo para então te entregares ao amor; tu nunca Me amarias. – E agora, coragem!”.
Fonte: “ Ecc Mater Tua” Nr. 268, de Mons. Lebrun, Traduzido do Italiano.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quaresma 2011 "Com o jejum aprendemos a superar o egoísmo", enfatiza o Papa

«Sepultados com Ele no batismo, foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).

1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Batismo, quando, «tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Batismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O fato que na maioria dos casos o Batismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém é merecedor da vida eterna pelas próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.

O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 10-11). O Batismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do batizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.

Um vínculo particular liga o Batismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos batismais próprios da liturgia quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De fato, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Batismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: realmente eles vivem o Batismo como um ato decisivo para toda a sua existência.

2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é batizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.

O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É um claro chamado a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Hb 6, 12), no qual o diabo é ativo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.

O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de Deus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida cotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.

O pedido de Jesus à samaritana - «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7) - que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.

O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».

Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês nisto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas batismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à ação da Graça para sermos seus discípulos.

3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Batismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).

No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é um chamado à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.

Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Batismo. A oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de fato, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.

Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Batismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas ações. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.

Vaticano, 4 de Novembro de 2010







domingo, 20 de fevereiro de 2011

Evangelizar é facilitar relação pessoal com Cristo

O segredo para a verdadeira realização humana é uma relação genuína e pessoal com Cristo, afirmou o Papa Bento XVI nesta sexta-feira, diante de um grupo de bispo.

"Quando a liberdade e a autossuficiência se desprendem de sua dependência e realização em Deus - disse o Papa -, a pessoa humana cria para si mesma um falso destino e perde de vista a alegria eterna para a qual foi criada."
"O caminho de redescoberta do verdadeiro destino da humanidade só pode ser encontrado no restabelecimento da primazia de Deus nos corações e mentes de cada pessoa."
"Vossa grande tarefa de evangelização é, portanto, propor uma relação pessoal com Cristo como a chave para a realização plena", disse aos bispos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Por que rezar?

Quando não falamos com alguém, perdemos a intimidade

Muitos podem se perguntar por que devem rezar. Eu sempre digo: a oração não muda nada em Deus. Ele é Imenso, Todo-Poderoso, Todo-Misericordioso, continua sempre o mesmo. Mas nós, à medida que rezamos, sentimos tudo se transformar em nossa vida. Desde o mais íntimo do coração, a mudança se faz. Uma pessoa que ora, transforma a si, aos outros e o ambiente onde está cumprindo sua missão. Mas a vida de oração não é nada fácil. Estão aí os grandes mestres de todos os tempos em nossa Igreja para nos ajudar.

Muitas vezes, as “noites escuras” de São João da Cruz se fazem presentes. Quem é que nunca passou por um deserto espiritual? Quem é que nunca se sentiu árido na vida de oração? Tudo isso faz parte da caminhada. O importante é perseverar e saber esperar. Santo Ignácio de Loyola fala de tempos de desolação. Mas temos também os tempos de consolação, afirma o mesmo santo [Ignácio]. Estes nos servem como reservatórios de céu... São aqueles momentos marcantes, nos quais a presença de Deus foi "sensível", foi irrefutável... Esses momentos ficam na memória do coração e nos reabastece por uma vida! Com Deus, devemos conversar como com um amigo! Aliás, para mantermos uma amizade, o diálogo contínuo se faz necessário.

Quando deixamos de falar com alguém, deixamos o espaço de tempo sem encontro ser muito grande, perdemos a intimidade, perdemos o brilho da amizade. Da mesma forma, com o Senhor, temos que renovar nossa amizade e o carinho por Ele e pelos que são d'Ele todos os dias. O encontro diário deve ser agradável. Devemos "marcar encontros" efetivos e afetivos com Nosso Senhor e Amigo. Efetivos no sentido de cumprirmos verdadeiramente o horário e o lugar e, de preferência, sempre os mesmos.

Crie o seu tempo e espaço de oração. E afetivos, porque devem ser marcados pelo amor, acima de tudo, encontros de louvor e ação de graças. Essa experiência nos faz experimentar o céu, e mesmo quando as nuvens parecerem encobrir o brilho do Sol, no coração uma certeza permanecerá: o Sol sempre estará lá, com seu intenso brilho! A vida de oração nos faz perceber que onde parece não haver caminho para nós, Deus faz um. Quantos são os testemunhos neste sentido? "Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo" (1Ts 5,17-18).

Que Maria, Mulher do silêncio e Mestra de nossa vida espiritual, seja nossa companheira e guia!

