sexta-feira, 29 de abril de 2011

Papa: O homem não é um produto casual da evolução



Pontífice preside à Vigília Pascal na Basílica de São Pedro.


O homem não é um produto casual da evolução, mas do Amor criador e redentor de Deus, que dá sentido à vida, explicou Bento XVI na Vigília Pascal.
Ao presidir a “mãe de todas as vigílias” e batizar seis catecúmenos – da Suíça, Albânia, Peru, Rússia, Singapura e China – o pontífice quis responder na homilia às perguntas de todo homem e mulher sobre a origem e destino de sua existência.
“Se o homem fosse apenas um tal produto casual da evolução num lugar marginal qualquer do universo, então a sua vida seria sem sentido ou mesmo um azar da natureza”, afirmou.
“Mas não! No início, está a Razão, a Razão criadora, divina. E, dado que é Razão, ela criou também a liberdade; e, uma vez que se pode fazer uso indevido da liberdade, existe também o que é contrário à criação.”
“Mas, apesar desta contradição, a criação como tal permanece boa, a vida permanece boa, porque na sua origem está a Razão boa, o amor criador de Deus. Por isso, o mundo pode ser salvo”, disse, explicando a mensagem de esperança deixada pela paixão, morte e ressurreição de Cristo.
“Por isso podemos e devemos colocar-nos da parte da razão, da liberdade e do amor, da parte de Deus que nos ama de tal maneira que Ele sofreu por nós, para que, da sua morte, pudesse surgir uma vida nova, definitiva, restaurada.”
A celebração começou no átrio da Basílica de São Pedro, com o rito da bênção do fogo e a preparação do Círio pascal, presente da Comunidade Neocatecumenal de Roma.
Na basílica, a passagem da escuridão à luz simbolizou a chegada da Luz, que é Cristo, no mundo tenebroso do pecado, da solidão e da morte, segundo explicou Dom Guido Marini, mestre das celebrações litúrgicas pontifícias. O serviço litúrgico foi realizado por religiosos dos Legionários de Cristo.

Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de abril de 2011 (ZENIT.org)

domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa – Ressurreição do Senhor



Quão grande deve ter sido a admiração que expressaram os olhos de Maria Madalena! Quão grande o tremor ao ver a sepultura, onde estava o corpo Daquele que foi a causa da mudança de rumo fundamental e definitiva de sua vida, e que agora está aberta e vazia: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”.

O corpo de Jesus era a última coisa que restava àquele pequeno grupo de pessoas, fascinados por Ele. Parecia que o poder daquela época tivesse vencido. E agora, aquele pequeno tesouro, contido num sepulcro destinado a estar fechado para todo o sempre, tinha sido “retirado”.

A preciosidade daquele corpo e daquele lugar é a única razão que poderia explicar a corrida de Pedro e João, quando apenas receberam a notícia da Madalena: agora, Jesus não estava mais com eles, tinham a necessidade de um sepulcro, junto ao qual poderiam chorar a perda do Mestre, e queriam estar certos que ninguém o tivesse profanado.

A passagem evangélica de hoje nos chama a atenção não pelas as coisas que nos são relatadas, mas por aquelas que não são descritas: não nos é dito como o Senhor ressuscitou e não nos é descrito como os discípulos o viram! O que realmente domina a cena é o “sepulcro vazio”.
Tão logo entraram naquela cova cavada na pedra, deram-se conta de tudo o que havia acontecido: “Viu e creu” (Jo. 20,8). Mas o que viram? “As faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte” (Jo. 20,6-7). Em si, um fato banal, sem significado relevante, mas que foi suficiente para fazer com que os olhos de João se abrissem à verdade. “Ressuscitei e estarei sempre contigo” (Cf. Antifona de entrada), assim deve ter escutado, com o próprio coração, o discípulo amado!

Ademais, se paramos um momento para refletir, o Senhor continua a entrar em nossas vidas através dos encontros, gestos ou situações que, para a maior parte das pessoas, poderiam resultar insignificantes, mas que para nós assumem a mesma importância que tiveram aqueles panos de linho para o discípulo amado.

Depois de dois mil anos, aquele sepulcro está ainda vazio, mas diante de um acontecimento desses, cada um de nós é chamado a tomar uma decisão. Como fazê-lo de forma consciente, sem que sejam outros a decidirem por nós? Não nos servem grandes conhecimentos ou uma inteligência superior. Podemos ser testemunhas do Senhor Ressuscitado, podemos reconhecer no sinal das faixas ali deixadas, a sua ressurreição, somente se estamos dispostos a deixar que Ele entre em nossas vidas e as cumulem com o seu Espírito. Será a amizade com Cristo, a familiaridade com Ele, dia após dia, que nos levará a darmo-nos conta “de tudo o que Jesus fez” (At. 10,39) e nos ajudará a compreender que a esperança – de justiça, de bem, de bondade, de verdade, de beleza – que se ascendeu quando o encontramos, realmente se realizará.

O cristão não é um visionário ou um iludido, mas sim uma pessoa dotada de simplicidade de coração, a tal ponto que o leva a chamar as coisas pelo próprio nome e, dessa forma, o que para o mundo é uma “sepultura vazia”, para nós tornou-se o maior sinal da única Presença que pode satisfazer os anseios do nosso coração.
“Ressuscitei e estarei sempre contigo” é o que o Senhor, neste momento, está dizendo também a você!

