quarta-feira, 30 de março de 2011

O silêncio é o porteiro da vida interior




Fazemos barulho para não escutar os gritos do nosso interior


Muito me incomoda em nossos tempos modernos o barulho generalizado, ou seja, a falta de silêncio interior e exterior também, para podermos rezar, tomar decisões, escutar a Deus, a si mesmo e aos outros. Outro dia, fui ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e li numa das colunas internas do santuário o apelo: Silêncio é também oração! Parece que diante de tudo que a gente vive é necessário falar o tempo todo, pouco se faz silêncio, um dos motivos, penso eu, é que, na verdade, nós temos medo do que vamos ouvir, por isso, o silêncio nos incomoda tanto.


E também porque, nos tempos de hoje, não educamos as pessoas para ouvir, vivemos em meio à muita informação e pouca comunicação. Antes mesmo de entrar no tema da ORAÇÃO nos exercícios espirituais de conversão, percebo o quão necessário é silenciar. Mesmo porque, se oração é dialogo, é fundamental que ela seja intercalada por profundos momentos de silêncio. Este tem a função de abrir espaço para a Palavra do Senhor, Sua direção e Suas moções, mas também abre espaço para que ouçamos a nós mesmos e aos irmãos. É verdade que o silêncio é imprescindível para rezar, mas não só para isso. Para qualquer diálogo é preciso escutar, calar e ouvir o outro. Nós aprendemos a falar porque escutamos nossos pais e irmãos falando e começamos a dizer as primeiras palavras. É necessário escutar bem para falar bem e na hora certa. É necessário ouvir para aprender. Silenciar para se ter coragem para reconhecer o homem interior. É uma viagem tão pequena a que é feita da mente ao coração, mas nós temos um medo muito grande de realizá-la, porque não sabemos o que vamos encontrar.


Por outras vezes, porque o sabemos, não temos coragem de nos recolher no coração e deparar com alguns monstros bem conhecidos. Existem alguns níveis de silêncio que fogem, muitas vezes, do padrão, pois silêncio não é somente ausência de barulho. É verdade que o primeiro nível do silêncio é o exterior, que pode incomodar muito e interferir em nossa vida e em nossa saúde. "Sem recolhimento não há profundidade", e vivemos na superficialidade, fazendo muito barulho para não escutar os gritos do nosso interior. O barulho das grandes cidades hoje é um problema até de saúde pública, vemos muitas famílias procurando residências afastadas dos grandes centros, em sítios e cidades menores. Há necessidade de silêncio para descansar o corpo e a alma. O silêncio interior é, antes de tudo, o mais necessário e imprescindível para o ser humano, para o seu equilíbrio, para discernir e tomar decisões, para ouvir a sua consciência. Mesmo porque haverá momentos em que, mesmo em meio a muitas pessoas conversando, trabalhando, ou até se divertindo, isso não vai nos incomodar pelo nível do barulho feito pelo silêncio interior existente em nosso interior. Por isso, a ausência de barulho interior, agitação, nervosismo e distração são essenciais para a vida de todo ser humano. Esse estado de espírito se desenvolve em nós quando construímos e temos a PAZ.


Esta paz não é somente ausência de guerra, de confusão, de brigas; ela provém de um caminho de maturidade e equilíbrio que vamos fazendo em nossa vida, de escolhas, de pessoas que caminham conosco, pois o grupo ao qual nos associamos pode nos tirar ou nos dar a paz. E isso influencia diretamente no nosso interior, no silêncio ou no barulho e confusão que transmitimos. Daí nós nos tornamos promotores da paz ou da confusão, do silêncio ou do barulho. "Shalom" é o nome da paz do Ressuscitado, uma PAZ completa que atinge o corpo e a alma de cada homem e mulher, ultrapassa as condições externas e nasce de uma experiência interior, de uma coragem de encarar a vida e de escutar as vozes de dentro e de fora. Jesus disse para os discípulos, com medo e escondidos no cenáculo, depois da experiência traumatizante da cruz: “Deixo-vos a Paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Cf. João14, 27). Quando Deus visita o interior de nosso coração nasce a Paz, o SILÊNCIO e a Coragem. Por isso, silêncio não é somente uma questão de "PSIU"! E como é chato ter a necessidade de fazer ou ver e ouvir alguém colocando o dedo indicador na boca e fazendo esse barulho [PSIU], que mais irrita do que resolve. O que resolve, na verdade, é a Paz, o "Shalom" que é a mãe do silêncio interior, que transborda para nossa vida exterior. Desejo para você a Paz, para que possa ter o silêncio e as condições de decidir e viver melhor a sua vida! Se o silêncio é o porteiro da vida interior, façamos com coragem essa viagem preciosa da mente ao coração. Ao mundo desconhecido de nossa alma, de nossa consciência sem medo do que vamos encontrar: dos monstros e das situações do passado e do presente, sentimento de inferioridade e tantas outras coisas que guardamos dentro de nosso interior e que o barulho sufoca essas situações de se manifestar e ser resolvidas. Sem recolhimento não há profundidade; sem silêncio não se ultrapassa a porta deste mundo interior que está em nosso coração e precisa vir para fora. E você verá que, o conhecendo, encontrará mais surpresas agradáveis.