Pe. Rinaldo Roberto de Rezende

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ser santo é deixar-se amar por Deus

O caminho para a união mística com Deus não consiste tanto em "fazer", mas em "deixar-se fazer". Esta é a grande lição de São João da Cruz, cuja obra é um dos cumes da mística cristã de todos os tempos.
O Papa Bento XVI dedicou sua catequese de hoje, na audiência geral realizada na Sala Paulo VI, a este santo espanhol, em sua série dedicada aos doutores da Igreja.
Depois de falar sobre Santa Teresa de Jesus (2 de fevereiro) e São Pedro Canísio (9 de fevereiro), o Papa dedicou a sua intervenção de hoje a São João da Cruz, conhecido como "Doutor místico" e autor de obras místicas universais como "Subida ao Monte Carmelo", "Noite escura da alma", "Cântico Espiritual" e "Chama viva de amor".
No entanto, a vida de São João da Cruz, afirmou o Papa, "não era um ‘voar pelas nuvens místicas'; foi uma vida dura, muito prática e concreta, tanto como reformador da ordem, onde encontrou muitas oposições, quanto como superior provincial, ou na prisão dos seus irmãos na religião, onde foi exposto a insultos incríveis e agressões físicas".
"Foi uma vida dura, mas precisamente nos últimos meses na prisão, ele escreveu uma de suas obras mais belas", explicou.
O caminho com Cristo, prosseguiu o Papa, "não é um peso adicional à carga já bastante difícil da nossa vida; não é algo que tornaria ainda mais pesado este fardo, e sim algo completamente diferente, é uma luz, uma força que nos ajuda a carregar esse peso".
"Se um homem tem em si um grande amor, este amor quase lhe dá asas, e então suporta mais facilmente todos os aborrecimentos da vida, porque carrega dentro de si esta grande luz; esta é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus."
"Esse deixar-se amar é a luz que nos ajuda a carregar o peso de cada dia. E a santidade não é obra nossa, muito difícil, mas é precisamente esta ‘abertura': abrir as janelas da nossa alma para que a luz de Deus possa entrar", sublinhou o Papa.
A cruz de São João
Este santo espanhol, contemporâneo e amigo espiritual de Santa Teresa de Jesus, colaborou com ela na reforma da Ordem do Carmelo, sofrendo por isso grandes privações e penalidades.
O Papa percorreu brevemente sua biografia, desde sua infância pobre e difícil até seu ingresso no Carmelo, sua ordenação sacerdotal e seu encontro com Teresa de Ávila, que transformaria o curso da sua vida.
"O jovem padre ficou fascinado pelas ideias de Teresa, chegando a se tornar um grande apoio para o projeto" de reforma do Carmelo, afirmou.
No entanto, "a adesão à reforma carmelita não foi fácil e custou a João inclusive graves sofrimentos. O episódio mais dramático foi, em 1577, sua captura e reclusão no convento dos Carmelitas da Antiga Observância de Toledo, devido a uma acusação injusta".
Depois de seis meses de prisão em duras condições, e de conseguir fugir repentinamente, São João foi destinado aos conventos de Andaluzia. Lá, em Úbeda (Jaén), faleceu dez anos mais tarde.
De suas quatro grandes obras místicas, o Papa destacou os ensinamentos do santo sobre o caminho de purificação que a alma deve percorrer até sua união mística com Deus.
Esta purificação "é proposta como um caminho que o homem empreende, em colaboração com a ação divina, para libertar a alma de todo apego ou afeto contrário à vontade de Deus".
"De acordo com João da Cruz, tudo o que existe, criado por Deus, é bom. Através das criaturas, podemos chegar à descoberta d'Aquele que deixou nelas seu selo", explicou.
No entanto, qualquer coisa criada "não é nada comparada com Deus e nada vale fora d'Ele; por conseguinte, para alcançar o amor perfeito de Deus, qualquer outro amor deve ser conformado, em Cristo, ao amor divino".
Por isso, esta "purificação, sublinhou Bento XVI, "não é mera ausência física de coisas ou de sua utilização; o que torna a alma pura e livre, na verdade, é eliminar toda a dependência desordenada das coisas. Tudo deve ser colocado em Deus como centro e fim da vida".
Neste sentido, acrescentou o Papa, este processo de purificação "exige esforço pessoal, mas o verdadeiro protagonista é Deus: tudo que o homem pode fazer é "dispor-se" para estar aberto à ação divina e não colocar obstáculos a ela".
O esforço humano, prosseguiu, "por si só é incapaz de chegar às raízes profundas das más inclinações e maus costumes da pessoa: pode freá-las, mas não desenraizá-las totalmente.".
"Para fazê-lo, é necessária a ação especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe para a união de amor com Ele", afirmou o Pontífice. "Neste estado, a alma está sujeita a todo tipo de provas, como se estivesse em uma noite escura."
"Quando se alcança este objetivo, a alma mergulha na própria vida trinitária, de forma que São João diz que esta chega a amar a Deus com o mesmo amor com que Ele ama, porque a ama no Espírito Santo."