Fonte: Congregação para o Clero (Roma)

Nos do Seletas de Orações desejamos a Você uma Feliz Páscoa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O TRÍDUO SAGRADO DA PÁSCOA: JESUS MORTO, SEPULTADO, RESSUSCITADO






Um olhar de conjunto
“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos!... Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 33.36).
A expressão de maravilha e de louvor por parte do apóstolo diante do mistério da aliança irrevogável de Deus com Israel - aliança que vai além da sua infidelidade - e do chamado dos pagãos a participarem da sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, bem interpreta os sentidos mais profundos da Igreja ao celebrar o solene Tríduo Pascal. Este evento Pascal é a fonte divina e perene da sua vida, assim como do caminho espiritual desenvolvido ao longo do ano litúrgico. A Igreja nos convida a entrar em atitude de maravilha e adoração.
O Tríduo Sagrado inicia-se na tarde da quinta-feira santa, com a celebração da Ceia do Senhor, e acaba com as segundas Vésperas do dia da Páscoa. A Igreja contempla com fé e amor e celebra o mistério único e indivisível do seu Senhor Morto (Sexta-feira santa), Sepultado (Sábado santo) e Ressuscitado (Vigília e dia de Páscoa).
Com o Tríduo Pascal chegamos ao coração da história inteira e ao escopo da própria criação. A luz Pascal deste Santo Tríduo ilumina a vida de Jesus, sua missão desde seu nascimento e o projeto salvífico de Deus no seu desenvolvimento histórico: desde a criação e através das relações especiais da aliança com os patriarcas e os profetas, testemunhadas pelo Antigo Testamento. Na morte e ressurreição de Jesus e na efusão do Espírito, aquele projeto se revela em todo seu sentido profundo, e inicia a etapa radicalmente nova desta história que caminha rumo a seu cumprimento no fim dos tempos (cf. Ef 1,1-14; Cl 1, 15-20).
As pessoas que foram regeneradas na fé e no amor pelo batismo receberam as potencialidades e a vocação a viver como homens e mulheres “partícipes da vida do Ressuscitado”, partilhando a mesma energia divina de Cristo no Espírito (cf. Ef 2, 4-8; Cl 3, 1-4: 5-11).
As celebrações do Tríduo são particularmente ricas de gestos, movimentos, Palavra proclamada e comentada, cantos, silêncios. Tudo converge para nos aproximarmos com coração aberto e íntima devoção ao mistério da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação a ele, por graça. O que mais nos surpreende é descobrir, mais uma vez, o amor gratuito com que Deus nos amou, e fica nos amando, até doar seu próprio Filho por nós e nele doar-nos sua própria vida: “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16), como nos lembra o evangelista. Surpreendidos ainda mais pelo feito que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10).
O extremo esvaziamento do Verbo encarnado, na morte de cruz e no silêncio do sepulcro, abre o caminho para uma nova história, em prol de cada um e do mundo inteiro. “Batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados. Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 3-4).
Celebramos em maneira indivisível a Páscoa pessoal de Jesus e a Páscoa de seu corpo vivo que é a Igreja e cada um de nós, a caminho na esperança da renovação plena e definitiva.
Os três dias do Tríduo sagrado constituem a trama articulada e unitária do único e mesmo mistério pascal de Jesus e da Igreja. Cada dia, com a especificidade da sua linguagem ritual, põe a tônica sobre uma etapa ou aspecto do caminho pascal de Jesus. A forma narrativa dos acontecimentos destaca que a ação de Deus em Jesus se insere na realidade humana com suas aberturas e resistências, até a dramática recusa do seu amor. Mas o amor de Deus não se deixa vencer pelo mal e o pecado: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).
Cada um dos três dias nos proporciona a oportunidade de nos mergulharmos em diferentes aspectos do mistério pascal. Por enquanto, achei mais conveniente oferecer ao início algumas sugestões de caráter geral. Talvez elas possam ajudar a colocar e viver cada celebração na visão unitária do mistério pascal, assim como a Igreja o contempla e no-lo transmite através das celebrações. De cada dia irei destacar um ou outro elemento, útil para evidenciar a continuidade interior do Tríduo.
A Quinta-feira santa: “Jesus... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”
A missa do Crisma, presidida na manhã pelo bispo em sua catedral, com a participação do clero e do povo, encerra a quaresma e prepara os Óleos santos finalizados à celebração da iniciação cristã - especialmente durante a grande vigília pascal - e a da unção dos enfermos. Os textos bíblicos (Is 61, 1-9; Ap 1,5-8; Lc 4, 16-21), assim como as orações e o magnífico prefácio, destacam o sacerdócio de Jesus e a participação do povo cristão ao sacerdócio dele no Espírito Santo, em força do batismo. É o coração do dom da páscoa e da vida nova de todo o povo de Deus.
A Ceia do Senhor, na tarde (Ex 12, 1-14; 1 Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15), abre o Tríduo, celebrando antecipadamente na forma sacramental da eucaristia o dom do corpo e do sangue do Senhor, que a Igreja guarda como memória viva e fonte inesgotável da sua vida no tempo. A Igreja está certa de que “todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (Oração sobre as oferendas). O gesto de amor e de humildade com que Jesus, o Mestre e o Senhor, lava os pés aos discípulos, determina o horizonte divino das relações recíprocas entre os discípulos, e deles com qualquer pessoa, em toda situação e em todo tempo. Cada sofrimento partilhado e cada gesto de solidariedade faz Jesus lavar os pés e cumprir seu mandamento.
A Sexta-feira santa: celebração da Paixão do Senhor
No centro da celebração está o evento e o mistério da cruz, proclamado nas Escrituras (Is 52,13-53,12; Jo 18,1-19,42), honrado com a adoração e o beijo da cruz por parte da a assembléia, reconhecido como intercessão permanente junto do Pai (Oração universal), interiorizado na comunhão. A cruz é tragédia em nível humano, porém a fé a proclama como revelação suprema do amor de Jesus e início da vida nova que dele brota.
Neste dia a Igreja fica concentrada diretamente sobre a contemplação silenciosa e adorante do evento da crucifixão. Não celebra a memória sacramental da morte de Cristo com a Missa. A cruz é o “eixo do mundo”, diziam os Padres da Igreja, pois nela se manifesta o extremo compromisso de Deus em favor do mundo. Este amor divino é o que sustenta o mundo.
O estilo de Deus é loucura para os homens (cf. 1 Cor 3,18 -25), como o silêncio da morte ignominiosa na cruz. Porém este silêncio se torna o grito mais alto que testemunha seu amor sem limite.