Convido-o a rezar comigo a oração: A Virgem Mãe do Silêncio: Oração: Virgem do Silêncio, tu que ouves nossas vozes, ainda que não falemos, pois compreende no movimento de nossas mãos a linguagem de nossos corações Não te pedimos, Senhora, que nos dê a voz e o ouvido para nossos corpos, mas sim que nos conceda entender a Palavra do teu Filho e o discernimento dos espíritos e das situações. Chegar a Ele com amor para salvação de nossas almas. Queremos amar nosso silêncio para evitar a calúnia, o ódio e o pecado, as decisões sem pensar e calando dar testemunho de nossa fé. Queremos oferecer-te o silêncio no qual vivemos para que todos te chamemos de Mãe e sejamos verdadeiros irmãos, sem ódios, nem rancores, como filhos teus. Pedimos que traduza nosso arrependimento, nossas palavras quando não conseguimos expressar diante do teu Filho, na hora das decisões, das escolhas e na hora de nossa morte, para que na outra vida, possamos ouvir e falar cantando tua louvação por toda a eternidade. Amém. Shalom!


FONTE: Comunidade Shalom

terça-feira, 29 de março de 2011

Deus fala ao coração e espera nossa resposta





Reflete sobre encontro de Jesus com a samaritana

"A onipotência do Amor respeita sempre a liberdade do homem; toca o seu coração e espera pacientemente pela sua resposta", explicou hoje Bento XVI. O Pontífice dedicou sua reflexão, por ocasião da oração mariana do Ângelus, à passagem evangélica do encontro de Jesus com a samaritana, narrado no capítulo 4 de João, que a Igreja propõe aos fiéis neste terceiro domingo da Quaresma. Deixou como ensinamento aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, a certeza de que, como há dois mil anos, cada pessoa pode hoje manter uma relação pessoal, "real" com Cristo. A samaritana, como explicou o Papa, "ia todo dia tirar água de um poço antigo, que remonta ao patriarca Jacó, e nesse dia ela encontrou Jesus, sentado, ‘cansado do caminho'".

"No encontro com a samaritana, junto ao poço, surge o tema da ‘sede' de Cristo, que culmina com o grito na cruz: ‘Tenho sede' (Jo 19, 28). Certamente, esta sede, como o cansaço, tem um fundamento físico. Mas Jesus, continua dizendo Agostinho, ‘tinha sede da fé daquela mulher', assim como da fé de todos nós." "Deus Pai o enviou para saciar a nossa sede de vida eterna, dando-nos o seu amor, mas, para oferecer-nos este dom, Jesus pede a nossa fé", destacou. Bento XVI convidou os crentes a colocar-se no lugar da mulher samaritana: "Jesus espera por nós, especialmente neste tempo quaresmal, para falar ao nosso coração, ao meu coração", disse. "Detenhamo-nos, em um momento em silêncio, em nosso quarto, em uma igreja ou em outro lugar retirado. Escutemos sua voz, que nos diz: ‘Se tu conhecesses o dom de Deus'", concluiu, convidando a "não perder esta oportunidade, que qual depende a nossa autêntica felicidade". Ao despedir-se, o Papa saudou as famílias do Movimento do Amor Familiar "e aqueles que, na igreja de São Gregório VII [de Roma], velaram para rezar pela dramática situação na Líbia". Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo, 27 de março de 2010 (ZENIT.org)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Dos Tratados sobre os Salmos, de Santo Hilário, bispo


O verdadeiro temor do Senhor

Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos (Sl 127,1). Todas as vezes que na Escritura se fala do temor do Senhor, nunca se fala isoladamente, como se ele bastasse para a perfeição da nossa fé; mas vem sempre acompanhado de muitas outras virtudes que nos ajudam a compreender sua natureza e perfeição. Assim aprendemos desta palavra que disse Salomão no livro dos Provérbios: Se suplicares a inteligência e pedires em voz alta a prudência; se andares à sua procura como ao dinheiro, e te lançares no seu encalço como a um tesouro, então compreenderás o temor do Senhor (Pr 2,3-5).

Vemos assim quantos degraus é necessário subir para chegar ao temor do Senhor.
Em primeiro lugar, devemos suplicar a inteligência, pedir a prudência, procurá-la como ao dinheiro e nos lançarmos ao seu encalço como a um tesouro. Então chegaremos a compreender o temor do Senhor.

Porque o temor, na opinião comum dos homens, tem outro sentido. É a perturbação que experimenta a fraqueza humana quando receia sofrer o que não quer que lhe aconteça. Este gênero de temor manifesta-se em nós pelo remorso do pecado, pela autoridade do mais poderoso ou a violência do mais forte, por alguma doença, pelo encontro com um animal feroz e pela ameaça de qualquer mal.

Esse temor, por conseguinte, não precisa ser ensinado, porque deriva espontaneamente de nossa
fraqueza natural. Não aprendemos o que se deve temer, mas são as próprias coisas temíveis que
nos incutem o terror.

Pelo contrário, sobre o temor de Deus, assim está escrito: Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus (Sl 33,12). Portanto, se o temor do Senhor é ensinado, deve-se aprender. Não nasce do nosso receio natural, mas do cumprimento dos mandamentos, das obras de uma vida pura e do conhecimento da verdade.

Para nós, todo o temor do Senhor está contido no amor, e a caridade perfeita expulsa o temor. O
nosso amor a Deus leva-nos a seguir os seus conselhos, a cumprir os seus mandamentos e a confiar em suas promessas. Ouçamos o que diz a Escritura: E agora, Israel, o que é que o Senhor teu Deus te pede? Apenas que o temas e andes em seus caminhos; que ames e guardes os mandamentos do Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que sejas feliz (Dt 10,12-13).