Fonte:Papa dedica catequese de hoje a São João da Cruz, quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Amar Jesus para poder amar o próximo, segundo Papa


É necessário estabelecer uma profunda amizade com Jesus para poder servir os outros.
Isto é o que disse o Papa no sábado passado aos participantes da Assembleia Geral da Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeu, que nasceu há 25 anos do movimento Comunhão e Libertação.
Esta obra conta com 25 casas em 16 países em todo o mundo, 104 sacerdotes e 40 seminaristas, empenhados primariamente na missão paroquial e no ensino, com o testemunho - disse o Papa - da "fecundidade" do carisma de Dom Luigi Giussani.
E propriamente da "sabedoria cristã" de Dom Giussani, e do "seu amor a Cristo e aos homens, unidos indestrutivelmente", surgiu a Fraternidade Sacerdotal, disse seu fundador e superior geral, Massimo Camisasca, em um breve discurso de saudação ao Papa.
Em particular, explicou que "a experiência da comunhão, da qual Dom Giussani foi um professor, levou-nos, desde o início, a escolher a vida em comum e, portanto, a casa como um lugar de irradiação da fé".
Em seu discurso, Bento XVI afirmou, antes de tudo, que "o sacerdócio cristão não é um fim em si mesmo". E frisou esta ideia dizendo que "foi querido por Jesus em função do nascimento e da vida da Igreja".
"A glória e a alegria do sacerdócio consistem em servir a Cristo e seu Corpo Místico", disse o Pontífice.
O Papa sublinhou a importância da oração vivida como "um diálogo com o Senhor ressuscitado" e "o valor da vida em comum", não apenas em resposta às necessidades atuais, como a falta de padres, mas como "expressão do dom de Cristo que é a Igreja, (...) prefigurada na comunidade apostólica, que deu lugar aos presbíteros".
Viver com os outros, observou, "aceitar a necessidade de conversão própria e contínua e, especialmente, descobrir a beleza deste caminho, a alegria da humildade, da penitência, e também da conversa, do perdão mútuo, do apoio de uns aos outros".
Além de que a "vida em comum sem a oração" não é possível, também é verdade que é "imprescindível estar com Jesus para poder estar com os outros".
"Este é o coração da missão. Em companhia de Cristo e dos irmãos, qualquer sacerdote pode encontrar a energia necessária para servir os homens, para atender as necessidades espirituais e materiais com que se encontra, para ensinar com palavras sempre novas, que vêm do amor, as verdades eternas da fé, das quais nossos contemporâneos também têm sede - concluiu."
Fonte: Zenit

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Amor: caminho e lei do cristão, explica Papa



Ao comentar o Sermão da Montanha
Para Bento XVI, o amor é a palavra que resume a lei e o caminho do cristão.
Esta foi sua mensagem de hoje, ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Comentando a passagem evangélica deste domingo, sobre o Sermão da Montanha, o Pontífice recorda como Jesus explica a nova Lei que vem trazer ao mundo: "Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir".
"Mas em que consiste esta ‘plenitude' da Lei de Cristo e esta justiça ‘superior' que Ele exige?", perguntou-se o Papa.
"A novidade de Jesus consiste - respondeu -, essencialmente, no fato de que Ele mesmo ‘preenche' os mandamentos com o amor de Deus, com a força do Espírito Santo que habita n'Ele. E nós, pela fé em Cristo, podemos nos abrir à ação do Espírito Santo, que nos torna capazes de experimentar o amor divino."
"Por esta razão, todo preceito se torna verdadeiro como exigência de amor, e todos se reúnem em um mandamento único: ama a Deus com todo o coração e ama o teu próximo como a ti mesmo."
"O amor é a plenitude da lei", afirmou o Bispo de Roma, citando São Paulo (Romanos 13, 10).
"Diante desta exigência, por exemplo, o triste caso das quatro crianças ciganas que morreram na semana passada nos arredores desta cidade, em sua barraca queimada, exige que nos perguntemos se uma sociedade mais solidária e fraterna, mais coerente no amor, ou seja, mais cristã, não teria podido evitar essa tragédia", refletiu.
"E essa pergunta é válida para muitos outros eventos dolorosos, mais ou menos conhecidos, que ocorrem diariamente em nossas cidades e nossos países."
O Santo Padre concluiu explicando que "Jesus é o Filho de Deus que desceu do céu para nos levar ao céu, à altura de Deus, pelo caminho do amor. E mais ainda, Ele próprio é este caminho: tudo o que temos a fazer é segui-lo para viver a vontade de Deus e entrar no seu Reino, na vida eterna".

Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo, 13 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Oração do Amigo

Eu Te peço, Senhor, nesta singela oração, que eu seja fiel aos meus amigos. São poucos e impossível seria que fossem muitos. São poucos, mas são preciosos. Eu Te peço, Senhor, que eu não padeça do mal da inveja que traz consigo outros desvios, como a fofoca. A terrível fofoca que humilha, maltrata, faz sofrer. Eu Te peço, Senhor, que o sucesso do outro me impulsione a construir o meu caminho e que jamais eu tenha a ânsia de querer atrapalhar a subida de meu amigo. Eu Te peço, Senhor, que eu seja leal. Que eu saiba ouvir sempre e saiba quando é necessário falar.