O grito sofrido e confiante de Jesus, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34; Sal 21, 2), assume em si mesmo o grito dos crucificados de todos os tempos, e abre para eles a esperança, pois “por isso Deus o exaltou e lhe concedeu um título (Kyrios- Senhor) que é superior a todo título”, e o fez raiz e modelo de vida nova entre os irmãos (Fil 2, 6-9).
O perdão invocado sobre os algozes: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34) e a entrega confiante ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (cf. Sal 31,6 - Lc 23,46), abrem caminho definitivo para a comunhão renovada com Deus, abolindo todo impedimento ou outra mediação: “Jesus, porém, tornado a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do templo se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam” (Mt 27,50 -51).
A Igreja hoje se reveste do silêncio mais do que de palavras. A celebração da Paixão se abre e acaba com a assembléia em silêncio! Ela fica olhando intensamente o esposo e cruza seu olhar com o olhar compassivo dele, que lhe transmite toda a força do seu amor. É do encontro deste recíproco olhar no amor que nascem os namorados e as namoradas de Cristo, os que chegam a doar a própria vida por ele e como ele.
Nas salas cinematográficas do Brasil está estreando nestes dias o filme “Homens e Deuses” (Des Hommes et des Dieux), do diretor francês Xavier Beauvois. Narra a história simples e extraordinária dos sete monges trapistas mortos em 1997, em maneira ainda misteriosa por mão violenta, no mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia. Testemunhas de amor gratuito e sem limites entre si e com os habitantes muçulmanos da região, impelidos pela profunda relação pessoal de cada um com Cristo, única razão para ficarem solidários entre si e com os irmãos muçulmanos, se necessário até o martírio, como de fato aconteceu. É esta relação pessoal no amor que faz Cristo crucificado e sua páscoa tornar-se contemporâneos para com cada um de nós.
Na sua fé a Igreja contempla o mistério da cruz na sua integridade, deixando-se guiar pela visão teológica da Paixão escrita por João. Ela faz da cruz o “evento de salvação”, da elevação violenta de Jesus na cruz a sua glorificação, e do “crucificado” o “Senhor” que dá a vida, derramando o Espírito criador (cf. Jo 19,30). A arte da Igreja, até o séc. 13, teve a ousadia de representar Jesus crucificado, como o Vivente, o Rei vitorioso e o Sacerdote do Pai. Do seu lado transpassado nasce o admirável sacramento da Igreja (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 5).
A religiosidade popular do Brasil, herdeira da religiosidade popular de Portugal colonial, tem ainda dificuldade de integrar a cruz na ressurreição. Deixando-se guiar pela liturgia, existe bastante espaço para valorizar a sensibilidade do povo brasileiro para o Cristo sofredor, tão próximo à sua história e, ao mesmo tempo, reconstruir a integridade da boa nova libertadora de Jesus e do seu mistério pascal.
Sábado Santo: dia do silêncio de Deus e dos homens
O Sábado santo é o dia do grande silêncio. Só a Liturgia das Horas acompanha as etapas do dia.
Um dia vazio ou, ao invés, um dia de silêncio contemplativo e fecundo, de espera e de esperança, suscitada pela gestação silenciosa da nova criatura no seio da terra e do coração de Deus?
“Que está acontecendo hoje?”, se pergunta o autor de uma antiga homilia sobre o sábado santo (séc. IV). “Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos.” (LH, IV, Sábado santo).
O Sábado santo testemunha que Deus continua descendo até as entranhas mais obscuras e ambíguas da alma humana, e nas experiências mais marginalizadas, para recuperá-las e trazê-las à vida. Nada e ninguém é abandonado a si mesmo. Aprender a conviver com a “fraqueza” de Deus, com os silêncios de Deus, com os tempos e os diferentes ritmos de Deus, dos seus projetos, com a pedagogia com a qual ele nos dirige e acompanha com amor fiel embora às vezes incompreensível. Eis a lição do Sábado santo. O Sábado santo não é somente o segundo dia do tríduo: é uma dimensão constitutiva da identidade cristã e de todo caminho espiritual cristão.
Para perceber e acolher a voz silenciosa que sobe da escuridão, é preciso o silêncio interior que abre à escuta e à uma visão mais aguda.
A grande Vigília da noite e o domingo de Páscoa
A grande vigília da noite, junto com o dia de Páscoa, constitui o cume do Tríduo sagrado e do caminho quaresmal.
São a noite e o dia destinados por sua natureza a iniciar/introduzir os catecúmenos à fundamental relação pessoal com Cristo através dos sacramentos da iniciação cristã. Com as palavras dos profetas Oséias e Isaías (4a Leitura: Is 54,5-14), a liturgia chama esta vigília de “noite das núpcias” de Cristo com a Igreja. Ele a torna mãe fecunda, capaz de gerar novos filhos ao Senhor nas águas maternais do batismo. Santo Ambrósio, nas suas catequeses mistagógicas sobre a iniciação cristã, descreve o encontro pessoal do neo-batizado com Cristo na eucaristia como o encontro apaixonado do amado com a amada do Cântico dos Cânticos! [1]
É a noite-dia em que também os “fieis” são chamados a renovar seu compromisso batismal (renovação das promessas batismais), pois o batismo é a fonte que alimenta toda experiência espiritual cristã.
A vigília se articula em quatro etapas que bem representam o caminho da iniciação e o do progresso espiritual ao longo da vida: liturgia da luz – liturgia da palavra – liturgia batismal – liturgia eucarística.
Quatro linguagens rituais para celebrar o único mistério de Cristo morto e ressuscitado, Elas destacam a passagem do batizado de uma existência nas trevas e na morte do pecado para uma vida nova em Cristo, para viver como ressuscitados.
- Liturgia da luz: Uma luz nasce de repente no coração da noite. Do círio pascal, símbolo de Cristo, recebem luz as velas de toda a assembléia que se põe a caminho. A reação frente a tamanho dom de Deus é o grito de alegria do “Exultet”, quase contraponto ao grito sofrido da Sexta-feira santa e ao silêncio adorante do sábado.
- Liturgia da Palavra: As sete leituras do AT e as duas do NT constituem a profunda contemplação das etapas de toda a história da salvação, desde a criação do mundo, através da história de Israel no AT, até à ressurreição de Jesus, e à proclamação que os batizados participam por graça à ela, iniciando o caminho do novo povo de Deus (Rm 6,3-11). A vida espiritual do cristão é continuidade e realização da mesma e única história da salvação, na espera do seu cumprimento com a vinda gloriosa de Cristo.
- Liturgia batismal: Constitui a passagem forte da vigília pascal. É a meta da longa preparação quaresmal para os catecúmenos, assim como para os já batizados.
O processo de preparação – como vimos, ao seguir a estrutura dos domingos da quaresma – destacou os variados horizontes e exigências para entrar na experiência sacramental e de relação pessoal com Cristo, e fazer desta relação a fonte e o critério de uma nova existência.
A renovação das promessas do batismo por parte de toda a assembléia abre estes horizontes, destaca estas exigências, confirma esta graça.
- Liturgia eucarística. Partilhar o corpo e o sangue do Senhor à mesa do altar é o dom supremo que os neo-batizados e os renovados na graça do batismo vão receber do próprio Cristo ressuscitado. Eles são introduzidos no mesmo dinamismo do Senhor. “Quando vai receber o corpo de Cristo nas mãos – sublinha Santo Agostinho aos recém-batizados – e ouvis o sacerdote dizer “É o corpo de Cristo”, tu respondes “Amém”. Tu recebes o corpo de Cristo, que sois vós”.
A nova existência alimentada pelo Espírito do Ressuscitado é vivificada por um novo dinamismo que produz os frutos do Espírito: alegria, paz, confiança filial, solidariedade fraterna.
O canto do Aleluia constitui o emblema da Páscoa e da vida nova em Cristo. Brota da alegria da fé, se irradia através da vida renovada, antecipa a plenitude da esperança: “A Paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada... É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia! Louvai o Senhor!... Mas louvai com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, a vossa vida, as vossas ações. (S. Agostinho, Com. Salmos, 148 1-2; 5a Semana do Tempo Pascal, Sábado LH II, pg 779).
“Ó Deus, por vosso Filho unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova” (Domingo de Páscoa, Oração do dia)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Aparição de La Salette e suas Profecias: Meditação oportuna na Semana Santa