Ora, os caminhos do Senhor são muitos, embora ele próprio seja o Caminho. Pois, ele chama-se
a si mesmo caminho, e mostra a razão porque fala assim: Ninguém vai ao Pai senão por mim (Jo 14,6).
Devemos, portanto, examinar e avaliar muitos caminhos, para encontrarmos, por entre os ensinamentos de muitos, o único caminho certo, o único que nos conduz à vida eterna. Há caminhos na Lei, caminhos nos profetas, caminhos nos evangelhos e nos apóstolos, caminhos nas diversas obras dos mestres. Felizes os que andam por eles, movidos pelo temor do Senhor.
Fonte: Liturgia das Horas

terça-feira, 22 de março de 2011

Bento XVI: que o Senhor nos torne humildes como São José

Não esquecemos o dia do Glorioso São José e pedimos desculpas por não ter postado alguma matéria no dia 19 de março.


O Senhor nos torne humildes como São José: este foi o desejo que o Papa Bento XVI manifestou no passado sábado, na meditação com a qual concluiu, no Vaticano, os Exercícios Espirituais de Quaresma, junto a seus colaboradores da Cúria Romana. Iniciados em 13 de março e pregados pelo Pe. François-Marie Léthel, seu tema foi "A luz de Cristo no coração da Igreja. João Paulo II e a Teologia dos Santos".
Em seu discurso de agradecimento ao carmelita descalço, prelado secretário da Academia Pontifícia de Teologia, Bento XVI refletiu, no dia de seu aniversário, sobre a figura de São José, protetor da Sagrada Família e padroeiro da Igreja universal.


"Um santo humilde - recordou o Papa -, um trabalhador humilde, que foi considerado digno de ser guardião do Redentor. São Mateus define São José com uma palavra: ‘Era um justo'. 'Justo' é o homem que está imerso na Palavra de Deus, que vive na Palavra de Deus, que não vive a Lei como um ‘jugo', mas como ‘alegria'; vive, podemos dizer, a lei como 'Evangelho'."
São José, continuou o Santo Padre, "estava imerso na Palavra de Deus, escrita, transmitida na sabedoria de seu povo"; e assim "foi preparado e chamado para conhecer a Palavra encarnada".
"Nós nos confiamos à sua proteção, rezamos para nos ajude no nosso humilde serviço - concluiu. Vamos em frente com coragem, sob esta proteção. Agradecidos pelos santos humildes, rezemos ao Senhor para que nos torne humildes em nossos serviços e, dessa maneira, santos na companhia dos Santos."


Em uma carta de agradecimento ao Pe. Léthel, o Papa recordou o caminho espiritual inspirado no testemunho de João Paulo II, que será declarado beato em 1º de maio próximo, no domingo da oitava da Páscoa, festa da Divina Misericórdia.
Em particular, o Santo Padre sublinhou que as meditações quaresmais servem para aprofundar no encontro com "as figuras vivas de alguns santos e santas, como estrelas luminosas que giram em torno do Sol que é Cristo, Luz do mundo".


"Com esta abordagem - escreveu o Papa -, o senhor se ajustou muito bem ao programa catequético desenvolvido por mim ao longo destes anos nas audiências gerais, a fim de melhor conhecer melhor e amar a Igreja, como se vê na vida, nas obras e nos ensinamentos dos santos."
"Esta linha de reflexão e de contemplação do mistério de Cristo, refletido, de alguma forma, na existência de seus mais fiéis imitadores, é um elemento fundamental que herdei do Papa João Paulo II e que continuei com plena convicção e com grande alegria, observou.
"Este curso de Exercícios nos fez sentir a Igreja, mais do que nunca, como comunhão dos santos", concluiu o Pontífice.
Fonte: CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de março de 2011 (ZENIT.org)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Transfiguração ajuda a compreender a cruz, diz Papa

Quando Jesus tomou seus discípulos e se transfigurou diante deles, Ele o fez para que pudessem enfrentar o escândalo da cruz, explicou Bento XVI neste domingo, ao introduzir a oração do Angelus.
Ao dirigir-se desde a janela de seu apartamento aos peregrinos presentes na praça de São Pedro, o Papa quis refletir brevemente sobre a passagem evangélica da Transfiguração, correspondente ao segundo domingo da Quaresma.
Jesus, após ter preanunciado a seus discípulos sua paixão, “levou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os fez subir a um lugar retirado, numa alta montanha. E foi transfigurado diante deles: seu rosto brilhou como o sol e suas roupas ficaram brancas como a luz”, citou o Papa.
“Segundo os sentidos, a luz do sol é a mais intensa que se conhece na natureza, mas, segundo o espírito, os discípulos viram, por um breve tempo, um esplendor ainda mais intenso, o da glória divina de Jesus, que ilumina toda a história da salvação.”
A Transfiguração – explicou o Papa – “não é uma mudança de Jesus, mas a revelação de sua divindade, a íntima compenetração de seu ser com Deus, que se converte em pura luz. Em seu ser uno com o Pai, Jesus mesmo é Luz da Luz”.
Assim os discípulos, “contemplando a divindade do Senhor, são preparados para enfrentar o escândalo da cruz”.
O Papa recordou em seguida um antigo hino: “No monte te transfiguraste e teus discípulos, no quanto eram capazes, contemplaram tua glória, para que, vendo-te crucificado, compreendessem que tua paixão era voluntária e anunciaram ao mundo que tu és verdadeiramente o esplendor do Pai”.
Bento XVI convidou os presentes a participar “desta visão e deste dom sobrenatural, dando espaço à oração e à escuta da Palavra de Deus”.

