segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Viver para os demais

O Senhor quer – assim o mostrou com o exemplo de sua vida – que nós, os cristãos, pensemos naqueles que nos rodeiam e sirvamos à sociedade. Aí está também o segredo da felicidade cristã.

Durante a Jornada Mundial da Juventude de 2010, o Papa Bento XVI considerou a herança recebida das gerações passadas, e animou aos que o escutavam a construir, com sua vida cristã firme, uma sociedade e um mundo um pouco mais humanos .

Cada geração deve pensar que deixará à sociedade, às pessoas que hão de vir, o que fazer – e como - para que encontrem amanhã um mundo melhor. “A fé nos ensina que em Cristo Jesus, Verbo encarnado, conseguimos compreender a grandeza de nossa própria humanidade, o mistério de nossa vida na terra e o sublime destino que nos aguarda no céu (cfr. Gaudium et Spes, n. 24). A fé nos ensina também que somos criaturas de Deus, feitas à sua imagem e semelhança, dotadas de uma dignidade inviolável e chamadas à vida eterna”[2]. A mensagem cristã permite reconhecer a verdadeira dignidade do homem e proporciona os meios para agir de acordo com a verdade.

A sociedade necessita do espírito evangelizador da Igreja, que nos transmite, sempre atuais, os ensinamentos de Jesus Cristo; e o Senhor quer – assim o demonstrou com o exemplo de sua vida – que nós os cristãos pensemos naqueles que nos rodeiam, e sirvamos à sociedade. Aí está também o segredo da felicidade cristã: fazer-se portador da mensagem de Jesus Cristo.

A IMPORTÂNCIA DE CADA PESSOA

A caridade adquire seu pleno sentido quando nos pomos a serviço dos demais; quando reconhecemos que a vocação cristã consiste em ser um dom para os outros, de modo que muitos encontrem a Cristo.

É o exemplo que o próprio Cristo nos deixou, e do qual nos falam aqueles que testemunharam sua passagem pela terra: alegra-se com as alegrias de seus amigos [7], e sofre diante de suas dores [8]. Sempre encontrou tempo para estar com os demais: superou o cansaço para falar com a samaritana [9]; deteve-se junto à hemorroíssa, quando o esperavam na casa de Jairo [10]; e na dor da Cruz, estabelece com o bom ladrão um diálogo que abre as portas do Céu [11]. Além disso, seu carinho foi concreto: vemo-lo preocupado com o alimento daqueles que o rodeiam, e pondo os meios para satisfazer a essa necessidade material [12]; interessa-se pelo descanso dos discípulos, e leva-os para um lugar retirado para desfrutarem de sua companhia [13]. Os exemplos poderiam multiplicar-se, mas, no fundo, todos nos indicam a categoria que Deus dá a cada pessoa.

Nisto se manifesta a amizade: em considerar os demais em primeiro lugar, em dedicar-lhes tempo, isto é, trato pessoal. Esta foi a chave que nos deu nosso Padre para mostrar Cristo, e Jesus no-lo ensinou com sua vida: sempre teve tempo para dedicar-se a cada um, a fim de deter-se para todos. A caridade adquire seu verdadeiro sentido quando a vida do outro se converte na prioridade da minha vida. As pessoas que se aproximam de um autêntico cristão devem descobrir o amor pessoal de Deus, ao sentir como se os trata, como se os valoriza, como se os escuta, como são consideradas suas virtudes, como se os faz participantes desta aventura sobrenatural.

Como ajudar às almas nessa direção espiritual que, talvez sem esse nome, se dá no apostolado? Medita: os instrumentos mais fortes e eficazes, se os tratamos mal, ficam amassados, desgastam-se e se inutilizam [14]. Em termos positivos, trata-se de fazer ver a cada pessoa os talentos que recebeu de Deus, e alguns modos de pô-los a serviço de quem a rodeia; estimulam-se sua iniciativa, como fez Jesus com os apóstolos, formando-os, um a um, buscando que todos dêem o melhor de si; tomamos conhecimento de sua situação, de seus imperativos familiares e laborais, situando-nos em seu lugar; compartilhamos os projetos, os desafios da sociedade de hoje, a missão da Igreja e da Obra, em um mundo que clama por sal e luz, ainda que sem o saber.

E tudo isso, temperado com o sal da caridade. A caridade é paciente, a caridade é bondosa; não é invejosa, não é orgulhosa, não é arrogante, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta [15]. A caridade está disposta a buscar o bem de todos, por isso requer um coração grande, generoso, que aprenda a superar os próprios defeitos e os alheios, os enfados, o mau humor, as contestações desagradáveis. É paciente, com fortaleza de espírito: sabe esperar, não humilha, suporta qualquer coisa por amor. Não murmura nem se alegra com a dor ou as contrariedades dos outros, não deseja sobressair. Tem sempre disponível uma palavra amável de compreensão e serenidade.

Fonte : Opus Dei

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