Senhor, eu sei que a regra de ouro da amizade consiste em não fazer ao amigo aquilo que eu não gostaria que ele fizesse a mim. E eu Te peço que eu seja fiel a essa intenção. Que eu tenha poucos amigos, mas amigos que permaneçam para sempre. Não poderia ter muitos; não teria tempo para cuidar de todos, e de amigo a gente cuida, acolhe, ama.

Senhor, proteja os meus amigos. Que nessa linda jornada consigamos conviver em harmonia. Que nesse lindo espetáculo possamos subir juntos ao palco. Sem protagonista. Ou melhor, que todos sejam protagonistas e que todos percebam a importância de estar ali. No palco. Na vida.

Obrigado Senhor, por esse presente precioso que colocou em minha vida, a amizade dessa pessoa linda e abençoada que está lendo essa mensagem.
Obrigado, Senhor, pelo dom de viver e conviver. Obrigado, Senhor, pelo dom de sentir e manifestar o meu sentimento. Obrigado, Senhor, pela capacidade de amar, que é abundante e sem fim. Amém

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Só na Igreja Bíblia pode-se compreender plenamente, diz D. Ladaria

Secretário da Doutrina da Fé participa do congresso de Madri sobre a Bíblia

A Bíblia cristã surgiu na Igreja e só na Igreja pode ser plenamente compreendida, disse hoje o secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer.
O prelado interveio no congresso "A Sagrada Escritura na Igreja", que acontece até 9 de fevereiro, no Palácio de Congressos de Madri, com uma conferência focada na "Sagrada Escritura e Magistério da Igreja".


"A relação entre a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja é certamente complexa", reconheceu o prelado jesuíta.
"Por um lado, a primazia da Palavra de Deus deve sempre ser claramente afirmada. Por outro, é preciso afirmar também que a Escritura não pode jamais ser separada da vida da Igreja, que lhe deu origem e que, assistida pelo Espírito Santo, determinou, com decisões solenes, baseadas em uma longa tradição, que livros deveriam ser considerados inspirados pelo Espírito Santo e que entrariam, portanto, no cânon das Escrituras."


"A Igreja é o único âmbito apropriado para a interpretação da Escritura como palavra atual de Deus, porque é o âmbito privilegiado da ação do Espírito."
Neste âmbito, Dom Ladaria colocou a função própria do Magistério, "que, à escuta da Palavra, extrai o que propor a todos os fiéis como verdade revelada".


"Não podemos falar de Escritura sem a Tradição viva da Igreja, que a propõe a nós como tal, e sem o Magistério, que, com sua autoridade, determinou seus limites precisos e julga sobre sua interpretação", indica o representante do Vaticano, quem mostrou como o cânon dos livros revelados já havia sido apresentado no século IV por Santo Atanásio (ano 367) e que chegou ao seu estabelecimento nos concílios de Florença e de Trento.
"Por outro lado, a tradição da Igreja e seu Magistério vivo nos indicam a primazia da Sagrada Escritura, Palavra de Deus em um sentido totalmente singular, como aparece sobretudo na liturgia da Igreja", continuou explicando o prelado.


O princípio "lex orandi, lex credendi", "a lei da oração é a lei da fé", concluiu o prelado, "aplica-se também aqui e nos mostra o lugar privilegiado que a Escritura tem na vida da Igreja e que, por conseguinte, deve ter na vida de todo fiel cristão".
Todas as conferências que já foram pronunciadas no congresso "A Sagrada Escritura na Igreja" estão disponíveis em www.sagradabibliacee.com, onde também são transmitidas online.
Fonte : MADRI, terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eliminar Deus da educação destrói círculo do saber


Papa recebe participantes da plenária do dicastério para a Educação Católica.
O Papa Bento XVI sublinhou hoje a importância da presença de Deus no contexto da educação, ao receber em audiência os participantes da Plenária da Congregação para a Educação Católica.
"O Beato John Henry Newman falava do ‘círculo do saber' para indicar que existe uma interdependência entre os diversos ramos do conhecimento", explicou, citando o cardeal inglês que foi recentemente beatificado, durante sua viagem à Grã-Bretanha, em setembro passado.