Fonte: Pontífice rezou o Angelus com os peregrinos neste domingo
CIDADE DO VATICANO, domingo, 20 de março de 2011 (ZENIT.org)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Onde mora a felicidade?

- O fim da vida cristã é nos conduzir à felicidade. Esta é a nossa vocação. Deus nos pede para deixá-lo nos fazer felizes.

É verdade que às vezes temos medo de ser felizes. E é justamente aí que somos atingidos pela infelicidade, por acharmos impossível ao homem ser feliz. Encontrar o Cristo é encontrar a alegria e a coragem para ser feliz. A aspiração à felicidade é nutrida no fundo do nosso coração, os obstáculos exteriores e interiores parecem nos impossibilitar o acesso. O primeiro dentre eles somos nós mesmos. Nehru (primeiro presidente da Índia) disse um dia: “Eu tenho três inimigos. Meu primeiro inimigo é a China, o segundo é a fome e o terceiro sou eu mesmo”. Geralmente fabricamos para nós uma imagem de felicidade perfeita: uma carreira profissional de sucesso, uma bela família, uma casa ideal, muito dinheiro... Esta imagem é reescrita a cada dia quando nos olhamos no espelho. Guardamo-la em segredo, como um retrato de nós mesmos, e lutamos, com todas as nossas forças, para coincidir com essa imagem. Na verdade, para alcançar a felicidade que tanto desejamos, é necessário ir além dos obstáculos, responder a diversas questões das quais a primeira é: “Onde está a felicidade?”.

Nosso coração, um tabernáculo
A felicidade está primeiramente inscrita no fundo de nós mesmos. Não a procuremos fora de nós! Santo Agostinho, que viveu um momento caótico na sua existência, diz em seu livro “Confissões”: “Tarde te amei, durante muito tempo te procurei fora de mim e Tu estavas dentro de mim, próximo de mim, no interior de mim mesmo”. É o que a Bíblia chama de coração: a felicidade reside no coração. Se o nosso coração não é o primeiro a ser agarrado pela felicidade, não poderemos jamais ser felizes em todas as dimensões do nosso ser.

Somos assim levados a nos perguntar em que consiste a felicidade. A felicidade consiste em se unir a Deus! A felicidade é Deus! “Tu és meu Deus, eu não tenho outra felicidade senão em Ti” (Sl 15,2). Deus, que é fonte de nós mesmos, quis nos encontrar no nosso coração. O profeta Isaías escreve: “Escreverei minha lei em vosso coração, mudarei vosso coração de pedra, eu vos darei um coração de carne”. É a vontade mais profunda de Deus encontrar nosso coração como um tabernáculo onde Ele possa morar. Não uma residência pontual, de passagem, mas uma presença intensa e permanente através da qual Ele nos dá sua alegria. Ele age com sua presença viva. Deus quer habitar nosso coração e estender sobre ele toda sua “atividade”, toda a sua vida.

A terceira questão que precisamos resolver em relação à felicidade é conhecer a sua natureza. A felicidade é amor. Nós somos feitos para amar e para sermos amados. Toda a obra de Jesus é mostrar que Deus é Amor. É a definição de Deus dada por São João. É um amor extraordinário. A maior tentação do cristão é duvidar do extraordinário amor de Deus, é dizer: “O Bom Deus nos ama de maneira simpática e bondosa”. O amor de Deus é um amor extraordinário, vai além de tudo que o homem pode conceber, imaginar ou mesmo desconfiar. É um amor excepcional que se deposita em nosso coração. É um amor pessoal. Deus nos ama como somos, com toda a nossa história.

Recentemente vi, dentro de um trem, um mulçumano estender seu tapete e se colocar em oração de joelhos. Que audácia poder orar assim a Deus, que senso de sua grandeza e majestade! Mas a missão específica do cristianismo é revelar que Deus ama cada homem. “Tu és precioso a meus olhos”. Não existe nenhuma concorrência entre Deus e o homem. Se o que damos ao homem não nos priva de Deus. O amor do homem participa do amor de Deus. Tudo que toca, atinge ou fere o coração do homem tem importância para Deus. Tudo que é feito para o homem participa do amor de Deus.

A terceira característica deste amor é a misericórdia; Deus nos ama como somos. Tive a alegria de encontrar Marta Robin no dia em que completei 20 anos. Eu lhe falei da minha dificuldade de seguir o Senhor. Ela me contou esta pequena história da vida de São Jerônimo (Século IV), que traduziu a Bíblia do grego para o latim: “Um dia, o Senhor se manifestou a ele, que trabalhava em uma gruta em Belém: ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ Jerônimo reflete: ‘Senhor, eu te oferto todo o meu passado, tudo o que fiz depois da minha conversão...’ Mas o Senhor lhe repete: ‘Jerônimo, o que me tu ofertas?’. Jerônimo reflete: ‘Senhor, eu te oferto todo meu presente, todo este trabalho de exegese para melhor conhecer tua Palavra’. ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ Jerônimo, todo constrangido: ‘Senhor, eu te oferto todo o meu futuro, todos os meus projetos’. ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ (Silêncio de Jerônimo) Jesus o olha e diz: ‘Jerônimo, oferta-me teus pecados’.”