A Semana Santa é o momento de fazermos uma reflexão sobre nós e nosso relacionamento com Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada um deve se colocar sozinho diante do Crucifixo, diante da imagem de Nossa Senhora das Dores, e esquecer o mundo inteiro. Diante de Deus, fazer esta pergunta: eu tenho consciência do que custou a minha salvação? Tenho idéia das dores que custaram as graças todas que tenho recebido?


Tenho idéia de que, no alto da Cruz, Nosso Senhor Jesus Cristo pensou nominalmente em cada homem, desde o começo até o fim do mundo? E que, portanto, eu passei pela mente divina d’Ele, com pensamento de misericórdia, de bondade e de salvação? Ele viu a minha alma, viu minha pessoa. Ele amou o meu ser, criado por Ele, e se imolou num ato de amor, porque quis minha salvação.


Tenho idéia de que a minha salvação custou tudo isso? Tenho idéia do modo pelo qual eu tenho correspondido a isso? Tenho idéia do que tem sido a minha ingratidão? Jesus rumo ao Calvário, Barna da Siena Quantas faltas cometidas, muitas vezes por imprudência, simplesmente porque não quis evitar uma ocasião de pecado, porque eu não quis fazer uma pequena mortificação! Pecando, peguei o Sangue de Cristo e o joguei na sarjeta. Sangue derramado por mim, e mesmo assim eu me pus em condições de perdição. E Deus ainda me tolerou nesta vida, me suportou e me esperou com outras graças novas, ainda maiores do que aquelas graças que eu tinha recebido.

E agora estou mais uma vez no momento da Semana Santa, uma ocasião de graças. O flanco de Nosso Senhor Jesus Cristo está aberto, jorrando misericórdia para mim e chamando-me à contrição, à penitência, à reconciliação magnífica com Ele. Há uma efusão de bondade e de carinho, como eu jamais poderia imaginar. Na Semana Santa, minha primeira preocupação deve ser a de pensar na minha alma. Pensar sem temor, sem pânico, porque Deus é o Pai de Misericórdia e Nossa Senhora é a Mãe e canal de todas as misericórdias. Pensar com seriedade, pensar a fundo. Colocar-me diante do Sangue de Cristo que corre, avaliar o que eu fiz desse sangue.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, março de 2008)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que é Semana Santa




A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.


Domingo de Ramos O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.


Quinta-feira Santa Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:


Bênção dos Santos Óleos Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:


Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.


Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.


Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.


Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.


Sexta-feira Santa Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.


Sábado Santo No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.


Vigília Pascal Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.