"Mas Deus e só Ele está relacionado com a totalidade do real e, consequentemente, eliminar Deus significa romper o círculo do saber."
Para Bento XVI, a educação e a formação são "um dos desafios mais urgentes que a Igreja e suas instituições estão chamadas a enfrentar".
"A tarefa educativa parece ter-se tornado cada vez mais árdua, porque, em uma cultura que muitas vezes faz do relativismo seu credo, falta a luz da verdade; em contraste, é considerado perigoso falar da verdade, infiltrando-se, assim, a dúvida sobre os valores básicos da existência pessoal e comunitária", reconheceu.
Por isso, "é importante o serviço que levam a cabo no mundo inteiro as numerosas instituições de ensino que se inspiram na visão cristã do homem e da realidade".
"Educar é um ato de amor, exercício da ‘caridade intelectual', que exige responsabilidade, dedicação, coerência de vida."
Portanto, disse ele, tanto as universidades como as escolas católicas, "com sua identidade específica e abertura à ‘totalidade' do ser humano, podem realizar um trabalho valioso para promover a unidade do saber, orientando estudantes e professores à Luz do mundo, à ‘luz verdadeira que ilumina todo homem'".
O Papa exortou os presentes à "coragem de proclamar o valor ‘amplo' da educação, para formar pessoas sólidas, capazes de colaborar com os outros e de dar sentido à própria vida", e a uma "fidelidade valente e inovadora, que saiba conjugar a consciência clara da própria identidade com a abertura à alteridade, pelas exigências do viver juntos nas sociedades multiculturais".
O Pontífice também falou sobre o ensino da religião, que, segundo ele, "contribui amplamente não só para o desenvolvimento integral do aluno, mas também para o conhecimento dos outros, para a compreensão e o respeito mútuos".

Fonte:CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Viver para os demais

O Senhor quer – assim o mostrou com o exemplo de sua vida – que nós, os cristãos, pensemos naqueles que nos rodeiam e sirvamos à sociedade. Aí está também o segredo da felicidade cristã.

Durante a Jornada Mundial da Juventude de 2010, o Papa Bento XVI considerou a herança recebida das gerações passadas, e animou aos que o escutavam a construir, com sua vida cristã firme, uma sociedade e um mundo um pouco mais humanos .

Cada geração deve pensar que deixará à sociedade, às pessoas que hão de vir, o que fazer – e como - para que encontrem amanhã um mundo melhor. “A fé nos ensina que em Cristo Jesus, Verbo encarnado, conseguimos compreender a grandeza de nossa própria humanidade, o mistério de nossa vida na terra e o sublime destino que nos aguarda no céu (cfr. Gaudium et Spes, n. 24). A fé nos ensina também que somos criaturas de Deus, feitas à sua imagem e semelhança, dotadas de uma dignidade inviolável e chamadas à vida eterna”[2]. A mensagem cristã permite reconhecer a verdadeira dignidade do homem e proporciona os meios para agir de acordo com a verdade.

A sociedade necessita do espírito evangelizador da Igreja, que nos transmite, sempre atuais, os ensinamentos de Jesus Cristo; e o Senhor quer – assim o demonstrou com o exemplo de sua vida – que nós os cristãos pensemos naqueles que nos rodeiam, e sirvamos à sociedade. Aí está também o segredo da felicidade cristã: fazer-se portador da mensagem de Jesus Cristo.

A IMPORTÂNCIA DE CADA PESSOA

A caridade adquire seu pleno sentido quando nos pomos a serviço dos demais; quando reconhecemos que a vocação cristã consiste em ser um dom para os outros, de modo que muitos encontrem a Cristo.

É o exemplo que o próprio Cristo nos deixou, e do qual nos falam aqueles que testemunharam sua passagem pela terra: alegra-se com as alegrias de seus amigos [7], e sofre diante de suas dores [8]. Sempre encontrou tempo para estar com os demais: superou o cansaço para falar com a samaritana [9]; deteve-se junto à hemorroíssa, quando o esperavam na casa de Jairo [10]; e na dor da Cruz, estabelece com o bom ladrão um diálogo que abre as portas do Céu [11]. Além disso, seu carinho foi concreto: vemo-lo preocupado com o alimento daqueles que o rodeiam, e pondo os meios para satisfazer a essa necessidade material [12]; interessa-se pelo descanso dos discípulos, e leva-os para um lugar retirado para desfrutarem de sua companhia [13]. Os exemplos poderiam multiplicar-se, mas, no fundo, todos nos indicam a categoria que Deus dá a cada pessoa.

Nisto se manifesta a amizade: em considerar os demais em primeiro lugar, em dedicar-lhes tempo, isto é, trato pessoal. Esta foi a chave que nos deu nosso Padre para mostrar Cristo, e Jesus no-lo ensinou com sua vida: sempre teve tempo para dedicar-se a cada um, a fim de deter-se para todos. A caridade adquire seu verdadeiro sentido quando a vida do outro se converte na prioridade da minha vida. As pessoas que se aproximam de um autêntico cristão devem descobrir o amor pessoal de Deus, ao sentir como se os trata, como se os valoriza, como se os escuta, como são consideradas suas virtudes, como se os faz participantes desta aventura sobrenatural.

Como ajudar às almas nessa direção espiritual que, talvez sem esse nome, se dá no apostolado? Medita: os instrumentos mais fortes e eficazes, se os tratamos mal, ficam amassados, desgastam-se e se inutilizam [14]. Em termos positivos, trata-se de fazer ver a cada pessoa os talentos que recebeu de Deus, e alguns modos de pô-los a serviço de quem a rodeia; estimulam-se sua iniciativa, como fez Jesus com os apóstolos, formando-os, um a um, buscando que todos dêem o melhor de si; tomamos conhecimento de sua situação, de seus imperativos familiares e laborais, situando-nos em seu lugar; compartilhamos os projetos, os desafios da sociedade de hoje, a missão da Igreja e da Obra, em um mundo que clama por sal e luz, ainda que sem o saber.