Quando nos aproximamos de Deus, chegamos com nossos méritos, nosso trabalho, tudo que vamos fazer, o melhor de nós mesmos. Todas essas coisas o Senhor conhece. O que Ele vem procurar, não são as nossas qualidades e méritos, mas nossos pecados e pobreza. A missa começa por “Senhor, tende piedade”. Jesus veio, como Ele mesmo disse, para curar os doentes. Deus é amor misericordioso. A misericórdia é o movimento do coração que se inclina em direção à miséria. Os grandes santos têm consciência desta misericórdia porque têm consciência da sua pobreza. Quanto mais crescemos na santidade, mais sabemos que não somos nada. O santo não é aquele que não comete mais pecado (ele se considera o maior dos pecadores), mas aquele que sabe que a misericórdia é maior do que qualquer pecado. A misericórdia de Deus é como uma torrente transbordante que leva tudo a passar – diz o Cura d’Ars.

Enfim, não se pode ser feliz sozinho. Logo, se estou feliz comunico minha felicidade. Pensemos na Bíblia, a alegria de Maria que canta seu Magnificat e faz sua alegria visitar Isabel, levar-lhe a boa nova. A alegria, por definição, é comunicativa. O homem é um ser social. Desde a criação o homem não é só. Ele é chamado à existência como homem e como mulher, na dimensão do casal. O homem e a mulher não podem se realizar sem a dimensão de comunhão, porque Deus é comunhão de pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e o homem é imagem de Deus.

Como empregar a felicidade?
A felicidade está dentro de nós, é união a Deus, é amor, é comunhão. Mas como esperar essa felicidade? Em outros termos, qual é o modo de empregar a felicidade?

Se está inscrita em nós, nossa vida vai consistir em estender essa presença irresistível de Deus em nós. Por Ele vencemos todos os obstáculos: nossos medos, incertezas, ilusões, pecados, feridas. Um dia Celina, irmã de Santa Teresinha, lhe diz: “Quando te vejo, eu vejo tudo o que me resta adquirir”. Responde Teresinha: “Oh não, não diga adquirir, mas perder!”

O nosso desejo de encontrar a Deus é bom, mas não deve nos fazer esquecer que é primeiro Deus que nos encontra. A felicidade consiste em deixar Deus vir a nós. Isto implica uma atitude de despojamento. Estamos prontos para deixar Deus conduzir a nossa vida?

Se compararmos nossa maneira de conduzir nossa existência com a condução de um carro, estamos prontos para dar o volante ao Senhor, a fim que Ele tome a direção de nossa existência? Às vezes oramos o Pai-Nosso da seguinte maneira: “Pai-Nosso que estais no céu... seja feita a ‘nossa’ vontade...” e estamos prontos a fazer jejum e ascese para que esta oração se realize. E pedimos, de todo coração, ao Senhor que faça a nossa vontade, e nossa vontade é muito simples, é querer segui-lo conduzindo nós mesmos o nosso carro. Mas Jesus orou dizendo: “Que a tua vontade seja feita”. Isso implica em aceitar que o Senhor dirija nossa existência, que Ele nos conduza à felicidade. Isso implica abandonar nossas idéias sobre a maneira de chegar à felicidade e pedir ao Senhor que seja Ele que dirija, oriente e organize nossa vida.

Aceitar depender de Deus
Para viver esse abandono darei uns pequenos conselhos, simples e fundamentais.

Antes de tudo, uma conversão profunda de coração. No Salmo 1, que começa com “Feliz o homem”, a Bíblia confirma que o homem é feito para a felicidade e o salmista mostra duas vias: a dos ímpios – que procuram a felicidade nos seus desejos e paixões e a Bíblia os compara a folhas que são levadas pelo vento. Esta via não conduz à felicidade – e aquela que reclama precisamente uma conversão, a via do justo, que segue a lei do Senhor.

Nos convertemos quando descobrimos que a nossa felicidade consiste em aceitar depender de Deus. Não podemos ser felizes simplesmente aos pés de nossas idéias e paixões. É verdadeiramente uma conversão porque temos medo de depender de Deus, de perder nossa liberdade. A resposta ao Senhor é simples: “Quanto mais você depender de mim, mais você será livre”.

É preciso ainda se colocar na escuta da Palavra de Deus. Ela é ajuda preciosa para discernir e depois construir nossa vocação. Na oração, com efeito, nos abandonamos em Deus: a oração é, por definição, um abandono da nossa atividade, do nosso agir.

Para entrar na felicidade que Deus nos destina, é preciso crer que a felicidade é possível, que fomos criados para ela. Peçamos ao Senhor que nos conduza. Para isso, deixemos que Ele entre profundamente em nossa vida. Não desejando com palavras, mas, no silêncio do nosso coração, de uma maneira muito pessoal, dando nosso consentimento total em deixar o Senhor agir em nós e nos dirigir. Acolhamos esta dependência de Deus, ela nos levará à verdadeira felicidade.