Domingo de Páscoa A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-Feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.


A data da Páscoa A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. Domingo de Carnaval - 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas - 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos - 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo - 49 dias depois.Corpus Christi - 60 dias depois.


Símbolos da Páscoa Cordeiro: O cordeiro era sacrificado no templo, no primeiro dia da páscoa, como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo. Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (1Cor 5, 7). João Batista, quando está junto ao Rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jô 1, 29 e 36).Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados ( Is 53, 7-12). Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. ( Ap 5,6.12; 13, 8).


Pão e vinho: Na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.


Cruz: A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicéia, em 325 d.C., Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.


Círio Pascal: É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda a treva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois cravam-se cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus, e as letras “alfa” e “ômega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significam o princípio e o fim de todas as coisas.


Fonte: Shalom

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A verdadeira simplicidade e grandeza da santidade




Receita do Papa para ser santo: Eucaristia, oração, caridade.

O Papa Bento XVI disse hoje, diante dos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral, que a santidade é algo simples e acessível a todos: viver a vida cristã. Concretamente, ele salientou que o essencial é ir à Missa aos domingos, rezar todos os dias e tentar viver de acordo com a vontade de Deus, isto é, amando os outros. O Santo Padre quis dedicar o encontro de hoje a refletir sobre a realidade da santidade, encerrando assim um ciclo sobre histórias de santos, que começou há dois anos e no qual percorreu as biografias de teólogos, escritores, fundadores e doutores da Igreja.

Em sua meditação, o Pontífice sublinhou que a santidade não é algo que o homem pode alcançar pelas suas forças, mas que vem pela graça de Deus. "Uma vida santa não é primariamente o resultado dos nossos esforços, das nossas ações, porque é Deus, três vezes Santo (cf. Is 6, 3), que nos torna santos, e a ação do Espírito Santo, que nos anima a partir do nosso inteiro, é a própria vida de Cristo Ressuscitado, que se comunicou a nós e que nos transforma", explicou. A santidade, afirmou, "tem sua raiz principal da graça batismal, no ser introduzidos no mistério pascal de Cristo, com o qual Ele nos dá seu Espírito, sua vida de Ressuscitado". No entanto, acrescentou, Deus "sempre respeita a nossa liberdade e pede que aceitemos este dom e vivamos as exigências que ele comporta; pede que nos deixemos transformar pela ação do Espírito Santo, conformando a nossa vontade com a vontade de Deus". Partindo da premissa de que o amor de Deus já nos foi dado pelo Batismo, agora se trata, segundo Bento XVI, de "fazê-lo frutificar".

"Para que a caridade, como uma boa semente, cresça na alma e nos frutifique, todo fiel deve ouvir a Palavra de Deus voluntariamente e, com a ajuda da sua graça, realizar as obras de sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da liturgia sagrada, aproximar-se constantemente da oração, da abnegação, do serviço ativo aos irmãos e do exercício de todas as virtudes", explicou. Longe da linguagem solene, o Papa propôs "ir ao essencial", resumindo a santidade em três pontos: o primeiro "é não deixar jamais um domingo sem um encontro com Cristo Ressuscitado na Eucaristia; isso não é um fardo, mas a luz para toda a semana". O segundo é "não começar nem terminar jamais um dia sem pelo menos um breve contato com Deus".

E o terceiro, "no caminho da nossa vida, seguir os "sinais do caminho" que Deus nos comunicou no Decálogo lido com Cristo, que é simplesmente a definição da caridade em determinadas situações". "Penso que esta é a verdadeira simplicidade e grandeza da vida de santidade: o encontro com o Ressuscitado no domingo; o contato com Deus no começo e no final do dia; seguir, nas decisões, os ‘sinais do caminho' que Deus nos comunicou, que são apenas formas da caridade." "Daí que a caridade para com Deus e para com o próximo sejam o sinal distintivo de um verdadeiro discípulo de Cristo.

Esta é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos", acrescentou. "Quão grande, bela e também simples é a vocação cristã vista a partir desta luz! - exclamou o Papa. Todos nós somos chamados à santidade: é a própria medida da vida cristã." "Eu gostaria de convidar todos vós a abrir-vos à ação do Espírito Santo, que transforma as nossas vidas, para ser, também nós, como peças do grande mosaico de santidade que Deus vai criando na história, de modo que o rosto de Cristo brilhe na plenitude do seu fulgor." Por isso, exortou, "não tenhamos medo de dirigir o olhar para o alto, em direção às alturas de Deus; não tenhamos medo de que Deus nos peça muito, mas deixemo-nos guiar, em todas as atividades da vida diária, pela sua Palavra, ainda que nos sintamos pobres, inadequados, pecadores: será Ele quem nos transformará segundo o seu amor". Os santos, afirmou o Papa, "nos dizem que percorrer esse caminho é possível para todos.

Em todas as épocas da história da Igreja, em todas as latitudes da geografia no mundo, os santos pertencem a todas as idades e condições de vida, são rostos verdadeiros de todos os povos, línguas e nações". Em sua opinião, "muitos santos, nem todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história", e não só "os grandes santos que eu amo e conheço bem", mas também "os santos simples, ou seja, as pessoas boas que vejo na minha vida, que nunca serão canonizadas". "São pessoas normais, por assim dizer, sem um heroísmo visível, mas, na sua bondade de cada dia, vejo a verdade da fé. Essa bondade, que amadureceram na fé da Igreja, é a apologia segura do cristianismo e o sinal de onde está a verdade", concluiu.