E tudo isso, temperado com o sal da caridade. A caridade é paciente, a caridade é bondosa; não é invejosa, não é orgulhosa, não é arrogante, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta [15]. A caridade está disposta a buscar o bem de todos, por isso requer um coração grande, generoso, que aprenda a superar os próprios defeitos e os alheios, os enfados, o mau humor, as contestações desagradáveis. É paciente, com fortaleza de espírito: sabe esperar, não humilha, suporta qualquer coisa por amor. Não murmura nem se alegra com a dor ou as contrariedades dos outros, não deseja sobressair. Tem sempre disponível uma palavra amável de compreensão e serenidade.

Fonte : Opus Dei

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cristãos estão chamados a dar sabor ao mundo, diz Papa


Pede difusão da “verdadeira sabedoria” de Deus


O Papa Bento XVI afirma que os cristãos estão chamados a dar novo “sabor” ao mundo e a “preservá-lo da corrupção", por meio da "sabedoria de Deus”.
O pontífice falou da janela de seu apartamento, ao introduzir a oração do Angelus com os peregrinos reunidos na praça de São Pedro neste domingo. Ele meditou sobre o Evangelho do dia, em que Cristo define seus discípulos como sal da terra e luz do mundo.
O sal, na cultura do Oriente Médio – explicou o Papa – “evoca diversos valores como a aliança, a solidariedade, a vida e a sabedoria”, enquanto que a luz “é a primeira obra de Deus Criador e é fonte da vida”.
Mediante estas imagens cheias de significado, Jesus quer transmitir aos discípulos “o sentido de sua missão e de seu testemunho”.
“A sabedoria resume em si os efeitos benéficos do sal e da luz: de fato, os discípulos do Senhor são chamados a dar novo ‘sabor’ ao mundo, e a preservá-lo da corrupção, com a sabedoria de Deus, que resplandece plenamente sobre o rosto do Filho.”
Unidos a Ele – concluiu – os cristãos “podem difundir em meio às trevas da indiferença e do egoísmo a luz do amor de Deus, verdadeira sabedoria que dá significado à existência e à atuação dos homens”.
Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo, 6 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Oração Da Família

Senhor, nós vos louvamos pela nossa família e agradecemos a vossa presença em nosso lar.
Iluminai-nos para que sejamos capazes de assumir nosso compromisso de fé na Igreja e de participar da vida de nossa comunidade.
Ensinai-nos a viver a vossa palavra e o Vosso mandamento de Amor, a exemplo da FAMÍLIA DE NAZARÉ.
Concedei-nos a capacidade de compreendermos nossas diferenças de idade, de sexo, de caráter, para nos ajudarmos mutuamente, perdoarmos nossos erros e vivermos em harmonia.
Dai-nos, Senhor, saúde, trabalho e um lar onde possamos viver felizes.
Ensinai-nos a partilhar o que temos com os mais necessitados e empobrecidos, e dai-nos a graça de aceitar com fé e serenidade a doença e a morte quando se aproximem de nossa família.
Ajudai-nos a respeitar e incentivar a vocação de nossos filhos quando quiserdes chamar a Vosso serviço.
Que em nossa família reine a confiança, a fidelidade, o respeito mútuo, para que o amor se fortifique e nos una cada vez mais.
Permanecei em nossa família, Senhor, e abençoai nosso lar hoje e sempre. Amém!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

São Brás, bispo e Mártir.


São Brás nasceu na Armênia, Foi médico e depois bispo de Sebaste, onde sofreu o martírio por não sacrificar aos deuses pagãos. É invocado especialmente contra as doenças da garganta, porque certa vez salvou, conforme narram as Atas de sua vida, um menino que estava para morrer por ter engolido uma espinha de peixe.
São Brás é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao logo de séculos, e até hoje, mães aflitas recorrem à sua intercessão quando um filho se engasga ou apresenta problemas de garganta. A bênção de São Brás, procurada principalmente por quem tem problemas nesta parte do corpo, onde é ministrada nesta data em muitas igrejas do mundo cristão.
Muitas tradições envolvem seus prodígios, graças e seu suplício. Segundo elas, fama de sua santidade rodou o mundo ainda enquanto vivia e sua morte foi impressionante. O bispo Brás teria sido terrivelmente flagelado e torturado, sendo por fim pendurado em um andaime para morrer. Como isso não acontecia primeiro lhe descarnaram os ossos com pentes de ferro. Depois tentaram afogá-lo duas vezes e, frustrados, o degolaram para ter certeza de sua morte.
O corpo do santo mártir ficou guardado na sua catedral de Sebaste da Armênia, mas no ano 732 uma parte de suas relíquias foram embarcadas por alguns cristãos armênios que seguiam para Roma.