Fonte: Dominique Rey – Bispo de Fréjus/Toulon – França , Shalom Maná

segunda-feira, 14 de março de 2011

Eclipse do pecado se deve a eclipse de Deus, adverte Papa


A perda do sentido do pecado tem sua origem na eclipse de Deus, segundo explicou o Papa hoje, primeiro domingo da Quaresma, unindo-se ao convite à conversão próprio deste tempo litúrgico de preparação para a Páscoa.

"Por que a Quaresma? Por que a cruz?", perguntou-se, ao meio-dia, diante dos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro para rezar a oração mariana do Ângelus.
A resposta sintética do Papa, que falava da janela dos seus aposentos, foi a seguinte: "Porque existe o mal, e mais ainda, o pecado, que, de acordo com as Escrituras, é a raiz de todo mal".
"Mas esta afirmação não é algo que pode ser dado por certo, e a própria palavra "pecado" não é aceita por muitos, porque pressupõe uma visão religiosa do mundo e do homem", continuou explicando.
"Quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Da mesma maneira que, quando o sol se esconde, desaparecem as sombras - a sombra só aparece quando há sol -, assim, o eclipse de Deus comporta necessariamente o eclipse do pecado."
O Pontífice deixou claro que o "sentido do pecado" é algo diferente do "sentimento de culpa", conceito próprio da psicologia. O pecado é compreendido "redescobrindo o sentido de Deus".

Deus contra o pecado, mas com o pecador
O Bispo de Roma recordou que, "diante do mal moral, a atitude de Deus é opor-se ao pecado e salvar o pecador. Deus não tolera o mal, pois é Amor, Justiça, Fidelidade; e precisamente por esta razão, não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva".
"Para salvar a humanidade, Deus intervém: nós o vemos na história do povo judeu, a partir da libertação do Egito. Deus está determinado a libertar seus filhos da escravidão para conduzi-los à liberdade", afirmou.
"E a escravidão mais severa e profunda é precisamente a do pecado - recordou. Por este motivo, Deus enviou seu Filho ao mundo: para libertar os homens do domínio de Satanás, ‘origem e causa de todo pecado'."
"Enviou-o à nossa carne mortal para se tornar vítima de expiação, morrendo por nós na cruz", destacou.

O Diabo
"Contra este plano de salvação definitiva e universal, o Diabo se opôs com toda sua força", como mostra em particular a passagem evangélica das tentações de Jesus no deserto, que é proclamada no primeiro domingo da Quaresma.
"Entrar neste período litúrgico significa colocar-se cada vez mais do lado de Cristo contra o pecado, para enfrentar - seja como indivíduos, seja como Igreja - a batalha espiritual contra o espírito do mal", concluiu.
Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo, 13 de março de 2011 (ZENIT.org)

sábado, 12 de março de 2011

Da Constituição pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II

As interrogações mais profundas do gênero humano.

O mundo moderno apresenta-se simultaneamente poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior; abre-se diante dele o caminho da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade e do ódio. Por outro lado, o homem toma consciência de que depende dele a boa orientação das forças por ele despertadas e que podem oprimi-lo ou servi-lo. Eis por que se interroga a si mesmo.

Na verdade, os desequilíbrios que atormentam o mundo moderno estão ligados a um desequilíbrio mais profundo, que se enraíza no coração do homem.
No íntimo do próprio homem, muitos elementos lutam entre si. De um lado, ele experimenta, como criatura, suas múltiplas limitações; por outro, sente-se ilimitado em seus desejos e chamado a uma vida superior.

Atraído por muitas solicitações, é continuamente obrigado a escolher e a renunciar. Mais ainda: fraco e pecador, faz muitas vezes o que não quer e não faz o que desejaria. Em suma, é em si mesmo que o homem sofre a divisão que dá origem a tantas e tão grandes discórdias na sociedade.

Muitos, sem dúvida, que levam uma vida impregnada de materialismo prático, não podem ter uma clara percepção desta situação dramática; ou, oprimidos pela miséria, sentem-se incapazes de prestar-lhe atenção. Outros, em grande número, julgam encontrar satisfação nas diversas interpretações da realidade que lhes são propostas.

Alguns, porém, esperam unicamente do esforço humano a verdadeira e plena libertação da humanidade, e estão persuadidos de que o futuro domínio do homem sobre a terra dará satisfação a todos os desejos de seu coração.

Não faltam também os que, desesperando de encontrar o sentido da vida, louvam a audácia daqueles que, julgando a existência humana vazia de qualquer significado próprio, se esforçam por encontrar todo o seu valor apoiando-se apenas no próprio esforço. Contudo, diante da atual evolução do mundo, cresce o número daqueles que formulam as questões mais fundamentais ou as percebem com nova acuidade. Que é o homem? Qual é o sentido do sofrimento, do mal e da morte que, apesar de tão grandes progressos, continuam a existir? Para que servem semelhantes vitórias, conseguidas a tanto custo? Que pode o homem dar à sociedade e dela esperar? Que haverá depois desta vida terrestre?

A Igreja, porém, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todo o gênero humano, oferece ao homem, pelo Espírito Santo, luz e forças que lhe permitirão corresponder à sua vocação suprema; ela crê que não há debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possam ser salvos.

Crê igualmente que a chave, o centro e o fim de toda a história humana encontra-se em seu Senhor e Mestre. A Igreja afirma, além disso, que, subjacente a todas as transformações, permanecem imutáveis muitas coisas que têm seu fundamento último em Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre.