Fonte: CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 13 de abril de 2011 (ZENIT.org)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

“proibir” a fofoca



Inocula veneno dentro da Igreja

"Aqui não se fofoca!". Esse aviso deveria ser colocado em muitos ambientes de convivência, segundo sugeriu na sexta-feira o padre Raniero Cantalamessa OFM cap, na meditação de Quaresma que dirigiu a Bento XVI e seus colaboradores da Cúria Romana. Ao discutir a frase da Carta de São Paulo aos Romanos, que "a caridade não seja fingida", o frade capuchinho considerou que no campo da caridade na Igreja há um aspecto que precisa de conversão: o ato de ficar julgando uns aos outros. O fato de julgar não é em si algo mau, esclareceu, o que é verdadeiramente mau é "o veneno do nosso julgar": "o rancor, a condenação".


Perante o Papa, cardeais, bispos, sacerdotes e religiosos presentes na capela Redemptoris Mater do Palácio Apostólico, Cantalamessa explicou que, "em si, julgar é uma ação neutra"; "o juízo pode terminar tanto em condenação quanto em absolvição e justificação". "São os juízos negativos os que a palavra de Deus reprime e elimina, aqueles que condenam o pecador junto com o pecado, aqueles que olham mais para a punição do que para a correção do irmão", disse. "Para estimar o irmão, é preciso não estimar demais a si mesmo - prosseguiu -; é necessário ‘não ter uma visão alta demais de si próprio'". "Quem tem uma ideia muito alta de si mesmo é como um homem que, à noite, tem diante dos olhos uma fonte de luz intensa: não consegue ver nada além dela; não consegue ver a luz dos irmãos, seus dotes e seus valores." "‘Minimizar' deve se tornar o nosso verbo preferido nas relações com os outros: minimizar os nossos destaques e minimizar os defeitos alheios. Não minimizar os nossos defeitos e os destaques alheios, como somos tantas vezes levados a fazer; é diametralmente o oposto!"


A fofoca

A fofoca mudou de nome, chama-se ‘gossip', afirmou Cantalamessa. "Parece ter virado coisa inocente, mas é uma das que mais poluem a vida em grupo". "Não basta não falar mal dos outros; precisamos também impedir que os outros o façam em nossa presença; fazê-los notar, mesmo que silenciosamente, que não estamos de acordo." "Em muitos locais públicos está escrito ‘Aqui não se fuma'. Antigamente havia até alguns avisos de ‘Aqui não se blasfema'. Não faria mal acrescentar, em alguns casos, ‘Aqui não se fofoca'".


Fonte: Padre Cantalamessa sugere (ZENIT.org)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Para Refletir




Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz: - Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...

O médico então perguntou: - Muito bem. O que a senhora quer que eu faça?


A mulher respondeu: - Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.


O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher: - Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.


Ele então completou: - Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...


A mulher apavorou-se e disse: - Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime.

- Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la. O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno. O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!

*Se gostou, divulgue o nosso Blog de Oração. Juntos podemos salvar uma vida!


Você sabe desde quando Deus te ama? DESDE O VENTRE DA TUA MÃE!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Papa: que atitude assumimos frente a Jesus?


Queridos irmãos e irmãs!

O itinerário quaresmal que estamos vivendo é um tempo de graça particular, durante o qual podemos experimentar o dom da benevolência do Senhor para conosco. A liturgia deste domingo, chamado ‘Laetare’, convida-nos à alegria, à plenitude, tal e como proclama a antífona da entrada da celebração eucarística: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” (cf. Is 66, 10-11).

Qual é a razão profunda desta alegria? Diz-nos o Evangelho de hoje, em que Jesus cura um homem cego de nascimento. A pergunta que o Senhor Jesus dirige àquele que havia sido cego constitui o cume do relato: “Tu crês no Filho do Homem?” (Jo 9, 35). Aquele homem reconhece o sinal realizado por Jesus, e passa da luz dos olhos à luz da fé: “Eu creio, Senhor!” (Jo 9, 38). Há que ressaltar como uma pessoa simples e sincera, de forma gradual, realiza um caminho de fé: em um primeiro momento, encontra-se com Jesus como um “homem” entre os demais, depois o considera um “profeta”, finalmente, seus olhos se abrem e o proclama “Senhor”. Em oposição à fé do cego curado está o endurecimento do coração dos fariseus, que não querem aceitar o milagre, porque rejeitam acolher Jesus como o Messias.


A multidão, em contrapartida, detém-se a discutir sobre o fato e permanece distante e indiferente. Os próprios pais do cego são vencidos pelo medo do julgamento dos demais. E nós, que atitude assumimos frente a Jesus? Também nós, por causa do pecado de Adão, nascemos “cegos”, mas frente à fonte batismal fomos iluminados pela graça de Cristo. O pecado tinha ferido a humanidade, destinando-a à escuridão da morte, mas em Cristo resplandece a novidade da vida e a meta à qual fomos chamados. N’Ele, revigorados pelo Espírito Santo, recebemos a força para vencer o mal e realizar o bem. De fato, a vida cristã é uma configuração contínua a Cristo, imagem do homem novo, para chegar à plena comunhão com Deus. O Senhor Jesus é “a luz do mundo” (Jo 8, 12), porque n’Ele “resplandece o conhecimento da glória de Deus” (2 Cor 4, 6), que continua revelando na complexa trama da história qual é o sentido da existência humana. No rito do Batismo, a entrega da vela, acesa no grande círio pascal símbolo de Cristo Ressuscitado, é um sinal que ajuda a captar o que acontece no Sacramento.

Quando nossa vida se deixa iluminar pelo mistério de Cristo, experimenta a alegria de ser libertada de tudo que ameaça sua realização plena. Nestes dias que nos preparam para a Páscoa, reavivemos em nós o dom recebido no Batismo, essa chama que às vezes corre o risco de ser sufocada. Que nós a alimentemos com a oração e a caridade com o próximo. À Virgem Maria, Mãe da Igreja, confiamos o caminho quaresmal, para que todos possam encontrar Cristo, Salvador do mundo.