Oração de São Brás

Ó bem-aventurado são Brás, que recebestes de Deus o poder de proteger os homens contra as doenças da garganta e outros males, afastai de mim a doença que me aflige, conservai a minha garganta sã e perfeita para que eu possa falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus.
Amém.

Fonte: Derradeiras Graças

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vocações são fruto da evangelização, afirma Papa

“É necessário cuidar da vida espiritual dos jovens”
Uma ação missionária mais incisiva traz como fruto precioso, junto ao fortalecimento da vida cristã em geral, o aumento das vocações de especial consagração.
Isso é o que afirma o Papa Bento XVI em sua mensagem ao Congresso Continental Latino-Americano sobre Vocações, promovido pelo CELAM, que se realiza em Cartago (Costa Rica) desde ontem até o dia 5 de fevereiro.

No texto, e em relação com a mensagem conclusiva da Assembleia de Aparecida, o Papa afirma que "a abundância de vocações é um sinal eloquente de vitalidade eclesial, assim como da forte vivência da fé por parte de todos os membros do Povo de Deus".
A Igreja, explica o Papa, "no mais íntimo do seu ser, tem uma dimensão vocacional". Portanto, "a vida cristã participa também dessa mesma dimensão vocacional que caracteriza a Igreja".
"Na alma de cada cristão, ressoa sempre novamente aquele ‘segue-me' de Jesus aos apóstolos, que transformou para sempre suas vidas", sublinha.

Por outro lado, recordando o convite à grande missão continental, lançado na Assembleia de Aparecida, acrescenta que esta tarefa "requer um número cada vez maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus e se entreguem completamente à causa do Evangelho".

Vida espiritual

Dentro dos fatores que levam ao despertar de uma vocação, o Papa indica especialmente o cuidado da vida espiritual, precisamente porque "a vocação não é fruto de nenhum projeto humano ou de uma hábil estratégia administrativa".
Pelo contrário, trata-se de "uma iniciativa misteriosa e inefável do Senhor, que entra na vida de uma pessoa cativando-a com a beleza do seu amor e suscitando, por conseguinte, uma entrega total e definitiva a esse amor divino".

Por isso, o Papa recorda aos bispos latino-americanos que "é preciso ter sempre presente a primazia da vida do espírito como base de toda programação pastoral".
"É necessário oferecer às jovens gerações a possibilidade de abrir seus corações a uma realidade maior: Cristo, o único que pode dar sentido e plenitude às suas vidas."
"O testemunho fiel e alegre da própria vocação foi e é um meio privilegiado para despertar em tantos jovens o desejo de seguir os passos de Cristo. E, junto a isso, a valentia de propor-lhes com delicadeza e respeito a possibilidade de que Deus também pode chamá-los."

Além disso, acrescenta, a pastoral vocacional "deve estar plenamente inserida no conjunto da pastoral geral, com uma presença capilar em todos os âmbitos pastorais concretos".
"A experiência nos ensina que, onde há uma boa planificação e uma prática constante da pastoral vocacional, não faltam vocações. Deus é generoso, e igualmente generoso deveria ser o empenho pastoral vocacional em todas as igrejas particulares", conclui.

Fonte: CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 1º de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quer ser feliz por um instante, vinga-te; quer ser feliz para sempre, perdoa

ORAÇÃO DE PERDÃO

Senhor Jesus, peço-Vos hoje a graça de perdoar a todas a pessoas que me ofenderam ao longo da minha vida. Conto com a Vossa ajuda, Senhor, eu sei que me dareis a força para perdoar. Abandono Vos perdoo pelas vezes em que a morte, a enfermidade e as dificuldades financeiras se abateram sobre a minha família, e por aquilo que me pareceu um castigo e que, segundo diziam, era a vontade de Deus. Tornei-me amargo e rebelde. Purificai hoje o meu coração e a minha mente, Senhor Jesus.

Senhor, perdoo a mim próprio por ter mergulhado em práticas supersticiosas (tábuas de comunicação com espíritos, ler horóscopos, sessões espíritas, consultar cartomantes, ler as mãos e usar amuletos). Rejeito todas essas superstições e aceito-Vos como meu Senhor e Salvador. Comunicai-me o Vosso Espírito Santo. Senhor, perdoo à minha mãe pelas vezes que me magoou, ficou ressentida e zangada comigo, me puniu, preferiu os meus irmãos e irmãs a mim, me chamou tolo, feio, estúpido, o pior dos seus filhos. Eu lhe perdoo por ter dito que eu dava muita despesa, era malquisto, um acidente, um erro, que não era o que ela esperava.

Perdoo ao meu pai pela falta de apoio, de amor, de afeição, de atenção e de companhia. Dou-lhe o meu perdão pelas suas brigas, discussões, abandonos, ausências de casa; por se haver divorciado da minha mãe, pelas suas bebedeiras, pelas suas ásperas críticas. Senhor, perdoo aos meus irmãos e irmãs, quando me rejeitaram, me caluniaram, me odiaram, me detestaram, disputaram o amor de meus pais, me agrediram, foram severos demais comigo e tornaram a minha vida desagradável.