Fonte: Liturgia da Horas

sexta-feira, 4 de março de 2011

Para redimir homem é preciso conhecer a Verdade, Cristo

"A não-redenção do mundo" consiste "em não reconhecer a verdade" que "é reconhecível quando Deus se torna reconhecível", e isso acontece "em Jesus Cristo".
Isso é o que afirma o Papa Bento XVI no segundo volume de seu livro "Jesus de Nazaré", que será apresentado em 10 de março e aborda a vida de Cristo a partir da entrada em Jerusalém, até a ressurreição. L'Osservatore Romano adiantou alguns fragmentos do texto.


No capítulo intitulado "O julgamento de Jesus", o Papa se pergunta quem foram os seus acusadores
.
Para João, o único que relata a conversa entre Jesus e Pilatos, são simplesmente "os judeus".
Esta expressão, ressalta o Pontífice, "não indica, de fato, o povo de Israel como tal, tampouco tem um caráter ‘racista', também porque o próprio João era um judeu, assim como toda a comunidade primitiva".
Segundo o evangelista, esta expressão indica a aristocracia do templo, embora haja exceções, como se sugere referindo-se a Nicodemos. Em Marcos, os acusadores também são adeptos de Barrabás, pedindo a sua libertação em vez da de Jesus; Mateus fala de "todo o povo", mas "certamente não expressa um fato histórico".


Quanto ao juiz, o governador romano Pôncio Pilatos, "ele sabia que Jesus não vinha de um movimento revolucionário". Jesus "deve ter parecido um exaltado religioso, que talvez violasse preceitos judaicos de direito e de fé, mas isso não lhe interessava", porque sobre isso os judeus é que teriam de julgar.
"Sob o aspecto das leis romanas relativas à jurisdição e ao poder, que correspondiam a ele, não havia nada sério contra Jesus", mas, no interrogatório, sua resposta à pergunta "Então tu és rei?" - "Tu o dizes: eu sou rei" - muda a situação.
O reino de Jesus "não é violento", "não tem exército", diz Bento XVI. Com suas palavras, "Jesus criou um conceito completamente novo de realeza e de reino", descrevendo a essência de sua realeza como o "testemunho da verdade".


"O que é verdade? Não foi somente Pilatos quem encurralou esta pergunta como sem solução e, para a sua tarefa, impraticável - indica o Pontífice. Também hoje, no debate político, bem como na discussão sobre a formação do direito, esta questão é incômoda. Mas, sem a verdade, o homem não acolhe o sentido da sua vida; deixa, no final das contas, o campo para os mais fortes."
"Será que a política pode assumir a verdade como categoria para a sua estrutura?", pergunta o Papa.
"Testemunhar a verdade - observa ele - significa pôr em evidência Deus e sua vontade frente aos interesses do mundo e de suas potências"; significa "decifrar a criação e sua verdade acessível de tal modo, que esta possa constituir a medida e o critério orientador no mundo do homem".
"Digamos também: a não-redenção do mundo consiste na falta de compreensão da criação e no não-reconhecimento da verdade, uma situação que depois conduz inevitavelmente ao domínio do pragmatismo, e, dessa forma, o poder dos fortes se converte no deus deste mundo."
"Redenção, no sentido pleno da palavra, pode consistir apenas no fato de que a verdade se torne reconhecível. E esta se torna reconhecível quando Deus se torna reconhecível. Ele se torna reconhecível em Jesus Cristo. Por Ele, Deus entrou no mundo e, com isso, elevou o critério da verdade no meio da história".


Judas


No capítulo "O lava-pés", o Papa recorda que Jesus, profundamente perturbado, diz: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: um de vós me trairá" (Jo 13, 21).
"A ruptura da amizade chega inclusive até a comunidade sacramental da Igreja, onde há sempre novas pessoas que tomam do ‘seu pão' e o traem."
"Quem rompe sua amizade com Jesus, quem se livra do seu ‘jugo suave', não conquista a liberdade, não se torna livre, mas sim escravo de outros poderes."

"No entanto, a luz que, vindo de Jesus, tinha caído na alma de Judas, não se apagou completamente. Há um primeiro passo para a conversão: ‘Eu pequei', disse ele aos sumos sacerdotes. Judas tenta salvar Jesus e devolve o dinheiro. Tudo o que de puro e grande ele tinha recebido de Jesus, permanecia gravado em sua alma - não poderia esquecê-lo".
A segunda tragédia, depois da traição, é que Judas já não consegue mais acreditar no perdão. Seu arrependimento se converte, então, em desespero.
Judas "nos faz ver, assim, a forma errada do arrependimento", diz o Papa: "um arrependimento que não consegue esperar, mas só vê sua própria escuridão, é destrutivo e já não é mais um verdadeiro arrependimento".
"Faz parte do justo arrependimento a certeza da esperança - uma certeza que nasce da fé no poder maior da Luz que se fez carne em Jesus."


A Última Ceia
O Papa recorda também que "João procura com cuidado não apresentar a Última Ceia como a ceia pascal".
"Tem razão: no momento do julgamento de Jesus diante de Pilatos, as autoridades judaicas ainda não tinham comido a páscoa e, portanto, deveriam manter-se ritualmente puras. (...) A crucificação não ocorreu no dia da festa, mas em sua vigília."