Fonte: CIDADE DO VATICANO, domingo 3 de abril de 2011 (ZENIT.org)

sábado, 2 de abril de 2011

IV Domingo da Quaresma




Leituras: 1 Sm 1b.6-7.10-13a; Ef 5, 8-14; Jo 9, 1- 41 “Laetare, Jerusalém!” Com o nome derivado da primeira palavra latina da Antífona de Entrada, este 4º domingo da quaresma, é apelidado de “Domingo Laetare”, dia de alegria e de luz que antecipa a grande alegria da páscoa. É o próprio Senhor e seu amor fiel, amplamente demonstrado ao longo da história, a razão última da alegria e da esperança para Jerusalém, cidade que o Senhor escolheu e amou como sua esposa. Para ela e junto com ela, ele vai construir um novo futuro, quase uma nova criação - “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações! (Antífona de Entrada - Is 66, 10-11).


Com o olhar penetrante da fé, a Igreja vislumbra na profecia de Isaías o evento salvador de Cristo e a própria sorte, junto com a da nova humanidade gerada na sua cruz e ressurreição. “Eis a luz de Cristo! Demos graças a Deus!” Este é o grito de alegria, cantado por três vezes em tom crescente, com o qual a Igreja abre a grande Vigília da noite da Páscoa. É a alegre expressão da fé que o Senhor Ressuscitado está presente no meio da assembléia celebrante e que ela mesma está participando por graça à sua ressurreição. O grande Círio pascal, aceso no fogo novo, e em cuja flama vão se acendendo aos poucos as velas da assembléia orante a caminho, rumo ao recinto da Igreja, é símbolo do próprio Cristo morto e ressuscitado. Ele precede a comunidade dos que acreditam nele, e com sua obra e sua palavra, quebra o domínio das trevas e ilumina o caminho novo da humanidade. O evento da páscoa de Jesus, com sua vitória sobre as trevas do pecado e da morte, constitui a origem e a meta do caminho do povo de Deus que fica peregrinando na história, iluminado por Cristo. A sua celebração sacramental na noite da Páscoa constitui por sua vez a origem e a meta do caminho quaresmal que cada ano se renova, para atingir, através do dinamismo do Espírito do ressuscitado, uma participação sempre mais profunda à vida de Cristo. “Irmãos, outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor.


Vivei como filhos da luz” (2 leitura – Ef 5,8). O apóstolo destaca que com o batismo não só gozamos da luz do Senhor para conduzir uma vida certa, mas que em força desta relação vital para com ele, “somos luz” no Senhor, participamos do seu ser, da sua vida. Desta participação nasce a possibilidade e o chamado a viver como “filhos da luz”, isso é a atuar e agir com seu mesmo estilo. O batismo constitui a inserção dos fiéis no dinamismo vital da páscoa do Senhor. A Igreja, com sábia pedagogia, através da liturgia da palavra dos domingos da quaresma, nos introduz progressivamente no mistério pascal e no coração da iniciação cristã, quase antecipando em síntese o caminho da Vigília pascal. O Lecionário, reestruturado pela reforma promovida pelo Concílio Vaticano II, nos entregou novamente, numa sucessão orgânica e eloqüente, as leituras bíblicas que desde os séculos antigos ilustravam na liturgia de Roma o caminho dos catecúmenos rumo à iniciação cristã. Ao longo do tempo ficara perdido o sentido da quaresma como caminho de iniciação, em favor da quaresma como caminho penitencial. As leituras bíblicas correspondentes ficaram dispersas em variadas celebrações das férias, sem a visão original de conjunto. O povo de Deus não teve mais contato orgânico com elas. Sobretudo na quaresma - páscoa experimentamos a verdade profunda das afirmações do papa Bento XVI quando menciona a importância do atual Lecionário das Missas: “A reforma desejada pelo Concílio Vaticano II mostrou os seus frutos, tornando mais rico o acesso à Sagrada Escritura que é oferecida abundantemente sobretudo nas leituras do domingo. A estrutura atual, além de apresentar com freqüência os textos mais importantes da Escritura, favorece a compreensão da unidade do plano divino, através da correlação entre as leituras do Antigo e do Novo Testamento, centrada em Cristo e no seu mistério pascal” (Exortação Apostólica Verbum Domini (2010), n. 57). Nas catequeses oferecidas aos catecúmenos nas homilias mistagógicas dos Padres da Igreja, ou através das imagens dos mosaicos que ornavam as paredes das igrejas antigas, a cena de Jesus que cura o cego de nascença ocupava um lugar central. Como em toda a narrativa do evangelista João, também na narração deste episódio, encontramos a dimensão do evento milagroso e o seu valor de “sinal” destinado a suscitar a fé dos protagonistas e a iluminar a fé dos leitores de cada tempo. No relato encontramos dois processos interiores que vão num sentido contrário. O cego passa através de um caminho de iluminação interior que o conduz progressivamente a penetrar sempre mais profundamente o mistério de Jesus e sua relação com ele: reconhece em Jesus inicialmente o homem (Jo 9,11), depois o profeta (v.17), um homem que procede de Deus (v. 33), para desaguar ao fim na confissão da sua fé plena em Jesus Senhor (v. 38). Ao contrário, as autoridades se envolvem numa progressiva cegueira. Não querem reconhecer a manifestação de Deus em Jesus. Prisioneiros dos próprios preconceitos, presumem “ver e julgar” a Jesus (v. 24), ameaçam e insultam o cego (v. 28) e ao fim, o expulsam da comunidade (v. 34-35). Na realidade eles mesmos constroem o próprio julgamento de condenação diante de Deus (v. 39-41). A aceitação ou a recusa de Jesus se torna critério de julgamento autêntico da qualidade das obras de cada pessoa e da sua real escolha entre a luz e as trevas. O duplo dinamismo que encontramos na relação do cego e das autoridades judaicas com Jesus, se torna um critério permanente para avaliar a relação de cada um com Jesus. “O julgamento consiste nisso: a luz veio no mundo, e os homens preferiram as trevas à luz. É que suas ações eram más. Quem age mal detesta a luz e não se aproxima da luz, para que não delate suas ações. Quem procede lealmente aproxima-se da luz, para que se manifeste que procede movido por Deus” (Jo 3, 19-21). O batismo era indicado nas catequeses dos Padres da Igreja como “iluminação” e aqueles que eram batizados eram chamados de “iluminados”. Ainda hoje um pequeno, mas significativo rito complementar da celebração do batismo, põe em evidência sua dimensão iluminadora, que abre o caminho para seguir a Jesus e partilhar seus critérios de julgamento, que não olham as aparências enganadoras mas a verdade profunda das coisas e das pessoas. É a entrega da vela batismal acesa no círio pascal e entregue ao batizado adulto ou aos pais e padrinhos da criança, com as palavras: “Recebei a luz de Cristo. Caminha sempre como filho da luz, para que perseverando na fé, possas ir ao encontro do Senhor com todos os santos no reino celeste” (Rito da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA). N. 265).