Senhor, perdoo à minha esposa ou marido pela falta de amor, de atenção e de comunicação; pelos seus defeitos, debilidades, falhas e outros actos ou palavras que me prejudicaram e perturbaram.
Senhor, perdoo aos meus filhos pelas faltas de respeito, pela desobediência, pelo pouco amor, cordialidade e compreensão. E pelos seus vícios e afastamento da Igreja.
Senhor, perdoo aos meus parentes próximos, aos meus avós, tios, além de outros que têm interferido na minha família, cau¬sando confusão, colocando os meus pais um contra o outro.
Senhor, perdoo aos parentes, especialmente minha sogra, meu sogro, cunhados e cunhadas, além de outros parentes por afinidade que de algum modo me ofenderam.

Senhor, perdoo aos meus colegas de trabalho que são desagradáveis e me tornam a vida insuportável, me sobrecarregam com trabalho que não me compete, falam mal de mim, não cooperam comigo, tentam tirar-me o emprego. Também os meus vizinhos devem ser perdoados, Senhor, pois eles são barulhentos, dão festas à noite, têm cães que ladram muito e não me deixam dormir. Eles importunam-me com as suas brigas e mexericos.

Senhor, perdoo a todos os padres, a todas as freiras, a todos os bispos, à minha paróquia, às paróquias do passado, aos conselhos paroquiais e a todas as conferências da Igreja e à Igreja Católica Romana, por todas as suas mudanças, falta de apoio, mesquinhez, maus sermões, falta de cordialidade; por não me apoiarem como devem, por não me inspirarem, não me utilizarem em posição-chave, não me utilizando no melhor das minhas capacidades e por quaisquer aborrecimentos que hajam infligido a mim ou à minha família, mesmo num passado distante. Perdoo a todos os profissionais que me prejudicaram de algum modo: os médicos, enfermeiras, advogados, juízes, políticos e funcionários públicos. Perdoo a todas os que me prestam serviços: polícias, bombeiros, motoristas de autocarros, assistentes sociais e muito especialmente mecânicos de automóveis e técnicos de TV que me enganaram.

Perdoo ao meu patrão, que não me paga suficientemente, não aprecia o meu trabalho, é descortês e pouco razoável, rezingão, implicativo e, além de lodo, não me promove. Perdoo. Senhor, a todos os professores da escola e a todos os instrutores do passado ou do presente. Também àqueles que me insultaram, me humilharam, zombam de mim, me chamam tolo, c não me deixaram sair depois da aula acabar.

Senhor, perdoo aos amigos que me decepcionaram, perderam o contacto comigo, não se prontificaram quando precisei da sua ajuda, me pediram dinheiro emprestado e não pagaram. Senhor, rezo especialmente pela graça de perdoar àquela pessoa que mais me prejudicou na vida, e rezo em especial para que cu possa perdoar a mim próprio, por haver magoado os meus pais, por ter-me embebedado, por usar drogas, pelos pecados contra a pureza, pelos maus livros e filmes, pela fornicação, pelo adultério, pela homossexualidade, abortos, furtos, mentiras, enganos, fraudes.

Senhor, suplico o perdão de todas essas pessoas pelas mágoas que lhes causei, especialmente à minha mãe, ao meu pai, aos meus filhos e ao meu cônjuge. Agradeço-Vos. Senhor, pelo amor que recebi por meio deles. Amém.

Se agora te sentes melhor física, psicológica ou espiritualmente, é porque acabaste de ter uma experiência de cura por meio do perdão. Deves estar a sentir-te mais leve e tranquilo. Senão, recomendo que leias diariamente esta oração, bem devagarinho, durante nove dias. . Peço ao Espírito Santo que te guie, que te abra o coração e a mente, por meio do processo do perdão.
Perdoar é divino, é o título de um livro escrito por mim, exclusivamente sobre o perdão. Ler sobre o perdão nunca é demais. Quanto a mim, sempre que encontro um livro sobre o perdão, leio-o, pois compreendo que é essencial para a cura. Ler sobre o perdão aumenta a consciência da necessidade de perdoar, a percepção do perdão, pois todos os dias há momentos em que deixamos de receber o amor, o afeto e a segurança de que necessitamos. Por isso, eu sinto o perdão como uma experiência contí-nua na minha vida. Enquanto durar a nossa vida, havemos de sentir mágoas, mas podemos libertar-nos pelo perdão.

Tenta reviver o que sentiste da reconciliação mais significativa que já tiveste com alguém.
• O que é que causou essa reconciliação?
• Medita no perdão do Senhor, para ti.
• Tens uma relação sã – já curada – contigo mesmo?
• Em que áreas é que ainda guardas reservas para contigo mesmo?



Fonte: Livro Robert DeGrandis, A Eucaristia fonte de cura, ed. Pneuma, pp. 22-29