"Mas então por que os sinóticos falaram de uma ceia pascal?", pergunta o Papa.
"Jesus estava ciente de sua morte iminente. Ele sabia que já não poderia comer a Páscoa. Com essa consciência, convidou seus discípulos para uma última ceia de caráter muito particular, uma ceia que não pertencia a nenhum rito judaico determinado, mas que era a sua despedida, na qual Ele oferecia algo novo, oferecia-se como o verdadeiro Cordeiro, instituindo, assim, a sua Páscoa."
"Embora esta ceia de Jesus com os Doze não tenha sido uma ceia pascal segundo as prescrições rituais do judaísmo, em retrospectiva, ficou evidente a conexão interior do conjunto com a morte e ressurreição de Cristo: era a Páscoa de Jesus."

quinta-feira, 3 de março de 2011

Qual o segredo para não perder a esperança?

Esperança é algo que atinge todas as pessoas quer de uma forma ou de outra, pois todos nós esperamos algo para nossas vidas.
Esperamos um emprego, uma resposta, uma pessoa, um sentimento, uma reconciliação, paz interior, enfim tanta coisa.

Mas qual o segredo para não perder a esperança? Jesus nos ensina o caminho no evangelho de Lucas 18,1-8, através da parábola do juiz que se faz de rogado. Jesus está ensinando seus discípulos e inicia falando sobre a oração constante e não se deixar conduzir pelo desânimo.

A oração constante antes de tudo é um dom, uma graça. É movida pela fé e pelo amor, por que muitas vezes não temos forças diante das surpresas da vida que nos atinge.

Orar sem cessar em todas as circunstâncias já nos ensina São Paulo, é o alimento e a fonte da esperança.

A viúva da parábola pediu justiça ao juiz durante muito tempo e lhe foi negada. Mas insistentemente ela pedia justiça, o juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens acabou fazendo justiça para se livrar do aborrecimento que ela o causava.

Jesus chama a atenção dos discípulos dizendo: “Escutai bem o que diz este juiz sem justiça. E Deus não faria justiça aos seus eleitos que clamam dia e noite? Eu vo-lo digo: ele lhes fará justiça bem depressa”.

Na história do povo de Deus temos belos exemplos de esperança. Abraão, Isabel, Maria. Todos eles souberam pedir, confiar e esperar em Deus e olha que toda a espera não foi sem dor.
Abraão pediu, confiou e esperou na promessa de Deus, a súplica de Zacarias foi ouvida e Isabel que era estéril deu a luz a João Batista, o precursor de Jesus, Maria a mulher do Fiat não foi decepcionada diante da grandeza dos planos de Deus para sua vida.

Peçamos ao Senhor o dom da oração constante, da oração em todas as circunstâncias. Clamemos dia e noite as virtudes da fé, esperança e caridade. Pois o nosso Deus é o Deus do impossível.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vão-se as máscaras e ficam os filhos. Neste carnaval você pode escolher entre o ser e o representar

Existe um velho ditado popular que diz: "Vão-se os anéis e ficam-se os dedos!" Fazendo um trocadilho, podemos dizer que, no carnaval, vão-se as máscaras e ficam ....?

Nas máscaras caídas, após uma grande noite de carnaval, podem ser encontrados pedaços de pessoas. Olhando mais de perto, encontramos as lágrimas daqueles que saíram envolvidos por uma máscara e, por alguns dias, se transformaram em grandes atores fazendo o papel de uma vida que não lhes pertencia, e por fim, caíram no chão, como o resto de suas fantasias.

A palavra "persona", no uso coloquial, significa um "papel social" ou "personagem" vivido por um ator. É uma palavra italiana derivada do latim e que se refere a um tipo de máscara feita para ressoar a voz do ator (per + sonare = "soar através de"), permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores, assim como dar ao ator a aparência exigida pelo papel. A máscara é usada para fazer ecoar um personagem.

Personagens, no entanto, são os objetos de uma história. Pode ser um homem ou animal, mas sempre é um ser fictício, um objeto ou qualquer coisa que o autor quer representar.

Personagens são encontrados em obras de literatura, cinema, teatro, televisão, desenho, videogames, marketing. Existem para isso, ou seja, são seres irreais que dão forma a uma ideia. Nós não somos personagens, não precisamos de máscaras para inventar nossas histórias, não precisamos nos servir delas para que a nossa voz seja ecoada. Pois Deus nos criou à Sua imagem (cf. Gn 1,27), assim, não devemos agir como escravos das máscaras que fomos colocando ao longo da vida.

Neste carnaval você pode escolher entre o ser e o representar, mas lembre-se de que todos nós somos frutos de nossas escolhas e devemos conviver com as consequências delas. Não são poucos jovens que, durante estes dias de festa, se decidem por representar com o uso das drogas, da violência e do sexo desregrado e sem limites e, no final de 4 dias de “folia”, o ser está despedaçado, como objetos que foram usados e depois jogados fora.

Portanto, ao longo do caminho, mesmo que pedaços de nós estejam no chão, somos chamados a recolher nossos cacos, levantar a cabeça, e recomeçar, sem mascaras, livres, pois, já não somos mais escravos, mas sim, filhos; e, como filhos, também somos herdeiros: isto é obra de Deus (cf. Gl 4,7).

Assim, vão-se as máscaras e ficam os filhos, eleitos, livres, criados à imagem e semelhança do Pai.
Fonte : www.cancaonova.org