A avaliação inicial do profeta Samuel sobre os filhos de Jessé, guiado pelo aspecto exterior, e a escolha final de Davi, o mais novo, depois da correção do profeta por parte do próprio Deus, é exemplo significativo da diferença que passa entre o julgamento dos homens e o de Deus (1ª leitura). Como os prefácios dos outros domingos da quaresma, o de hoje proclama o louvor ao Pai, estruturando as razões específicas do seu canto a partir da mensagem fundamental do Evangelho e da sua relação intrínseca com o batismo. “Pelo mistério da encarnação, Jesus conduziu a luz da fé à humanidade que caminhava nas trevas. E elevou à dignidade de filhos e filhas os escravos do pecado, fazendo-os renascer das águas do batismo”. Este texto é um exemplo muito significativo de como toda nossa oração deveria deixar-se inspirar pela Palavra proclamada na liturgia ou meditada pessoalmente. A escuta amorosa do Pai tem que ter o primeiro lugar na oração cristã. A escuta na fé produz a palavra confiante dos filhos e das filhas. Nisto a liturgia é grande mestre de vida espiritual e de oração. A luz/vida recebida no batismo é uma potencialidade divina a desenvolver, deixando-se guiar pela luz interior do Espírito, e procurando viver coerentemente segundo os impulsos interiores do mesmo, que conduz a um estilo de vida no qual se manifesta e resplandece a luz do mesmo Cristo. “Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se bondade, justiça, verdade. Discerni o que agrada ao Senhor. Não vos associais às obras das trevas que não levam a nada; antes desmascarai-as.... Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá” (Ef 5, 8-11;14).


Na linha desta perspectiva da conformação progressiva a Cristo realizada pela sua luz transformadora, o apóstolo destaca como o caminho do discípulo, ao longo da vida, fica sendo um duro combate espiritual entre a luz de Cristo e as trevas do mundo que em nós habitam e nos circundam, e que tendem a nos ocupar novamente. É preciso fortalecer-se do poder de Deus e revestir-se da armadura do Espírito e de todos seus instrumentos (Ef 6, 10-17). Desde o início a sorte do Verbo, que é a vida e a luz, é a de brilhar nas trevas, de encontrar oposição, mas as trevas não conseguem apreendê-la. Pois ela é a verdadeira luz que ilumina todo homem ao vir ao mundo (cf. Jo 1, 4-5; 9). No contexto da solene festa judaica das cabanas, que celebrava a memória da grande aventura do êxodo, quando a nuvem e a coluna luminosa tinham guiado o caminho do povo de Deus no deserto, João faz proclamar a Jesus uma das suas auto-definições mais potentes, capaz de orientar e sustentar o caminho atribulado e as esperanças dos discípulos de todo tempo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Paradoxo da fé! Os místicos nos falam das terríveis experiências das trevas por eles experimentadas de maneira crescente e cada vez mais doloridas, na medida em que a graça do Senhor os introduz no conhecimento e na comunhão mais profunda para com ele. A saída de Judas da sala da última ceia de Jesus com os discípulos, depois de ter tomado o bocado do pão molhado das mãos do próprio Jesus, marca o cume da prepotência das trevas: “Atrás do bocado entrou nele Satanás... Apenas tomou o bocado, saiu. Era noite” (Jo 13, 27;30). Mas a entrega de Jesus em plena liberdade aos inimigos, junto com a afirmação da sua suprema liberdade de Filho, se torna origem da liberdade dos discípulos frente à violência das trevas ao longo da história.


Não parece um paradoxo a afirmação de Jesus que também os discípulos, na medida em que se deixam envolver na sua experiência de total dedicação ao Pai, se tornarão eles mesmos luz irradiante da luz de Cristo para o mundo: iluminados e iluminadores. “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte.... Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está no céus” (Mt 5, 14 – 16). A perspectiva final da história, vislumbrada pelo profeta, e permeada pelo fermento da páscoa, não seja talvez a de uma cidade ao fim radicalmente transfigurada pela luz transformadora do Cordeiro e iluminada pela glória de Deus? “Não vi nenhum templo nela, pois o seu templo é o Senhor, o Deus todo poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa do sol ou da lua para a iluminar, pois a glória de Deus a ilumina, e sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21, 22-23). “Oh noite feliz, só tu, soubeste a hora em que o Cristo da morte ressurgia; é por isso que de ti foi escrito: A noite será luz para o meu dia!